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Analysis of the value chain for fresh whole gutted salmon and salmon trout in

7. THE SALMON VALUE CHAIN IN THE UNITED KINGDOM, NORWAY, FRANCE AND

7.3. R ESULTS FROM ANALYSIS OF THE SALMON VALUE CHAIN IN F INLAND

7.3.1. Analysis of the value chain for fresh whole gutted salmon and salmon trout in

O recurso às CSP se faz, muitas vezes, dentro da falsa premissa de que tais atores são instrumentais, apolíticos. Melhor representada pela análise de David Shearer, esta posição indica que os grupos privados de segurança são melhor representados como "um braço militar". Essa lógica fortemente baseada em uma narrativa técnica pressupõe que o recurso à violência, pelo Estado, produz os mesmos efeitos, independentemente da identidade dos atores coercitivos envolvidos. Nas palavras de Shearer: [os grupos de segurança privada] são um sistema de armas, assim como quaisquer outro" (1998:23). Nessa lógica, a percepção do que constitui o poder está centralizada em uma

premissa de quantificação, permitindo cálculos e previsões em conflitos, por exemplo.

No entanto, como mostrado nas reflexões permitidas tanto por Foucault quanto por Bourdieu, o poder é um processo relacional, não pura capacidade. Por isso, seus efeitos não produzem as mesmas consequências conforme os atores em campo variam, uma vez que as relações sociais não são as mesmas na medida em que a identidade e campo em que os atores se situam se modifica. Tal concepção técnica do emprego das CSP, em oposição a uma perspectiva que reconheça sua lógica política, também parte do princípio de que é possível estabelecer uma distinção entre o recurso à violência - e suas consequências - e a forma com que uma comunidade local - de políticos e militares - percebe tal emprego. Ressalta-se que, dentro dessa perspectiva, não só a agência das CSP é ignorada - mas dos próprios atores locais que interagem com tais grupos. Essa interação, como irá ser demonstrado nos próximos capítulos, possui um papel-chave no entendimento de uma nova forma de organização privada voltada para a violência.

A presente discussão parte da reflexão de que o emprego de violência por parte de atores considerados privados na resolução de conflitos não é uma mera questão instrumental, mas um processo político em que dinâmica de legitimação política - ou mesmo sua despolitização - desempenham um papel crucial. Por despolitização, acompanhamos Zizek ao apontar que se trata da “predominância onipresente da razão instrumental, da burocratização e instrumentalização dos escopos de nossa vida" (1999:221).

Por conseguinte, é necessário concentrar a atenção sobre a identidade social, e a forma como ela é percebida, de tais atores atuando em campo. Empregar às CSP em lógicas conflitivas é postular que a segurança é um problema técnico e que, por essa razão, pode ser regulada pelas forças do mercado. É precisamente porque as formas mutáveis de violência no Sul Global são muitas vezes consideradas como um mero problema técnico, ou pelo menos um problema apolítico, que a lógica de contratação de tais atores para lidar com tais questões tem sido galvanizada. As próprias companhias se identificam como especializadas em "conflitos de baixa intensidade 'caracterizados pela sua desregulação, irracionalidade, ou formas

"incrompreensíveis" - e securitizadas, de violência (Contratado 2, 2014, Contratado 5, 2015).

Com o emprego das CSP, questões de legitimidade política são obliteradas - ou comodamente relegadas - em nome de uma mercadológica eficiência. Tal afirmação, clara nos argumentos representados por pesquisadores como Shearer, induz uma série de consequências. Em primeiro lugar, ao se adotar a postura técnica e apolítica, tai empresas estão propensas a não levar em conta as modificações das relações políticas que suas ações induzem. Além disso, essas organizações, exógenas ao conflito, nem sempre são consideradas pela população local como legitimamente autorizada a usar a força. Isso resulta em uma facilidade para que tais companhias sejam categorizadas negativamente, além das óbvias repercussões pelo uso indiscriminado e excepcional da força. categorização negativa por parte de tais empresas, político

Como demonstrado por Lipschutz (1995:41), o conceito de segurança é constituído politicamente de forma que todo discurso securitário contém implicitamente uma representação específica de comunidade política a ser defendida, assim como quais os inimigos devem ser enfrentados. Ao analisar as CSP como ferramentas apolíticas, se mascaram, narrativamente, as estruturas e considerações políticas constituídas pelo discurso contemporâneo de emprego do uso da força. Em suma, a segurança não pode ser considerada como um produto regular que pode ser trocada em uma lógica de mercado, restrita a uma própria dinâmica de oferta e demanda.

