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Neste eixo da entrevista, pretendíamos conhecer a compreensão do grupo docente sobre a avaliação formativa e as práticas desenvolvidas no dia a dia, pautadas na compreensão de que a avaliação da aprendizagem é um componente do ato pedagógico, que investiga a qualidade dos resultados e subsidia as soluções com base neste conhecimento (LUCKESI, 2011). Tal definição converge com Lima69 (2013, p. 57) que explicita a função diagnóstica da avaliação para subsídio das intervenções ao longo do processo de aprendizagem, momento em que o aluno é “seu ponto de partida e de chegada”.

A partir das respostas dadas pelas docentes, entendemos que compreendem a avaliação formativa como um processo que acontece ao longo do ano letivo e que trará subsídios para seu planejamento e intervenções diárias, desprendendo-se da ideia de uma avaliação pontual que acontece num único momento, pautada em folhas e instrumentos específicos para esse fim.

Apresentaremos na sequência, alguns fragmentos das respostas emitidas pelas docentes, que demonstram seu entendimento sobre o conceito da avaliação formativa. Relembramos que a pergunta feita solicitava a explanação do seu entendimento sobre tal conceito.

“[...] a formativa acho que ela já vem desde a diagnóstica... porque aí a gente já tem que fazer um levantamento do que a criança veio [...] e ela ocorre a todo tempo [...]” (docente D – 2º ano, 2015).

“Quando eu estudei o Referencial ele fala para partir sempre do aluno... então eu busco fazer isso daí... também... fazer uma análise diagnóstica do que o aluno conhece... o que traz... o que já tem de vivência... de experiências... a partir disso traçar um plano de ação sobre isso e oferecer recursos para eles [...]” (docente B – 1º ano, 2015). “Eu entendo que a gente avalia o aluno durante o processo... que pra gente são as etapas... então a gente acompanha todo o desenvolvimento dele... tudo o que ele progrediu... mesmo que ele não atinja a meta que a gente estipulou... mas vem acompanhando esse avanço que ele tem dentro do conteúdo... então não é uma avaliação final... são observações diárias... produções de texto... o que ele fala oralmente... como é a participação dele [...] tudo o que ele fez” (docente A – 3º ano, 2015).

“[...] é avaliar o aluno como um todo... todo o processo de aprendizagem... de recuperação contínua... que não é só aquele momento que ele está olhando para aquela folha e considerar um dia desse aluno [...] (docente C – 4º ano, 2015).

“[...] para que eu comece com a formativa eu tenho que primeiro fazer um diagnóstico da minha sala, ver as dificuldades deles e a partir disso eu vou tentando sanar as dificuldades que eles me apresentam... a formativa é o dia a dia [...] porque eu faço intervenções... eu corrijo um caderno na hora... eu mostro o erro para ele”. (docente E – 5º ano, 2015).

Apesar da docente A citar a questão das etapas na avaliação formativa, abrindo espaço para um entendimento de avaliação classificatória de análise final de conteúdos, ao lermos mais um pouco de sua explanação, compreendemos que se referia apenas à organização dos conteúdos a serem ensinados num determinado tempo, no caso, as etapas. A palavra “diagnóstico” aparece explicitamente em três falas e nas outras fica subentendido o processo de diagnóstico do conhecimento do aluno para que se possa dar andamento ao processo de ensino e aprendizagem. Compreendemos, então, que o conceito de avaliação formativa é claro para esse grupo – mas quais são as práticas que evidenciam esse processo avaliativo formativo em sala de aula? No momento da entrevista, as docentes socializaram algumas práticas realizadas dentro do contexto da avaliação formativa. Tais informações compõem o quadro que se segue.

Quadro 32 - Práticas de avaliação formativa do grupo docente

Grupo Práticas

1º ao 3º ano do ensino fundamental

Sondagem, desafios de acordo com o nível de hipótese de escrita em que se encontram, registros da professora sobre o desenvolvimento dos alunos no seu semanário para planejamento de atividades e posterior comparação com avaliações escritas; roda de conversa; exposição de cartazes e trabalhos em grupos.

