5. Necessary action
5.4. Responsibility and the need for resources at different levels in the structure
Este capítulo é dedicado ao método de investigação adotado, incluindo a metodologia de recolha de dados e a amostra.
3.1. Metodologia de recolha de dados
Este trabalho tem como objetivo analisar o tratamento contabilístico e o relato dos intangíveis nas entidades hospitalares pertencentes ao SEE, pretendendo-se responder às seguintes questões-chave:
1 - Que intangíveis são relatados pelas Entidades Públicas Empresariais do Serviço Nacional de Saúde?
2 - Como é que essas entidades relatam a informação sobre os intangíveis?
3.1.1. Análise de conteúdo e fontes de dados
De forma a tentar responder às questões anteriormente apresentadas será desenvolvido um estudo exploratório, sendo para isso usada uma abordagem descritiva, utilizando a análise de conteúdo como método de investigação.
Será feita uma análise das Imobilizações Incorpóreas reconhecidas e divulgadas nos Relatórios e Contas das entidades selecionadas.
Muitos autores têm explorado a análise de conteúdo para investigar o relato do capital intelectual (por exemplo: Abeysekera, 2006; Guthrie e Petty, 2000; Oliveira, 2006; entre outros).
As fontes de dados utilizadas são os relatórios e contas anuais das entidades hospitalares do SEE pertencentes ao SNS. Os relatórios e contas são considerados um dos principais veículos de comunicação entre as empresas e os seus stakeholders. Os relatórios e contas destas instituições foram acedidos através do sítio da internet
https://www.sns.gov.pt/institucional/entidades-de-saude/, ou então no próprio site de cada instituição analisada.
Com base na literatura (por exemplo, Guthrie e Petty, 2000), foi criada uma lista de itens de capital intelectual (Tabela 2), atendendo à sua perspetiva tripartida, que tem em consideração a realidade das entidades hospitalares EPE.
Tabela 2: Itens de capital intelectual considerados para análise
Capital Humano Capital Relacional/Externo
1 - Know-how
2 - Formação académica e Qualificação Profissional
3 - Experiência relacionada com o trabalho 4 - Competências relacionadas com o trabalho 5 - Diversidade Cultural (corpo médico estrangeiro) 6 - Dedicação e motivação 7 - Evolução na carreira 8 - Produtividade 9 - Benefícios/indeminizações aos empregados 10- Número de trabalhadores 11 - Rotatividade dos trabalhadores 12 - Segurança dos trabalhadores 13 - Igualdade de oportunidades 14 - Remunerações 15 - Programas de formação 1 - Produtos/serviços 2 - Marca/Identidade do estabelecimento de saúde
3 - Satisfação dos Utentes
4 - Intercâmbio de conhecimentos com os outros hospitais
5 - Interajuda com outros estabelecimentos de saúde
6 - Padrões de qualidade 7 - Relação com a sociedade
Capital Estrutural/Interno
1 - Patentes e Propriedade intelectual 2 - Missão de entidade hospitalar 3 - Objetivos
4 - Procedimentos de Gestão 5 - Sistemas de informação 6 - Sistemas em rede
7 - Projetos de Investigação e Desenvolvimento
Quanto ao capital humano, optou-se pelos seguintes itens: ‘Know-how’, ‘Formação académica e Qualificação Profissional’, ‘Experiência relacionada com o trabalho’, ‘Competências relacionadas com o trabalho’, Diversidade Cultural (corpo médico estrangeiro)’, ‘Dedicação e Motivação’, ‘Evolução na carreira’, ‘Produtividade’, ‘Benefícios/Indeminizações aos empregados’, ‘Número de trabalhadores’, ‘Rotatividade dos Trabalhadores’, ‘Segurança dos Trabalhadores’, ‘Igualdade de Oportunidades de Emprego’, ‘Remunerações’ e Programas de Formação’.
No que diz respeito aos itens de capital externo/relacional, o usual termo ‘clientes’ foi substituído por ‘utentes’, consequentemente o item ‘Satisfação dos clientes’ passou a designar-se ‘Satisfação dos utentes’, e os ‘Produtos/Serviços’ compreendem os tratamentos, cuidados e serviços de saúde prestados. Quanto à ‘Marca’, optou-se por designá-la por ‘Marca/Identidade do Estabelecimento de Saúde’. As ‘parcerias’ ou ‘os canais de distribuição’, ‘colaborações empresariais’, ‘acordos licenças’, ‘contratos favoráveis’ e ‘acordos de franchising’ foram substituídos por ‘Intercâmbio de conhecimento com outros Hospitais’, ‘Interajuda com outros Estabelecimentos de Saúde’, ‘Padrões de Qualidade’ e ‘Relações com a Sociedade’.
No que respeita ao capital interno ou capital estrutural, o item ‘Relações Financeiras’ foi eliminado, optando-se pelos seguintes: ‘Patentes e Propriedade Intelectual’, ‘Missão de Entidade Hospitalar’, ‘Objetivos’, ‘Procedimentos de Gestão Hospitalar’, ‘Sistemas de Informação’, ‘Sistemas em Rede’ e ‘Projetos de I&D’.
3.2. A amostra
A fonte de dados utilizada baseia-se nos relatórios e contas anuais das entidades hospitalares do SEE pertencentes ao SNS. Os relatórios e contas são considerados um dos principais veículos de comunicação entre as entidades e os seus stakeholders. Os relatórios e contas destas instituições serão acedidos através do site da internet
https://www.sns.gov.pt/institucional/entidades-de-saude/ ou diretamente nos sites de cada entidade.
Considera-se que a rede de prestação de cuidados de saúde abrange os estabelecimentos do SNS, constituídos como hospitais, IPO’s, centros hospitalares e unidades locais de saúde, bem como os estabelecimentos que prestam cuidados aos utentes do SNS e outros serviços de saúde, nos termos de contratos celebrados em regime de parcerias público-privadas.
O SNS é formado por entidades hospitalares do Setor Público Empresaria (SPE), e do Setor Público Administrativo (SPA), as quais são financiadas pelas dotações do Orçamento do Estado atribuídas pelo Ministério da Saúde. O SPE do SNS é formado por Hospitais, Centros Hospitalares, Institutos de Oncologia e Unidades Locais de Saúde que estejam classificadas como Entidades Públicas Empresariais (EPE).
Das 39 unidades hospitalares pertencentes ao SPE disponíveis no Decreto-Lei n.º 18/2017, onde constam 20 Centros Hospitalares, 8 Hospitais, 3 Institutos Português de Oncologia
e 8 Unidades Locais de Saúde, serão analisadas 38 em 2015 e 36 em 2016, onde serão analisados dois anos consecutivos referentes a cada entidade, para tentar perceber como é feito o tratamento contabilístico e o relato dos intangíveis nos relatórios e contas. Pela já longa experiência de gestão de tipo empresarial, considera-se que o relato dos intangíveis nestes hospitais se encontra mais desenvolvido que nos outros hospitais.