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3.3 Careers within the core Norwegian research system

3.3.2 Sectoral mobility

Fundado no ano de 1979, inicialmente denominado Projeto Luizinho Bola Cheia, o PACF é dirigido e materializado por esse ex-jogador de futebol e, atualmente, jornalista e professor da UFPB, com mais de 30 de carreira docente49. Trata-se de um projeto que atende a adolescentes e a adultos jovens, majoritariamente, afro-brasileiros, pertencentes às camadas mais pobres e desfavorecidas da sociedade, que se encontram matriculados no ensino fundamental e no médio da rede pública da cidade de Campina Grande.

Desde que foi criado, o projeto já conseguiu profissionalizar mais de mil atletas para clubes paraibanos, brasileiros e estrangeiros, notadamente para os europeus. Funciona em

49 O projeto, segundo seu coordenador, mudou de nome, mas as propostas e as ações mantiveram-se as mesmas,

parceria com o Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado da Paraíba (SAFEPB), na cidade de Campina Grande, com o apoio (mínimo) do Campus de Bananeiras, UFPB, e não dispõe de outro tipo de ajuda dos setores públicos e/ou privados da sociedade, inclusive e, principalmente, financeiro.

De acordo com o próprio professor/coordenador e responsável direto, o projeto foi iniciado em 1979, mas reiniciado na Paraíba em 1989, por causa de duas questões chaves. A primeira, por sua transferência da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) para a UFPB, Camus de Bananeiras, notadamente depois de suas experiências como professor do Curso de Educação Física daquela IES. A segunda, por seu tempo como treinador de futebol das categorias de base e do nível profissional no período em que esteve em Rondônia. Em sua bagagem, trouxe as experiências como atleta profissional do passado, além das adquiridas durante suas passagens como treinador em clubes da Região Norte.

Nesse sentido, o entrevistado relatou que, depois de retornar ao seu estado de origem, sua primeira missão foi de reativar a AGAP-PB, que ele fundou em 1991 e da qual passou a ser presidente. Essa entidade, já extinta, tinha o compromisso de defender e assistir socialmente seus atletas e ex-atletas profissionais e seus dependentes (MELO, 2009), conforme podemos constatar em um de seus livros publicados, particularmente, na parte que trata sobre o processo de fundação do projeto em tela.

A AGAP-PB, depois de ter sido oficializada, passou a dispor de verba mensal que serviu para financiar o projeto social através do esporte. Sua principal meta, nesse sentido, seria de fazer uma combinação entre a formação e a revelação de talentos para o futebol – que deveria ser desenvolvido em várias cidades da Paraíba – e, ao mesmo tempo, um meio de

tirar os meninos e os jovens das ruas, para afastá-los das situações de risco e de

vulnerabilidade e ajudá-los em sua formação cultural e social.

Apesar das tentativas de desenvolver o projeto em todo o estado da Paraíba, ele limitou-se a funcionar nas cidades de Bananeiras e Campina Grande. Hoje, o trabalho concentra-se apenas nesse último município, em função, justamente, de não contar com ajuda de terceiros para estender o projeto para outras cidades do estado.

Atualmente, como não pode mais contar com a já extinta AGAP-PB, o projeto é apoiado pelo SAFEPB50. O PACF funciona, portanto, como um trabalho sem fins lucrativos e

50 O apoio ocorre de forma direta e indireta. A primeira, de seu coordenador que, ao mesmo tempo, é o

Presidente do SAFEPB e disponibiliza parte de seu tempo para trabalhar voluntariamente e sem remuneração prestando seus conhecimentos para a formação de atletas. Na segunda, o referido sindicato planeja, executa e avalia torneios regionais para revelar atletas para o futebol profissional, de forma que os sujeitos do projeto são

não recebe nenhum tipo de ajuda financeira de setores externos como, por exemplo, de iniciativa pública ou privada. Mantém-se com os repasses mínimos de materiais de treino que o coordenador/responsável solicita da UFPB, Campus de Bananeiras e com recursos financeiros desse próprio idealizador para a compra de bolas, coletes e outros materiais de treinamento. Raras vezes recebe algum tipo de doação de terceiros.

