Part II Topic articles
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Neste andamento foram reunidas catorze contribuições na Revista de História, correspondentes a outros tantos artigos, escritos por oito colaboradores: Manuel João Paulo Rocha, Pedro de Azevedo, Luís Teixeira de Sampaio – com três textos publicados − mas também Manuel Silva e Ernesto Sales, que deram à estampa dois estudos e, ainda, limitados a participações singulares, Manuel João Paulo Rocha, o Abade de Baçal e José Jardim. Destes eruditos, o derradeiro nome citado é o único que não comparece como articulista noutras áreas da secção em causa. Pedro de
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Azevedo, por exemplo, publica documentos importantes para a História Política ou dos Descobrimentos, Sampaio interessa-se pela História Diplomática e pela Genealogia, já o pároco de uma Freguesia de Bragança pratica uma Historiografia de incidência local quando se dedica, por uma única vez, à História de Arte. O perfil destes cultores de Clio mostra-se avesso, ou pelo menos refractário, ao ensaísmo. Alguns deles não nasceram em Lisboa e pretendem dar-se a conhecer na Capital, ou reforçar o seu prestígio nesta cidade, no caso de serem já frequentadores dos respectivos círculos intelectuais. Convém não esquecer que a Sociedade Nacional de História/ Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos apresentava como prioridade programática da sua fundação a articulação entre as temáticas de âmbito nacional e as portadoras de um âmbito geográfico mais restrito, por forma a combater a separação e o isolamento de ambas. Este desejo de imbricação e implicação mútuas não evitou uma distribuição desigual dos assuntos, cabendo apenas cerca de 5 por cento à História local. Dentro desta convém atentar nas circunscrições que contemplam regiões, províncias, distritos, municípios e freguesias e paróquias.
Note-se que existe no periódico dirigido por Fidelino de Figueiredo uma preocupação redactorial tendente a abarcar boa parte das regiões do país como tema dos artigos publicados, concretizando-se uma amplitude que vai de Trás-os-montes ao Algarve, passando pela zona centro de Portugal. A Academia de Ciências de Lisboa procurou favorecer, desde finais do século XVIII, o aparecimento de uma plataforma jurídico-administrativa que promoveu o envio dos seus técnicos por todo o País, de forma a recolher e inventariar documentos históricos presentes, por exemplo, em instituições religiosas. No entender de José Maria Amado Mendes: «A pesquisa em
História regional e local remonta, pelo menos, aos finais do século XVIII, como se infere do processo legislativo referente à «demarcação das províncias e de parte da produção historiográfica dos memorialistas da Academia de Ciências de Lisboa»891.
Apesar de os colaboradores da Revista de História serem todos eruditos, a erudição não se manifesta de forma única, homogénea, passando-se o mesmo que se verificara nos artigos de História Política, Militar ou Diplomática, para citar apenas alguns exemplos. Em todos os casos, a biografia e o memorialismo convivem com o antiquarismo e com o historicismo de Ranke, da Escola Prussiana. Todavia, nos artigos de História Local verifica-se um domínio repartido ente a tendência memorialista/ biografista e a inspiração germânica, portadora de um romantismo crítico.
