2 Theory and framework
2.3 Securitization of energy
A tentativa de estabelecimento de uma relação entre a erupção da dentição e alguns indicadores de desenvolvimento foi objecto de investigação desde o início da década de 1940. Em 1973 uma equipa de investigadores liderada por Demirjian apresentou uma metodologia de avaliação da maturação com recurso à idade dentária (Demirjian et al., 1973).
Mais recentemente, Demirjian e Gouldstein desenvolveram, em 1986, um sistema de avaliação com base na observação da erupção dos dentes, na visualização de uma porção da coroa do dente fora da gengiva ou na sensibilidade do dente ao contacto. Este método consiste na contagem do número de dentes visíveis na boca da criança e na sua posterior comparação com tabelas de referência que contêm indicações sobre a cronologia da erupção, a queda da primeira dentição e a erupção da segunda dentição. Este método apresenta contudo algumas limitações pelo facto de existir uma grande variabilidade inter-individual, de se verificar que nos períodos de transição da primeira dentição para a dentição definitiva existe uma ausência significativa de
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dentes que poderão impedir a utilização deste procedimento e pelo facto de a queda da primeira dentição, ou mesmo da dentição definitiva, poder ocorrer por motivos não naturais o que poderá impossibilitar a utilização de alguns dentes na realização dos cálculos.
Devido às limitações apresentadas, foram entretanto desenvolvidos outros métodos de avaliação da idade dentária que utilizam a mineralização dentária como indicador e recorrem a cálculos matemáticos e à análise do desenvolvimento de sete ou de quatro dentes da mandíbula esquerda com recurso a uma imagem radiológica (Demirjian & Goldstein, 1976). Este procedimento permite a utilização da imagem do desenvolvimento dos dentes ainda antes do seu aparecimento na gengiva e anula a dificuldade sentida nas situações de queda precoce ou de erupção tardia de dentes referida anteriormente.
A mineralização dentária pode ser dividida numa sequência ordenada de ocorrências através da qual é possível classificar a sua consumação. Assim, comparar-se o estado de mineralização dentária de um determinado indivíduo com os dados normalizados obtidos para uma dada população. O processo de mineralização de cada um dos dentes é então comparado com as imagens constantes numa escala com oito níveis de classificação (A a H) cujo critério se encontra definido registando-se o score correspondente ao nível mais avançado obtido por cada um dos dentes incisivos (I), caninos (C), pré-molares (PM) e molares (M).
A soma dos scores apresenta um valor correspondente à idade dentária do indivíduo, numa escala de 0 a 100, que pode ser interpretada nas tabelas de distribuição percentual de acordo com o número de dentes utilizados para calcular esta soma (sete – M1, M2, PM1, PM2, C, I1 e I2) ou (quatro M2, M1, PM2 e PM1 ou M2, PM2, PM1 e I). É ainda possível comparar o resultado obtido com os valores de referência, em função do sexo da criança.
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A utilização deste procedimento na determinação da idade dentária possui algumas limitações, relacionadas com a influência negativa que algumas condições adversas poderão exercer na mineralização, afectando não só a sua formação mas também a erupção dos dentes (doenças, subnutrição, etc.). Os resultados do Ten-state Nutrition Survey, realizado nos Estados Unidos da América (CDC, 1972), mostram que não existem diferenças significativas na erupção da dentição definitiva em crianças caucasianas pertencentes a estratos sociais altos ou baixos. O mesmo parece, contudo, não acontecer em crianças de outras etnias com as crianças negras pertencentes a estratos sociais mais elevados a apresentarem precocidade eruptiva. Adler (1958) concluiu pela precocidade das populações urbanas, enquanto Clements et al. (1957) concluíram o contrário, o que levou Garn et al. (1973) a afirmarem que as diferenças na erupção dentária excediam as condições impostas pelas condições sócio-económicas e a impor limitações óbvias à utilização da idade dentária como um método fiel de determinação da maturação e, mais recentemente, Saglam et al. (2002) a defenderem que a relação entre a idade dentária e a idade óssea não é suficientemente forte para que esta seja utilizada como um substituto da idade óssea.
A falta de relação entre a idade dentária e a idade óssea não deverá ser considerada surpreendente uma vez que os ossos e os dentes não têm origem nos mesmos folhetos germinativos (os dentes derivam da ectoderme enquanto que os ossos têm origem na mesoderme) (Demirjian & Gouldstein, 1986). A constatação da independência entre os sistemas dentário e ósseo foi corroborada por Gyulavari (1966) e Lacey (1973) e levou estes investigadores a afirmarem que, em crianças normais, os mecanismos de controlo do desenvolvimento dentário seriam diferentes daqueles que controlam o desenvolvimento ósseo. Anderson et al., (1975) concluíram então que o desenvolvimento dentário, em ambos os sexos, estaria mais fortemente relacionado com o desenvolvimento morfológico do que com a idade óssea.
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No entanto, e como resultado da evolução verificada nos métodos de avaliação da maturação, um número cada vez maior de estudos tem demonstrado uma forte associação entre os processos de maturação esquelética e dentária (Demisch & Wartmann, 1956; Bleha et al., 1976; Chertkow, 1980; Engstron et al., 1983; Coutinho et al., 1993; Uysal et al., 2003). Krailassiri et al (2002) defendem mesmo que os “estádios critério” de desenvolvimento dentário poderão ser utilizados como indicadores maturacionais no período de crescimento pubertário, uma vez que os estádios de calcificação dos dentes caninos e primeiro molar estão altamente correlacionados com a idade óssea avaliada através do método Greulich-Pyle. Estes estudos necessitam, contudo, de posterior continuação e confirmação.
Algumas das razões que poderão dificultar a utilização deste método encontram- se relacionadas com a obtenção da radiografia maxilar, uma vez que esta apenas pode ser obtida com recurso a um centro de diagnóstico radiológico ou a um consultório de medicina dentária devidamente equipado e com a exposição à radiação que neste caso é significativa e dirigida a uma zona muito sensível do corpo.