Apesar das dificuldades objetivas e materiais enfrentadas no desenvolvimento dos trabalhos, o PACF tem como objetivo principal formar atletas para o futebol profissional local, regional, nacional e internacional. Através de convênios com o SESC, o SENAI e outros órgãos, o programa, uma vez ou outra, oferece cursos profissionalizantes para os desejosos de realizá-los. No momento, constatamos que atletas vêm realizando semestralmente curso de informática oferecido e apoiado pelo SAFEPB. Nesse contexto, fica evidente que o PACF não pretende apenas formar e revelar o atleta, visto que seu lema principal é tirar o menor da rua e através do esporte torná-lo cidadão51, tanto para se formar e seguir carreira como atleta profissional quanto para sua formação geral, como ser social e humano, além de acreditar que o esporte é uma esperança para as crianças pobres e sem perspectivas.

Nessa primeira passagem destacada pelo documento do PACF, podemos fazer algumas reflexões importantes que remetem seu conteúdo à noção de empoderamento. Assim, entendemos que, quando o projeto se propõe a tirar o menor da rua e, através do

esporte, torná-lo cidadão, está querendo dizer o seguinte: quem tira os sujeitos de uma

condição desfavorável não os está empoderando, mas criando condições propícias para que os desempoderados sejam capazes de, individual e/ou coletivamente, conseguir o próprio empoderamento, uma vez que ninguém empodera ninguém, as pessoas empoderam-se individual e/ou coletivamente quando lhes são dadas as condições para isso (FREIRE, 2011). O termo tirar representa, aqui, a possibilidade de empoderar para incluir os sujeitos e, através dessa ação, por eles mesmos, tornarem-se efetivos e verdadeiros atores no processo de sua cidadania.

Nessa perspectiva, o empoderamento se configura como processo e resultado, que pode ser imaginado como algo que emerge de um processo de ação social. Nesse caso, os indivíduos, ao tomar as rédeas de suas vidas pela interação com os outros, geram pensamento crítico em relação à realidade, favorecem a construção da capacidade pessoal e social e

selecionados internamente para participarem dessas competições. Portanto, ficou-nos claro que não há um apoio financeiro, mas a oferta de serviços que favoreçam o surgimento de novos talentos esportivos.

possibilitam a transformação de relações sociais de poder (BAQUERO, 2012), como já havíamos frisado neste trabalho.

E se a proposta inicial do PACF é de tirar os jovens da rua e, através do esporte, torná-los cidadãos, também traz esperança para as crianças pobres e excluídas. E se a

esperança é a última que morre, como se diz no popular, logo, traz vida, alimenta esperanças

para os que desejam dias melhores. Nesse caso, o programa em tela requisita os indivíduos e tira-os da desesperança, não apenas para jogar e aprender futebol, mas também para que deixem o contexto de morte e recuperem suas vidas e suas esperanças pelo esporte. Portanto, o empoderamento que conduz a inclusão social é, aqui, sinônimo de vida e de esperança para aqueles que vivem sem expectativa de (re)começar a sonhar com uma vida melhor, de esperar no sentido do eperançar, pois “a esperança não desanima, mesmo quando o êxito não é imediato” (BETTO; CORTELLA, 2012, p. 60).

A ideia do projeto é de contribuir com o processo de resgate dos jovens pobres, desassistidos e expostos nas ruas (ou propensos a isso) pela falta de políticas públicas (sociais). São sujeitos que convivem, desde sempre, com a pobreza, o analfabetismo, o semianalfabetismo ou a baixa escolaridade e, muitas das vezes, com a falta de perspectiva na vida, notadamente no campo social e no econômico, expostos a todo tipo de violência. Nesse sentido, o esporte, segundo a concepção do projeto e seu idealizador, é uma ferramenta que, se bem conduzida, poderá inverter essa situação de desvantagem.

No contexto de uma política social, em que a prática esportiva é oferecida como forma de lazer e para revelar talentos para o futebol, o projeto se propõe, através de parcerias, oferecer assistência médica, odontológica e complementação alimentar, visando afastar os meninos das ruas e das situações de vulnerabilidade social52. Porém, no momento, essas sociedades não vêm ocorrendo de fato, mas as tentativas para consolidá-las permanecem vivas, e as negociações são retomadas pelo coordenador do PACF sempre que possível.

