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Outra teoria que se destacou foi a Teoria da Administração Geral, nas concepções de Henri Fayol e Max Weber que, segundo Robbins (2000, p.491), ―[...] consideravam o tema da administração na perspectiva da organização como um todo.‖

Fayol contribuiu ao formular uma teoria conhecida como a Teoria Clássica da

Administração, cujo cerne ultrapassa o limite da fábrica e atinge todos os setores sociais, além do que, pela primeira vez, distingue a prática da administração como algo específico em relação a contabilidade, finanças, produção, distribuição e outras atividades empresariais, atribuindo maior especificidade ao trabalho do administrador.

De acordo com Robbins (2000, p. 491), para Fayol, ―A administração era uma atividade comum a todos os empreendimentos humanos na empresa, no governo e mesmo em casa.‖ Detectou de suas observações a necessidade de articular a teoria administrativa com a prática empírica, enfatizando a importância da habilidade administrativa para o desempenho organizacional em todos os setores.

Percebeu, assim, a importância exercida pelos gerentes, passando a focalizar, principalmente, o trabalho desses sujeitos. Esse interesse surgiu devido ao fato de ser administrador de uma grande empresa e observar que os demais administradores teorizavam, mas, na prática, suas ideias e propostas eram revestidas de contradições e não alcançavam as expectativas desejadas o que, para Fayol, se traduzia como consequência da falta de formação e domínio da função.

Análoga a essa percepção, acreditava que toda forma de organização envolvia uma prática de administração. Diante disso, ressaltou a necessidade de profissionalização e do ensino da administração, pois os administradores precisavam de uma formação que os habilitasse a adquirir qualidades físicas, mentais e morais específicas ao desenvolvimento da função de administrar, além de conhecimentos gerais e específicos sobre o exercício administrativo. No entanto, as qualidades assim como os conhecimentos seriam relacionadas às experiências adquiridas no exercício do próprio trabalho executado. Segundo Silva (2008, p.140), ―Fayol estudou cientificamente a tarefa do dirigente, em que os fatores fixos são capital, expedientes, ferramentas ou instrumentos, processos e valor técnico – o fator variável é a administração [...]. Fayol parte da chefia ou da direção, e não do homem-operário.‖

Entendemos que essa teoria enfatiza que as organizações sociais e, especificamente, as educacionais têm como primeira missão o estudo da aprendizagem, do ensino, da supervisão e da pesquisa, aplicados ao sucesso da administração focalizada na figura do gerente.

O poder de decisão ocorre de forma vertical, pois o comando é concentrado em uma cúpula pensante: os técnicos. Esse modelo de organização valoriza o sistema de papéis, pois, para este, importa o papel/função que o trabalhador assume e desenvolve e o quanto estes estão em harmonia com a administração central.

De acordo com Silva (2008), a Teoria Clássica de Administração, na perspectiva de Fayol, assume a possibilidade de identificar os princípios e as habilidades que são bases para a administração eficiente e produtivista. Nessa teoria, a estrutura organizacional é analisada de cima para baixo, da direção para a execução e do todo para as partes. Contudo, ela requer das organizações maior preocupação com as condições de trabalho e a concessão de benefícios aos empregados, mas visando a produção em si e não a qualidade de vida do trabalhador.

Para fazer esse atendimento, as instituições sociais e organizações empresariais criaram departamentos de administração de pessoal, como nas universidades, que possuem esse setor, objetivando, dentre outros aspectos, melhor qualificar os gestores, uma vez que eles necessitam de aptidões e habilidades que podem ser adquiridas através de treinamento, sendo este uma importante ferramenta agregada à sua formação.

Max Weber (1999), por sua vez, desenvolveu a Teoria das Estruturas de Autoridade e descreveu a atividade organizacional em relação à sua função. Sua teoria de organização era centrada na burocracia, caracterizada pela divisão do trabalho com hierarquia bem definida, que segue as regras e os regulamentos detalhados, e relações impessoais. No processo de hierarquização, as funções dos donos, gerentes e demais trabalhadores subordinados eram bem definidas.

De acordo com Silva (2008), Weber acreditava que,

Longe de serem inflexíveis, as burocracias foram estabelecidas para oferecer o meio mais eficiente de obter o trabalho feito. Cada funcionário definiria precisamente sua atividade e a relação com outras atividades. Burocratas eram os agentes habilidosos que faziam as organizações funcionarem. (SILVA, 2008, p 147).

Para Weber (1999), os princípios de organização estabelecem que toda administração é uma forma de dominação; para tanto, requerem-se: a divisão do trabalho em atividades simples, rotineiras e bem definidas; a hierarquia de autoridade, seguindo a disposição de cargos inferiores e superiores; a racionalidade norteadora da seleção formal, na qual os trabalhadores são profissionais selecionados tecnicamente; as regras e os regulamentos formais, para uniformizar e regulamentar as ações; o compromisso profissional, uma vez que os administradores não são os proprietários, mas os responsáveis pelo desempenho eficiente da organização; registros escritos, para estabelecer continuidade organizacional e uniformidade na ação; impessoalidade,de modo a não haver envolvimento ou preferências pessoais; orientação para os gerentes seguirem suas carreiras dentro da organização.

