5. Necessary action
5.7. Christian education (the Christian education reform)
Cada vez mais as empresas têm uma noção mais clara do seu papel no Desenvolvimento Sustentável, pelo que já têm vindo a desenvolver ações de Responsabilidade Social Corporativa, com o objetivo de contribuir para a criação de uma cultura baseada na responsabilidade, visando a manutenção de um desenvolvimento económico, social e ambientalmente sustentável.
A verdade é que as empresas têm pretendido estabelecer algumas regras aos seus fornecedores, com o propósito de os levar a partilharem os seus valores assentes no comportamento ético e socialmente responsável.
Assim, numa primeira fase, é fundamental que as empresas comecem por elaborar uma declaração de missão, um código de conduta ou uma declaração de princípios, onde evidenciem os seus objetivos, valores fundamentais e responsabilidades para com os stakeholders. Posteriormente, devem alinhar esses valores com a sua estratégia e decisões correntes. Em termos práticos, isto passa por incluir uma dimensão social ou ambientalmente responsável nos planos de atividades e orçamentos da empresa, e avaliar os resultados, instituindo para isso “comités consultivos” de cariz social, que realizem auditorias sociais e/ou ambientais, ou implementem programas de formação contínua (Comissão das Comunidades Europeias, 2001).
Para além disso, é fundamental que a empresa elabore um balanço social como forma de mensurar o impacto que causa a nível ambiental e social, bem como a qualidade da relação que
estabelece com os seus stakeholders (Balonas, 2014). Portanto, esta ferramenta permite quantificar
determinados indicadores que, consequentemente, servirão de suporte para a análise dos recursos humanos da empresa e tomadas de decisão, tendo sempre como base os resultados obtidos. Este documento permite ainda um planeamento, coordenação e racionalização dos recursos disponíveis (Rego et al., 2007).
A Comissão das Comunidades Europeia aponta ainda para necessidade de elaboração de relatórios e auditorias de RSC como mecanismo de reconhecimento do desempenho ambiental e social da empresa. Como forma de elevar a qualidade da verificação, esta entidade propõe o envolvimento dos sindicatos e de ONG’s (Comissão das Comunidades Europeias, 2001). Estes relatórios têm ganho cada vez mais importância, sobretudo nos países industrializados, devido ao maior profissionalismo, traduzido em novos padrões de reporte globais, que podem ser utilizados para conferir confiança aos relatórios de Responsabilidade Social Corporativa. Nos dias de hoje, também os stakeholders têm demonstrado uma crescente curiosidade em aceder a informação relativa à empresa, que lhes permita obter uma visão
global do comportamento da empresa, e não apenas do seu desempenho financeiro, como é retratado nos relatórios de contas (Rego et al., 2007). É de salientar que, nas PME, estes relatórios têm uma base mais informal e voluntária, enquanto que nas empresas de maiores dimensões este documento é mais rigoroso e, normalmente é elaborado segundo as orientações do guia da Global Reporting Iniciative (GRI) (Comissão Europeia, 2011; Rego et al., 2007). Estas orientações destacam alguns aspetos que devem constar na estrutura dos relatórios de RSC, nomeadamente (Rego et al., 2007):
• A descrição da estratégia da empresa, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, através do depoimento de um membro da direção;
• O retrato global da estrutura da empresa, bem como das suas operações e mercados; • A definição da estrutura de governação da empresa, políticas e sistemas de gestão
inerentes, incluíndo o compromisso com todas as partes interessadas; • A elaboraçao de um índice de conteúdos referentes ao relatório GRI;
• A mensuração dos impactos da empresa através de indicadores de desempenho económicos, ambientais e sociais.
Por outro lado, é crucial que a empresa se preocupe com as normas socioculturais, uma vez que, segundo Davis (1973), são determinantes dos comportamentos. Quando se dão mudanças nas normas da sociedade, o comportamento da empresa inevitavelmente também se altera. No caso dos lucros da organização, estes são obtidos a partir de um conjunto de normas sociais, a que as empresas se devem ajustar. Partindo desta perspetiva, é relevante considerar que as organizações que não decidam optar pela adoção de um comportamento socialmente responsável, ao longo do tempo terão uma forte possibilidade de começarem a ser excluídas pelos clientes e pela própria comunidade (Rego et al.., 2007).
Existem diversos fatores que podem estar na origem da implementação de uma política de Responsabilidade Social Corporativa, e leia-se (Comissão das Comunidades Europeias, 2001):
• As recentes preocupações e expetativas dos cidadãos, consumidores, autoridades públicas e investidores num contexto de globalização e de mudanças industriais em grande escala; • Os critérios sociais que exercem uma crescente influência sobre as decisões individuais ou
institucionais no que respeita a investimentos, quer na qualidade de consumidores como de investidores;
• A transparência resultante das atividades empresariais pelos meios de comunicação e pelas tecnologias de informação e comunicação atuais.
Lourenço e Schröder (2003) e Fernandes (2012) apresentam também as diferentes motivações que acreditam estar na base das práticas de Responsabilidade Social Corporativa:
• Melhoria da imagem e das vendas da empresa, devido ao fortalecimento e fidelidade à marca ou produto;
• Promoção dos direitos laborais e sociais num quadro de globalização;
• Aumento da valorização da empresa na sociedade e no mercado, uma vez que as empresas socialmente responsáveis aliciam mais investidores e são vistas com maior credibilidade; • Redução da tributação fiscal, em virtude dos benefícios concedidos às organizações que
promovam ações socialmente responsáveis;
• Aumento da motivação e empenho dos colaboradores;
• Procura de lucro social: melhoria das condições de vida da comunidade, mudança de atitude da comunidade relativamente aos problemas do país, oportunidades de assumir um papel de intervenção social;
• Construir uma estratégia de marketing assente nas novas tendências de gestão empresarial. Por outro lado, se a empresa privilegia um comportamento pouco ético e socialmente responsável, pode enfrentar consequências, como:
• Má imagem e redução das vendas da empresa; • Afastamento dos investidores;
• Publicidade negativa;
• Reclamações dos clientes e perda de futuros consumidores;
• Pagamentos de multas e indemnizações por violação das leis estabelecidas; • Baixa produtividade e desmotivação dos colaboradores.
Segundo o Livro Verde, existe uma intenção por parte da Comissão Europeia em promover um quadro europeu para a RSC. Este documento destaca a concordância no entendimento com alguns conceitos-chave que visam promover uma ação voluntária por parte das empresas, como forma de
resolver as preocupações ambientais e sociais apresentadas pelos stakeholders, evidente na seguinte
“É cada vez maior o número de empresas europeias que promovem estratégias de responsabilidade social como reação a diversas pressões de natureza social, ambiental e económica. Pretendem, assim, dar um sinal às diversas partes interessadas com as quais interagem: trabalhadores, acionistas, consumidores, poderes públicos e ONG. Ao procederem desta forma, as empresas estão a investir no seu futuro e esperam que este compromisso voluntário contribua para um aumento da sua rendibilidade” (Comissão das Comunidades Europeias, 2001, p. 3).
Desta forma, não parecem restar dúvidas relativamente às vantagens associadas à implementação de práticas de RSC. No entanto, as empresas que invistam nesta área, devem elaborar alguns documentos estratégicos, como o código de conduta, o balanço social e o relatório de sustentabilidade ou de RSC. Neste sentido, o capítulo seguinte retrata exatamente a realidade que tem sido evidenciada em Portugal a nível de RSC.