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7. THE SALMON VALUE CHAIN IN THE UNITED KINGDOM, NORWAY, FRANCE AND

7.2. R ESULTS FROM ANALYSIS OF THE SALMON VALUE CHAIN IN THE U NITED K INGDOM ,

7.2.1. The salmon value chain in the United Kingdom and Norway

excepcionalidade, as CSP replicam e empregam tal premissa emergencial para influenciar decisões em campo e se posicionar como um ator relevante. As Companhias de Segurança Privada, assim, são resultado de uma dinâmica securitizante, mas também são capazes de mobilizá-la.

Para isso, irá se apresentar, neste capítulo, uma breve articulação de novos conceitos que auxiliam na compreensão de tais companhias como agentes políticos, principalmente certos adendos na construção de ameaças e no processo de Securitização, derivados da chamada Sociologia Política Internacional (SPI). Decidiu-se alocar tais premissas aqui - e não no primeiro capítulo teórico - por acreditarmos que sua apresentação, em conjunto com outras reflexões, são beneficiadas após a extensa indicação de quem são as Companhias de Segurança Privada e sua alocação histórica, feitas nas sessões anteriores.

O ferramental analítico derivado das contribuições alocadas pela SPI permitem a análise de um cenário mais sofisticado das CSP, de suas capacidades em atuar em campos específicos nas áreas de conflito, baseadas não só em premissas materialistas. Conforme irá ser apresentado na última subsessão desse capítulo, o olhar micro, focado nas práticas sociais e no trabalho empírico, permitem a percepção de um tipo de companhia ainda não identificado pela literatura.

6.1. Expandindo sociologicamente a construção de ameaças

Como já apontado, a Escola de Copenhague (EC) ganhou relativo destaque em meados da década de 1990, com rearticulações, ao longo do tempo, sobre suas considerações e premissas. A possibilidade de emprego de mecanismos para se entender a formação narrativa de novos elementos de segurança se mostrou interessante em um período em que o cenário internacional se via envolvido por novas dinâmicas de poder e conflito. Com isso, novos pesquisadores acabaram por rearticular certas considerações da EC, levantando reflexões e possibilidades para casos específicos em que as colocações iniciais da escola não conseguiam completamente analisar. Apesar

de manterem as indicações originais, tal adição epistemológica acabou por fazer com que, para alguns autores, subdivisões se formassem.

Dentro dessa premissa, Balzacq (2004) identifica três divisões de Copenhague: a filosófica, a pós-estruturalista e a sociológica17. Para a presente

discussão, o chamada "abordagem sociológica", justamente por se aproximar das alocuções da SPI, se mostra especificamente válida, principalmente por acrescentar discussões sobre micro construções de ameaças e o papel de especialistas no campo da segurança. Esta abordagem argumenta que seria positivo envolver a teoria das relações internacionais com a sociologia e a teoria social, um movimento que foi evitado por décadas na busca de autoafirmação e diferenciação das RI em relação às outras disciplinas das ciências sociais, como já observado anteriormente (Bigo e Walker, 2007).

Este modelo sociológico foi desenvolvido principalmente na Bélgica, França e Reino Unido, por autores como Bigo, Huysmann e Olsson, propondo uma abordagem pluralista para a securitização, em que a análise do discurso e a pesquisa das práticas do atores fossem analisadas em conjunto. Esse modelo enfatiza a securitização como um processo constituído tanto pelos atores securitizantes quanto pela audiência. Assim, o modelo sociológico usa um processo de análise argumentativa para explorar como variações nos símbolos de segurança determinam a natureza e as consequências da política de estruturação de ameaças.

