Em linhas gerais, a ideia da Open University está ligada aos recursos educacionais abertos. Para Litto (2009b, p. 304), os OERs (Open Educational Resources), “componentes grandes ou pequenos de conhecimento disponibilizados na Web, relacionados ou não a um curso ou programa de estudos, representam uma significativa opção para estender e democratizar o acesso ao conhecimento”. Desde a abertura de acervos de informação e de conhecimento do MIT, outros projetos como o Google Book Search preveem digitalizar todos os livros das principais bibliotecas mundiais, assim como o Yahoo, o Microsoft e o Internet Archive, enquanto o Open Content Alliance estende a digitalização a livros que já são de domínio público. Com o conteúdo aberto e acessível a todos, existe a possibilidade de revolução no sistema de
educação. Litto (2009b) sustenta que esse modelo dá mais poder ao aprendiz, ao mesmo tempo em que exige mais criatividade do professor. Para o autor, o desenvolvimento do país seria mais rápido e democrático, o que enriqueceria os cidadãos culturalmente e os habilitaria a melhores decisões.
Os recursos abertos têm gerado um impacto tão grande na educação como o dos arquivos de áudio na indústria fonográfica. Eles não são apenas materiais abertos e acessíveis na rede para educadores e aprendizes, mas podem ser mudados ou utilizados para outras funções. Além disso, eles não têm custo para o usuário. De acordo com Green (informação verbal)5:
The Internet, increasingly affordable computing, open licensing, open access journals and open educational resources provide the foundation for a world in which a quality education can be a basic human right. Yet before we break the "iron triangle" of access, cost and quality with new models, we need to develop sustainable open business models with open policies: public access to publicly funded resources.6
Green, assim como Litto (2009b), é um defensor dos recursos abertos. O diretor do Global Learning do Creative Commons, uma organização não governamental que possibilita o uso e o compartilhamento de informações por meio de mecanismos abertos e gratuitos, chama a atenção para o triângulo formado pelo acesso, custo e qualidade de recursos educacionais como maneira de se alcançar um mundo em que a educação de qualidade seja vista como direito básico.
Segundo a lógica do financiamento de pesquisa vigente apontada por Green, ainda estamos ligados ao financiamento, seja privado ou governamental, de pesquisas. Em linhas gerais, essas pesquisas aparecem em publicações científicas com direitos
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Informação forneciua por Cable Green, uiretor uo Global Learning uo Creative Commons, em palestra e resumo uo COHERE- Canaua's Collaboration for Online Higher Euucation anu Research Seminar em Vancouver, BC, Canauá. 2013.
6
A internet, a computação caua vez mais acessível, as licenças abertas, o acesso aberto a perióuicos e recursos euucacionais abertos fornecem a base para um munuo no qual a euucação ue qualiuaue poue ser um uireito humano básico. Porém, antes que nós quebremos o “triângulo ue ferro” uo acesso, custo e qualiuaue com os novos mouelos, temos que uesenvolver mouelos ue trabalho abertos e sustentáveis com políticas abertas: acesso público a recursos financiauos.
autorais que acabam sendo transferidos para as editoras, fazendo com que as bibliotecas e o público em geral comecem a pagar para lê-las, limitando o seu acesso e diminuindo o retorno do investimento inicial, o que ocasionaria um desenvolvimento científico limitado e demorado.
Num cenário ideal, a produção científica iria para um repositório aberto e acessível a todos, democratizando a informação e acelerando o progresso científico. Ao otimizar o acesso à informação, não somente o conteúdo ficaria disponível, mas haveria uma maior participação da comunidade educacional no sentido de revisar e explorar os temas desenvolvidos.
Uma mudança dessa magnitude transformaria—ou começa a transformar-- a indústria editorial como hoje a conhecemos. Com a possibilidade de um material ser livre de licenças e aberto ao público, todo o lucro obtido nos dias de hoje estaria ameaçado, assim como as gravadoras e a comercialização de discos, CDs e Vídeos/ DVDs que tiveram que se adaptar ao surgimento das mídias digitalizadas (PIRES e REICHELT, 2012).
O impacto dos recursos abertos também poderia ser notado nas instituições educacionais. Ao invés de comercializar o acesso à informação como ocorre hoje em dia, em que o aluno paga para assistir a aulas e ter o conteúdo de uma instituição, a compensação financeira viria da venda de certificação (accreditation, em inglês). Ou seja, a comprovação e avaliação do aluno em curso é que seria passível de custo para o aluno.
Assim, autores e demais produtores de conhecimento seriam remunerados não pelo uso de licenças ou venda de livros, mas por outras vias, como o maior financiamento para sua produção, por exemplo. Da mesma maneira, artistas e produtores musicais tiveram que mudar a forma de obtenção de lucro, que passou a vir de outras formas, como shows e licenciamento de produtos.
Procuramos apontar como algumas das mudanças tecnológicas colaboraram para uma mudança de paradigma da comunicação e da distribuição de informação e sua influência na educação. A partir delas fomos apresentados a ferramentas que contribuem com a educação, como blogs, wikis, social bookmarking, audio e
podcasting, image sharing, para citar alguns. Siemens e Tittenberger (2009) procuram agrupar novas tecnologias e alguns exemplos a partir de seu potencial como: recursos de acesso (wikis e Google reader); de estado de presença (blogs, Skype, Facebook, Second Life); de expressão (Second Life, Facebook); de criação de novo conteúdo (blogs, wikis, Skype); de interação com outros (blogs, Facebook, wikis, Skype, Second Life, Twitter, fóruns) e de agregação de recursos e relacionamentos (Facebook, iGoogle, NetVibes). Plataformas também foram criadas para treinamento e educação, e passaram a ser usadas em diversos níveis (Mooodle, MOOCs). A partir desse panorama, enfocaremos o e-learning, que faz parte do nosso objeto de estudo.