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Empirical studies of the

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5 The financial crisis and its

6.3 Empirical studies of the

Tal como acontece com outras áreas que podem ser consideradas ciências auxiliares da História, a Bibliografia, por um lado, e a Arquivística, por outro, surgem na Revista de História, respectivamente, de modo esparso e exíguo. No que respeita á segunda área de saber citada, apenas por uma vez se torna alvo exclusivo de atenções, logo no ano de abertura da publicação, inaugurando e encerrando os contributos que dizem respeito à História dos Arquivos e dos arquivistas. Neste caso, um deles, Pedro de Azevedo, procede ao elogio de um mestre e amigo que o precedeu e com ele chegou a coexistir no exercício de uma actividade que constituía paixão partilhada por ambos. Aquele profissional louvou publicamente a acção cultural levada a cabo por Gabriel Pereira, numa sessão ocorrida a 16 de Dezembro de 1912, na Sociedade Nacional de História. Deste modo, fica comprovada e explicada, uma vez mais, a estreita ligação entre a instituição citada e o respectivo órgão informativo e comunicacional.

O artigo do consócio referido constitui a passagem a escrito do testemunho oral apresentado. Nele, o seu autor revela a enorme convivência que manteve, durante duas décadas, com Gabriel Pereira, que terá motivado ou determinado, parcialmente, a homenagem prestada por ocasião do seu falecimento: «A minha convivencia com o extincto durante mais de vinte annos tornou-me possuidor de uma visão que com relativa facilidade me permite agora enlaçar grande numero de factos, dando-lhes uma forma mais ou menos logica. Esses factos obtive-os eu directamente pelo trato pessoal ou pela leitura das suas numerosas publicações, posto que nem de todas me

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pude socorrer. Anteriormente, porém, á data das nossas relações, contava já Gabriel Pereira uma larga folha de serviços, a que só me posso referir por conhecimento indirecto. A leitura das suas publicações, as apreciações dos seus subordinados e conhecidos, as suas resoluções oficiaes e as conversas que tive com o falecido inspector ministraram-me pois o abundante material que aproveitarei. Num meio como o nosso em que a força intelectual e fisica não é cultivada por completo nem comprehendida, torna-se dificil realçar os meritos das grandes individualidades que quasi sempre são avaliadas pelo criterio do criado de quarto, para o qual, di-lo um filosofo, não ha homens notaveis»880.

Posteriormente, também Pedro de Azevedo realizou o elogio fúnebre do arquivista José Bastos. Todavia, tal procedimento foi incluído na Secção de Factos e Notas, conforme veremos adiante. Apenas o trabalho em análise furou ou iludiu esse esquema. Não sabemos as razões de política editorial que terão conduzido os responsáveis da Revista de História a tomar esta atitude. Contudo, pode aventar-se a hipótese segundo a qual, para Pedro de Azevedo, Gabriel Pereira era um inultrapassável modelo, o maior de todos os arquivistas. Isso mesmo é dito, de modo discreto, mas efectivo, no texto em apreço, no qual avulta a crítica aos contemporâneos do prelector e consórcio da Sociedade Nacional de História, que utiliza e exalta o homenageado para denunciar o menosprezo coevo pelos intelectuais que, em seu entender, deveriam ser tidos, na esteira do citado Hans Delbruck, como guias das massas. Assim pensavam, também, Fidelino de Figueiredo ou Ortega y Gasset, não referidos por Pedro de Azevedo, que estava em sintonia com a seguinte ideia: «No desenvolvimento da minha missão procurarei sempre descrever Gabriel Pereira pela sua face mais elevada e como iniciador de novos caminhos intelectuaes. Em Janeiro do corrente anno, o Dr. Hans Delbruck, professor da Universidade de Berlim, discursou defendendo a tese de que “as Massas só por si são inertes, sendo apenas robustecidas pela fórma a que são levadas, e que possibilita dar-lhes uma vontade unica que as guie a um fim consciente”. Esta fórma é o producto espiritual. É o espírito. A fórma que tiveram as bibliotecas e arquivos nos últimos dez annos, ou melhor, nos últimos vinte, foi-lhes dada por Gabriel Pereira. Estudar, pois, Gabriel Pereira é procurar conhecer o espírito que no referido lapso de tempo guiou aqueles estabelecimentos»881.

