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por marido, esposa e filhos, mas apontar também de quem estes descendiam e com quais outros estes relacionavam-se por traços de consanguíneos.

A descrição da família, portanto, não se deu apenas através de seus traços de extensão (BILAC, 1978, p.17), estruturada e delimitada a um determinado momento temporal, mas também por suas características de extensão e modificação geracionais.

3.2 As Famílias entrevistadas

Dado o fato do período histórico sobre o qual se estruturam as considerações desta pesquisa se estender dos anos de 1950 aos anos de 1990 (momento em que se extinguem as colônias), o conceito de família aqui abordado novamente se associa ao de “família extensa”, em que as impressões de diversas gerações se fazem presentes, sendo entendidas como manifestações de uma “mesma família”.

Além disso, tendo em vista a socialização entre as famílias, estabelecida mediante vínculos matrimoniais entre seus filhos, procuramos demonstrar algumas das conexões existentes de uma família com outras famílias.

A seguir, apresentamos a breve caracterização de algumas das famílias que tiveram membros entrevistados:

Família Araújo

É uma das que apresenta permanência mais antiga na Usina São Martinho. O primeiro membro da Família a ingressar na São Martinho foi o Sr Antônio Araújo, ainda em 1948. O Sr Antônio, originado da região de Piracicaba, trabalhou com a Família Ometto ainda nos tempos na Usina Costa Pinto, razão provável pela qual tenha sido administrador de diversas “Seções” da Usina São Martinho, até 1972, ano em que se aposenta. Todos os filhos do Sr Antônio estudaram nas escolas da fazenda. As filhas não ingressarão na empresa, porém se casaram com filhos de moradores: Jovina, com Antonio Lopes da Silva, pedreiro na Usina até 1968, e Maria das Graças com Clésio Benjamim Doreto, que trabalhou na Usina até 1975, como motorista. Já os filhos homens ingressaram na empresa em postos de trabalho intermediários, previamente reservados aos filhos de administradores, fiscais etc. José Araújo trabalhou no Escritório Central até o início da década de 1960; Toninho Araújo, em 1965, começou na seção de Topografia e em 1967/8 foi transferido para o Laboratório Industrial onde fica até 1972; e Joaquim Araújo, nosso entrevistado, começa aos quinze anos na seção

de Topografia e Agrimensura, sendo transferido para o setor de controle de fornecedores de cana, depois para o Escritório Agrícola e Mecanização, onde permanece até agosto de 1970, quando deixa a empresa. Voltou em 1987, trabalhando até 1994 no Escritório da Área Agrícola. Embora não possuam membros de descendência direta na empresa, os Araújo ainda possuem alguns parentes trabalhando na empresa, justamente por conta dos laços de casamento firmados.

Família Carile

Pedro Carile morou e trabalhou na São Martinho por trinta anos, da década de 1950 até o início dos anos de 1980. Trabalhou sempre no Escritório Central, cuidando da manutenção do prédio. Nos eventos sociais e de integração da empresa, como competições esportivas, cinema, bailes, carnaval etc., era conhecido por vender doces e picolés. Teve os filhos Catarina Camila Carille; José Archangêlo Carille, Vanda Maria Carille e Vera Lucia Carille. Destes, José Archangêlo, estudante do SENAI de Ribeirão Preto, em suas férias escolares, trabalhou no escritório central, sem nunca chegar a ser efetivado na empresa. Wanda trabalhou como auxiliar de escritório, emitindo notas fiscais no posto de abastecimento da empresa. As filhas se casaram com trabalhadores da Usina. Wanda, com Joaquim Araújo, da família Araújo; Vera, com Genival Araújo, de origem nordestina, chegado à Usina São Martinho em meados dos anos de 1960. Genival trabalhou como eletricista e foi morador das colônias até sua aposentadoria, no início dos anos de 1990. Os filhos de Genival e Vera, Leandro e Rejeane, exerceram funções burocráticas e administrativas. Leandro ainda permanece na empresa, trabalhando no escritório outrora zelado pelo seu avô.

Família Carniel

Ao longo de sua trajetória na empresa, a família Carniel exerceu e continua a exercer apenas cargos de comando. Pedro Carniel era administrador da Fazenda São José ainda antes da aquisição da Cia Agrícola Fazenda São Martinho pela família Ometto em 1952. Seus filhos, Luis e Guilherme, exerceram funções de comando na empresa, no setor agrícola e industrial, respectivamente. Guilherme participou, inclusive, da inauguração da usina de açúcar, em 1948. Teria sido ele o responsável pelo primeiro acionamento das moendas. Seu filho, Carlos Martins Carniel, ainda permanece na empresa, também exercendo cargo de comando, na área administrativa.