As atividades administrativas que utilizam a burocracia lidam cotidianamente com excessos de papéis e documentos que exercem centralidade e ligação entre as unidades que compõem determinada organização ou setor que possui uma estrutura organizacional. Weber (1999, p.199) explica:

A administração moderna baseia-se em documentos (atas), cujo original ou rascunho se guarda, e em um quadro de funcionários subalternos e escrivães de todas as espécies. O conjunto dos funcionários que trabalham numa instituição administrativa e também o aparato correspondente de objetos e documentos constituem um ‗escritório‘.

A burocracia weberiana requer: a especialização no trabalho para gerar maior produtividade; uma estrutura para dar forma ou conteúdo à organização; previsibilidade para estabelecer a ordem dentro da estrutura organizacional; racionalidade para enfatizar a razão objetiva, superando os aspectos emotivos que podem prejudicar a organização; estabelece um ―certo‖ grau de democracia a partir de critério de admissão dos trabalhadores e gerentes: a competência técnica como meio para a obtenção do cargo.

Em se tratando da burocracia e sua relação com a ideologia, Tragtemberg (1992, p.22) afirma que ―Hegel foi um dos primeiros estudiosos da burocracia, enquanto poder administrativo e político, formulando o conceito: onde o Estado aparece como organização acabada, considerado em si e por si, que se realiza pela união íntima do universal e do individual.‖

Para o autor, esse posicionamento se manifesta como respaldo para um capitalismo de Estado, cujo regime é democrático e liberal, e cuja ideologia opera como um agente da

vontade geral, para homogeneizar pensamentos e comportamentos políticos com vistas a encobrir as determinações privatistas. Assim, afirma o autor:

A burocracia protege uma generalidade imaginária de interesses particulares. As finalidades do Estado são as da burocracia e as finalidades desta se transformam em finalidades do Estado. A burocracia é sinônimo de toda casta, seja hindu ou chinesa. Ela possui o Estado como sua propriedade. A autoridade é sua ciência e a idolatria da autoridade, seu sentimento mais profundo. (TRAGTEMBERG, 1992, p.22).

A forma de manifestação da ideologia da burocracia é bastante sutil e assume várias versões, que vão desde a divisão dos funcionários como portadores de símbolos, uniformes e signos, que mascaram o saber real, técnico e utilitário; a isso Tragtemberg (1992) chama de ―hierarquia autoritária‖. Esse movimento vai do particular ao universal, e as pessoas assumem como seus os posicionamentos homogeneizadores.

Para Tragtemberg (1992), na Teoria da Administração, Taylor define a burocracia como emergente das condições técnicas de trabalho, por gerar a separação entre as funções de execução e planejamento, predominando a organização racional sobre o homem, acentuando, como fator motivador único, o dinheiro. Ao mesmo tempo, confunde e mascara a realidade de exploração do trabalhador, ao difundir a ideologia de que os interesses dos trabalhadores não diferem dos objetivos da administração.

Assim sendo, a tomada de decisão, num espaço altamente burocrático, se dá de forma unilateral e verticalizada, além do que monocrática. Como há somente um fluxo no processo de comunicação, o empregado tende a incorporar o processo e a estratificação administrativa.

A marca da gerência cunhada por Taylor e seus seguidores são evidenciadas, ainda hoje, na sociedade capitalista. De acordo com Braverman (1987, p.83), ―Taylor ocupava-se dos fundamentos da organização dos processos de trabalho e do controle sobre ele.‖ Enfatiza, ainda, o autor que as escolas posteriores – de Hugo Münsterberg, Elton Mayo e outros – se voltavam para entender e aperfeiçoar o ajustamento do trabalhador ao processo de produção em curso, na medida em que o processo era projetado pelo engenheiro industrial.

Braverman (1987, p.83) esclarece que ―Os sucessores de Taylor encontram-se na engenharia e projeto de trabalho, bem como na alta administração; os sucessores de Münsterberg e Mayo acham-se nos departamentos de pessoal e escola de psicologia e sociologia industrial.‖

Para esse autor, o trabalho em si é organizado de acordo com princípios tayloristas, enquanto os departamentos de pessoal e acadêmicos têm se ocupado com a seleção, o adestramento, a manipulação, a pacificação e o ajustamento da mão de obra para adequá-la aos processos de trabalho de acordo com as exigências da organização capitalista. O taylorismo, portanto, domina o mundo da produção; os que praticam as ‗relações humanas‘ e a psicologia industrial são aqueles que adentram o processo de manutenção da ―maquinaria‖ humana. Baverman (1987, p.83) argumenta: ―Se o taylorismo não existe hoje como uma escola distinta deve-se a que, além do mau cheiro do nome, não é mais uma propriedade de uma facção, visto que seus ensinamentos fundamentais tornaram-se a rocha viva de todo projeto de trabalho.‖

O paradigma de administração clássica perdurou, nas organizações do ocidente capitalista, até meados do século XX; nos setores industriais e sociais, como os educacionais; entretanto, surgem, paulatinamente, mudanças na organização do trabalho, das forças produtivas que suscitam o aparecimento de outros paradigmas como o pautado pela

Abordagem humanística da administração, sobre a qual discorremos na subseção a seguir.