De todos os aspectos formativos do carácter, o mais decisivo – segundo Pedro de Azevedo − é protagonizado pelas qualidades inatas, sendo a raça o menos

880 Pedro de Azevedo – Gabriel Pereira – Elogio histórico lido pelo sócio Pedro de Azevedo em sessão de 16 de

Dezembro. In Revista de História, vol. 1, n.º 4. Lisboa: Clássica Editora, 1912, p. 213.

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considerado. O homenageado é encarado como uma pessoa de forte carácter. Nesta análise ressoam ecos, não assumidos explicitamente, do pensamento de Hippolyte Taine. Quanto ao percurso de vida de Gabriel Pereira, o colaborador da Revista de

História informa que nasceu e passou a infância em Évora, tendo ingressado

posteriormente na Marinha. Entretanto, trabalhou na Misericórdia da sua terra, para a qual conseguiu cativar investimentos. Em 1887 sai da localidade que o viu nascer, e aceita o convite de António Enes para dirigir a Biblioteca Nacional, tornando-se, em 1902, inspector do Arquivo da Marinha. De permeio, em 1900 incentivou a realização do catálogo de obras de arte da Biblioteca Nacional. Segundo Pedro de Azevedo, o bibliotecário e arquivista recém-falecido apelou, por escrito, em 1905 e 1906, à importância da conservação do património mas, na prática, a sua acção como inspector das bibliotecas não teve a mesma força, eximindo-se a levar à prática os desígnios defendidos.

O colaborador da Revista de História aproveita a sua intervenção pública para denunciar a inexequibilidade de algumas cláusulas referentes à Lei das Bibliotecas e Arquivos, publicada a 18 de Abril de 1911, que consignava a criação de Bibliotecas populares e de outras dedicadas às crianças. Convém não esquecer que Pedro de Azevedo sempre criticou os poderes públicos vigentes nos primeiros tempos da República, mormente no caso da nacionalização das bibliotecas religiosas, acerca do qual liderara um manifesto reprovador, anteriormente analisado. O trabalho de louvor a Gabriel Pereira insere-se no âmbito do activismo político-cultural do colaborador da

Revista de História. Aliás, todos os seus trabalhos no âmbito da História são tributários

de metodologias provenientes da Arquivística. Não foram incluídos neste andamento porque não se circunscrevem a este âmbito, no plano temático.

Por seu turno, as contribuições bibliográficas disseminam-se por quase todo o periódico, de 1912 até 1922. Esta comparência desde o primeiro momento é deliberada e marcante, resulta de uma opção editorial clara, não sendo fruto ou obra do acaso, dado que corresponde aos anseios consignados na circular promotora da Sociedade Nacional de História, reiterados nos respectivos relatórios anuais, dando corpo a esses desígnios que se baseiam no apelo à necessidade de concretizar uma

Bibliografia das Bibliografias Portuguesas dedicadas à História de Portugal. Aliás, na

publicação dirigida por Fidelino de Figueiredo, como o respectivo nome indica, este desejo de rastrear e inventariar todas as fontes primárias e secundárias, sobretudo aquelas, manuscritas ou impressas, é comum à maioria das colaborações patentes na Secção de Artigos, sendo transversal às diversas áreas do Saber trabalhadas e estudadas, desaguando numa atitude metodológica de respeito pelo património documental que advém da perspectiva historiográfica. Todavia, neste andamento,

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seguir-se-á uma conceptualização que encara a Bibliografia como um compromisso, difícil de delimitar ou circunscrever, entre a materialização de um instrumento de trabalho e as considerações teórico-práticas sobre esse recurso. Quase todas as

Bibliografias disponíveis procuram aliar a recolha e organização de fontes a uma

observação introdutória que sirva de comentário prévio às Inventariações, maioritariamente exercido de modo pouco sistemático ou aprofundado, sobrepondo-se as reflexões sobre as dificuldades do trabalho empírico a esforços teoréticos mais alargados que, por seu turno, primam pela ausência. Existe uma vontade forte de lançar as bases, ainda que titubeantes e incertas, de uma certificação científica dos saberes no âmbito da Bibliografia, ainda que sempre ditada pelo contacto dos historiadores latu senso com diversos tipos de documentos, trabalhados em várias dimensões da ciência de Clio, que começa a dar os primeiros passos.