Assim, uma questão central seria a realização do trabalho com o futebol, através da

escolinha dirigida por professores/treinadores ou ex-atletas capacitados e devida ou

relativamente53 habilitados para atrair crianças e adolescentes para as salas de aula e reduzir os índices de evasão e de repetência escolar, além de afastá-los da situação de vulnerabilidade em que geralmente se encontram em seus contextos sociais desfavoráveis e

52 Temos informações de que esses três últimos tipos de atendimento não vêm ocorrendo, embora esteja

colocado no projeto como meta a ser cumprida. Por enquanto, só existem promessas desses setores externos.

53 Relativizamos essa questão por entender que, nem sempre, o fato de um atleta ter sido jogador profissional o

credencia a desenvolver um trabalho de base no futebol, tendo em vista dispor de conhecimentos advindos de suas experiências cotidianas como atleta, faltando-lhes uma formação didático-pedagógica para esse fim.

pelo processo de discriminação que enfrentam e que compromete o seu desempenho na sociedade.

As metas principais do PACF são as seguintes: retirar crianças e adolescentes das ruas e ajudá-los em sua formação cultural e social; promover uma readaptação ao mercado de trabalho por meio do futebol, já que não tiveram a oportunidade de ter definida uma nova atividade profissional por conta da pobreza e da exclusão social em que vivem; beneficiar centenas de crianças e adolescentes carentes entre oito e 18 anos de idade das cidades de Campina Grande, Bananeiras e outras circunvizinhas; e contribuir para o emprego de ex- atletas como instrutores de futebol e responsáveis pela formação de crianças e adolescentes.

Todo projeto que visa desenvolver um processo de empoderamento busca articular uma série de parecerias para que os trabalhos possam ser desenvolvidos dentro das previsões esperadas, mas as dificuldades para a consolidação dessas articulações com outras instituições não é tão fácil, e isso pode comprometer, de certa maneira, o processo almejado.

O PACF apresenta-se como um campo de oportunidades não apenas para os jovens se tornarem atletas profissionais, mas também, para seus formadores, pois eles são responsáveis pelos trabalhos, na perspectiva de gerar futuros atletas para o futebol, e poderão ser beneficiados mais adiante, tanto pela coroação e pelo reconhecimento do trabalho consolidado quanto pela melhoria da qualidade de vida econômica e social que poderão obter.

A mensagem colocada pelo PACF é de que o futebol é importante no

desenvolvimento físico, mental e social da criança e do adolescente e em sua influência no

processo de formação da identidade dos sujeitos. Trata-se de promover uma formação caracterizada como um processo de visão pessoal, que se modifica em função das novas experiências vivenciadas no campo das relações humanas para o favorecimento do sentimento de sucesso e alcance dos resultados positivos e elevação da autoestima. Essa é, pois, uma noção do empoderamento de nível individual, que diz respeito ao nível psicológico de análise, em que o empoderamento é a capacidade dos indivíduos “[...] ganharem conhecimento e controle sobre forças pessoais, para agir na direção de melhoria de sua situação de vida. Diz respeito ao aumento da capacidade de os indivíduos se sentirem influentes nos processos [...]” (BAQUERO, 2012, p. 176) possíveis na determinação de suas vidas futuras. Ora, se o PACF propõe, através do futebol, uma melhoria das condições físicas, mentais e sociais de seus participantes e oferta a formação de suas identidades, podemos deduzir que o empoderamento de nível individual parece se realizar, na perspectiva de os sujeitos se autoperceberem.

Atualmente, segundo o documento do PACF, deveriam ser atendidos 50 sujeitos pertencentes à classe social pobre e de baixa renda. Para participar do projeto, os alunos/atletas devem estar matriculados em qualquer colégio ou escola do estado da Paraíba e ter entre oito e 18 anos de idade. Os jovens que não estão na escola são convidados a retomar os estudos, sob pena de não poderem continuar participando do projeto, como havíamos comentado em passagem anterior.

