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2.3.1 A equipe do E-learning

A equipe do E-learning era constituída pela coordenadora dos cursos (que atuava tanto na gestão de pessoas como de conhecimento) e de mais cinco funcionários que realizavam o suporte técnico na época da coleta. Entre eles, estavam web-designers e profissionais do ramo da informática. Esses últimos eram responsáveis pelo suporte técnico do curso e interagiam tanto com os tutores como com os alunos com referência a problemas relacionados à comunicação entre os dois grupos ou possíveis falhas do sistema.

2.3.2 A coordenação da equipe do E-learning

A coordenadora da equipe do E-learning da instituição focal tinha vasta experiência em ensino de línguas em institutos de língua e em gestão de professores. Na época da coleta dos dados ela estava na instituição há aproximadamente 15 anos. Além de ser muito bem vista pela gerência da instituição, a coordenadora era respeitada pelo corpo docente. Mais ainda, ela havia participado na construção dos cursos desde o início do projeto de EAD e por vezes era responsável pelo contato com outras instituições para a venda dos cursos. Tais fatos originavam uma comunicação muito aberta entre direção, tutores e alunos, pois a coordenação conhecia todos os passos do processo.

2.3.3 O departamento técnico

O departamento técnico na época da pesquisa era composto por cinco funcionários que davam suporte não apenas aos produtores dos cursos, mas também aos alunos e professores envolvidos. Eles tinham contato direto com a coordenação do curso, e iam resolvendo os problemas que surgiam em parceria com ela. Na época, a banda da internet era um problema para baixar o conteúdo e havia os problemas técnicos, além dos de disciplina, que eram resolvidos por esses profissionais de maneira individualizada. Como o número de professores e de alunos não era muito grande, isso ainda era possível.

2.3.4 Os tutores

Ao contrário de muitas instituições onde o tutor não é necessariamente um empregado da instituição ou não possui formação acadêmica na área em que faz tutoria, nessa instituição todos os tutores eram também professores dos cursos presenciais. Para ser tutor, era necessário ter conhecimento básico de computadores, acesso fácil a eles, e saber como funcionava a plataforma, além de conhecer os cursos e dar uma atenção individualizada para o aluno. Isso não era problema, pois a tutoria também era individual, ou seja, um aluno para cada professor dentro do curso, ao invés de um tutor para muitos. Cada tutor tinha por volta de seis alunos, no máximo, então não era difícil conciliar o trabalho nos cursos presenciais com os cursos online.

Sempre que o profissional começava a trabalhar como tutor, eram-lhe passadas informações sobre que tipo de comunicação deveria ser feita (ao menos um e-mail de boas-vindas no começo do curso) e um número de comunicações mínimo durante as duas semanas de curso. Era importante que o tutor não deixasse os alunos sem reposta por muito tempo, uma vez que o curso era curto e o aluno teria que cumprir metas dentro desse tempo.

2.3.4.1 A tutora/ pesquisadora

A tutora/pesquisadora envolvida nas interações estudadas também fazia parte do grupo de trabalho da instituição, como professora em cursos presenciais e a distância, há aproximadamente nove anos na época da coleta de material. Com formação na área de língua inglesa, já havia atuado no desenvolvimento de cursos presenciais na instituição. Além disso, atuava em uma instituição privada de ensino superior como professora na área de Letras e tutora online, mas para o curso de leitura em língua portuguesa.

2.3.5 Os alunos do curso focal

Como descrito anteriormente, os alunos do curso focal eram adultos, a maioria devido a sua denominação (Career Trends, Market Trends, Language Trends, Technology Trends, Ethical Trends, Health Trends, Globalization Trends Applying for a Job, Describing Statistics, Making Announcements, Reporting Data). Havia, porém, pessoas relacionadas à área da educação ou mesmo profissionais liberais como dentistas ou pilotos de avião, por exemplo, que geralmente chegavam ao curso pelo conhecimento prévio da instituição, por terem sido alunos ou feito exames de proficiência internacionais. Muitas vezes os alunos participavam dos cursos com bolsas de estudo parciais ou totais provenientes das empresas onde trabalhavam.

O tutor, ao receber o aviso de que tinha um aluno, tinha também acesso a seus endereços de e-mail, número de telefone e datas previstas para o curso. Eventualmente recebia-se o nome da empresa do aluno, principalmente se havia um grupo de profissionais inscrito em algum dos cursos. Quaisquer outras informações sobre seu trabalho ou seus interesses eram obtidas por meio da interação tutor-aluno.

O nível de conhecimento desejado para os cursos era o de um aluno intermediário, ou seja, que fosse capaz de entender e de se comunicar em inglês com certa independência, o equivalente aos níveis A2 ou B1 do CEFRL conforme

explicitado anteriormente. Contudo, com a necessidade de aumentar o número de usuários do curso, foram criados módulos que tratavam de pontos gramaticais, como preposições ou tempos verbais, que não exigiam muito conhecimento por parte do aluno, o que gerou uma série de dificuldades de comunicação, como veremos mais adiante.

2.3.6 Os cursos analisados

Num primeiro momento, descreveremos brevemente dois dos cursos oferecidos pela instituição, retomando alguns detalhes de seu funcionamento e apresentação. A escolha dos cursos se deu por duas razões. A primeira pelo fato de eles representarem módulos diferentes, de 6 e 10 horas, com objetivos também diversos. A segunda foi a possibilidade de obtenção de uma cópia dos cursos em aplicativo, o que auxilia no momento da análise. Além disso, os cursos descritos funcionam como moldes (templates) dos demais cursos oferecidos, ou seja, os outros cursos eram similares a eles em seu design e nos tipos de atividades apresentadas.

2.3.6.1 Applying for a Job 1

O primeiro curso estudado foi Applying for a job 1 (AJ), que fazia parte de um dos cursos de writing online. O curso, com duração de 6 horas, focava nas ferramentas necessárias para que o aluno pudesse escrever o seu currículo em inglês. Ao contrário do outro curso, Globalization Trends, que era dividido em seções, o AJ possuía uma série de atividades a serem completadas antes do trabalho escrito final, que deveria ser mandado para o tutor. O curso não tinha provas e sua avaliação era feita a partir da participação do aluno e sua interação com o tutor e da interatividade com os cursos. Assim como no caso do Globalization Trends, os tutores tinham acesso ao que o aluno acessava ou não dentro do curso, o que facilitava ao professor o feedback do aluno ou

mesmo funcionava como um motivo de interação. Se o aluno não estivesse fazendo as atividades, o tutor lhe mandava um e-mail perguntando se havia algum problema e lembrando os prazos.

2.3.6.2 GlobalizationTrends

O segundo curso observado foi o Globalization Trends (GT), composto por um módulo de 10 horas com as seguintes seções: Compreensão de Textos, Compreensão Oral, Gramática, Vocabulário, Estratégias e Redação. O aluno, ao se inscrever no curso, passava a contar com o apoio, comentários e avaliações do professor, além de participar do fórum de discussões e sessões de bate-papo. Como avaliação final, o curso exigia que o aluno fizesse um trabalho escrito e uma pequena prova de múltipla escolha. Além disso, o aluno tinha uma nota de participação referente à interação com o professor ou mesmo a interatividade com o curso (se o aluno participava do Fórum ou se fazia todas as atividades do curso). O texto escrito do curso em questão era uma dissertação a respeito de um estudo de caso, enquanto a prova versava sobre a gramática e o vocabulário estudado no módulo.