Assim, no terceiro ano da Revista de História, Edgar Prestage resolve aproveitar a sua experiência e ajudar a construir uma bibliografia, começando por explicar os motivos que o conduziram a essa tarefa, os objectivos que a norteiam e a natureza da empreitada, sem esquecer a respectiva gestação: «É rica a bibliographia historica portuguesa. Desde o seculo XV até ao seculo XVIII o pais teve uma serie ininterrupta de chronistas, alguns de subido valor historico e literario, e no seculo XVIII, além das publicações da Academia Real da História, outras, reveladoras de erudição profunda, se imprimiram. A sciencia da critica historica, relativamente moderna, ensina-nos a fundamentar a historiographia em documentos coevos, portanto não é licito seguir cegamente os chronistas regios e monasticos, como fez Oliveira Martins, mas pô-los inteiramente de parte como se fossem fontes inquinadas, é erro inteiramente funesto e anti-scientifico»882.

Enunciada a filiação Historiográfica de Prestage e do seu artigo, e confirmada a relevância da crítica histórica como base das investidas especificamente bibliográficas do autor, percebe-se a importância de que se pode revestir a Bibliografia para consolidar o processo incipiente de cientificação dos conhecimentos historiográficos, retribuindo o papel destes na edificação de trabalhos baseados na inventariação da documentação existente nos arquivos portugueses. Numa nota, o historiador britânico revela o cuidado que é preciso ter com as fontes oficiais como as crónicas, que, no seu entender, mentem ou dissimulam a verdade frequentes vezes. Fica implícito que, para este cultor de Clio a Verdade coincide com a realidade, à qual os documentos se reportam, mas nem sempre corresponde à dimensão retórica e organização discursiva destes, situação que não invalida a validade dos testemunhos cronisticos. Deve,

882 Edgar Prestage – Summario duma bibliographia histórica portuguesa: 1647-1697. In Revista de História, vol. 3,

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todavia evitar-se a subscrição de tudo o que eles dizem. Esta credulidade ingénua é apontada, criticamente, aos procedimentos historiográficos de Oliveira Martins, dos quais, neste ponto, Edgar Prestage se afasta, elegendo como preferencial o tipo de levantamento e tratamento documental levado a cabo por Herculano, tido como modelo a seguir por forma a contribuir para enriquecer as Bibliografias Portuguesas, escassas, mal organizadas, apesar do exemplo positivo da Academia Real da História. O colaborador da Revista de História cita o autor da História de Portugal de forma a enunciar o objectivo central da sua própria pesquisa: mimetizar e a complementar o esforço do organizador dos Portugaliae Monumenta Historica, ajudando a reverter a situação dos estudos na área da Bibliografia, entendida como guia de uma História Geral de Portugal ainda deficitária, apesar dos esforços herculanianos meritórios: «Á excepção dos primeiros reinados (para cujo conhecimento temos os documentos dados á luz por Herculano nos Portugaliae

Monumenta Historica e utilizados magistralmente pela Historia de Portugal até ao

reinado de Afonso III) os materiaes em grande parte dormem nos archivos e nas bibliothecas. Mas ainda assim existem muitas e importantes fontes impressas que podiam ser aproveitadas se fossem melhor conhecidas. Hoje, mais do que nunca, quem em Portugal pretenda dedicar-se á sciencia da Historia precisa de guia, sem o qual gasta o tempo a ler livros inuteis. Não ha uma História geral do paiz que satisfaça, pois a obra notavel de Schaefer tem graves e inevitaveis lacunas, devido ao tempo em que foi composta. Perdeu-se a tradição historica pela falta de uma eschola de historiadores, os cursos officiaes pouco valem, e nem mesmo apparecem os bons compendios com resenha das auctoridades a consultar, que em Inglaterra, na França e na Alemanha auxiliam ao estudioso. Na ausencia duma bibliographia historica completa, ignora-se o que se acha publicado, assim em livros como em Revistas. A Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos já começou a trabalhar na redacção de tal obra, mas empreza tão grande leva tempo, e mesmo quando realisada, uma enumeração de milhares de escriptos de valor differente, embora necessaria para consulta, ha de confundir os menos entendidos. A escolha será impossivel sem fio conductor»883.