891 José Maria Amado Mendes – A História como ciência: fontes, metodologia, teorização. Coimbra: Coimbra Editora,
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A Revista de História contava, nas suas fileiras, com muitos colaboradores que pertenciam à referida Academia de Ciências de Lisboa. A sub-secção de História Local permitirá perceber que o espírito daquela agremiação de saber ficou plasmado no periódico em análise Por outro lado, parece igualmente relevante, no periódico, a procura de afirmação de uma tradição municipal e municipalista, na linha de Alexandre Herculano, que encara a pesquisa documental e arquivística como instrumentos de trabalhos de natureza monográfica, nos quais se expressa a defesa de Portugal como um país uno, devedor da especificidade dos seus municípios. Esta peculiaridade não anula, antes reforça, a identidade nacional incentivada. José Maria Amado Mendes reconhece que em 1926 Laranjo Coelho efectuou − fora da publicação dirigida por Fidelino de Figueiredo − um inventário dos trabalhos historiográficos referentes à História Local e Regional escritos por Historiadores portugueses até àquela data e concluiu que eram praticamente inexistentes: «No primeiro dos trabalhos referenciados, Laranjo Coelho destaca: referindo-se [Alexandre Herculano] às monografias locais considerava − as ele uma das contribuições mais úteis para se obter o fim do muito que ainda há a fazer no labor histórico do país. Um pouco adiante,
acrescenta o autor [Laranjo Coelho], creio, porém […] que não será demais insistir
sobre a utilidade, assaz grande e inadiável e, de enriquecermos a bibliografia das monografias das nossas cidades e vilas, documentando a sua História com a maior minúcia diplomática, elaborando-as em normas uniformes, de modo que se possa um dia formar um grande e amplo repositório, que seja cumulativamente uma fonte de abundantes materiais para se reconstruir a História pátria, um monumento que perpetue a vida e a finalidade da nossa gloriosa nação» 892.
Em 1913, na revista em análise não há nenhum texto que acompanhe em diacronia os cultores de Clio dedicados à História Local. Todavia, Manuel Paulo Rocha desenvolve aqui, de forma pioneira, um esforço metodológico teórico sobre a natureza e as implicações da História Local, intitulado Schema de História Local. Convém lembrar que o director da publicação é um defensor da síntese como categoria cognitiva a ser posta em prática na sequência de esforços analíticos prévios. Nem sempre é possível separar claramente as operações correspondentes, mas, numa perspectiva que vise uma simplificação instrumental e metodológica, pode associar-se, em primeira instância, o raciocínio globalizante á síntese e o analítico à monografia, sendo que a premissa que assente na inversão e troca de pressupostos também pode ser verdadeira, havendo suportes monográficos que incentivam posicionamentos sintéticos, aplicando-se quadro análogo, mas de sentido particular, aos esforços
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totalizantes. Ainda assim, a sub-secção de História Local na Revista de História contribui para conferir um pendor parcialmente monográfico, analítico, ao periódico, dado que os respectivos artigos se centram mais nas realidades concretas, nos factos e nos acontecimentos, do que em teorizações ou lucubrações filosóficas. Eis uma explicação que serve, ao mesmo tempo, para justificar o pendor erudito dos estudos locais na publicação e a quase total ausência de conceptualizações, puras, ou aplicadas. No entanto, as monografias não se aplicam apenas a zonas geográficas e também visam temas ou personalidades, conjugada ou autonomamente. Acresce que, em trabalhos sobre História Nacional podem comparecer exemplos ou perspectivas locais e vice-versa.
Conforme postula José Maria Amado Mendes: «Análise e síntese fazem normalmente parte de todas as operações racionais, sendo muito difícil e até artificial tentar separá-las de forma muito precisa. Assim, o que se poderá utilizar é um método predominantemente globalizante ou, ao invés, essencialmente analítico. Da prática de um método analítico resultará, lógica e normalmente uma monografia. (…) À monografia - ou ao método monográfico − também se chama método de casos. Este método, como já se afirmou, baseia-se não em teorias admiráveis, mas na própria realidade. Significa, sim, que em qualquer monografia a componente realidade - que em cada caso se torna objecto de análise − é muito forte e deve impregnar todo o estudo de forma nítida e bem patente»893.
Ver-se-á, igualmente, a que tipo de abordagens se ligam os artigos de História Local na Revista de História, mas pode aventar-se hipótese de apego ao real mais imediato traduzir uma proximidade com certo tipo de História política praticada, de cariz factual e diacrónico. Sublinhe-se que o alinhamento editorial dos estudos locais proporciona uma concentração de colaborações até meio da Revista, situando-se nessa primeira metade o dobro de estudos em comparação com os anos posteriores a 1920. Paralelamente, os autores mais prolíficos seguem quase totalmente esta tendência monográfica, que parece corresponder a uma aposta clara nos anos iniciais da publicação, lançando-se neles os perfis e as directrizes dos que se lhes seguem. Logo em 1912, Manuel João Paulo Rocha debruça-se sobre o Concelho de Lagos – Freguesia de Nossa Senhora da Luz. Ainda que o artigo se centre em exclusivo sobre a circunscrição territorial mais pequena, a assunção da maior desde o título cumpre funções de enquadramento directo e imediato, de forma a possibilitar a divulgação da unidade administrativa mais reduzida. Esta circunstância permite confirmar a
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necessidade de dar a conhecer uma localidade muito afastada de Lisboa às elites da capital.