Apesar de se disponibilizar a atender a esse número citado, no momento, o PACF vem trabalhando com, no máximo, 30 sujeitos, ou seja, predominantemente com garotos com idades entre 16 e 19 anos de idade, devido à realização de jogos amistosos e às competições que vêm sendo realizadas para essa faixa etária.

O documento do programa, ou seja, sua proposição por escrito está organizado em 15 folhas e dividido em duas partes distintas, com proposições de dinâmica e de funcionamento de suas atividades. A primeira, sistematizada em dez páginas, refere-se ao PACF propriamente dito, e a segunda, organizada em cinco páginas, referente ao projeto proposto pelo SAFEPB. Neste último, o texto apresenta-se como uma extensão da primeira proposição. Simultaneamente às descrições, analisamos o conteúdo do documento como um todo. Apesar de se dividir em dois, acreditamos que se trata de um único documento, por se tratar de conteúdos semelhantes e complementares, que fazem alusão ao mesmo programa de formação e revelação de talentos para o futebol (ver anexo L).

A capa do documento é composta de seu título, Projeto Atleta Cidadão do Futuro, e de uma fotografia com uma série de atletas e um grupo de professores e treinadores sentados em uma arquibancada. Ao fundo da imagem, há um muro de cor branca, com a sigla estampada do SAFEPB, e na folha de rosto, apenas o número 2008, no meio da folha, datando o ano de elaboração ou atualização do documento, por ser um projeto que teve início em fins dos anos 1970.

Como podemos perceber, o título do projeto já traz em si as pretensões daqueles que dele fizerem parte. Não se refere apenas à formação de atletas, mas à certeza de que, ao assumir tal posição no campo esportivo, estão garantindo a possibilidade de adquirir cidadania, ou seja, de um empoderamento que pode conduzi-los à inclusão social numa perspectiva cidadã. Portanto, o fato de se formarem jogadores de futebol é o passaporte para fazerem parte, efetivamente, da sociedade, independentemente de se transformarem ou não em atletas profissionais. Nesse sentido, são reconhecidos e aceitos como sujeitos inteiramente integrados no contexto social. O futuro daqueles que passam a fazer parte do projeto é a conquista da cidadania, que não conseguiram em outros espaços da vida social.

Devemos deixar claro que, em se tratando de futebol, os atletas de destaque dessa modalidade esportiva parecem ser mais respeitados por sua condição de jogadores do que realmente como seres humanos, independentemente de sua posição social, cor/etnia, idade, sexo, orientação sexual, entre outras questões do gênero.

É importante enfatizar que os atletas do futebol são mais lembrados pelo que realizam como atletas do que como seres humanos. “Ao ídolo abrem-se todas as portas, mesmo a dos palácios; mas sua aréola pertence à outra região que não a social; é efetivamente uma aréola que assimila a situação ‘extraordinária do jogador’” (ROSENFELD, 1993, p. 104-105) e não na sua condição como ser humano. Mas pelo fato de o futebol ser uma instituição de forte teor simbólico para o povo brasileiro, o jogador acaba sendo reconhecido apenas por ser profissional, o que já lhe credencia um respeito social por parte de seus torcedores.

Em função disso, questionamos: Pelé, por ser negro, teria sido reconhecido pela sociedade se não tivesse se tornado um ídolo do futebol mundial? Ou seja, Pelé seria aceito hoje na sociedade como é, se não fosse por seus feitos no passado como um grande jogador que foi? A questão é: o que o habilita a ir e vir livremente em todos os espaços e instâncias do mundo? O que o fez ser cidadão do mundo?

O privilégio e a notoriedade dada ao jogador de futebol em nossa sociedade são tão verdadeiros que, muitas vezes, determinada instituição esportiva ou escolar prefere convidar um ex-jogador (por simples que seja) de futebol para ser o professor/treinador de uma turma de crianças ou adolescentes – que sonham em ser um Lionel Andrés Messi54, um Cristiano

Ronaldo dos Santos Aveiro55 ou um Neymar da Silva Santos Júnior da vida – a contar com um professor de Educação Física, formado e desejoso de trabalhar com atletas em processo de iniciação, mas que não é convidado para assumir tal função. Isso foi uma prática que aconteceu muito e, talvez, ainda aconteça nas escolas de nossa sociedade.

