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Method - DLU for mixture distributions

3.7 Measure the performance of the model

4.3.2 EM and MCMC

Como se viu no decorrer desta dissertação, não existe uma única teoria de redes sociais. O termo “rede” surge em diversos contextos. Ainda persistem muitas discussões a respeito de se a noção de redes se refere a um método ou a uma teoria. Na abordagem sociológica, duas são as perspectivas da noção de redes: uma provém da tradição americana de análise da ação coletiva e da Teoria de Mobilização de Recursos (TMR) e outra, de origem européia, é a Teoria dos novos Movimentos Sociais (TNMS). (SCHERER-WASRREN, 1999).

Melucci (1999) define a idéia de rede como uma área de movimento constituída por pequenos grupos de indivíduos que compartilham de uma identidade coletiva e admitem mensagens simbólicas questionadoras dos padrões dominantes com proposições de mudanças.

Nesta dissertação, as redes são entendidas como sistema de elos, comunidade não geográfica, que representam um conjunto de pessoas autônomas que partilham valores e interesses (BARNES, 1972, BOTH, 1976).

Na complexidade do mundo atual, uma das causas do fracasso das corporações centralizadas e autoritárias é o fato de não conseguir lidar com os recursos informacionais em constante mudança. Diante disso, uma das soluções apontadas por Fukuyama (1999) é a rede, que entende como um modo de ordem espontânea resultante da interação dos participantes descentralizados. Estes se conduzem por normas informais ou o capital social. As trocas existentes dentro de uma rede não são as mesmas que ocorrem no mercado, pois as bases são diferentes. Entre outros benefícios importantes, como a maior disponibilidade de conceder benefícios sem esperar os mesmos em troca imediatamente, está o de desviar-se dos custos das transações internas das grandes organizações hierárquicas, uma justificativa que, para Franco (2001), é utilitarista, pois as trocas não têm somente fins utilitaristas, mas, como refere Putnam (2000), trocam-se amabilidades, sinceridade, amizade e reciprocidade.

Franco (2001) aponta a congruência dos termos rede, comunidade e capital social. As redes são uma forma de capital social, e as comunidades produzem capital social no contexto, ou seja, rede é um conjunto de nós que se ligam uns aos outros para trocar elementos entre si e fortificarem.

O capital social se amplia em um regime democrático. Quanto mais direta for a democracia mais se reproduz o capital social:

Não deveríamos conceber a sociedade como dividida em apenas dois setores, o Estado e o mercado – ou o público e o privado. No meio, há a área da sociedade civil, que inclui a família e outras instituições não econômicas. A construção de uma democracia das emoções é parte de uma cultura cívica progressista. A sociedade civil é a arena em que atitudes democráticas, entre as quais a tolerância, têm de ser desenvolvidas. A esfera cívica pode ser fomentada pelo governo, mas é, por sua vez, a base cultural dele. (GIDDENS, 1999, p. 86-87)

Para que ocorra a democratização da democracia é necessário o capital social, mas este não tem o mesmo significado da democracia. Como esclarece Franco (2001), o capital social diz respeito a uma capacidade de comunidade, a democracia é um modo de regulação de conflitos.

Para Scherer-Warren (1999), rede é uma das modalidades de auto- organização e de relacionamento interorganizacional que vem sendo apresentada pelos atores sociais que buscam os processo de transformação social apoiada na ação coletiva. Apresenta dois pressupostos ideológicos para essa forma de organização: o primeiro subentende a construção de uma nova utopia de democracia; o segundo está convencido da possibilidade de conectar o local ou específico com o global ou com o interesse mais geral de uma cidade, de uma região ou mesmo do planeta. Exemplos são as redes de ONGs e movimentos de bairro.

A análise metodológica indicada por Scherer-Wasrren (1999) leva em consideração a forma de mobilização dos recursos, as estratégias de organização e da ação e o efeito multiplicador das redes. Os pontos de partida para uma agenda de pesquisa sobre os novos atores e modalidades de interação na esfera da gestão urbana e regional são constituídos pelos seguintes questionamentos:

Quem participa e como se atua na formulação do orçamento, nos conselhos setoriais e em outras formas de mediação entre Estado e sociedade? (...) Quais as novas alternativas pensadas e criadas quanto à sustentabilidade ecológica, para a superação da exclusão social e econômica, para a melhoria da qualidade de vida? (...) Em que medida há ações coletivas, na forma de redes, que são gestadoras de uma esfera pública mais democrática, com participação cidadã mais efetiva? (SCHERER-WASRREN, 1999, p. 37-38).

Marteleto (2001) empregou a metodologia de análise de redes sociais nos estudos de fluxo e transferência de informação em movimentos sociais organizados nos subúrbios da Leopoldina, no Rio de Janeiro, analisou se a circulação de informações, é empregada como instrumento de luta por melhor condição de vida.