Manuel João Paulo Rocha utiliza alguns documentos fundadores que esclarecem sobre as origens de Nossa Senhora da Luz, de forma a conservar e dar a conhecer o património documental respectivo, utilizando-o como instrumento de um desígnio turístico de promoção da freguesia lacobrigense na actualidade, referindo-se a ela como estação balnear, possuidora de atractivos lúdico-culturais, casinos, restaurantes e uma rede viária relativamente recente. A estrada principal data de 1891, e em 1894 foi construída outra. Cerca de metade do texto possui esta toada de apelo, digna de um convite ao desfrute das crescentes potencialidades locais. No entanto, já a primeira parte do trabalho indiciara o mesmo, tendo sido de imediato, e com pormenor, expostas as coordenadas geográficas da localidade, evidenciando-se um escrúpulo inusual na Revista de História, demonstrativo da vontade de tratar cientificamente a dimensão espacial, mas, sobretudo, revelando o interesse em evitar enganos no reconhecimento efectivo e empírico da freguesia de Nossa Senhora da Luz de Lagos, merecedora de uma viagem a partir de outras paragens: «A freguesia da Luz confina: a N. com a freguesia de Bensafrim, a S. como mar, a E., começando num marco geodésico que existe no pequeno planalto de Santo Estêvão, com a freguesia de Santa Maria e com a de S. Sebastião de Lagos, e a O. com a freguesia de Budens»894.
Mais do que um patrimonialismo voltado para o passado, o colaborador da
Revista de História impõe um olhar dirigido para o presente e a correcção de
assimetrias entre Lisboa e uma freguesia de Lagos, embora esta compareça como lugar de lazer e não enquanto centro político, ainda que de pequenas dimensões. O seu artigo termina ao jeito de um erudito cronista do quotidiano, que procura socorrer- se de factos e acontecimentos marcantes do passado de modo a ser considerado a autoridade mais avalizada sobre a actualidade em causa.
Num artigo publicado também em 1912, Pedro de Azevedo patenteia uma erudição diversa, de base filológica, dedicando-se, com didactismo, a expor a Origem
do Nome de Lisboa, centrando-se na evolução diacrónica da etimologia para perceber,
por essa via, uma parte da História da cidade. De todos os artigos de Pedro de Azevedo publicados no periódico dirigido por Fidelino de Figueiredo, este é o menos
preso aos protocolos da publicação documental e o mais voltado para a expressão de
opinião do arquivista sobre a actualidade em causa. Esta compareceu noutras ocasiões, mas maioritariamente confinada a espaços mais curtos. Em A Origem do
894 Manuel João Paulo Rocha – História local: concelho de Lagos – freguesia de Nossa Senhora da Luz. In Revista de
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Nome de Lisboa, o seu autor dedica uma página e meia a considerações sobre o
conhecimento e o papel dos intelectuais.
O cultor de Clio apela à concertação entre o presente da civilização material que o seu tempo está a atravessar sensível a consideráveis progressos tecnológicos e o passado mais remoto, patente nos traços materiais veiculados por documentos escritos. Antes de se debruçar sobre a História das Origens do nome de Lisboa, Pedro de Azevedo compara a evolução geográfica de algumas zonas da cidade com o perfil contemplado nos seus dias, dando deste um retrato aproximado: «os montes que hoje vemos cobertos de casaria ou dominados por pesadas construções, que são por assim dizer de hoje, estavam cheios de mato. O local habitado mais cedo foi a Alfama, que é dominado pelo castelo de S. Jorge. A baixa era um terreno alagadiço, que as marés cobriam em grande parte, e atraves da qual sussurrava um regato que tinha o seu thalweg, ou leito mais profundo, sensivelmente onde hoje está a Rua do Ouro»895.
