3. Design and Development
3.3 Development
3.3.3 Sample codes of important classes
Uma das questões mais discutidas é o entrecruzamento de olhares dos professores surdos na Educação Superior. Os professores surdos e sua complexidade. Os professores surdos e seu caminhar. Ser professor surdo, estar professor resiliente. A própria condição do mal-estar, que é ser professor surdo, o faz ser sempre visto como alguém “de subalternizador”, onde vive e trabalha na Educação Superior, é um olhar subalternizador que causa o mal estar, enquanto os professores tomem um rumo à resiliência, um diferente, tanto pelos aspectos físicos quanto culturais, é visto, também, como uma tensão entre os professores surdos na Educação Superior.
Sua tensão incorpora esse problema com a referência de resistência que está preservando a cultura surda e Língua de Sinais Brasileira e resiliência que está enfrentando o seu posicionamento de poder. Se no lugar da Educação Superior onde a língua majoritária que os professores surdos trabalham, às vezes, acontece quando as pessoas veem que os professores surdos não são reconhecidos devido a sua condição de
173 pessoa surda e diferente, às vezes acontecem olhares subalternizadores como afirma o autor Foucault: certa forma de olhar que se desloca de fora para si mesmo, o que implica em maneiras de atenção “ao que se pensa e ao que passa no pensamento” (FOUCAULT, 2004a, p. 14), independentemente do quanto de valores culturais tenha sido complexa nessa vivência na Educação Superior. Essa condição de mal-estar, confusão e tensão, um espaço dos professores surdos de identificações à resiliência se transforma num terreno complexo de construção e desconstrução de formas discursivas que vão refletir sobre o enfrentamento dessa condição de mal-estar na educação superior surge um espaço de negociação enquanto houver um olhar subalternizador, como exemplifica o professor Apolo ao mencionar seu sentimento ao participar de uma banca:
Tenho visto isso quando vou participar de bancas em outras universidades, por exemplo, e vejo que a relação que se estabelece nelas é extremamente diferente. Os surdos são tratados de uma forma extremamente desigual e subalterna. (APOLO, 2014).
Pela condição de mal-estar, Apolo demonstra que percebe como as outras universidades tratam os surdos como subalternizador e desigual quando estão participando de banca examinadora, vejo que ele tem uma condição de mal-estar e não aceita ver tal fato, implicando na forma de olhar que se desloca de fora para si mesmo. O mal-estar que se experimenta hoje na atualidade alcança o professor Apolo na participação da banca examinadora. As angústias que esse ser professor surdo chamado professor perceber que nos faz uma resistência, afetam rumo à resiliência quando acontece um olhar subalternizador sobre os outros surdos na Educação Superior.
Nesse contexto, não apenas a possibilidade, mas a tensão e a necessidade do professor surdo lidar adequadamente ao alcance da transformação do mal-estar na docência. O que podemos entender nessa tensão do professor Apolo sobre o subalternizador, reflito também que o surdo é um ser humano também, lembremo-nos sempre disso, “somos seres humanos que trabalham com seres humanos e isto nos propicia o encontro entre sensibilidades e razões” (MOSQUEIRA E STOBAUS, 2006, p.116), o que se busca é a resiliência, o possível da capacidade de enfrentar o emocional.
Ao enfrentar o emocional, a condição do mal-estar continua por aí com a referência à visão de dominação, conforme aponta a professora Ártemis:
174 Em contra partida, em outros espaços ocorre oposto como a afirmação de que já exista surdo o suficiente, são visões diferenciadas e o número de profissionais surdos vai depender de cada espaço e da relação que eles estabelecem com os demais profissionais. Percebo que nas relações dependem da postura de cada surdo, por exemplo, surdos que para afirmar sua identidade agem de forma radical e entram em conflitos com os ouvintes podem misturar as relações e é necessário ter cuidado. O cuidado nestas relações se refere á visão de dominação, não querer ser dominado e também não querer dominar, por isso, acredito que a posição de intelectual, ainda, não está totalmente consolidada, pensar que somos iguais não é verdade, então isso gera certa confusão. (ÁRTEMIS, 2014).
A professora Ártemis afirma que é para ter cuidado para não ser radical quando agir com a sua identidade, entendo que ela está mostrando que é importante ter flexibilidade nesse momento, usar essa resiliência para ter cuidado e não ter conflitos nessa situação.
Essa condição do mal-estar acontece quando houver uma concorrência com o professor surdo em concurso, como relata o professor Apolo:
Por isso um profissional surdo atua beneficiando os demais surdos. É por isso que eu sugiro que sempre quem ensine Língua de Sinais seja um professor surdo. Infelizmente a concorrência que se dá para professor surdo em concursos ainda não é justa através de provas em Língua Portuguesa. Se o professor vai atuar com a disciplina Libras, qual o problema de termos provas teóricas e didáticas ambas em Língua de Sinais? Isso sim seria equilibrado. Os surdos são capazes de fazer isso. Muitas vezes sabem o conteúdo melhor do que candidatos ouvintes, mas tem dificuldades de fazer escolhas lexicais adequadas. (APOLO, 2014).
O mal-estar do professor Apolo parece algo que enfrentamos na Educação Superior, seja pela questão de ensinar a Língua de Sinais Brasileira, seja pelo status da profissão ou mesmo pela sensação de incapacidade de incorporar as dificuldades de fazer escolhas lexicais adequadas.
Por que a Educação Superior está sempre às voltas com o discurso a respeito do concurso em relação à Língua Portuguesa para candidatos surdos? Para iniciar uma reflexão sobre o professor Apolo, pode-se pensar que um fator importante que contribui para o mal-estar do professor surdo, segundo ESTEVE (1999, p.28), seria “a transformação do papel do professor, assim como de outros agentes tradicionais responsáveis pela socialização”.
175 Isto porque, apesar da Educação Superior ser um espaço em que se passa uma boa parte negociando, existe um lugar onde o professor surdo e a experiência acontece e com o qual a Educação Superior parece não dialogar, a partir do espaço de negociação para uma boa causa para os candidatos surdos no concurso público.
Outra narrativa trazida pela professora Atena com a condição do mal-estar:
Durante esse tempo eu sempre orientei os surdos sobre a importância dos estudos e o ingresso na academia e eles não davam valor ao estudo, não queriam saber disso. Sempre diziam que já ensinavam Libras e sabia a língua então não precisavam de mais nada. Eu enfatizava que ensinar era uma coisa, ter o conhecimento teórico era outra coisa diferente. O tempo foi passando e quando surgiu à formação para instrutor que eles foram começando a entender isso, antes disso só trabalhavam vendendo adesivo, você lembra? Pelo Brasil todos os surdos faziam isso e nem davam importância para o estudo. (ATENA, 2014).
A narrativa feita por Atena e sua inferência no processo educativo encontra-se em um momento bastante promissor na atualidade. Na orientação aos surdos, esta discussão vem assumindo um papel central na busca de enfatizar a importância do estudo e ingresso na academia para a necessidade de formação para o exercício profissional. Para Barcelos (2005), o saber tem que ver com o conjunto de atividades que desenvolvo como um ser no mundo. É constituído pela diferença de experiências vividas no fluir do viver cotidiano. Seriam, nesta perspectiva, as experiências de orientar de que participa os olhos para visual, as mãos que falam e que tocaram em Atena que mostrou as suas preocupações, as enfatizações que atravessaram a sua vida da Atena.
Por fim, a negociação desvela o mal estar, a tensão como produção entre sujeitos, movimentando-se na passagem de resistência para resiliência, a partir de narrativas de liberdade, o cuidado de si.