A autora concluiu que algumas pessoas são dinamizadoras das redes, posicionando-se estrategicamente e recebendo o reconhecimento dos demais agentes. No interior das redes, “na constante tensão entre diferenças que ela comporta, formam-se ‘redes de conhecimento’ que alimentam e redefinem constantemente as ações”. (MARTELETO, 2001, p. 1)

No Rio Grande do Sul foram realizados diversos estudos com o objetivo de convalidar a relação entre capital social e desenvolvimento regional. Seus resultados foram publicados no livro Capital social e desenvolvimento regional (2003), organizado por Sílvio Marcus de Souza Correa.

Alguns dos estudos se basearam na trajetória de Putnam (2000)

Comunidade e democracia a experiência da Itália moderna e o ponto comum é o

esforço de mensurar o capital social.

Monastério (2003), por exemplo, considera que o conceito de capital social se consolida cada vez mais. Com base em diversos bancos bibliográficos, conseguiu dados de que o número de artigos científicos sobre o tema já ultrapassa 3000.

Em sua análise das regiões do Rio Grande do Sul contemporâneo, diz que “a mensuração de elementos imateriais e que se dão nas relações entre indivíduos é sempre uma tarefa arriscada e sujeita a críticas”. (MONASTÉRIO, 2003, p. 78). Mesmo não tendo indicadores de participação social que proporcionassem a construção de medidas ideais dos diversos tipos de capital social, como a falta de dados sobre filiação a associações ou sobre o uso do tempo dos cidadãos, assegura que em linhas gerais a hipótese de Putnam (2000) se reproduziu no Rio Grande do Sul, ou seja, municípios com mais capital social tiveram administrações municipais de maior qualidade.

A dificuldade de mensuração e a necessidade de muitos estudos empíricos que mostrem “a relação entre capital social e desenvolvimento territorial juntamente com a avaliação dos propósitos e as potencialidades das políticas públicas na indução da formação de capital social” é também afirmado por

Moraes (2003, p. 146), para quem as fronteiras entre desenvolvimento rural e urbano perde importância mediante o potencial que têm as sociedades locais de conduzirem seus próprios destinos.

Para Riedl e Vogt (2003), que estudaram o associativismo e desenvolvimento, considerando a existência de capital social em Santa Cruz do Sul e nas regiões de colonização alemã do Rio Grande do Sul, os migrantes da Alemanha, para enfrentar problemas comuns, constituíram uma rede de organizações com o objetivo de impedir a degradação social dos teuto-brasileiros.

No entanto, consideram a necessidade de “parcimônia e cautela na utilização da categoria conceitual chamada de capital social. (...) Como instrumental teórico de análise, em todo caso, o capital social possibilita um novo enfoque sobre fenômenos sociais (...)”. (RIEDL; VOGT, 2003, p. 207).

Schmidt (2003), que buscou analisar a associação entre capital social e participação política em Santa Cruz do Sul, verificou que a conversão de capital social em participação política não é automática. Desse modo, existe grande potencial para que a participação política seja maximizada, que a cultura política seja democratizada e que o Estado deve agir para fortalecer o capital social já existente.

Os conceitos destacados neste capítulo possibilitaram um melhor conhecimento de diversas experiências já desenvolvidas com a prática do capital social por meio das organizações horizontais. No que se refere às Organizações Civis Solidárias, são indiscutíveis os benefícios derivados das práticas associativas que concebem o público de responsabilidade recíproca.

A experiência de Putnam, entre outras, enaltece o capital social como base para a existência de governos mais competentes, mais comunicativos e mais inovadores no que se refere às políticas públicas, desde sua concepção até sua complementação.

No âmbito das Organizações Civis Solidárias, a prática do capital social proporciona não somente uma organização social cívica de base democrática, mas a potencialização do reforço mútuo dos membros. Uma comunidade envolve as práticas de cooperação, confiança, reciprocidade, civismo e bem-estar coletivo. Mas não é somente isso. Redes são estabelecidas, como atestam as diversas experiências realizadas no Rio Grande do Sul. Redes que viabilizam, inclusive, práticas não-capitalistas.

5 METODOLOGIA DA PESQUISA

Primeiramente foi realizada uma pesquisa exploratória. Segundo Mattar (1999), a pesquisa exploratória agrupa informações, sendo indicada para os primeiros estágios de uma investigação tendo em vista aumentar a familiaridade, o conhecimento e a compreensão do fenômeno por parte do pesquisador em relação ao tema pesquisado. Gil (1996) destaca que a pesquisa exploratória assume na maioria das vezes o formato de pesquisa bibliográfica.

Foram adotados os seguintes procedimentos: Primeiramente, a realização de contatos com pessoas que tiveram experiência prática aproximada com o tema pesquisado.

Em seguida, realizou-se o levantamento da literatura pertinente existente em livrarias, bibliotecas e internet. Após seleção dos textos de interesse para o tema da presente pesquisa, cuidou-se de fotocopiá-los ou imprimi-los. Realizou- se leitura interpretativa e fichamento do material selecionado.

No terceiro momento procedeu-se à criação de condições para o levantamento de dados de campo por meio de:

a) contato inicial com representantes das Organizações civis para a proposição da pesquisa;

b) solicitação de documentos.