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INTERVJUGUIDER

In document Evaluering - En satsing for fremtiden (sider 115-123)

Neste ponto, espero ter sido consolidada a idéia de que as tarefas da elaboração imaginativa são bastante distintas a cada momento do amadurecimento. De início, as elaborações vão permitindo a esquematização de um corpo pessoal. Com as entradas e saídas significativas, vai se constituindo um sentido de presença no soma e os

esquemas de trocas localizadas vão se delineando − aquilo “que o corpo faz e deixa de fazer” (Loparic 2000b, p. 13):

[...] compreender o seu próprio corpo significa possibilitar a sua presença como esse ou aquele modo fatual de se ocupar das coisas e de cuidar dos seres humanos com base em certos esquemas constitutivos do mundo [...] a “fantasia” originária de Winnicott é essencialmente uma “auto-compreensão” do bebê, seguida de uma auto-interpretação137 (Loparic 2000b, p. 18).

Assim, mesmo durante as etapas em que as excitações orais e anais ainda não foram plenamente integradas, o caminho da ingestão e da digestão vai sendo elaborado pelo bebê, que vai, nas palavras de Loparic, montando “um lugar e um modo pessoal de se relacionar corporeamente com os outros e com as coisas encontradas” (Loparic 2000b, p. 18).

Durante o período da amamentação, o bebê elabora repetidas vezes as intensas excitações que por momentos tomam conta de todo o seu corpo, as também intensas sensações localizadas, por exemplo, do almofadado dos lábios, das gengivas, da língua, do interior da boca, das mãos − que “desempenham seu papel na busca de satisfação” (Winnicott 1949l, p. 37) − e das sensações de pele138 e músculos decorrentes do contato e da oposição. Após elaborar os componentes que participam do caminho de entrada do alimento e uma vez satisfeito, o bebê persegue o percurso do alimento quentinho, prosseguindo com a elaboração imaginativa das sensações relativas à digestão − o que lentamente resultará na constituição de um sentido de interior do corpo − e finalmente elaborando também o caminho de saída do alimento.

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O excerto é um exemplo da leitura que Loparic faz de Winnicott à luz de Heidegger, sendo o ponto abordado aí “um equivalente heideggeriano possível à ‘elaboração imaginativa’ de Winnicott” (Loparic 2000b, p. 18).

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Segundo o autor, “o erotismo na pele [...] [consiste parcialmente] numa extensão dos erotismo oral, anal e uretral, e que uma ênfase excessiva sobre a pele envolve sofrimento do ego” (Winnicott 1988, p. 60).

Do ponto de vista do bebê, após o clímax da excitação na amamentação, o alimento engolido está praticamente perdido. Como se disse sobre o uso dos polegares “os punhos e dedos são melhores, a tal respeito, porque ficam sempre no mesmo lugar e estão à disposição” (Winnicott 1949l, p. 38). Mas, enquanto o alimento estiver no estômago, ainda restarão algumas sensações a ser elaboradas. Podem ser desagradáveis, como a da pressão na barriga que leva ao arroto, ou decorrentes do retorno do leite, se o bebê está atormentado por excitações, que podem ocasionar choro, vômito ou “uma passagem prematura do alimento à fase seguinte” (Winnicott 1949l, p. 40). É de se ressaltar nesse ponto, também, o fato de que “a satisfação incompleta e mal-sincronizada acarreta alívio incompleto, desconforto, e a ausência de um período de descanso muito necessário entre duas ondas de exigências (Winnicott 1988, p. 57). Em situações favoráveis, o bebê tem a oportunidade de desfrutar de alguns instantes de repouso, depois da satisfação, podendo “mergulhar em beatíficas divagações” (Winnicott 1949l, p. 40). A agradável sensação de calor no estômago, decorrente da concentração de sangue, os barulhos e a movimentação dos sucos digestivos compõem o momento solene do período pós-amamentação, anterior à etapa em que o alimento já foi totalmente aceito ou absorvido, na qual se perde novamente, para o bebê.