4º e 5º anos do ensino fundamental

Roda de conversa, debate, acompanhamento da atividade que o aluno faz em sala, atividades em grupos, jogos, produção textual inicial e individual para identificação de dificuldades, correção e refacção de produção de textos em duplas, intervenções da professora nas produções individuais.

Fonte: Elaborada pela pesquisadora.

Há uma fala de uma das docentes do grupo do 1º ao 3º ano que traz certa preocupação em relação ao processo de avaliação formativa, pois ela indica que “quando fecha capítulo a gente faz também avaliação formativa” (docente D – 2º ano, 2015). Se ela já havia indicado que a avaliação formativa “ocorre a todo tempo”, ao citar que no final de um capítulo realiza uma avaliação formativa, nos leva a compreender que o conceito está claro, mas a prática ainda indica a necessidade de ajustes, pois uma avaliação no final de um capítulo pode ser entendida como uma avaliação classificatória – qual seria o percurso seguido, o passo a passo, até se chegar nessa avaliação? Se houver um acompanhamento contínuo, com momentos de análise de erro, de identificação das dificuldades de cada uma das crianças, de escolha de estratégias apropriadas para que avancem em seu conhecimento e no final de uma série de ações ter um

panorama do progresso dos alunos, pode-se decidir por utilizar algumas atividades e instrumentos avaliativos que evidenciem esse conhecimento. O que queremos reafirmar aqui é que, ao se tratar a avaliação formativa como algo que acontece no final de um período, deve-se deixar claro que há inúmeras ações realizadas nesse entremeio para se chegar a um conceito final; ao final do período estipulado para esse alcance, o que não fica claro na fala da docente citada.

Também tivemos outro momento na entrevista em que solicitamos o compartilhamento dos instrumentos de avaliação utilizados em cada ano escolar. O quadro 33 apresenta os instrumentos avaliativos citados pelas docentes.

Quadro 33 – Instrumentos de avaliação

Grupo Práticas

1º ao 3º ano do ensino fundamental

Roda da conversa, exposição de trabalhos, discursiva, cartazes, ilustração, provas escritas, provas objetivas, reescritas, reconto, seminários, avaliação objetiva e discursiva, oralidade (com critérios pré-estabelecidos), lista de exercício, atividades em grupos e a interpretação.

4º e 5º anos do ensino fundamental

Produção de texto, interpretação de texto, avaliação oral (a docente faz observações do que as crianças falam), avaliação escrita (objetiva, discursiva), seminário (os alunos são convidados a preencherem fichas e avaliarem o trabalho do grupo).

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

O instrumento de avaliação, entendido como “ferramenta de coleta de informações sobre a aprendizagem do aluno” (DEPRESBITERIS; TAVARES, 2009, p. 16), registra o resultado de uma série de ações realizadas pelo professor e pelo aluno ao encontro do objetivo do aprendizado70. Observamos uma certa diversificação dos instrumentos utilizados, o que nos leva a compreender que o grupo docente vem rompendo com a prática de avaliações com um único padrão, trazendo para a sala de aula a importância de se avaliar com diferentes instrumentos e em diferentes momentos o grupo de alunos. “O valor da avaliação não está no instrumento em si, mas no uso que se faz dele. Mais do que o instrumento, importam o tipo de conhecimento que se põe à prova, a pergunta que se formula e a qualidade mental ou prática que se exige para a resolução dos problemas” (DEPRESBITERIS; TAVARES, 2009, p. 38).

Vale relembrar que, se a concepção de avaliação da rede de ensino pauta-se numa postura formativa, essa diversidade de instrumentos, utilizados como uma bússola, como um norteador do processo de aprendizagem, vem ao encontro da postura que se espera do professor

com o olhar formativo em sua turma. A diversidade trará condições de diferentes expressões dos alunos, os quais demonstrarão, em diversos momentos, os aprendizados que estão sendo construídos. Mais uma vez o docente precisa de constante formação para esse trabalho, para esse acompanhamento do processo formativo, do processo de aprendizagem e condições para avaliar o aluno não apenas na habilidade e conteúdos desejados, mas conseguir analisar quais habilidades e quais conteúdos o aluno está fazendo relações e inferências em seus diferentes momentos escolares.