Família Marcandali

A Família Marcandali também apresenta permanência longínqua na história da São Martinho. O primeiro integrante, Leopoldo, descendente de italianos, trabalhou na usina ainda na década de 1940, como fiscal agrícola. Casado com Angelina Sandrin, teve os seguintes filhos: Olívia, Domingos, Walter e Antenor. Olívia se casou com Francisco Lima Mendonça, cuja trajetória familiar descreveremos a seguir. Antenor trabalhou na empresa até os anos de 1970, como encarregado do setor de carpintaria. Deliga-se da empresa por não concordar ver o filho assumir apenas uma função no setor agrícola. Walter e Domingos trabalharam por toda a vida na empresa, juntos, também no setor de carpintaria, como chefe e subordinado, respectivamente. O status podia ser verificado na moradia. Walter, durante todo seu tempo de empresa, residiu na São Luís, ao passo que Domingos, na Pedreira e, depois, na colônia Santo Antônio. Wanderlei, filho de Domingos, é funcionário da São Martinho até os dias de hoje. Ingressou por volta do 14 anos no Almoxarifado Agrícola. É encaminhado ao SENAI e posteriormente preparado para a função mecânico, que exerce ainda hoje. Os filhos de Walter, Marcelo e Valéria, desempenharam funções administrativas burocráticas. Valéria chegou a trabalhar como secretária no Departamento de Desenho Industrial e depois no Escritório Agrícola. Ambos ingressaram na empresa nos anos 1980, permanecendo até meados da década seguinte.

Família Mendonça

A maioria das famílias que compunham o quadro de moradores das colônias da São Martinho era de ascendência imigrante, notadamente italiana. O caso da Família Mendonça era diferente. A trajetória dessa família esta nucleada na figura de Francisco Lima Mendonça, alagoano, estabelecido na São Martinho em meados dos anos de 1950. Conhecido como “Sr Chiquinho” era popularmente conhecido pelo fato de ter trabalhado durante muito tempo na Assistência Social da empresa, estando subordinado diretamente ao Sr Lineu Zacharias, encarregado do setor. Inicialmente, contudo, trabalhou como motorista particular do Dr. Orlando Ometto, tendo acompanhado todo o processo de implantação do serviço social da empresa nos anos de 1960. Dois outros irmãos do Sr Chiquinho virão de Alagoas para a São Martinho. Paulo Lima Mendonça, que trabalhou como gerente agrícola morando na colônia Santo Antônio e posteriormente na São José até o início dos anos de 1990. José Nildo Mendonça trabalhou na fabricação de açúcar até os anos de 1980, residindo na colônia São Benedito. Teve dois filhos: José Roberto, que trabalhou na balança de pesagem dos caminhões de cana, e Sebastião Carlos, que trabalhou no posto de combustível (abastecimento

central da usina). O personagem principal da família, Sr. Chiquinho, trabalhou na empresa até o ano de 1998, muito embora tenha se aposentado em 1987. Casou-se com Olívia, da Famíla Marcandali, residindo até o momento da saída da empresa na colônia São Luís. Tiveram três filhos: Francisco Carlos, que trabalhou na São Martinho de 1972 a 1990, no setor de Apontamentos do Escritório central; Walter, ou Waltinho, que trabalhou de 1976 até 1998, no setor de Compras da empresa; e, finalmente, Ivanildo, um de nossos entrevistados principais. Ivanildo ingressou na empresa trabalhando no Escritório de Armazém de Açúcar em 1973; estudou no SENAI, entre 1974 e 1976, tendo se formado como torneiro mecânico. Aposentou-se em 2002, muito embora só tenha se desligado efetivamente em 2004. Ivanildo e o pai sempre se orgulharam em ter apenas “um único registro em carteira”. Um dos netos do Sr. Chiquinho e de D. Olívia Marcandali ainda permanece na São Martinho. Trata-se de Francisco Carlos Mendonça Júnior, o qual desempenha a função de torneiro mecânico. Se considerarmos as relações da família Mendonça com a família Marcandali, desde jovem constitui a quarta geração de trabalhadores na empresa. As entrevistas realizadas como os membros da família Mendonça permitiram a visualização, na ótica do trabalhador, das transformações internas da empresa, principalmente do processo de reestruturação produtiva ocorrido ao final da década de 1990.

