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5.2 Climate Change is Market Failure

5.2.1 Market Failure

Castells (1999, p.82) afirma que a criação e o desenvolvimento da internet ocorreram nas últimas três décadas do século XX, fruto “de uma fusão singular de estratégia militar, grande cooperação científica, iniciativa tecnológica e inovação contracultural”. Devido ao lançamento do primeiro Sputnik no final da década de 50, as instituições de pesquisa representadas pela ARPA (Agência de Pesquisa Avançada), do Departamento de Defesa dos EUA, empreenderam diversos projetos, alguns deles com a intenção de criar sistemas de comunicação invulneráveis a ataques nucleares. A ARPA foi fundada por um grupo de engenheiros eletrônicos e programadores de computação que queriam redesenhar a maneira com que os computadores eram operados. A partir de então, as telas e os teclados passaram a ser uma maneira de as pessoas interagirem diretamente com os computadores (RHEINGOLD, 1993). Além disso, o grupo de pesquisadores percebeu que eles também queriam usar seus computadores como mecanismos de comunicação.

A tecnologia da comunicação propiciava a troca de pacotes de informações por meio desse sistema que tornava a rede independente dos centros de comando e controle, fazendo com que a mensagem procurasse suas próprias rotas ao longo da rede. Mais tarde, a tecnologia digital propiciou o empacotamento de diversos tipos de mensagens, como som, dados e imagens, criando uma rede que era capaz de comunicar seus nós sem usar centros de controle. A primeira dessas redes foi a ARPANET, com suas primeiras conexões ligadas à UCLA (Universidade da Califórnia

em Los Angeles), ao Stanford Research Institute, à Universidade da Califórnia em Santa Clara e à Universidade de Utah. A partir daí, diversas redes foram criadas devido à dificuldade de se separar a pesquisa para fins militares daquelas relacionadas às comunicações científicas e às conversas pessoais, como a MILNET (focada em pesquisas militares), a CSNET (científica) e a BITNET (em colaboração com a IBM). Todas elas usavam a ARPANET como fonte de comunicação. A ARPANET tornou-se a rede das redes, passando a se chamar ARPA-INTERNET e depois INTERNET, ainda sustentada pelo Departamento de Defesa norte-americano e operada pela Fundação Nacional da Ciência (National Science Foundation). Foi nos anos 90, porém, que a então ultrapassada tecnologicamente ARPANET foi substituída pela NSFNET, ainda sob o controle da National Science Foundation, até que as pressões comerciais e o crescimento das redes privadas e cooperativas levaram a uma privatização total da internet em meados de 1995.

Ainda segundo Castells (1999, p.98), a revolução em tecnologia de informação não se originou de qualquer necessidade preestabelecida. Ela foi resultado de indução tecnológica mais do que de determinação social. A criação de um novo aplicativo, a WWW (World Wide Web) pelo CERN (Centre Européen pour Recherce Nucleaire) em Genebra, facilitou o uso da Internet, pois organizava os sítios segundo o tipo de informação e não de sua localização, auxiliando os usuários a procurar informações de maneira mais fácil.

Além da criação da WWW, a equipe do CERN, chefiada por Tim Berners Lee e Robert Cailliau, também foi responsável pela criação do hipertexto a partir do trabalho de Ted Nelson. Segundo Passarelli (2007), o britânico Tim Berners Lee também foi o criador do modelo aberto da Internet, primeiramente usada para que cientistas compartilhassem informações. A própria WWW seria um modelo aberto baseado na neutralidade e na igualdade da rede, considerado como parte da cultura hippie e do movimento da contracultura dos anos 60 que foi experimentada pelos responsáveis pela criação e desenvolvimento da Internet. Muito dessa igualdade vem da noção de que existe uma comunicação de todos para todos, de fundo horizontal. Assim, o acesso à informação, sendo livre e aberto, propiciaria o compartilhamento de informações, o que antes não acontecia. Em outros ambientes, existe a prevalência da comunicação

de poucos para muitos, uma vez que apenas uma pequena parte da sociedade teria o acesso à informação.

Novas tecnologias adaptadas do mundo multimídia foram acrescentadas à ideia original de um sistema de organizar informações. Com isso, surgiu o HTML (o hypertext markup language, formato para a documentação em hipertexto), o HTTP (hypertext transfer protocol, protocolo de transferência de hipertexto) e o URL (uniform resource locator, um formato padronizado de endereços), todas as siglas que hoje fazem parte do vocabulário diário dos usuários da rede.

A partir do software gratuito da WWW pelo CERN, surgiu o primeiro navegador da Web, o Mosaic, com o intuito de dar uma face gráfica e rica aos meios de comunicação. Seu criador, Marc Andreessen, e seu colaborador Eric Bina também disponibilizaram o seu navegador gratuitamente, o que levou à criação da empresa Netscape junto a Jim Clark, do Vale do Silício. Foi a Netscape quem produziu e comercializou o primeiro navegador considerado confiável em outubro de 1994, o Netscape Navigator. Desde então, novos mecanismos de pesquisa e ferramentas Web têm sido criados, fazendo a comunicação via Internet evoluir de maneira impressionante, aliada aos progressos na área dos microcomputadores e da interconexão de dispositivos de processamento de dados que hoje chegaram à telefonia móvel e ao cloud computing, já em meados de 2009.

A cultura da rede tornou-se global e jovem, influenciada principalmente pelas universidades americanas que entraram na rede e foram seguidas por outras universidades no mundo, como Rheingold (1993) ressalta. O ciberespaço estava intimamente ligado ao entretenimento global e à noção de convergência digital, e sabia- se que quem dominasse as redes teria uma influência grande nos mercados mundiais. Rheingold (1993, p. 75-76) advertia:

Everybody knows that only those whose networks connect to everybody else’s have a chance to reach the enormous world Market, but nobody knows yet which set of interests—newspapers, television networks,

entertainment conglomerates, communication giants—will dominate the mass-market net-works of the future.4

No trecho acima, Rheingold (1993) problematiza o controle da internet e quais seriam os interesses daqueles que teriam o suposto controle sobre as redes no futuro, uma vez que redes conectadas teriam a possibilidade de atingir o mercado mundial.