KAPITTEL 1. OM SHP-SATSINGEN
1.2 Sentrale kjennetegn ved SHP-satsingen
Para tratar o tema da amamentação em Winnicott, é importante assinalar que, para ele, a “alimentação do bebê constitui apenas uma parte, mas uma das mais importantes partes [...] de uma relação entre dois seres humanos [...] [sendo, então, o] “ato de pôr em prática a relação de amor entre dois seres humanos” (Winnicott 1945c, p. 31).
Cabem aqui alguns comentários a respeito dos usos que o autor fez da palavra “amor”. Já está claro que Winnicott preferiu muitas vezes adotar palavras da linguagem corrente ao invés de termos técnicos. Nesse sentido, a coloquial palavra “amor” foi muito utilizada para tratar dos estreitos laços que se desenvolvem entre mãe e bebê no início da vida. Do ponto de vista da mãe, o amor foi descrito como:
[...] algo semelhante a uma força primitiva [...] [em que] se conjugam o instinto de posse, o apetite e até certo elemento de contrariedade, em momentos de exasperado humor; e há nele generosidade e humildade, também (Winnicott 1957n, p. 17).
Como já vimos, Winnicott referiu-se ao amor materno também em termos de “identificação materna primária”, ou seja, da capacidade da mãe de se colocar no lugar de seu bebê, “o que lhe possibilita ir ao encontro das necessidades básicas do recém-nascido, de forma que nenhuma máquina114 pode imitar, e que não pode ser ensinada” (Winnicott 1964c, p. 30).
O autor também destacou como um dos componentes do amor materno o elemento do prazer que a mãe pode sentir na amamentação, nas experiências de intimidade e de cuidado: “O prazer da mãe tem que estar presente nesses atos ou então tudo o que fizer é monótono, inútil e mecânico” (Winnicott 1949b, p. 29). Nesse sentido, abordou o problema do puritanismo:
A verdadeira dificuldade é que tão grandes sensações de prazer participam do íntimo vínculo físico e espiritual que pode existir entre a mãe e seu bebê, que as mães são presas dos conselhos de outras pessoas que parecem dizer que não devem ter tais sensações (Winnicott 1945c [1944], p. 33).
Do ponto de vista do bebê, se a mãe cuida e o amamenta com prazer, a experiência assemelha-se a “algo como o raiar do sol [...] [e] o
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Note-se que a crítica winnicottiana às formas de cuidado mecânicas não significa que o autor tenha restrições a priori ao uso dos recursos tecnológicos no campo da saúde. Por exemplo, no caso de um bebê prematuro, ir ao encontro de suas necessidades pode incluir o reconhecimento de que ele pode estar “em muito melhores condições psicológicas numa incubadeira, onde um bebê pós-maduro não estaria bem, pois precisaria de braços humanos e contato corporal” (Winnicott 1964c, p. 30).
sentimentalismo é alheio a esse amor e algo que repugna as mães”115 (Winnicott 1949b, p. 28).
Embora muitas vezes a ciência obrigue o teórico a gerar distanciamentos, Winnicott sabia que a linguagem poética116 se aproxima mais dos fatos. Como já vimos, ao tratar das relações mais imediatas, em que a linguagem dos instintos não se aplica, o autor buscou a força específica da linguagem cotidiana destituída da superestrutura psicanalítica. O uso da palavra “amor” é um bom exemplo dessas afirmações, pois, embora tenha sido emprestada do inglês coloquial, ela não foi empregada sem cuidados ou de forma ingênua. Despindo-a das possíveis implicações psicanalíticas117, o autor procurou se aproximar do fenômeno cartografando seus diferentes sentidos a cada camada do amadurecimento.
Do ponto de vista do bebê, inicialmente, o fenômeno do amor foi associado mais estritamente à fisiologia do corpo vivo. Ao longo do amadurecimento e à medida que vão sendo elaboradas, outras modalidades de envolvimento somático ensejam as mais variadas e sofisticadas formas de amor.
