• No results found

S OSIALPSYKOLOGISKE MEKANISMER SOM KAN FORKLARE STIGMA

In document Psykiske lidelser og opplevd stigma (sider 11-15)

1. INNLEDNING

1.3 S OSIALPSYKOLOGISKE MEKANISMER SOM KAN FORKLARE STIGMA

A preocupação com a velhice e o envelhecimento humano não é algo recente, existe desde tempos muito remotos e a percepção deste fenômeno ocorreu de forma diferenciada entre os povos, nas diferentes culturas. De acordo com os estudos sobre a visão de expoentes da história universal, realizado por Costa (2001, p. 1-5) com alguns personagens históricos e as influências das suas civilizações, é possível constatar essas diferenças.

O respeito e a consideração à condição de ser humano velho são características presentes na civilização oriental, da antiguidade até os dias atuais. Para Lao-Tsé (604-531 a.C.), a velhice era vista como “um momento supremo, de alcance espiritual máximo”. E, para o confucionismo, que tem como base a família, a autoridade patriarcal não sofre alteração com a velhice, e a mulher, historicamente subordinada, tem maiores poderes que os jovens masculinos em sua velhice. Já na civilização ocidental, no ano 2.500 a.C., o filósofo e poeta, Ptah-Hotep escreveu

“quão penoso é o fim do ancião”. Na Grécia antiga, os povos valorizavam mais o corpo jovem, tratando com desdém a velhice, sobretudo em função da perda dos prazeres obtidos por meio dos sentidos (SANTOS, 2001, p. 1-5).

De acordo com Papaléo Netto (2006, p. 2), foi o século XX que marcou os grandes avanços da ciência do envelhecimento por meio dos conhecimentos adquiridos em cem anos. Desde Metchnikoff, em 1903, e Nascher, em 1909, que deram início ao estudo sistemático, respectivamente, da gerontologia e da geriatria. Nas últimas duas décadas do século XX, houve aumento nos conhecimentos desta área de estudo, impulsionados pela própria pressão do aumento do número de idosos em todo o mundo.

Nesse sentido, registra-se uma visão positiva sobre as pesquisas relacionadas ao envelhecimento em três autores pioneiros: Elie Metchnikoff, sucessor de Pasteur em 1903, defendeu a idéia da criação de nova especialidade, a gerontologia, denominação obtida a partir das expressões gero (velhice) e logia (estudo). Ele propôs um campo de investigação dedicado ao estudo exclusivo do envelhecimento, da velhice e dos idosos, em vez de aceitar a inevitabilidade da decadência e da degeneração do ser humano com o avançar dos anos. O médico Ignatz L. Nascher, vienense radicado nos Estados Unidos, criou a especialidade médica denominada geriatria, com o significado de estudo clínico na velhice. Iniciando assim, pesquisas sociais e biológicas sobre o envelhecimento. Por essa razão, esse estudioso foi considerado o pai da geriatria. Foi também o fundador da Sociedade Brasileira de Geriatria de Nova Iorque, em 1912. O terceiro autor foi o psicólogo G. Stanley Hal, que publicou em 1922 o livro Senescence the lasf half of

life, e procurou comprovar que as pessoas idosas tinham recursos até então não

apreciados (PAPALÉO NETTO, 2006, p. 3).

Conforme este autor, durante duas décadas, a gerontologia ficou restrita aos aspectos biológicos do envelhecimento e da velhice. Foi a partir da década de 1930 do século XX, com os trabalhos de Marjory Warren, que se iniciou a avaliação multidimensional e a importância da interdisciplinaridade. A partir de 1930, foram surgindo numerosos trabalhos em todas as áreas, que hoje compõem a ciência do envelhecimento, acrescentando conhecimentos aos já existentes. Nas décadas de 1950 e 1970, foram criados grupos de pesquisa longitudinal sobre a vida adulta e velhice, destacando-se Bonn (1951, 1969), Kansas City (1964), na Pensilvânia (em 1958) e em West Virgínia (1972). Foram esses trabalhos que lançaram as bases do

paradigma de desenvolvimento ao longo da vida (life-span). Entre 1950 e 1959, foram publicados mais estudos sobre a velhice do que nos 115 anos precedentes, resultando num aumento de 270% nas pesquisas da área.

Papaléo Netto (2006) define a gerontontologia como uma disciplina científica multi e interdisciplinar, que tem por finalidade o estudo dos idosos, as características da velhice como fase final do ciclo de vida, o processo de envelhecimento e seus determinantes biopsicossociais. Justifica que, a contribuição para a história da velhice no Brasil foi o processo migratório e de urbanização, sinalizando como consequência, o fato de três quartos de a população brasileira viver em áreas urbanas, tornando os problemas sociais ainda mais graves para eles e para toda a população. O autor destaca em seu artigo “O estudo de Velhice: História Definição do campo e temas Básicos” (2006, p. 7), alguns conceitos importantes da gerontologia e da geriatria:

• Idade biológica e cronológica está relacionada com o limite da idade para 65 anos em países desenvolvidos e 60 para os países em desenvolvimento. A maioria das instituições que atendem aos idosos nas áreas de saúde física, psicológica e social utilizam esse critério cronológico, mas no Brasil o limite também é de 65 anos.