A partir desta perspectiva, as análises se concentram no contexto em que a securitização ocorre, levando especial atenção para as características dos atores securitizantes ao mesmo tempo em que analisa as práticas específicas em campo. A abordagem sociológica aponta ainda que a segurança é construída e aplicada a diferentes questões e áreas através de um "conjunto de práticas rotineiras, muitas vezes, em vez de unicamente através de atos de fala específicos que permitem medidas de emergência" (Macdonald, 2008:2). Bigo (2003) alega que a segurança contemporânea é particularmente

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Apenas para efeitos de referência, a subdivisão filosófica se concentraria no papel dos atos de fala como ferramentas constitutivas de emergência, se preocupando em como tais ações, de forma isolada, pode construir ameaças. A variante pós-estruturalista, por sua vez, se foca na expansão das narrativas de securitização, para além do Estado, na compreensão de como elementos não-militares - como epidemias, por exemplo - passam a ser articulados dentro de um campo securitário. Repare-se que é extremamente difícil apontar onde as três subdivisões começam ou terminam, preferindo-se, aqui, alocar que tais mobilizações servem mais no intuito de galvanizar certas considerações do que indicar distintinções ontológicas.

marcada pela presença de profissionais, em campo, que gerenciariam o "mal- estar" (do original unease), em uma espécie de gestão do medo. Com isso, a construção de ameaças não se dá apenas com a declaração e construção de ameaças existenciais, mas também nas práticas cotidianas, reafirmadas diariamente. Estes atos de segurança rotineiras se combinariam com os mecanismos de excepcionalidade descritos originalmente pela EC, fomentando um sentimento de inquietação e insegurança. Van Munster (2009:3), ressaltando tais pontos, argumenta que especialistas, como as CSP, contribuem para a construção de ameaças através da administração de riscos e processos de exclusão, além de construir lógica de exceção.

Como apontado, a teoria clássica das Relações Internacionais foi estabelecida com uma clara linha delimitadora entre as considerações internas, estatais, e o cenário internacional. Opondo essas duas premissas, analisa Bigo(2008), as RI separaram claramente a a sociologia política e a teoria polítca. Nessa lógica, as afirmações e as considerações de uma disciplina só poderiam ser aceitas se não desafiassem ou questionassem a outra (Walker 1993). Voltando a Bigo (Ibid, 2008: 118), ele afirma que tal divisão, no campo dos estudos de segurança, foi um grande sucesso: acadêmicos de RI tem se dedicado ao tema ignorando completamente pesquisas envolvendo a sociologia do policiamento, criminologia ou psicologia da violência. Dentro desta tradicional comunidade epistêmica, segurança trataria de temas macro: guerra e sobrevivência, ignorando práticas ligadas ao cotidiano, como criminalidade e pobreza. Desta forma, a definição de estudos de segurança acabou-se por mesclar com a dos Estados Estratégicos, deixando outras práticas fora do escopo de análise.

Assim, para a SPI voltada para temas de segurança, as questões chave são: quem está fazendo um movimento de (in ) securitização, em que em que condições, para quem e com que consequências? (Bigo, 2008: 129)

A pesquisa sociológica para a área (Bigo, 2007; Huysmann, 2009) demonstra, assim, que para além dos discursos de segurança, com considerações sobre insegurança e a necessidade de políticas excepcionais,

um dos principais fatores foi é a existência de diferentes redes transnacionais de profissionais de segurança, como já apontado. Tais grupos seriam capazes de indicar as prioridades no combate a tais ameaças, além de formalmente indicá-las A construção social da insegurança, assim, não está limitada a políticos e partidos governamentais.

Partindo dessas indicações, o emprego de elementos sociológicos na análise, baseadas nas premissas da SPI, ativam autores não tradicionais para a literatura de CSP, como Michel Foucault e Pierre Bourdieu. Com isso, nos permitem sofisticar as pesquisas de tais agentes de segurança privados, principalmente ao se levar em conta que as capacidades analisadas não estão mais restritas a cálculos materiais, típicos das promessas estatais. Seguindo Bigo e Walker (2007:5), o emprego de considerações sociológicas permite uma análise das práticas, reforçando a necessidade do trabalho empírico. Nesse sentido, as próximas sessões pretendem apresentar como a reconfiguração de certas premissas, além da adição de novas considerações, irão formar um quadro mais complexo no cenário das CSP atuando como atores relevantes nos campos de conflito.