As medidas antropométricas recolhidas foram a altura, o peso, as pregas subescapular, tricipital, bicipital, iliocrital e geminal, os diâmetros bicôndilo- umeral e bicôndilo-femural e os perímetros geminal e do braço sem e com contracção, que foram recolhidas de acordo com os procedimentos da ISAK (Marfell-Jones et al., 2006).
Optamos pela recolha destas medidas uma vez que o somatório das pregas de tecido adiposo nos permitiu uma apreciação acerca da deposição deste tipo de tecido na generalidade do corpo. O mesmo raciocínio conduziu-nos à selecção dos perímetros bicipitais, com e sem contracção e dos diâmetros bicôndilo- umeral e bicôndilo-femural uma vez que nos permitiram ter uma ideia muito aproximada sobre a quantidade de massa muscular que o indivíduo possui e sobre a sua robustez física, respectivamente. O peso e a altura, conjugados com as restantes medidas, possibilitaram-nos, por sua vez, obter um conjunto de valores globais relativos de grande importância para a caracterização antropométrica de cada indivíduo.
173
A altura foi recolhida com recurso a um antropómetro de Rudolf Martin, da marca GPM. O peso foi obido com uma balança analógica Seca, com uma divisão de 100 gramas. Antes da operação de pesagem os sujeitos descalçaram-se e retiraram as roupas mais pesadas, ficando apenas em meias, calção, e t’shirt ou camisa. As pregas de tecido adiposo, ou skinfold’s, foram recolhidas com recurso a um adipómetro Slim Guide, sujeito às normas de construção universalmente estabelecidas para este tipo de aparelhos (pressão das pontas de 10mg/cm²). Os perímetros foram recolhidos com recurso a uma fita antropométrica Rosscraft e os diâmetros com recurso a um compasso GPM para pequenos diâmetros. As medidas foram recolhidas por nós uma vez que possuímos creditação de antropometrista (Technician - Full
profile) atribuída pela “The International Society for the Advancement of Khinathropometry”.
O índice de massa corporal (IMC) foi calculado com recurso aos valores de corte propostos para a população infantil por Cole et al. (2000, 2007) e pelo NCHS (2000). A percentagem de massa gorda (%MG) foi obtida com recurso à fórmula de Lohman (1986) que utiliza as pregas tricipital e subescapular [%MG = 1.35 (TRI+SBS) – 0.012 (TRI+SBS)2 – I] e na qual I assume um valor constante (intercept) em função do nível maturacional e da etnia. A opção por esta fórmula deveu-se às pregas recolhidas, à heterogeneidade da amostra relativamente à idade, às etnias que constituíam a amostra e ao facto de possuirmos os valores da idade óssea para a utilização dos valores de
intercept. Contrariamente ao que é habitual optámos por não utilizar mais
nenhuma fórmula e, evidentemente, por não calcular o valor médio da %MG uma vez que a já referida heterogeneidade da amostra nos obrigaria a introduzir um factor de variabilidade e diferenças interindividuais nos resultados que quisemos anular. A percentagem de massa livre de gordura (%MLG) foi calculada através da subtracção da PMG a 100 (Fragoso e Vieira, 2005). Sabendo o valor da massa corporal total (peso) calculamos o peso da massa gorda (PMG) com recurso à conhecida fórmula de 3 simples (MLG = massa corporal x %MG)/100. O peso da massa livre de gordura (PMLG) foi obtido através da subtracção do PMG à massa corporal total.
174 4.5.5. Idade maturacional
A idade maturacional foi avaliada com recurso à técnica Tanner-Whitehouse – TW3. A técnica de Tanner-Witheouse (Tanner et al., 2001) recorre ao desenvolvimento dos centros de ossificação de 13 ossos do punho e da mão esquerda para a obtenção de um score que não é mais do que o somatório dos valores atribuídos aos diferentes níveis de ossificação de cada um desses ossos, tendo, portanto, tido necessidade de fazer uma radiografia de punho e mão esquerda a todos os sujeitos.
Na realização da radiografia do punho utilizámos um aparelho de Raio X, modelo Ascot, 110. Com um peso aproximado de 40 kg este aparelho permitiu o seu transporte e montagem nos locais de recolha de dados, obviando a deslocação dos sujeitos da amostra até um centro de radiologia e facilitou a recolha dos dados e a realização do estudo.
Este aparelho não permitia a regulação da distância de focagem que, neste aparelho, se encontra fixada pelo constructor em 50 centímetros. A intensidade da radiação foi regulada para 42 kilovoltes (kV) e 3 miliamperes por segundo (mAs) de modo a permitir uma melhor definição de imagem. Utilizámos películas da Marca Kodak, referência MIN-R M, com as dimensões de 18 x 24 cm e chassis Kodak, MINR2.
A revelação das películas foi feita no ladoratório de DAM da Faculdade de Motricidade Humana com recurso a um revelador Gevamatic 60. Utilizámos líquidos de revelação Curix G153 e G 354, respectivamente revelador e fixador. A datação das películas foi realizada através da comparação com o atlas de referência do método Tanner Whitehouse (TW3). A técnica TW3, deriva da TW2 e corresponde à comparação do estado de ossificação de 13 ossos do punho e da mão com os modelos apresentados pelos autores (Tanner et al. 2001).
Concretamente, a datação avaliou o estado de ossificação da apófise distal do rádio, da apófise distal do cúbito, do 1.º do 3.º e do 5.º metacarpos, da falange
175
distal do polegar, das falanges próximais do 3.º e 5.º dedos, das falanges médias do 3.º e 5.º dedos, da falange distal do polegar e das falanges distais do 3.º e 5.º dedos da mão esquerda.
Cada um dos estádios de desenvolvimento é cotado pelo software deste método com um score e o somatório desses scores é disponibilizado no output do referido software em função do género e da idade em anos e meses na forma de um valor de idade óssea com três casas decimais.
O trabalho de recolha de radiografias, revelação e de datação das películas foi feita por nós uma vez que recebemos formação sobre a manipulação de aparelhos de Rx e de revelação na Faculdade de Motricidade Humana, feita pelas empresas que venderam os aparelhos ao laboratório de DAM e formação sobre o método TW3, também na FMH, realizada pelo Prof. Doutor Noel Cameron, um dos autores deste método.