O arquivista, colaborador da Revista de História, antes de fixar o étimo Lisboa e de procurar o seu significado para o povo que pela primeira vez o utilizou, dedicou-se a contextualizar de modo amplo essa empresa, de tal forma que a classificação da natureza do seu artigo, para a qual o erudito não contribuiu, levanta problemas. Pode filiar-se, de pleno direito, e amplamente, na História da Língua, como de facto acontece e adiante se comprovará, mas nunca se perde o gosto de relacionar as formas linguísticas com um lastro histórico-geográfico e sócio-cultural mais vasto, encarando-se a cidade de Lisboa como urbe, espaço vivencial autónomo no qual se cruzam o passado e o presente. A visão do património de Pedro de Azevedo exposta neste artigo é conservadora, mas promotora do encontro de sedimentos temporais diversos, que não cristalizam e dialogam dinamicamente. Nesta medida, é significativo que o mestre convocado pelo erudito como exemplo a seguir parcialmente, tenha sido o etnógrafo Leite de Vasconcelos, reconhecido como pioneiro na abordagem etnográfica da História da Língua, permeável à evolução linguística como corolário da História dos povos, numa área em que os terrenos pisados são, no dealbar do século XX, ainda movediços, percorridos por insuficiências de vária ordem e incertezas delas decorrentes: «Estas interrogações ficam quase sem resposta a quem as lança sobre
Lisbôa. Muito se tem trabalhado e muito se tem feito, mas de facto as explicações são todas hipotéticas. Não é isto motivo para admiração, porque nos estudos das linguas as etimologias dos nomes são sempre de resolução dificil. A causa é porque êles são as mais das vezes os restos dos povos que habitaram primitivamente o paiz, os quais
895 Pedro de Azevedo – Explorações archivisticas. In Revista de História, vol. 2, n.º 5. Lisboa: Clássica Editora, 1913,
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os novos conquistadores conservaram, e outras vezes foram-lhes impostos por povos que dominaram durante pouco tempo esta região e desapareceram rapidamente»896.
Os romanos chamavam Olisipo, Olissipo, Ulisipo a Lisboa, enquanto os Gregos preferiam o termo Olisipona. Leite de Vasconcelos traçara estas origens e chamara a atenção para a lenda segundo a qual a cidade referida herdara o seu nome do herói de Homero, Ulisses. Pedro de Azevedo apoia esta desmistificação e avança com a defesa da origem fenícia do nome. Traça, em seguida, breve perfil deste povo. Prossegue descrevendo as lutas ocorridas em 193 entre Romanos e Lusitanos, tendo sido Viriato submetido, três anos depois, à força de Brutus. Nesse ano, ergueram-se as mais antigas fortificações da cidade de Lisboa, cujo nome terá derivado de Olisipo. Em 711, os Árabes empregavam os vocábulos Ulixbona ou Uluxbona, enquanto em 1147, D. Afonso Henriques conquistou a cidade que passou a chamar-se Lixboa. Na primeira parte do seu artigo, Pedro de Azevedo pratica História local, de matriz cultural, deixando a política para segundo plano, enquadrando deste modo a História da língua. Esse enquadramento é determinante, daí termos enveredado por integrar o seu texto na História local, dado que mais do que o nome de Lisboa, o colaborador da
Revista de História valoriza a cidade enquanto espaço vivo.
