3. Design and Development
3.2 Design
3.2.1 Initial system architecture
No campo dos Estudos Culturais aproximando com os Estudos Foucaultianos se referem à posição dos professores surdos como um momento de transgressão histórica da comunidade surda, demonstração do engajamento e o comprometimento de cada professor surdo como um marco de construção de “ser professor surdo”, reforçando o nosso sentimento político em relação à política até agora aplicada nas universidades.
O que nos leva a mais discussões sobre o caráter político dos professores surdos, mas não com foco na didática, por isso, fomos levados a refletir sobre a base teórica específica sobre as relações entre Foucault e Educação para aproximar do enfoque de Pós-Estruturalismo para que haja uma nova produção neste campo de investigação e nem sempre é fácil de entender para quem não está familiarizando com o pensamento de Foucault.
93 Entretanto, é necessário estabelecer um entendimento ao conceituar os Estudos Culturais neste trabalho relacionando com a cultura para encaixar as relações de poder no campo de Estudos Foucaultianos. Há referências bibliográficas fundamentais que servem tanto para aprofundar o conhecimento sobre os Estudos Culturais, dentro deles são os autores: Ecosteguy (2002), Richard Hoggart (1957) e Stuart Hall (2000).
Os Estudos Culturais ao surgir no campo teórico, mostrou-se grande importância da cultura, segue o texto do autor:
Este campo de estudos surge, então de forma organizada, através do Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS), diante da alteração dos valores tradicionais da classe operária da Inglaterra de pós-guerra. Inspirado na sua pesquisa, “As utilizações da cultura” (1957) Richard Hoggart funda, em 1964, o Centro. Este surge ligado ao departamento de Língua Inglesa da Universidade de Birmingham, constituindo-se num centro de pesquisa de pós-graduação dessa mesma instituição. As relações entre a cultura contemporânea e a sociedade, isto é, suas formas culturais, instituições e práticas culturais, assim como suas relações com a sociedade e as mudanças sociais compõem seu eixo principal de pesquisa. (ECOSTEGUY, 2004, p. 138).
Entender sobre os Estudos Culturais que se aproximam de minha pesquisa, pode ajudar bastante a refletir sobre o que nós envolvemos, vivemos, experienciamos e compreendemos, que os Estudos Culturais são como se enfatizasse a nossa corrente de vida, porque, nós vivemos com a cultura, com a cultura surda, mas também, acontecem com os professores surdos com a mesma situação, não digo, como a única cultura, mas de vários jeitos dos professores surdos de se ensinar nas Universidades devido à nossa diferença cultural, por usarmos a Língua de Sinais Brasileira.
Os Estudos Culturais nasceram como uma forma demarcada de ter cultura onde todos os grupos têm costumes, valores, crenças e tradições próprias. Compreender como nós vemos o mundo como nos casos dos índios, ciganos, negros, minorias linguísticas, surdos, os latinos viventes nos Estados Unidos entre outros grupos.
O que pode possibilitar que essa teoria possa embasar o argumentar de outras maneiras de questionar o sujeito do professor surdo acadêmico, motivando nossa construção, nossa língua de sinais e nossa crítica para poder contribuir para a busca de novas práticas de liberdade de ser professor surdo sob a perspectiva cultural e linguística para o entendimento das relações entre universidade e sociedade, entre uma
94 linguística, cultura e a subjetividade moderna para outra pós-moderna, entre o jeito de ser dos sujeitos diferentes dos professores surdos na sua atuação sobre o controle da soberania.
Dentro dos Estudos Culturais estão os estudos cuja discussão teórica se ocupa de cada cultura e investiga37o que envolve seus espaços e a significação deles. Hoje, estes
estudos são transformados em um fenômeno internacional e pesquisadores se interessam pela investigação e formações culturais, onde elas se desenvolvem, onde devem ser vistas tanto sob o ponto de vista político, na tentativa de constituição de um novo projeto, quanto sob o ponto de vista teórico, para construir um inédito campo de estudos.
Nos Estudos Culturais, sob o ponto de vista político, tendo em vista as relações de poder estabelecidas no espaço da Educação Superior. Ao social podemos entender como uma forma de correção política, esta identificada com a política cultural que não está recebendo a atenção que deveria como menciona o pesquisador:
Na crítica que fazem das relações de poder numa situação cultural ou social determinada os Estudos Culturais tomam claramente o partido dos grupos em desvantagem nessas relações. Os Estudos Culturais pretendem que suas análises funcionem como uma intervenção na vida política e social. (SILVA, 2002, 134).