Edgar Prestage traça um cenário desolador da Historiografia portuguesa sua contemporânea, no que tange a meios de investigação e divulgação de conhecimentos na área de Clio. Aponta, desde logo, a falta de uma escola, ou seja, de uma comunidade organizada de historiadores. Prosseguiu notando a ausência de compêndios suficientemente estruturados, ao contrário do que se verifica na sua Inglaterra e na Alemanha.

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Este quadro deficitário repercute-se na escassa qualidade dos cursos oficiais. Edgar Prestage é um estrangeiro que se interessa por Portugal, e pretende contribuir para acrescentar conhecimentos à Iniciativa pioneira de Schaefer acerca da qual denuncia a existência de lacunas. Para tal, Prestage associa-se à Bibliographia

Histórica Portuguesa em andamento, da responsabilidade da Sociedade Promotora da Revista de História e dirige uma proposta a esta instituição para que esta encare a

bibliografia como uma forma de orientação e selecção de leituras, ao arrepio de uma outra tradição, que se percebe ser dominante, segundo a qual o instrumento heurístico referido é encarado como mero registo, sem critério, das existências documentais e bibliográficas: «Portanto propuz á direcção da Sociedade que se dividisse a historia patria em periodos e que se redigisse dentro de cada um delles a lista das obras merecedoras de mais confiança. A ideia foi acceita, e de acordo com o meu amigo Sr. Pedro de Azevedo, estabelecia a divisão seguinte. 1º − Reconquista Cristã; 2º − Desde a tomada do titulo de rei por D. Affonso Henriques até aos fins do reinado de D. Afonso III; 3º − Desde 1279 até à tomada à Revolução de 1383; 4º − Desde a subida ao throno deD.João I até ao descobrimento do caminho maiítimo para a Índia; 5º − Desde 1498 até 1580; 6º − A dominação Philippina; 7º − Desde a Revolução de 1640 até às Cortes de 1697; 8º − Desde 1698 até á revolução de 1820; 9º − Desde 1820 até 1910. Fui encarregado pela Direcção da bibliographia do 7º periodo com que me tinha familiarisado no decurso dos estudos para a biographia de D. Francisco Manuel, e em seguida dou os meus summarios, lembrando que são apenas uma tentativa. Se fôr bem recebido dos criticos, espero que a Sociedade proceda á coordenação dos summarios bibliographicos dos periodos restantes. Assim ficariam lançadas as bases de uma obra egual à de M. M. Desdevises e Leonardon sobre as fontes de História da Hespanha. Mais tarde talvez fosse possível organizar uma serie como a das Sources

de l’Histoire de France, tão brilhantemente inaugurada por Augusto Molinier. Devo

advertir que, de proposito, só menciono os livros impressos, e entre estes os que julgo mais importantes e mais faceis de encontrar. A indicação das fontes manuscriptas fica para outro trabalho que tenho entre mãos»884.

Resulta claro o modo de trabalhar de Edgar Prestage, apostado na selecção de documentos, baseada na sua importância e acessibilidade. O historiador demonstra conhecer trabalhos afins ao sumário do período que se estende de 1640 a 1697. Note- se que o intelectual inglês estuda político-diplomaticamente a Restauração Portuguesa noutros textos, não sendo de estranhar o impulso inicial conferido pelo estudo sobre D. Francisco Manuel de Melo para a frequência dessas matérias do foro bibliográfico. O

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sumário em vertente análise é parte de um todo maior e tido sempre como mais importante. De resto, o autor nunca chama Bibliographia ao seu inventário, subordinando-o às periodizações ante-citadas, que se percebe serem tributárias de uma Historiografia assente em acontecimentos político-militares e diplomáticos que funcionam como marcos divisórios e eixos de demarcação da Bibliografia das Bibliografias por fazer.

Prestage trabalha o sétimo período por via da inventariação dos impressos coevos, baseada numa divisão temática que comporta, por esta ordem: História Geral, História Social, História Legislativa, História Militar, História Eclesiástica, História Diplomática, História Administrativa, História Económica e Monografias. A primeira e última área referidas contam com um maior número de obras que se lhes dedicam, por esta ordem, seguidas pela História Diplomática. Edgar Prestage exime-se a interpretar estes dados ou a relacioná-los, limitando-se a expô-los. Dos autores que tratam a Bibliografia, domínio portador de secção autónoma na Revista de História, o historiador britânico é aquele que demonstra estar mais atento à respectiva evolução científica (ou falta dela) em comparação com o contexto europeu, identificando outros cultores dos instrumentos de índole bibliographica, mas furtando-se a um aprofundamento hermenêutico das respectivas implicações teóricas.

