5.3 EU Climate Policies
5.3.1 Climate Policies in Norway
Não podermos deixar de mencionar outras personagens importantes dessa revolução tecnológica. Para Castells (1999, p. 99), se a Revolução Industrial teve origem britânica, a tecnológica certamente foi norte-americana, em especial da região do Vale do Silício. Os americanos não foram os únicos a contribuir com essa evolução, já que muitas descobertas em países como a França, a Inglaterra e a Alemanha auxiliaram na base de tecnologias nas áreas de eletrônica e da biologia, além de o Japão ter sido crucial na melhoria da fabricação de componentes eletrônicos. Foi ainda no Japão que surgiram os videocassetes, o fax e os videogames, que tanto influenciaram e influenciam as salas de aula, trazendo inovação de conteúdos em formatos novos. No Vale do Silício, contudo, foi que os microcomputadores e microprocessadores, entre outros, foram desenvolvidos, graças à atuação de engenheiros e pesquisadores de universidades renomadas, como a Universidade de Stanford, e dos fundos do Departamento de Defesa norte-americano e do mercado garantido para as novas descobertas. De lá que surgiram grandes fabricantes, como as conhecidas Hewlett-Packard e a Intel, entre outras, e como o grupo das “oito da Fairchild” (da qual a própria Intel faz parte), empresas que surgiram da Fairchild Semiconductor, onde o circuito integrado foi inventado.
4 Touo munuo sabe que apenas aqueles cujas reues são conectauas a touas as outras têm uma chance ue alcançar o enorme mercauo munuial, mas ninguém sabe ainua qual o conjunto ue interesses—jornais, reues ue televisão, conglomerauos ue comunicação, gigantes ua comunicação—irá uominar o mercauo ue massa uas reues uo futuro.
Também foi o Vale do Silício o responsável por atrair jovens brilhantes nos anos 70, como Bill Gates, Steve Jobs e Steve Wozniak, que vieram a criar mais de 22 empresas como as conhecidas Apple e a Microsoft. Em outras regiões, importantes universidades devotadas à pesquisa, como o MIT, Harvard, Duke, Carolina do Norte e Maryland também foram essenciais para o desenvolvimento de pesquisas que acabaram migrando para empresas privadas, algumas delas na Califórnia.
Castells (1999, p. 103) ainda ressalta que “o desenvolvimento da revolução da tecnologia da informação contribuiu para a formação dos meios de inovação onde as descobertas e as aplicações interagiam e eram testadas em um repetido processo de tentativa e erro”. É interessante notar que esse processo também estava ligado, por um lado, a centros de pesquisa e instituições de educação superior, tendo, por outro lado, também empresas de tecnologia e redes de empresas com capital de risco dispostas a investir em novos projetos. Esse meio foi responsável também por atrair outros cientistas e empresas de diversos lugares do planeta, como a Índia. Em consequência, a região foi o berço das principais empresas de equipamentos, de implantação de redes, de softwares e portais da Internet, como a Cisco Systems, a Sun Microsystems, a Oracle e a Yahoo!, respectivamente. Projetos de multimídia também ajudaram a tornar a Internet cada vez mais acessível.
Todas essas mudanças fazem parte do paradigma da tecnologia da informação (DOSI, 1988). Esse conceito auxilia no entendimento de como tais transformações tecnológicas acabam por interagir com a economia e a sociedade. Um dos aspectos desse paradigma diz respeito ao fato de que a informação passa a ser a matéria-prima, ou seja, as tecnologias são usadas para agir sobre a informação. Além disso, outro aspecto diz respeito à “penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias” (Castells, 1999, p.108), já que a nossa existência é moldada pelo meio tecnológico, uma vez que a informação faz parte de nossas vidas. Um terceiro aspecto refere-se a uma lógica de redes, i.e., existe um conjunto de sistemas e de relações que se utilizam da tecnologia da informação. O crescimento das redes é exponencial devido à maneira com que elas são difundidas ao mesmo tempo em que existe flexibilidade. Seu conteúdo pode ser adaptado e reconstruído a qualquer momento. Assim, essa capacidade de reconfiguração passa a ser um fator que distingue o novo paradigma tecnológico. Por
fim, existe o aspecto da convergência de tecnologias para um sistema altamente integrado, ou seja, existe uma grande integração entre diversos setores que acabará por tornar indefinida essa diferenciação de setores graças a alianças estratégicas e a projetos de cooperação. O exemplo dado por Castells (1999, p.109) é a integração de fabricantes de chips com desenvolvedores de software, onde a integração levaria à incorporação de softwares em chips.
1.1.3 O hipertexto
O impacto provocado pelo hipertexto é fundamental para o paradigma das novas tecnologias, pois ele afeta a produção e a leitura dos textos. Guay (1995) aponta Vannevar Bush e Ted Nelson como os respectivos avô e pai do hipertexto, mas remonta à literatura antiga e ao Talmud (o livro sagrado dos Judeus) com seus comentários e referências sobre o texto original como sendo um modelo para o tipo de organização trazida pelo hipertexto. O hipertexto tem associações (links) com blocos de informação (nodes), formando uma estrutura parecida com a teia de aranha, razão pela qual o nome World Wide Web foi cunhado pelo projeto CERN. Além dessa característica principal, outros tipos de produção multimídia também foram conectados ao hipertexto formando a hipermídia.
Ao definir hipertexto, Nielsen (1990) parte das diferenças entre a leitura no papel e a leitura na tela do hipertexto. A principal delas chama a atenção para o fato de o hipertexto não ser sequencial ou linear. Por apresentar mais de uma possível sequência de leitura, o hipertexto transforma a própria ideia de autoria. Um texto lido de maneira nova pode levar à produção de diferentes sentidos, fazendo da leitura algo ainda mais individualizado. Uma crítica a essa definição é a própria maneira como o texto impresso pode ser construído a fim de acrescentar novas ideias ao que está escrito, como no uso das notas de rodapé. Além disso, a aparente liberdade que o hipertexto traz pode ser influenciada pelo tipo de link existente para outras páginas. Esse link não deixa de ser uma forma de controle por meio de uma sugestão de leitura.
Guay (1995) ressalta a potencialidade que o hipertexto tem de requerer altos níveis de interatividade do usuário, elevando-o à condição de autor de seu próprio texto. O caminho percorrido na leitura é único e nem sempre pode ser replicado, o que faz com que os limites da função leitor-autor sejam desafiados. Essa noção vai ao encontro da noção de digressão proposta por Reinking (1997), que defende que o hipertexto pode expandir as fronteiras da liberdade e do controle de informação textual. Para o autor, tanto quem desenvolve como quem usa o hipertexto devem querer partilhar dessa liberdade de digressão, sem que haja o medo de se ficar perdido no hiperespaço. Uma de suas digressões faz muito sentido ao nosso trabalho, que é pesquisar como as novas mídias influenciam a aprendizagem: a ideia de que o letramento tecnológico deva ser problematizado.
Como mencionado anteriormente, entretanto, o hipertexto vai além de um sistema de trabalho com o texto escrito. Com a possibilidade de integração com outras mídias, o hipertexto se transforma em hipermídia. Nesse caso, gráficos, fotos, sons e todo tipo de técnica multimodal funcionam como aliadas ao texto na busca pela construção de sentido. Integrar diferentes tecnologias como a publicação, a computação e a difusão de informação é o que faz do hipertexto algo tão especial.