Compreendo que esta pesquisa explica as práticas culturais que envolvem esse campo dos Estudos Culturais, mas com as relações de poder também, principalmente, no meu foco de pesquisa na Educação Superior no que se refere a não observação ou valorização dos surdos neste espaço justificam a estar aproximando dos Estudos Foucaultianos ao Pós-Estruturalismo.
Em análise à teoria foucaultiana, supondo uma aproximação com os Estudos Culturais, trabalhei nessa pesquisa envolvendo as relações de poder. Em sua teoria Foucault defende novas maneiras de ver, descrever, problematizar, compreender e analisar e de dar sentido ao mundo acadêmico onde às perspectivas tentam se aproximar.
37Thompson explica que os Estudos Culturais surgiram no momento em que se propusseram a investigar
95 A filosofia de Foucault tenta se afastar da tradição sistemática e identifica-se muito mais com a postura filosófica que conceitua de maneira edificante, uma postura:
[...] manter o espaço aberto para a sensação de admiração que os poetas podem por vezes causar – admiração por haver algo de novo debaixo do sol, algo que não é uma representação exata do que já ali estava, algo que (pelo menos no momento) não pode ser explicado e que mal pode ser descrito. (RORTY, 1998, p. 286).
Isso me fez aprofundar o estudo buscando referências bibliográficas para avançar mais e compreender os Estudos Foucaultianos onde o estou situando como um pós- estruturalista, por isso, vou deixando muitas pesquisas, exemplos, sugestões e referências para os professores surdos refletirem e pensarem foucaultianamente a Educação como uma nova posição de ser professor surdo na Educação Superior diante das relações de poder, demonstrar que somos professores e intelectuais no campo de investigação envolvido na cultura, na construção de Pós-Estruturalismo de que nós somos produtivos, ao pensar e problematizar a educação a partir de tais conceitos e das relações entre a política e intelectualidade.
Para entender e conceituar o pós-estruturalismo queremos esclarecer o quanto nós podemos desconstruir e construir as redes de poderes no campo universitário, explicar porque nós usamos essa base teórica do pós-estruturalismo, e vamos tentar nos entender aos demais esperando que compreendam o que nós queremos dizer.
Porque usamos esse conceito de pós-estruturalismo nessa pesquisa? Não estamos mostrando a existência acabada, e sim complexa. Pretendo mostrar o discurso da política que nós temos no pós-estruturalismo, algo que nos move, que nos transforma, que nos faz avançar diferentemente, que provoque mudanças na Educação Superior diante das relações de poder. Podemos mostrar o “reconhecimento” da relação da política com a teoria, assim como acontece no pós-estruturalismo. Vamos entender e olhar para as significações ditas mais simples, aquelas que nos foram fornecidas pelos dicionários, para o conceito de “pós-estruturalismo”. No Dicionário Houaiss (2001):
Pós-estruturalismo é definido como: “conjunto de investigações filosóficas contemporâneas que, negando ou transformando os princípios teóricos do estruturalismo, além da forte influência Nietzche, propõem um pensamento de recusa aos fundamentos tradicionais da filosofia...”.
96 Podemos perceber uma definição mais restrita, mas que necessariamente não muda o sentido anterior, pois aqui ainda é algo que transforma a filosofia tradicional pela filosofia da contemporaneidade.
É bem simples que encontrarmos o conceito “pós-estruturalismo” empregado pela referência a uma recente política nas redes de poderes entre os professores surdos na cena filosófica como as narrativas discutidas nessa pesquisa relacionando com a teoria política. Do enunciado “pós-estruturalismo” escuta-se referências não muito localizáveis, ideias gerais como tudo é poder, ou tudo é desejo.
Desse modo, há no entorno outra palavra. Todo um discurso é decorrente da “potência pós-estruturalista”, que alimentou novos discursos políticos na teoria política, na história cultural, em discursos políticos sobre as tensões entre os professores surdos na Educação Superior na área de Educação e Linguística. O legado desta potência, o modo de reflexão para o campo universitário seria como se posicionam nas relações de poder estabelecidas e enfrentadas no espaço político na Educação Superior, ao visarem comporem-se como os ativistas os professores surdos, refutam algo que nos reduzem.
Vê-se que ao tecer esse conceito, soando quase reconhecível, o que se baseia tornar-se como heterogênea, de que todos são discursos diferentes diante das relações de poder, por isso, devemos entender que as repercussões positivas inauguradas pelas teses de Foucault, Deleuze, Lyotard, Derrida e vários outros, ao serem encaixados num mesmo movimento de tensões que não perderiam sua potência, isto é, não se reduziriam ao serem restritas em um mesmo lugar, conforme realiza esta designação?