Em 1919 foram publicados dois artigos inscritos no âmbito da Bibliografia, que constituem relevantes inventários. O primeiro, da autoria do bibliotecário António Joaquim Anselmo, intitula-se Bibliographia das Bibliographias Portuguesas e é portador de uma perspectiva que classificamos de maximalista do objecto escolhido, pretendendo o seu autor compilar todas as bibliografias existentes em Portugal, resultantes da listagem de documentos manuscritos e impressos. Deste modo, desequilibra-se o compromisso entre o particular e o geral advogado e praticado pelo trabalho de Edgar Prestage, que nunca perdera de vista uma bibliografia que albergasse os trabalhos de História realizados em todas as épocas, centrando-se numa delas. Todavia, o grau de generalidade como meta a atingir por um colectivo não ultrapassava o âmbito dos estudos dedicados a Clio. Inversamente, a tarefa de António Joaquim Anselmo dissemina-se por todas as áreas do Saber, possuindo um pendor omnívoro, que alberga todas as publicações publicadas por portugueses, em português ou noutra língua, extravasando a informação contida em bibliografias e alargando-a aos jornais e revistas tidos como mais relevantes. No breve prólogo introdutório do seu esforço intelectual, diz o bibliotecário da Biblioteca Nacional: «Ao ordenar este pequeno trabalho a que demos o titulo de Bibliographia da Bibliographias

portuguesas, foi nosso intento fazer uma breve resenha das Fontes da Bibliographia

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para para a eloboração da bibliographia nacional completa que ainda nos falta, isto é, da bibliographia em que sejam comprehendidos todos os trabalhos escriptos por portugueses, em língua nacional ou estrangeira, e sem distincção de obras impressas ou manuscriptas, valiosas ou insignificantes. Os materiaes para esta bibliographia terão que ser procurados não só nas bibliographias portuguesas propriamente ditas, impressas ou manuscriptas, como tambem nos catálogos e inventários de bibliothecas e livrarias, e até em quaisquer publicações (jornaes e revistas) que de algum modo possam subministrar informações bibliographicas»885.

No entanto, falta a este trabalho uma divisão ideográfica, conforme nota Fidelino de Figueiredo, que, num apontamento que se segue à apresentação de António Joaquim Anselmo, explica as circunstâncias em que pediu ao erudito bibliófilo autorização para publicar um instrumento heurístico que a princípio era consagrado a uma circulação interna no seio da Biblioteca Nacional e da sua leitura publica: «A

Bibliographia das Bibliographias Portuguesas foi organizada pelo Sr. António Joaquim

Anselmo, nosso antigo companheiro de trabalho na Bibliotheca Nacional, em que é conservador, e destinava-se ao serviço interno da Bibliotheca e ao da leitura publica. Este destino, que se lhe arbitrava, imprimiu á sua elaboração um crittério bibliothecario que impediu que a sua matéria fosse classificada ideographicamente e que determinou a incorporação de especies, sem valor critico, que por certo nella se não comprehenderiam se tivesse por fim ministrar informações aos investigadores especiaes. Mesmo assim, indiferenciado, global, e contendo bibliographias geraes a par de particulares, prestará o presente inventário subsídios úteis – pelo que se publica na Revista. Ao senhor A. J. Anselmo apresentamos os nossos rendidos agradecimentos por haver cedido á Revista de História o seu presente trabalho, que esperamos servirá de base a um methodico inventário de bibliographias»886.

Fidelino de Figueiredo agradece a António Joaquim Anselmo, mas reconhece, implicitamente, que o seu trabalho constitui uma colecção de documentos anárquica e dispersiva, à qual falta uma classificação das espécies e uma visão integradora sobre elas.

Ainda em 1919, mais propriamente no segundo trimestre, surge o segundo inventário bibliográfico publicado nesse ano. Por ele comprova-se a solidariedade