6.2 Scenarios
6.2.2 Category 2: Pipeline chains with a new processing facility
Tori (2010) discute sobre a linha tênue que separa o chamado ensino presencial do ensino a distância. Para tanto, não só procura estabelecer uma medição das distâncias existentes entre diversos tipos de relação de ensino e aprendizagem, como demonstra de que maneira as novas tecnologias auxiliam na aproximação entre professor e aluno. Procuraremos comentar alguns pontos de sua reflexão que dizem respeito ao conceito de distância.
Se hoje em dia estamos em rede graças ao desenvolvimento de ferramentas sociais na web, nossa educação não poderia ser diferente. Segundo Passareli (In TORI, 2010), “É a cultura remixada, (re)produzida e disseminada por meio de inúmeras ferramentas, incorporando as mensagens da multidão de vozes que ressoam, repetindo e inovando um conteúdo que está acessível a todos”. Ou seja, tudo que é veiculado nas redes sociais acaba fazendo parte do conhecimento de mundo do aluno.
Tori (2010) salienta que o planejamento e a implementação de atividades nesse cenário é uma tarefa de crescente complexidade. Para ele, os conceitos primordiais que devem permear a escola são a interatividade, a colaboração, a aproximação e a presença. Falamos, porém, da presença que não se refere apenas ao aspecto físico, mas a um “efeito de presença” que se torna tão importante quanto a presença física.
O que seria, contudo, a distância nesse contexto? Para o autor, é essencial que o termo EAD seja desconstruído, ou seja, que as diferentes formas (presencial e a distância, as quais também não considera uma denominação adequada) de
aprendizagem já existentes sejam também analisadas como situações em que haja-- ou não-- maior interação entre os participantes, e não tidas como presenciais ou a distância simplesmente pelo fato de o professor estar à frente de uma sala de aula. Como exemplo, menciona situações em que colegas de classe que não se relacionariam face a face acabariam se relacionando via rede de maneira mais natural.
Segundo o autor, a tendência existente é a convergência da aprendizagem convencional e da eletrônica, o que levaria a um equilíbrio entre o presencial e o virtual para uma educação do futuro. Se tanto as técnicas de aprendizagem convencionais como as virtuais apresentam dificuldades, o blended learning (doravante BL) se mostra capaz de minimizar os efeitos de distância, enquanto os recursos virtuais podem funcionar como suporte às atividades presenciais. Dando ênfase ao fator da qualidade de participação, o autor coloca que “bastam alguns bem planejados encontros ao vivo dos participantes de cursos virtuais para aumentar a sociabilidade, a colaboração e o engajamento dos aprendizes.” (TORI, 2010, p.29).
Ao mencionar como essa integração pode ser colocada em prática, destaca a importância do planejamento das atividades de aprendizagem e do conhecimento tanto do público-alvo quanto do perfil da instituição, pois não existe uma forma única de cursos. A integração desses modelos seria trabalhada de forma a promover “[...] o aumento da qualidade e produtividade, a redução dos custos, a reutilização de materiais, e, certamente, a redução de distância na educação.” (TORI, 2010, p. 33)
Dentro dessa clara menção ao discurso econômico, há também a menção aos níveis organizacionais de aplicação do conceito de BL, que seriam o nível da atividade (elementos presenciais ou não dentro de uma atividade), o da disciplina (aqui com o sentido de que cada disciplina tem uma mescla de atividades, não no sentido de controle), o de curso (grades curriculares) e o institucional (quando o BL faz parte de um projeto pedagógico institucional).
Um ponto interessante que Tori sustenta é que uma das vantagens da interação ao vivo é a possibilidade do feedback preciso, apesar de as interações que possuem monitoração eletrônica poderem auxiliar na obtenção de informações importantes. O BL seria tão importante porque poderia fazer convergir essas possibilidades.
Uma nova proposta de medida de distâncias aponta que não é só a separação geográfica que deve ser considerada na avaliação das distâncias no ensino, pois há outros fatores psicológicos e emocionais envolvidos nessa “percepção” de distância. Para chegar a essa nova medida, Tori (2010) faz uso do conceito de Distância Transacional, um espaço psicológico e comunicacional a ser transposto quando alunos e professores são separados. Para essa teoria, existem variáveis que influem na extensão da distância transacional, que são o diálogo e os meios existentes para que exista uma boa participação, assim como uma predisposição psicológica dos participantes para a interação; a estrutura do programa do curso, que diz respeito à rigidez de estrutura e afeta o diálogo; e a autonomia do aluno (abordagens humanísticas são mais dialógicas, enquanto as comportamentalistas têm um controle muito grande do processo de ensino e aprendizagem por parte do professor).
Os componentes de distância de aprendizagem seriam compostos da distância espacial, a mais fácil de ser observada; da temporal, que se refere a atividades síncronas e assíncronas e da interativa, a condição necessária ao diálogo e uma medida do seu potencial. É com base nelas que o autor desenvolve o “cubo das distâncias”, que vai além da nossa compreensão de linguagem matemática, pois é composta de diagramas, figuras e fórmulas que são apresentadas. Em linhas gerais, desses componentes de distância fazem parte as relações de distância, as quais compreendem ações de aprendizagem que vão além da relação professor-aluno, pois são vistas também na relação aluno-aluno e aluno-material.
Os conceitos e relações apresentados até aqui já são suficientes para que comecemos a ver o conceito de EAD de forma diferente. O que parecia ser uma proposta de ensino que se baseava nas distâncias físicas dos participantes, e que de certa forma já acontecia antes mesmo do uso dos computadores em nossas vidas (vide o ensino por correspondência, por exemplo), agora é avaliado por meio do potencial de interação em ações de aprendizagem. Para um estudo mais qualitativo, não acreditamos ser necessária essa medição ou mesmo índices, mas sim a ideia do que seriam “efeitos de interação” entre os participantes do EAD ou mesmo do EsD, Ensino sem Distância, como propõe Tori (2010).
É o “efeito de presença” que mais nos chama a atenção, visto que, por meio desses efeitos, poderíamos dizer que um usuário do EsD acaba por se sentir mais próximo ou não do que seria uma interação presencial. O conceito e a percepção do que seria a “presencialidade”, ou seja, a sensação de presença social nos ambientes virtuais é reforçado pelo trabalho dos engenheiros envolvidos com as tecnologias que procuram aumentar essa sensação de presença.