Isso é bem representado pelas CSP encarregadas de treinamento de pessoal, como acontece atualmente no Afeganistão e será melhor apontado nos próximos capítulos. Tais empresas, nessas casos, estão inseridas em uma dinâmica de produção autorizado de conhecimento, em um campo e habitus específico, uma uma vez que são contratados como especialistas reconhecidos de segurança. Portanto, eles podem implementar discursos securitizantes produzem ameaças que eles mesmos podem solucionar. Ao determinar quais são as ameaças enfrentadas, dotadas de um poder imaterial, a exigência por tais grupos pode aumentar. Argumenta-se, assim, que a posição das companhias dentro do campo da segurança está em uma posição relativamente galvanizada, fazendo com que, através de mecanismos não

materiais, possam determinar não só a demanda - ao distinguir o que é real ou falso - como seu volume - em um processo de extensão do ambiente de segurança.

Conclusão

O emprego de Companhias de Segurança Privada é analisado, dentro

da literatura tradicional das Relações Internacionais, dentro de uma perspectiva extremamente Estado-cêntrica. Focado nas alterações que tais atores provocariam no conceito de soberania ou nas articulações entre pública e privado, mesmo reflexões mais críticas tendem a ignorar tais atores como agentes políticos. Essa articulação apolítica, instrumental, possui consequências não só na produção de políticas para lidar com tais empresas mas, principalmente, no ferramental analítico empregado para analisá-las e compreender suas ações.

Ao empregar-se um arcabouço de análise permeado por reflexões da chamada Sociologia Política Internacional, principalmente suas considerações sobre poder como elemento fluido e as múltiplas variações de atores de segurança em um campo simbólico, abrem-se múltiplos espaços. A possibilidade de compreender as companhias dentro de uma dinâmica de poderes subjetivos permite não só incluir tais atores como elementos importantes dentro dos conflitos contemporâneos como, com a combinação de reflexões de trabalho de campo, construirmos uma taxonomia inédita de tais grupos. Esse novo tipo de CSP será descrito no próximo capítulo, assim como sua influência nos cenários conflitivos na Lìbia e no Afeganistão.

Capítulo 6

Companhias Privadas no Afeganistão: nacionalismo e gatekeeping 1. Introdução

As reflexões alocadas pela SPI foram de essencial importância para a expansão analítica dos atores securitizantes e de que forma tais ações foram estabelecidas. Conforme descrito nas perspectivas metodológicas desta discussão, acredita-se que as premissas teóricas e as considerações derivadas da pesquisa empírica caminham em conjunto, se complementando, promovendo sofisticações analíticas e mutuamente modificando-se ao longo do processo reflexivo. Este e o próximo capítulo são o resultado deste movimento pendular - que teve como encerramento parcial a produção de novas perspectivas sobre as CSP, até então não abordadas. A próxima subsessão caracteriza tal consideração, com as subsequentes indicando o cenário em que foram identificadas, no trabalho de campo, assim como suas possíveis consequências para os conflitos modernos.

O emprego de Companhias de Segurança Privada no Afeganistão e na Líbia partem de diversas premissas em comum: o estabelecimento de narrativas mercadológicas como premissas justificativas, a ênfase de que conflitos irregulares só poderiam ser resolvidos por tais atores, permeados por considerações emergenciais. Mais importante, a presente discussão se concentrou também nas consequências para atores locais da presença de tais empresas, incentivado não só por uma premissa foucaultiana que movimentações de poder sempre geram resistência18 - mas também por

sinalizações, em campo, de que as respostas eram muito maiores do que meros discursos antagônicos, como algumas pesquisas indicaram no Iraque (Avant, 2009). Grupos endógenos não só se manifestaram contra as CSP mas, nos casos aqui analisados, se combinaram a tais empresas, misturando práticas simbólicas e influenciando questões no Afeganistão quanto na Líbia.

18

Para maiores discussões sobre resistência em tais contextos, ver Scott, James. Weapons of the Weak. Yale University Press, 1985.