À elaboração pura e simples das funções, que confere um sentido pessoal ao soma, com o predomínio das excitações orais, segue-se a assim chamada etapa oral, ou um período em que a coloração das fantasias inclui a idéia de incorporar. Aos poucos, à ingestão e também à excreção, são acrescentadas as tonalidades afetivas da relação que se estabelece com a mãe. Em termos dos produtos de excreção, Winnicott exemplifica:

O material desloca-se então como um corpo sólido, cujo movimento pode agradar o bebê; de fato, no momento da passagem

das fezes, pode haver tal excitação no reto que o bebê chora em conseqüência do excesso de sensação (Winnicott 1949e, p. 44). Se a mãe dá ao bebê a oportunidade de descobrir por experiência própria “que é bom armazenar o material e retê-lo por algum tempo, antes de o expelir” (Winnicott 1949e, p. 45), pode observar que, com o tempo, ele dará sinais de que evacuou. Se mãe atende ao apelo não porque quer ver o bebê limpinho, mas porque se interessa por tudo aquilo que é importante para ele, a comunicação se estabelece. Com o amadurecimento, a mãe verá seu bebê renunciar ao imenso prazer de evacuar no momento exato do impulso, retardando uma experiência instintiva com o intuito de experimentá-la no contexto de uma relação humana. Em algum momento, quando tiver controle da operação, privilegiará o afeto à satisfação imediata, podendo ora querer dominar a mãe, ora lhe oferecer presentes, livrar-se de coisas ruins dentro dele etc. O mesmo ocorre com relação à urina. Primeiro, o bebê não tem conhecimento dela; em seguida, descobre as sensações da bexiga cheia, do prazer de reter um pouco a água antes de se livrar dela − pequenas orgias que “enriquecem a vida da criança, que tornam a vida agradável e o corpo algo em que dá gosto viver (Winnicott 1949e, p. 47) − e depois enriquecerá as sensações ao experimentá-las no âmbito da relação de amor que se desenvolve entre ele e a mãe. O autor observou que, se a mãe não interfere nas experiências corpóreas mas ao mesmo tempo mantém-se acessível ao bebê, ele não perderá por nada a oportunidade de viver a experiência de se comunicar com ela. Assim, ao longo do tempo, ela poderá assistir ao bebê − por meio de suas elaborações − desenvolver uma capacidade crescente de controle e humanização das excitações primitivas. Nesse sentido, para o autor, o treino precoce está fora de questão: no tempo propício, será realizado facilmente, “visto que a mãe ganhou o direito de formular exigências que não excedem a capacidade da criança” (Winnicott 1949e, p. 48).

Essas elaborações não constituem uma etapa anal propriamente, mas parte do processo de integração do soma e de seus produtos em relação comunicativa com a mãe:

[...] no intervalo entre a primeira fase, oral, e a última, genital, há a variada experimentação de outras funções e o desenvolvimento das fantasias correspondentes. As funções anais e uretrais com as fantasias que lhe são próprias dominam de modo transitório, ou mesmo permanentemente, predeterminando assim um tipo de caráter (Winnicott 1988, p. 58).

Em algum momento, os produtos expelidos se tornarão seus, parte de um percurso que lhe diz respeito. Urina e fezes passarão a ter uma história que inclui a elaboração do modo como o alimento foi ingerido, ou seja, dos sentimentos e fantasias envolvidos na constituição dos objetos bons e maus, de acordo com experiências instintuais, satisfatórias ou não. Quando isso acontece, pode-se dizer que o bebê já reside no soma, experimenta suas funções significativamente, constituindo, nas palavras do autor:

[...] o que poderia ser chamado de uma membrana limitante, que, até certo ponto, (normalmente) é equacionada com a superfície da pele e assume uma posição entre o eu e o não-eu do lactente. De modo que o lactente vem a ter um interior e um exterior e um esquema corporal. Desse modo, começam a ter sentido as funções de entrada e saída; além disso, se torna gradativamente significativo pressupor uma realidade psíquica pessoal, ou interna, para o bebê (Winnicott 1960c, p. 45).

3.5.9 A integração da agressividade e o desenvolvimento do

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