Aliás, qual seria o proveito da importação deste conceito, de sua utilização para as relações de poder, já que é um conceito oriundo da teoria política? Assim, vamos refletir essas questões, avaliar, entender e compreender estes teóricos da política, uma riquíssima rede de poderes e cruzamentos que se derivam do contato entre Estudos Culturais e Estudos Foucaultianos se aproximando no pós-estruturalismo do pensamento político.
Para que possamos nos situar sobre o modo com os quais se caracteriza no pensamento político o termo pós-estruturalismo, partamos pela obra de Veiga-Neto (2010). Este autor, em Foucault: Filosofia & Política, busca definir o conceito seguindo com a trajetória política entre as bases teóricas tanto com as relações de poder quanto do
97 próprio estruturalismo, e seguindo com o encaminhamento da desconstrução para a construção no espaço político para os professores surdos caminharemos.
O que posso perceber é algo positivo na medida em que, sua teoria, causa uma relação de poder do que é dito acerca do pós-estruturalismo. Não confunde o conceito de pós-modernidade tanto quanto do pós-estruturalismo, mas algo que apresentam algumas afinidades entre ambas.
Segundo Peters (2000, p.28), entender que o pós-estruturalismo estaria apoiando e fechando como algo que “vem depois e que tenta ampliar o estruturalismo, colocando-o na direção certa”. A fim de lhe construir algo que nos permite entender de que e como são as relações de poder por uma dimensão vivida da própria história política dos professores surdos na Educação Superior que eram ausentes nas reflexões estruturalistas de até então.
Esta argumentação, a exemplo do que vamos perceber nas narrativas, ao contar uma história política que segue aos exemplos contidos nos dados, ou seja, o corpus para este trabalho como um dos aspectos relevantes nessa base teórica.
Primeiramente, vamos compreender como são as perspectivas dos Estudos Culturais e Estudos Foucaultianos através do pensamento político, algo que não é tomado como uma evolução contínua, sendo capaz, efetivamente, de mudar de natureza ao mudar a natureza do pensamento.
O que se é possível fazer com relação ao pensamento político na perspectiva dos Estudos Culturais incentivando e unindo com a perspectiva dos Estudos Foucaultianos sob o enfoque de uma nova construção de uma perspectiva de Pós-Estruturalismo que ajuda a construir esse conceito dentro de sua subjetividade de que somos surdos e intelectuais, e o que acontece me motivou a repensar, refletir, discutir, buscar inspiração em algumas ideias relacionadas com a posição de ser professor surdo no espaço acadêmico diante da relação de poder, negociação e discussão.
Vê-se que Foucault (1999) argumenta ainda relacionado com o termo relações de poder devido à política que está por trás, como no caso de governamentalidade a qual controla todos os professores para ser igualitária, mas e o professor surdo com a diferença e o reconhecimento de professor surdo na área cientifica em que nós estamos? Será que é alguma relação de poder? Com relação a isso, o autor argumenta:
98 Insurreição dos saberes. Não tanto contra os conteúdos, os métodos e os conceitos de uma ciência, mas de uma insurreição, sobretudo e acima de tudo contra os efeitos centralizadores de poder que são vinculados á instituição e ao funcionamento de um discurso científico toma corpo numa universidade ou, de um modo geral, num aparelho pedagógico, [...] no fundo pouco importa. É exatamente contra os efeitos de poder próprios de um discurso considerado científico que a genealogia deve travar o combate. (FOUCAULT, 1999a, p. 14).
Assim, podemos entender que é preciso usar como um espaço de negociação o que me possibilitou fazer um mapeamento sobre o que Foucault fala e que é importante mostrar de que somos diante das relações de poder para que nós, como professores surdos inseridos nos âmbitos que são científicos e intelectuais, diferentes como explica o pesquisador Skliar (1999), para que se compreenda que não é porque usamos a Língua de Sinais Brasileira, como a primeira língua, que devemos apenas ensinar tal língua, mas vários conteúdos podem ser explicados, de qualquer disciplina voltada à área dos estudos linguísticos como curso de Letras/Libras e Educação, ou curso de Pedagogia Bilíngue, atuar na pós-graduação em Educação de Surdos voltada para a base teórica sob a perspectiva de Estudos Culturais onde se aproxima com a cultura surda.
Além disso, a seguir, mapeio nesse campo de investigação sob o enfoque de pós- estruturalismo e Estudos Foucaultianos, pensado como a possibilidade de negociação a partir de uma nova transgressão no espaço acadêmico para professores surdos voltados para Língua de Sinais Brasileira no campo de Estudos Surdos.
3.2 Estudos Culturais, Pós Estruturalismo e Estudos Foucaultianos e seu