Todos esses e outros questionamentos até aqui expostos precisam ser levados em conta quando analisamos sujeitos afro-brasileiros pobres e excluídos advindos de projetos como o PACF, ao ascenderem na vida através do futebol. Um dia, se um desses garotos alcançar a fama, será respeitado pela pessoa que é ou pelo jogador que demonstra ser, sobretudo se considerarmos nossa sociedade ainda sobremaneira racista?

O título, em si, já nos permite fazer uma reflexão dessa natureza, devido à sua preocupação em formar o jogador, mas, ao mesmo tempo, poder ser tratado como sujeito integrado e aceito na sociedade como ser humano. Mas, a verdade é que, a nosso ver, a

54 Trata-se, na atualidade, do principal jogador de futebol do consagrado Barcelona Futebol Clube da Espanha. 55 Um dos principais jogadores de futebol do famoso Real Madrid Clube de Fútbol.

conquista de sua respeitabilidade seria mais provável pelas vias da profissionalização e da fama conquistadas nesse esporte do que como pessoa.

Em seguida, mais uma vez, dispomos de mais uma folha, na qual, entre aspas e em caixa alta, foi colocada a frase TIRAR O MENOR DA RUA E, ATRAVÉS DO ESPORTE, TORNÁ-LO CIDADÃO. A frase, compreendida aqui como uma ideia-força do PACF, parece representar muito bem a proposta maior do projeto de formação de atletas. Nesse caso, a passagem anterior condiz com a proposta do projeto, uma vez que sua pretensão não é apenas a de formar o atleta para o futebol profissional, mas também de oferecer oportunidade para que, passando ou não ao profissionalismo, os atletas possam, de uma forma ou de outra, desfrutar de uma convivência que lhes favoreça aprendizados, conquistas, descobertas, troca de experiências, esperança por uma vida melhor, entre outras oportunidades e situações que lhes garantam o exercício da cidadania no sentido, nos parece, de um empoderamento como abordagem e como processo. O primeiro, porque coloca as pessoas e o poder no centro dos processos de desenvolvimento (ROMANO, 2002). E o segundo, em que “[...] as pessoas, as organizações, as comunidades assumem o controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida e tomam consciência da sua habilidade e competência para produzir, criar e gerir” (ROMANO, 2002, p. 17).

De fato, quando aos sujeitos são dadas as oportunidades devidas para se desenvolverem, terão plenas condições de mostrar, exercer e ampliar suas potencialidades, passando a acreditar cada vez mais em si e no grupo do qual fazem parte. Assim, a ideia de

tirar o menor da rua e, através do esporte, torná-lo cidadão justifica o fato de que há jovens

vivendo em situação de risco e total vulnerabilidade, convivendo com a pobreza e a exclusão social e, portanto, desprovidos de políticas públicas sociais que lhes favoreçam uma reversão do quadro caótico em que se encontram. Assim, diante desse tácito reconhecimento, uma das possibilidades de reverter o panorama desfavorável pode ocorrer ofertando-se o futebol como espaço de empoderamento nessa perspectiva apontada por Romano (2002).

Nos locais aonde as políticas de governos não chegam, as possibilidades de mobilização e manifestação dos sujeitos por vida digna são evidentes. Eles organizam-se e reagem no sentido de buscar saídas para tentar reverter o quadro caótico e de total abandono em que se encontram. Assim, nas relações estabelecidas naquele espaço e tempo de formação, passam, geralmente, a descobrir e a exercer seu poder. Redescobrem, em meio a um processo conscientizador, suas capacidades de, criativamente, administrar suas vidas. Com essa possibilidade, fica-nos a impressão de que esses jovens pobres e excluídos passam a se empoderar, individual e/ou coletivamente, do espaço que ocupam através do

desenvolvimento de suas habilidades esportivas, no sentido de alçar a inclusão social de se afastar, cada vez mais, da extrema pobreza e exclusão social apontadas por Pochmann (2003) e Lesbaupin (2000).

Esses são os indivíduos jovens, severamente excluídos, ou os desnecessários do

mundo (LESBAUPIN, 2000) que, presos às garras perversas e impiedosas do sistema