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3. RESULTS

3.8 Self-reported compliance at 10 weeks (group B)

A coleta do material de análise foi realizada em uma escola pública de ensino regular, localizada na zona urbana de uma cidade do interior do Estado de Goiás. A referida escola está localizada no centro da cidade e trata-se de um pólo de ensino médio que oferece apenas essa modalidade de ensino, nos seguintes períodos: matutino, vespertino e noturno.

A respeito da estrutura física do espaço pesquisado, cabe destacar que a escola possui um excelente espaço físico em boas condições de uso. Neste aspecto, a escola dispõe de quatorze salas de aula, todas espaçosas e arejadas e em bom estado de conservação. Observamos também que a referida escola possui três laboratórios, a saber: um laboratório de informática, com vinte computadores; um laboratório de línguas; e um laboratório de ciências, ambos bem equipados.

Ainda quanto ao aspecto físico da escola pesquisada, observamos que ela possui uma biblioteca que oportuniza espaços de leitura e de pesquisa, com um acervo bibliográfico vasto, realidade essa que, infelizmente, não se apresenta em muitas escolas estaduais ou municipais do Estado de Goiás. Nesse sentido, poderíamos dizer que as bibliotecas das escolas da rede pública de ensino do

Estado não pareceram ser concebidas como prioridade, visto que algumas não possuem acervo bibliográfico suficiente e outras não possuem espaço físico necessário para propiciar estes espaços de leitura e de pesquisa.

A escola em questão possui ainda uma sala para os professores, uma secretaria, uma sala da coordenação pedagógica, uma quadra de esportes coberta e um pátio para as refeições dos alunos. A recreação acontece de modo coletivo, isto é, entre surdos e ouvintes juntos. Entretanto, percebemos que, em muitos momentos, os alunos surdos não se interagiam com os alunos ouvintes e permaneciam isolados durante a recreação. Em outros momentos, foi possível perceber que uma das intérpretes, com certa frequência, mediava a interação entre os alunos surdos e seus colegas ouvintes no momento da recreação no pátio da escola.

Embora a escola pesquisada apresentasse boa estrutura predial, a otimização dos espaços físicos frente à realidade dos alunos surdos não parecia ser um aspecto da sua agenda. Isso porque, em muitos casos, os espaços não atendiam à logística que essa realidade reclamava. É o caso, por exemplo, de não haver na escola salas com recursos visuais, de modo a permitir a participação pedagógica dos alunos surdos em múltiplas atividades de sala de aula. O mesmo acontece com o laboratório de informática que, ainda sendo bem equipado, não contemplava as necessidades de todos os alunos.

Observamos também que, embora a escola pesquisada contemple em seu ensino a tendência da Educação Inclusiva, a estruturação de salas com equipamentos tecnológicos específicos para atender a proposta da educação inclusiva não se apresentou ali como uma realidade tangível. No entanto, fomos informados pela diretora, quando do início do nosso trabalho de campo (05/08/2009), que a escola poderia ser contemplada com uma sala de recursos visuais, no ano de 2011.

Nessa escola, assim como nas outras escolas visitadas, os alunos surdos estudam no mesmo espaço que os alunos ouvintes, não havendo sala especial. Portanto, não há uma sala exclusivamente destinada à educação dos alunos surdos e com estrutura voltada para a demanda que reclamam as especificidades dos mesmos, como, por exemplo, equipamentos visuais, interação apenas via

Libras, etc. Essa realidade que se apresenta na escola em questão parece se embasar na própria possibilidade que muitos profissionais da educação aventaram a partir do seguinte princípio da Declaração de Salamanca (1994), a saber:

Todos os indivíduos com deficiência devem fazer parte das escolas regulares, pois todas as pessoas precisam aprender juntas, independentes de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter (SALAMANCA, 1994, p. 5.) (Grifos nossos).

No que se refere ao delineamento das atividades de sala de aula, cabe destacar que tanto na escola pesquisada, quanto nas demais escolas visitadas, as propostas de atividades se orientam pela perspectiva do bilinguismo. Isso porque essas propostas vislumbram a Libras como a primeira língua e a Língua Portuguesa como segunda língua, conforme destacamos na Introdução deste trabalho.

Essa proposta de educação nos permite pensar que, de certo modo, há uma tentativa, por parte da escola, de “garantir” o direito de o aluno surdo ser educado pela mediação da Libras. Ao que parece, essa tentativa apontoupara o cumprimento do decreto nº 5.626/05, que regulamenta a Lei 10.436/02, e que:

[...] dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular, a formação do professor, instrutor e tradutor/intérprete de Libras, a certificação da proficiência em Libras, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a inclusão de alunos surdos com a organização da educação bilíngüe nos sistemas de ensino. (BRASIL, 2007, p. 8)

No que diz respeito à Lei nº 10.436/02, notamos que essa diretriz vem afirmar que a Libras deve ser reconhecida como forma de “[...] comunicação e expressão, determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão [...]” (BRASIL, 2007, p. 7).

Desse modo, compreendemos que a escola pesquisada procura atender às orientações das diretrizes que se referem ao uso da Libras como primeira língua e a Língua Portuguesa como segunda língua.

Quanto ao aspecto da formação de professores, percebemos, a partir de informações disponibilizadas pela própria diretora da escola, que, no espaço pesquisado, não há professores nem intérpretes graduados em Libras nem professores que possuam cursos de formação específica nessa área, sendo que os intérpretes possuem apenas cursos de formação continuada em Libras. Estes são profissionais formados em outras áreas e que atuam como intérpretes a partir de uma avaliação a que são submetidos pela Secretaria Estadual de Educação, do

Esta escola conta ainda com o trabalho de um instrutor surdo que atende todas as escolas estaduais e municipais voltadas para o atendimento de alunos surdos. A experiência de se ter um instrutor surdo, na sala de aula, parece ser fruto da tentativa de oportunizar aos alunos ouvintes um contato, ainda que mínimo, com a Libras. A partir disso, compreendemos que essa tentativa parece abrir vias para a aprendizagem da Libras pelos alunos ouvintes e, com isso, de certo modo, para a interlocução entre os alunos surdos e demais alunos.

Enfim, ressaltamos que a escolha por essa escola, como espaço de coleta de material para a pesquisa, se pautou, fortemente, no critério de enfocar alunos surdos que estivessem no mesmo grau de ensino, sendo estes, no caso deste trabalho, os alunos surdos que cursavam o ensino médio. Sendo assim, destacamos que, das escolas visitadas, a escola que atendia ao nosso critério foi esta que vem analisada ao longo deste trabalho.

Passamos, a seguir, às nossas considerações a respeito dos participantes da pesquisa.