Família Mortareli

Sílvio e Aparecida Mortarelli chegaram à Usina São Martinho nos anos de 1960. Foram moradores da colônia Santo Antônio. De seus filhos, Eduardo foi o primeiro a ingressar na Usina, no Armazém de Açúcar, em 1973. Estudou no SENAI, estando na empresa até os dias de hoje. Casou-se com filha de moradores, residindo na colônia São Luís, num momento em que já estava decidido pela empresa que estas moradias seriam erradicadas. Os filhos de Eduardo não ingressam na empresa.

Família Oliveira

Antônio de Oliveria era administrador da Seção Aparecida, também posse da Usina São Martinho após aquisição da família Ometto. Antônio de Oliveira Filho ingressou na empresa como motorista de caminhões, “puxando cana” nos anos de 1960. Depois, tornou-se motorista da diretoria. Residiu nas colônias da empresa. Suas filhas ainda permanecem na Usina, exercendo funções burocráticas no setor administrativo.

É a Família de trajetória mais ascendente observada nesta pesquisa. Como trabalhadores braçais, agrícolas, chegaram à empresa ao final da década de 1950. Sua segunda geração ascenderá a postos de chefia e de diretoria. Seus membros residirão em diversas colônias, constituindo novas famílias com membros de outras famílias moradoras, como os Cirinos, Peixotos etc. Os filhos destas diversas famílias também ingressaram na empresa, ocupando os mais diversos cargos.

Família Quaglio

Sérgio Quaglio era administrador da Seção Santa Amélia também posse da Usina São Martinho após aquisição da família Ometto. Seu filho, Oswaldo, também ingressou na empresa “puxando cana”. Tornou-se motorista do almoxarifado e, posteriormente, da diretoria. Residiu nas colônias da empresa, onde nasceram seus três filhos: Paulo, Renato e Leonardo. Nascidos nos anos de 1960 e 1970. Todos ingressaram na empresa, exercendo cargos burocráticos. Paulo se casa com filha de moradores das colônias.

Família Úbeda

Eduardo Úbeda era residente das colônias ainda na época da administração da Família Prado. Durante a gestão da família Ometto, foi motorista de caminhão, percorrendo a lavoura, realizando serviços de abastecimento, lubrificação e manutenção em máquinas e equipamentos agrícolas. Ao mesmo tempo em que desempenhou a função, sua esposa, D. Helena, também filha de moradores, servia refeições para os trabalhadores mais qualificados em sua “pensão”, na colônia São Luis. Durante muitos anos, Eduardo sairá mais cedo do trabalho a fim de treinar a equipe de futebol da Usina São Martinho. Paulo e Carlos, filhos do casal, entraram cedo na empresa. O primeiro, mecânico, chegou a ser encarregado do setor. Já o segundo, de conferente do Almoxarifado Central, chegou ao posto de subencarregado da área. Assim como tantos outros, trabalharam na São Martinho, tendo “um registro só”. Também se casou com filha de moradores, vindo também a residir na colônia São Luís. Seus filhos, Eduardo, Fábio e Fernando, nascidos nas décadas de 1970 e 1980, também ingressaram na empresa, onde ainda permanecem.

Família Zanellato

Os gêmeos José Roberto e José Renato trabalharam nos escritórios central e agrícola, respectivamente. Moradores da colônia São Luís, eram filhos de José Carlos, que começou a trabalhar na empresa nos anos de 1960, como motorista. Embora não fosse descendente de

moradores, casou-se com a filha de moradores. Além dos dois irmãos, o casal terá o filho Márcio, que também entrou na empresa nos anos de 1990.

Família Zilião

Lauro Zilião era morador da colônia Santo Antônio desde o início dos anos de 1960. Trabalhava na Usina como ferreiro. Nos anos de 1990, por conta da demolição da colônia, mudou-se para a colônia São Luís. Seus filhos ingressaram na empresa nos anos de 1980. Sidinei Zilião no departamento de Manutenção Industrial, onde ainda permanece. A filha mais velha, Denilza, será uma das assistentes sociais da empresa, trabalhando até o início dos anos 2000. Seu filho, Renato, morador da colônia, ainda permanece na empresa. São primos em primeiro grau da família Mortarelli.

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