Essa é outra importante característica do modo de teorizar winnicottiano que deve ser destacada: os fenômenos adquirem significações
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Winnicott esclareceu que o sentimentalismo é uma forma de amor destituída de agressividade e, portanto, nociva. Um exemplo de sua aversão à visão sentimentalista da maternidade está em seu já citado “O ódio na contratransferência”, em que enumera motivos que uma mãe teria de, por momentos, odiar seu bebê, ou seja, de conhecer seu ódio e não expressá-lo. Nesse sentido, letras de canções infantis aparentemente inadequadas teriam a função de veicular sentimentos que existem, mas de que o bebê não precisa tomar conhecimento. O bebê capta apenas a qualidade da tonalidade da voz, da melodia, que pode ou não ser agradável, e não, evidentemente, o conteúdo da letra da canção.
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Discorrendo sobre o olhar do bebê nos primórdios da vida, Winnicott fez a seguinte ressalva: “temos que nos voltar para nossa experiência com pacientes psicanalíticos que podem reportar-se a fenômenos bastante primitivos e, apesar disso, verbalizá-los [...] sem que isso constitua agravo à delicadeza do que é pré-verbal, não verbalizado e não-verbalizável, exceto, talvez, na poesia” (Winnicott 1967c, p. 154).
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Loparic acrescenta que “a capacidade amorosa do bebê não pode ser reduzida ao ‘desejo’ do ‘objeto’, a um apetite meramente mental do sujeito humano [...] o mesmo pode ser dito, por exemplo, das agonias impensáveis” (Loparic 2000b, p. 12).
distintas no decorrer do amadurecimento, ou seja, quando se acrescenta a variável “tempo”. Nesse sentido, o autor remonta constantemente conceitos ao “ponto de sua origem no bebê humano em desenvolvimento” (Winnicott 1959b, p. 338). Winnicott discriminou diferentes acepções da palavra:
Cronologicamente, amar, para o bebê, significa: 1) existir, respirar, estar vivo, 2) apetite, 3) contato afetivo com a mãe, 4) integração do objeto de experiência instintual com a mãe inteira do contato afetivo, 5) fazer exigências à mãe, 6) cuidar da mãe118 (Winnicott 1965a, p. 19-20).
Note-se que, no primeiro item, a presença da mãe está implícita como um ambiente: amar, no início, significa permitir que o bebê possa existir e respirar. Esse aspecto da palavra já foi bem explorado na sessão anterior: a mãe permite que o bebê exista e respire por meio do holding, da comunicação silenciosa, do olhar. Nesse momento, o apetite ainda não é um fato, ou, ao menos, não é o fator mais importante. No segundo item, amor significa apetite, do ponto de vista do bebê; do ponto de vista da mãe, significa não se adiantar aos ritmos biológicos do bebê, permitindo que ele tenha apetite. No terceiro item, o amor ganha as colorações dos contatos corporais satisfatórios, ou uma tonalidade afetiva. No quarto e nos itens subseqüentes, o autor aponta para formas de relação entre pessoas inteiras. Tendo como foco as relações soma/psique, observa-se também que, nas diferentes configurações que o fenômeno adquire, estão implícitas, a identidade inicial soma/psique e sua diferenciação gradual − de um lado, modos de funcionamento somático possibilitados pela maturação
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Igualmente, seria possível situar, em Winnicott, outros fenômenos no contexto do amadurecimento como, por exemplo, o da raiva, destacando-se o elemento dos modos variáveis de envolvimento somático e elaboração psíquica. Apenas a título de ilustração, já sabemos que, nos primórdios, o bebê não está apto a sentir raiva, no sentido atribuído à palavra na linguagem comum, e que o potencial de agressividade se confunde com a própria vitalidade, a qual, ao encontrar oposição, se transforma em gesto agressivo.
fisiológica, aquisição de coordenação motora e esquema corporal; de outro, novos sentidos possibilitados pela elaboração imaginativa.
A classificação indica o desenvolvimento satisfatório dos encontros entre mãe e bebê que permitem que ele, por meio dos gestos ocasionados pela excitação da fome, vá ao encontro do seio, nessa relação se integre, construa sua corporeidade, elabore imaginativamente as experiências, os efeito dos encontros em seu corpo e no da mãe, ou, em linguagem corrente, indica as camadas119 de uma relação de amor e o modo como essa relação se sofistica com o tempo.