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Method - DLU for mixture distributions

5.3 Performance results

5.3.2 Results and reported lines

O sentido da ação sindical para ampliar a participação dá-se no afastamento do individualismo por meio da busca de novos componentes, como percebe S1:

[...] o sindicato trabalha (...) para buscar cada vez mais associados para formar um grupo maior, e através desse grupo maior, com ações comunitárias, com ações coletivas, cada vez mais buscar e fazer um enfrentamento realmente. Porque de maneira solitária não se consegue chegar a um denominador comum. (...) No sentido coletivo, no sentido fraterno, no sentido solidário, que é um dos principais vértices da criação do sindicato, esta pessoa acaba não ultrapassando essas barreiras. (S1)

Na percepção de S1, os aspectos fraterno e solidário são os “vértices da criação do sindicato”. A ampliação da participação para os componentes dos sindicatos é percebida por S2 como uma “dificuldade muito grande”, primeiramente da participação do sindicato: "[...] temos uma dificuldade muito grande em relação à participação ativa do trabalhador associado. E se buscam meios e mais meios e não se consegue fazer fluir essa questão de ter a participação”. (S2)

Diante disso, o sindicato realiza eventos, como explica S2:

[...] no dia 10 de março, nós tivemos um evento direcionado à mulher, que é uma coisa nova para a entidade, por incrível que pareça. Há alguns anos, nós temos realizado isso. Mas é uma forma de fazer com que haja participação, ainda que muito pequena. Mas temos, durante o ano, várias atividades direcionadas para o trabalhador, naquela tendência de fazer com que ele venha a participar. ( S2)

A dificuldade de participação ocorre também por parte daqueles que já faziam parte do sindicato e que se faziam presentes em algumas atividades, mas que não participam das Assembléias, como explica S2:

As assembléias, que na realidade deveriam ser os eventos com maior participação, porque ali se vai decidir a questão salarial e social, enquanto convenção coletiva, o trabalhador não tem uma participação nem perto daquela que nós temos em outros eventos, e essa deveria ser a participação maior. (...) Nós temos em torno de quatro a cinco eventos durante o ano. E os de menor participação que temos são os mais importantes: as assembléias. Porque as outras questões são direcionadas para a parte social, (...) mas não são as mais importantes. (S2)

A participação das assembléias gerais, ordinárias ou extraordinárias, inclusive, em suas deliberações, não se constitui apenas em um direito estabelecido pelas normas do Sindicato dos Gráficos, como define o art. 7 do seu Estatuto Social, mas é também um dever definido no art. 10, letra b) do mesmo Estatuto. (SINDICATO DOS GRÁFICOS, 2006, p. 5)

S2 relaciona a dificuldade de participação das Assembléias com aquilo que chama de “cultura” existente no Brasil: “[...] E a questão da participação não é somente fraca em relação à nossa categoria, isso é a cultura existente no Brasil, e temos trabalhado com outras entidades, e as dificuldades são idênticas ou maiores”. (S2)

Ao realizar essa relação, S2 saí do círculo restrito do Sindicato dos Gráficos e amplia sua observação, fazendo uma análise de como agem os trabalhadores Gráficos e outros sindicatos no contexto brasileiro. E deixa claro que o maior problema vivenciado atualmente não é o trabalhador ter oportunidade de participação, mas é a oportunidade de participação e mobilização existir e os trabalhadores não aproveitá-las adequadamente.

Essa situação é vista como conseqüência de um dos elementos componentes do projeto neoliberal denominado por Montaño (2003, p. 27) como

“ofensiva contra o trabalho”. Quer dizer que com a contínua complexificação da produção também as relações sociais se complexificam.

Essa situação é denominada por Mota (1991, p. 27) de “cultura da crise”, que leva ao desemprego e ao subconsumo. Diante de tais ameaças, individualmente, o trabalhador “tende a se preocupar mais por manter, em algum nível, os direitos adquiridos (conquistados historicamente) do que por lutar por um projeto alternativo ou trabalhista, o que fragiliza na luta/negociação com o capital”. Embora muitos trabalhadores já tenham ultrapassado essa crise e tenham optado pela luta coletiva, outros ainda não se decidiram.

Além do que dizem Montaño e Mota, a “grande dificuldade” sentida pelos representantes do Sindicato dos Gráficos, apesar de concordarem que a comunicação existente na organização possibilita a circulação da informação por meios informativos, que existem canais de consulta e agilidade na solução dos problemas, conforme o item 2.2.2) do questionário (Anexo), essa “grande dificuldade” pode ter como causa a não realização periódica de pesquisas de campo que questionem os associados sobre os motivos do porquê eles não participam das Assembléias na freqüência esperada pelos dirigentes e que expressem os significados que dão aos sindicatos atualmente.

Nota-se também que em resposta ao item 2.2.1 a) do questionário (Anexo) S1 e S2 concordam que “os dirigentes informam os membros da organização sobre as decisões já tomadas”, ou seja, não haveria a consulta dos associados antes da tomada das decisões. No entanto, pode ser que os entendimentos de S1 e S2 referem-se, talvez, à informação sobre a continuidade das decisões tomadas, pois, na continuação, S1 opta pela concordância, na resposta d) do questionário (Anexo), que se refere à elaboração de propostas por parte dos não- líderes que exige da direção justificativa após aceitação ou rejeição, e a concordância ocorre na opção e) do item 2.2.1 do questionário (Anexo), sobre a co-decisão, colegialidade, ou seja, que os que não pertencem à direção/administração agem diretamente na eleição de um plano de ação. Por sua vez, S2 discorda fortemente que a decisão final sobre o fato daquilo que era discutido pertence aos diretores. S1 e S2 concordam parcialmente que a formulação das políticas internas atuais da Organização, a determinação de metas, a elaboração de planos e a alocação de recursos é discutida no Sindicato

com a participação parcial das pessoas. Suas percepções vão se definindo no decorrer dos próximos itens.