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2 Theory and framework

2.2 Energy security

A utilização da estatura na predição da maturação perde-se no tempo. Com efeito, a obra de Scammon publicada no final da década de 1920 (Scammon, 1927) já apresentava valores de referência para a estatura. O interesse da estatura como indicador de maturação recebeu, no entanto, um impulso significativo com o estudo longitudinal realizado pelo instituto de pesquisa Fels que ao longo de 62 anos, entre 1929 e 1991, reuniu informações sobre o crescimento, a maturação e a composição corporal de uma população de 1036 indivíduos norte americanos, 100 por cada idade e sexo. Os resultados deste estudo permitiram estabelecer valores de referência para a estatura da população americana por idade e sexo que foram adoptados pela Organização

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Mundial de Saúde e rapidamente passaram a ser utilizados em todo o mundo como indicadores de saúde e crescimento. Porém, estas referências estaturais só se tornaram indicadores maturacionais porque foi possível, nesta época, confrontar idades ósseas com outros indicadores maturacionais como por exemplo a estatura atingida em cada idade óssea.

Os resultados do estudo Fels permitiram, então, demonstrar que: (1) independentemente das suas características morfológicas específicas a generalidade da população alcança 95% da sua estatura adulta quando atinge o pico de velocidade em altura (PVA) e; (2) pára de crescer quando alcança a plenitude da sua maturidade adulta. Estas condições não só constituíram os princípios fundamentais de utilização da maturação somática como permitiram que se utilizasse a percentagem da estatura adulta como um indicador de maturidade.

A maturação somática utiliza como referencia a percentagem da estatura adulta alcançada num determinado momento ou o pico de velocidade de crescimento em altura (PVA). O princípio subjacente à utilização da percentagem da estatura adulta alcançada num determinado momento, ou altura relativa, é o de que as crianças que crescem a um ritmo superior são adiantadas maturacionalmente e apresentam uma maior percentagem de altura relativa enquanto as que crescem mais lentamente são atrasadas e apresentam uma menor percentagem de altura relativa. Utilizando as referências populacionais em função da idade óssea e do sexo pode-se então determinar o estatuto maturacional de cada criança.

1.5.2.1. Método Roche, Weiner e Thissen

Em 1975, Roche, Weiner e Thissen publicaram os resultados de um estudo que na ocasião, se apresentava como o método mais preciso para calcular a altura adulta e permitia, indirectamente, obter indicação relativamente à maturação dos

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sujeitos. Este método aplicou um conjunto de técnicas de regressão matemática aos dados obtidos a partir do já referido estudo longitudinal Fels, calculando não só os indicadores como o peso das variáveis preditoras, para ambos os sexos, mês a mês, desde o nascimento até aos 16 anos nos rapazes e aos 14 anos nas raparigas (Roche et al., 1975). Os resultados dos cálculos apresentaram como variáveis preditoras, ou indicadores, a altura e o peso da criança, a altura média parental e a idade óssea, calculada com recurso aos métodos Greulich e Pyle ou Tanner-Witehouse. Determinando a altura adulta e a percentagem da altura adulta que o sujeito alcançou no momento da avaliação é então possível calcular se este se encontra medianamente maturo, atrasado ou avançado e ponderar o possível atraso ou avanço em função de um valor de desvio padrão definido para cada idade óssea

Weiner, Roche e Bell publicaram em 1978 uma variante do método Roche Weiner e Thissen (RWT), a que chamaram de RWT modificado, que previa a substituição dos dados da altura do pai e da idade óssea pelo valor de referência da altura para a população masculina adulta do estudo Fels (176.3 cm) e pela idade decimal, respectivamente (Weiner et al., 1978). Esta modificação veio permitir a utilização do método RWT entre os 5 os 14 anos nos casos em que não existiam dados sobre a altura do pai ou a idade óssea com uma perda de precisão que os autores estimaram em cerca de 10%.

1.5.2.2. Método Khamis-Roche

Em 1994, Kamis e Roche apresentaram uma metodologia de determinação da maturação com recurso à predição da estatura adulta sem utilizar a idade óssea. O método deriva da aplicação de uma técnica de regressão aos dados de uma população de 433 crianças caucasianas norte-americanas (223 rapazes e 210 raparigas) residentes nas zonas sul e central de Ohio participantes no estudo longitudinal Fels, referido anteriormente, medidos em intervalos de 6 meses

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desde os 3 aos 18 anos de idade. Este método utiliza como indicadores o sexo, a altura média parental, o peso e a estatura actual da criança para predizer a sua estatura adulta e apresenta valores de intercept (β) e coeficientes para cada variável em função do sexo em intervalos de 6 e 12 meses (Khamis & Roche, 1994).

Tomando como referência os valores da predição das estaturas adulta e actual o método Khamis-Roche calcula a percentagem da estatura adulta alcançada e transforma-a num valor de referência maturacional relativamente preciso quando comparado com o método RWT mas apenas aplicável em crianças norte- americanas brancas sem problemas de saúde que possam alterar o seu potencial de crescimento em estatura. Num estudo realizado em hoquistas adolescentes entre os 15 e os 16 anos de idade Silva et al. (2004) concluiram que o método RWT apresenta uma correlação significativa entre a altura medida e a altura predita e uma validade aceitável podendo ser utilizado como um método não invasivo para avaliar a maturidade numa amostra diferente da proposta pelos autores.

1.5.2.3. Método Guo e Roche

Com base na metodologia desenvolvida por Roche, Weiner e Thissen, Khamis e Guo apresentaram em 1993 uma variação que ficou conhecida como o método Guo e Roche. Os autores aplicaram aos dados das variáveis estatura, peso e idade óssea do já referido estudo longitudinal Fels um método matemático denominado multivariate cubic spline smoothing que lhes permitiu simplificar o processo de cálculo e, com menos operações de cálculo, obter menores valores de desvio máximo entre as alturas predita e actual que os comummente obtidos com o método matemático multivariate semi-metric smoothing utilizado por Roche, Weiner e Thissen no seu método original (Khamis & Guo, 1993).

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No início do século XXI, uma equipa de investigadores liderada por Mirwald apresentou um método de avaliação da maturidade biológica a partir de indicadores antropométricos. Este método, não invasivo, resultou da aplicação de uma técnica de regressão múltipla às variáveis estatura, estatura sentada e comprimento do membro inferior de uma amostra de 152 crianças Canadianas, 79 rapazes e 40 raparigas, entre os 8 e os 16 anos de idade, participantes no estudo longitudinal misto Saskatchewan Pediatric Bone Mineral Accural Study realizado em Saskatoon, Canadá, seguidas ao longo da adolescência entre 1991 e 1997. A técnica de regressão que além das variáveis já referidas (altura, altura sentado e comprimento do membro inferir) inclui também a idade, permitiu obter uma equação, para cada sexo, utilizando 3 variáveis e algumas interacções entre elas (Mirwald, et al., 2002). A metodologia foi validada numa amostra cruzada de crianças Canadianas e Belgas observadas entre 1964 e 1973 e 1985 e 1999, respectivamente, tendo os autores obtido coeficientes de determinação (R2) muito elevados para ambos os sexos (0.92 para os rapazes e 0.91 para as raparigas) e uma diferença média entre os estados maturacionais actual e predito de 0.24 em rapazes e 0.001 em raparigas.