• Idade cronológica e psicológica, semelhante à idade biológica, refere- se à relação que existe entre a idade cronológica e as capacidades, tais como percepção, aprendizagem e memória, as quais prenunciam o potencial de funcionamento futuro do indivíduo.

• Idade cronológica e social tem relação com a capacidade de adequação de um indivíduo ao desempenho de papéis e comportamentos esperados para as pessoas de sua idade, num dado momento da história de cada sociedade, assim, as experiências de envelhecimento e velhice podem variar no tempo histórico de uma sociedade, dependendo de circunstâncias econômicas. (PAPALÉO NETO, 2006, p. 7).

No que se refere aos conceitos de velho, envelhecimento e velhice, que é o objeto do trabalho da gerontogeriatria, verificam-se diferenças, semelhanças e inter- relações, conforme análise dos estudiosos da área.

Papaléo Netto (2006, p. 9) esclarece que, sobre o conceito de envelhecimento, a maioria dos biogerontologistas entende tratar-se da fase de todo um continuum que é a vida, começando esta com a concepção e terminando com a morte. Aponta as fases do desenvolvimento, puberdade e maturidade, ao longo desse continuum. Diz ser difícil mensurar o envelhecimento biológico, pois não há consciência clara de que, por meio das características físicas, psicológicas, sociais culturais e espirituais possa ser anunciado o início da velhice, a exemplo da menarca que marca o início da puberdade na mulher. Alguns parecem velhos aos 45

anos de idade, outros jovens aos 70. Portanto, o início exato da velhice é indefinido e difícil de fixá-lo. Por essa razão, a demarcação entre maturidade e o envelhecimento é arbitrariamente fixada, seguindo mais os fatores socioeconômicos e legais do que biológicos.

O autor elabora uma definição para o envelhecimento:

Um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas, que determinam perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando [...] processos patológicos que terminam por levá-lo à morte. (PAPALÉO NETO, 2006).

Para Confort (apud PAPALÉO NETTO, 2006, p. 10) “o envelhecimento se caracteriza pela redução da capacidade de adaptação homeostática perante situações de sobrecarga funcional do organismo”.

Santos (2003, p. 46) destaca que conceituar velho ou idoso, pelo critério cronológico, não resulta em algo preciso. Entretanto, se faz necessário para delimitar a população de determinado estudo, para análise epidemiológica, ou com propósitos administrativos e legais voltados para o desenho de políticas públicas e para o planejamento ou oferta de serviços.

A autora elege um conceito mais transdisciplinar do ser idoso, transcrevendo-o assim:

O idoso é um ser de seu espaço e de seu tempo. É o resultado do seu processo de desenvolvimento, do seu curso de vida. É a expressão das relações e interdependências. Faz parte de uma consciência coletiva a qual se introjeta em seu pensar e em seu agir. Descobre suas próprias forças e possibilidades, estabelece a conexão com as forças dos demais, cria suas forças de organização e empenha-se em lutas mais amplas, transformando- as em força social e política. (SÁ apud SANTOS, 2003, p. 47).

No que se refere à velhice, Papaléo Netto (2006, p. 10) esclarece tratar-se da última fase da vida, podendo ser caracterizada pela redução da capacidade funcional, calvície, canície, redução da capacidade de trabalho e da resistência, entre outras. Pode estar associada a perdas dos papéis sociais, solidão, perdas psicológicas, motoras e afetivas. Essas manifestações somáticas e psicossociais podem começar a se tornar mais evidentes antes da idade cronológica que demarca socialmente o início da velhice. Em geral, ocorrem no final da terceira década de vida. Contudo, não há consciência clara de que, por meio de características físicas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais, possa ser anunciado o início da velhice. Na visão de Neri

a maior dificuldade com relação à velhice, é o modo diferenciado em que a sociedade vê a velhice e o idoso, ou seja, é preconceituosa com aqueles que têm origem em classes sociais mais baixas e benevolentes com os que ocupam classes sociais mais elevadas (NERI, 2001, p. 10).

Neri (2001) verifica a grande heterogeneidade entre idosos, nos seus vários aspectos, envolvendo os morfológicos, funcionais, psicológicos e sociais que, conforme observou, têm relação com a amplitude da faixa etária, que começa cronologicamente aos 60 anos e atinge 100 anos de idade ou mais. Para a autora, o fato de haver sinais de que os fatores determinantes do envelhecimento produzem efeitos deletérios diferentes de uma pessoa a outra fez com que se caracterizasse duas formas distintas de envelhecimento: “usual ou comum e bem-sucedido ou saudável”. Na forma comum, fatores extrínsecos (dieta, sedentarismo, causas psicossociais e outras) intensificam os efeitos adversos. No paradigma do envelhecimento saudável, esses fatores não estariam presentes, ou existindo de forma reduzida e sem importância.