A publicação de documentos cede o lugar à exposição sóbria de rudimentos práticos de etnografia e o trabalho empírico de Leite de Vasconcelos serve como inultrapassável referência. No entanto, a vertente arquivística, plasmada na transcrição de fontes, evidenciada por Pedro de Azevedo, regressa nos dois textos seguintes de sua autoria. No primeiro deles contribui para a História da localidade de Vairão, através de um documento do século XV – ao qual não conseguiu fixar a data exacta de produção – relativo ao testamento da Abadessa Guimar Rodrigues, cujos bens comparecem num inventário de 1387, publicado num segundo momento. Na época referida, a vida das localidades girava muito em torno dos conventos e mosteiros. O colaborador da Revista de História estava, no primeiro trimestre de 1913, em luta pela preservação dos arquivos religiosos, e de cartórios como o de Vairão, que guardavam documentos como os publicados neste artigo, que constitui mais um contributo prático para a defesa do património posta em marcha por aquele arquivista.
O texto introdutório à publicação de fontes em causa, apesar de se eximir a lucubrações teóricas, é, na prática, e a seu modo, doutrinário e materializa uma peça de resistência a usurpações levadas alegadamente a cabo por uma ala dos Republicanos no poder, daí que falte a crítica interna dos materiais transcritos e se agigante o louvor ao cartório da localidade em causa: «O cartorio de Vairão, como é
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sabido, encerra os mais antigos documentos em portugues até agora conhecidos e a essa circumstancia deve uma certa celebridade. Pelo estudo a que estou procedendo dos pergaminhos de aquelle convento, tenho encontrado algumas peças curiosas que darei conhecimento a seu tempo, pois os cartorios (…) ainda mais que os concelhios, e quasi tanto como os regios, são os que nos ministram maior soma de noticias historicas da vida portuguesa antes da fundação do estado pelo conde D. Henrique e durante os dois ou tres primeiros seculos da monarquia. Foi um serviço explendido o que prestou Herculano, instituindo os Port. Mon. Historica, publicação hoje interrompida, para não dizer terminada»897.
Esta assunção da linhagem de Herculano confirma o interesse de Pedro de Azevedo, sempre demonstrado, pela inventariação do património documental português, reiterando a valia da colecção encetada pelo autor da colectânea referida. A heurística da História Local depende de trabalhos de arquivistas e historiadores em instituições monacais, concelhias ou régias, das quais o colaborador da Revista de
História, arquivista experiente, estabelece uma hierarquia, certamente algo díspar de
putativo exercício de natureza análoga realizado pelo autor da História de Portugal, que conferiria um destaque de primeiro plano a fontes concelhias. No penúltimo trimestre de 1913, o colaborador da Revista de História, volta a publicar explorações arquivísticas decorrentes do estudo de um cartório, desta vez o de um Mosteiro de Santa Maria de Aguiar. As transcrições a que procede são de documentos cronologicamente anteriores aos ante-citados, presentes no artigo precedente, e referem-se ao território de cidade Rodrigo, que era leonês em 1181, a data supostamente errada das fontes ora transcritas. Em 1297,depois de ter sido absorvida por Castela, aquela localidade passou para Portugal, devido ao esforço de D. Dinis, confirmado e reiterado por D. Fernando, D. Afonso V, Conde de Castelo Melhor eD.João V. Como exemplo contrário, de transição de um território português para posse espanhola, Pedro de Azevedo – na sua introdução que precede a publicação dos documentos do século XII – aponta Olivença, na sequência das Guerras Napoleónicas.
Do ponto de vista metodológico, as explorações arquivísticas sobre os documentos de Riba de Côa prolongam o interesse do seu autor por arquivos de instituições religiosas, só que desta vez sem recurso explícito à evocação de Alexandre Herculano. Por oOutro lado, a inserção da História local numa perspectiva política e nacional acontece, sob os auspícios da questão de delimitação das fronteiras, a propósito da crescente autonomização de soberania do Condado
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Portucalense, ocorrida no tempo do Conde D. Henrique e no de seu filho D. Afonso Henriques. Pedro de Azevedo contribui, no plano heurístico, para que historiadores seus contemporâneos e de gerações futuras possam explicar e debater as origens da nacionalidade portuguesa à luz de documentos que, provenientes de cartórios religiosos, possam prestar esclarecimentos acerca da História política local e nacional.
Ambos os domínios geográficos parecem mutuamente implicados pelo