Para explicar as diferenças entre senescência ou senectude e senilidade, Neri (2001) assinala que essa distinção ocorre pelo somatório de alterações orgânicas, funcionais e psicológicas próprias do envelhecimento normal; e a senilidade é determinada por modificações causadas por afecções que frequentemente acometem a pessoa idosa. O exato limite entre os dois estados é de difícil precisão em função da indefinição da idade biológica. Doenças associadas e não decorrentes do processo de envelhecimento influenciam no processo de envelhecimento que induzem graus variáveis de interação, a ponto de produzir ação deletéria muito acentuada (NERI, 2001).

Para Papaléo Netto (2006), autonomia e independência são definidas como capacidade de decisão, de comando, ou seja, ser capaz de realizar algo com seus próprios meios, respectivamente. Citando Evans argumenta:

Autonomia como o estado de ser capaz de estabelecer e seguir regras próprias, entendendo que, como objetivo global, a autonomia é mais útil para o idoso do que a independência, visto que essa pode ser restaurada, ainda que este continue dependente.(EVANS apud PAPÁLEO, 2006, p. 11)

O autor conclui que a dependência parece não ser um atributo individual, e sim de um indivíduo em relação a outro. A manutenção da autonomia e da dependência é imprescindível, considerando a melhora de qualidade de vida, aspecto que requer avaliação gerontológica abrangente, com a finalidade de atuar sobre o desempenho físico, psíquico (cognitivo afetivo e social).

A avaliação multidimensional e interdisciplinar junto à pessoa idosa leva em consideração a inter-relação entre os aspectos físicos, funcionais e psicológicos da saúde e da doença e também as condições socioeconômicas e fatores ambientais. Avaliar todos esses aspectos torna-se necessário porque o estado de saúde da população idosa transcende a limites apenas biológicos e os objetivos da avaliação vão além do controle de doenças, pois visam à melhora da qualidade de vida.

O objetivo da Avaliação Gerontológica e Multidimensional é o planejamento amplo de tratamento e acompanhamento, em longo prazo, e pode ser definida como um processo diagnóstico multidimensional, frequentemente interdisciplinar, planejado para abordagem de problemas médicos, psicológicos e funcionais da pessoa idosa. Nesse trabalho, a prioridade é a busca da capacidade funcional, que constitui o indicador mais relevante de bem-estar das populações idosas.

O aspecto de interdisciplinaridade e interprofissionalidade atende às recomendações da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), quando determina que, quaisquer que sejam as atividades de promoção planejada de saúde, estas devem incluir atuações no campo biológico, psicossocial, político e legal, e que a promoção de saúde deve estar a cargo de uma equipe interdisciplinar. Por reconhecer a importância dessas recomendações, a atenção à saúde do idoso, bem como a pesquisa, passaram a ser exercidas por profissionais de diversas áreas que, por determinado campo de conhecimento, têm condição de realizá-las com maior competência e eficiência.

Papaléo Netto (2006, p. 11) conclui seu estudo sobre a velhice com algumas afirmações e entendimentos. No que se refere ao campo disciplinar e profissional da gerontologia, reafirma que não é unificado em termos de linguagem, teorias e metodologias, por isso a pulverização de dados e prática que a caracteriza.

Sobre os avanços em gerontologia, entende que acontecerão quando os grupos investigadores organizarem o estudo da velhice e do envelhecimento de modo interativo. Dessa forma, o conhecimento global gerado não será igual à soma das partes, mas fruto da integração de métodos, termos, teorias, criando explicações superiores às das disciplinas isoladas, aspecto que caracteriza a interdisciplinaridade.

O ensino e a pesquisa sobre o envelhecimento, de forma específica, e o incentivo constante à integração de pesquisadores e de profissionais de campos diversos são necessidades claras para a elaboração de ações educacionais de alto

alcance cultural e de assistência à saúde que contemplam todas as idades. No entanto, também cabe ressaltar a importância dos investimentos intelectuais e financeiros pelas universidades e agências de fomento à pesquisa com vistas ao desenvolvimento dessas ações a curto, médio e longo prazo, a fim de que realmente repercutam nos níveis de desigualdades sociais.

III. ª PARTE – ANÁLISES

Análise Estrutural: as representações imagético-simbólicas do grupo de cuidadores de idosos formais e informais da ILPI.

CAPÍTULO 5 – ANÁLISE ESTRUTURAL: AS REPRESENTAÇÕES IMAGÉTICO-

In document Psykiske lidelser og opplevd stigma (sider 11-15)