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4. Research methodology

4.3. Research instruments

Embora a Lei de Cotas tenha surgido para ampliar as oportunidades de acesso ao mercado de trabalho para a pessoa portadora de deficiência, na prática, o processo não é tão simples assim. Combater de forma explícita as manifestações de preconceito, interferir em todos os níveis hierárquicos, acompanhar a adaptação e, principalmente, demonstrar e exigir respeito aos novos empregados, são atitudes que expressam a determinação em tornar a empresa inclusiva.

No intuito de apresentar uma definição para o termo preconceito, observou- se que este é utilizado por vários autores de diversas formas, de modo que tentar apresentar uma lista de definições formuladas e reformuladas ao longo do tempo seria uma tarefa quase inesgotável (COSTA, 2001). Por mais que se tente relacionar, juntar e combinar os vários aspectos para definir o preconceito, corre-se o risco de não conseguir captar todos os sentidos que os indivíduos empregam ao construto, uma vez que suas definições diferem amplamente na intensidade e no modo de expressão.

Ainda que o termo “preconceito” se apresente de diversas formas, todas, porém, têm algo em comum: envolve um sentimento negativo dirigido a um grupo

particular de pessoas (BROWN, 1995), o que potencializaria na pessoa preconceituosa uma maior tendência a intencionar o distanciamento ou efetivamente evitar o contato social com os representantes de tais grupos. Não obstante, o termo preconceito vem sendo referido como a adoção de um posicionamento ou atitude negativa direcionada a algumas pessoas pelo fato de pertencerem ou assemelharem-se a um grupo que esteja dotado de determinados aspectos específicos, que são percebidos como negativos.

Autores como Rodrígues-Bailón, Barranco & Casado (2000) têm chamado a atenção para a importância dos valores e das normas como construtos que podem contribuir para modelar e modificar as atitudes intergrupais. Desse modo, a partir dos anos 70, surgem vários modelos que enfatizam a relevância dos valores, sua estrutura e hierarquia na compreensão do preconceito (Biernat, Vescio, Theno & Crandall, 1996) e de outras atitudes (Homer & Kahle, 1988).

Os autores Schwartz e Bilsky (1987) afirmam que os valores guiam a seleção e avaliação dos comportamentos e das situações, bem como estão hierarquizados de acordo com sua importância relativa e constituem elementos cruciais dentro de uma cultura; portanto, são um ponto central na compreensão das relações que se estabelecem entre os grupos. Assim, pode-se dizer que os valores têm uma relação estreita com o preconceito e sua manifestação.

O preconceito e a discriminação, segundo Bandeira e Batista (2002), estão duplamente associados à emergência das diferenças entre as pessoas e os grupos: seja pela afirmação e manipulação da condição da diferença, seja por sua insistente negação ou dissimulação. Em ambos os casos, o não-reconhecimento ou a falta de respeito às diferenças se fazem presentes, criando novos padrões de violência. Dessa forma, o preconceito pode instalar-se como um dos meios de geração da violência, em vários níveis. O preconceito implica, portanto, uma relação social, fazendo-se perceber no modo como se dá a relação com a diferença.

Segundo Goffman (1982) a sociedade tende a estabelecer os meios de categorizar as pessoas e o total de atributos considerados como comuns e naturais para os membros de cada uma dessas categorias. Os ambientes sociais estabelecem as categorias de pessoas que têm probabilidade de serem neles encontrados. Dessa maneira, o preconceito e o estigma promovem uma

generalização e a desumanização do portador de algum tipo de diferença significativa - uma deficiência.

Para Amaral (1992, p. 9), “o preconceito nada mais é que uma atitude favorável ou desfavorável, positiva ou negativa, anterior a qualquer conhecimento”. O estereótipo refere-se à concretização de um julgamento qualitativo, baseado no preconceito, podendo ser, também, anterior à experiência pessoal. Em relação à deficiência podemos verificar que o preconceito, na maioria das vezes, está baseado em atitude comiserativa, resultante do desconhecimento, este considerado a matéria-prima para a perpetuação das atitudes preconceituosas e das leituras estereotipadas da deficiência – seja esse desconhecimento relativo ao fato em si, às emoções geradas ou às reações subseqüentes.

Considerando-se o fato de que o desconhecimento acaba por gerar distorções acerca da deficiência e da própria pessoa com deficiência e, conseqüentemente, levar ao preconceito, vale destacar a importância do seu enfrentamento, destacando o que Adorno e Horkheimer (1978, p. 173-174), nos afirmam:

(...) a investigação sobre o preconceito tende a reconhecer a participação do momento psicológico nesse processo dinâmico em que operam a sociedade e o indivíduo. (...) os estímulos com que os agitadores atuam e, em particular, os decididamente totalitários para seduzir os homens (...) entre as suas opiniões políticas gerais e suas posições quanto às minorias étnicas, sociais e religiosas, por uma parte e sua caracterologia psicológica como pessoas, por outra parte.

Em relação à pessoa com deficiência, os preconceitos podem ser indiretamente deduzidos com segurança, face às práticas de exclusão tão freqüentes em nossa sociedade, como a restrição do acesso à escola e ao mundo do trabalho. Para os autores Adorno e Horkheimer (1978, p.177) “(...) a dicotomia da humanidade se dá em salvadores e condenados”. Fazendo uma rápida analogia, podemos complementar: entre deficientes e não deficientes.

O que acontece em relação ao sujeito deficiente é que a sociedade lhe atribui o empobrecimento da sua potencialidade. A conduta preconceituosa não nos permite refletir sobre as reais condições de ser deficiente. A pessoa portadora de

deficiência torna-se reduzida à sua deficiência, sendo impedida de exercer seu papel social de indivíduo.

Enfim, a dinâmica de inclusão de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho pressupõe uma série de indagações sobre mudanças, não apenas no espaço físico, mas principalmente nos valores e na cultura organizacional. As reflexões estão no sentido de provocar uma visão do paradigma da transformação, onde a ruptura de valores referente aos conceitos preconceituosos sobre a deficiência são analisados desde os primórdios das ações que buscam a inclusão social.

Para uma sociedade mais justa e igualitária, é necessário que se promova a inclusão das pessoas que são excluídas do processo social, e desse grupo fazem parte as pessoas com deficiência. Essa é uma preocupação cada vez mais crescente no cenário social, de um modo geral. Nota-se certa preocupação no meio empresarial com a adequada inclusão de pessoas com deficiência na esfera laboral. No entanto, se fazem necessários alguns ajustes por parte do Estado, pois uma das inúmeras dificuldades apontadas para a ocupação de um cargo por pessoas com deficiência está a baixa escolaridade devido à inexistência de instituições especiais que promovam a formação acadêmica e profissional destes indivíduos.

Ainda falta qualificação profissional e preparo social para que a pessoa com deficiência possa ocupar um cargo cujo perfil seja compatível com as suas habilidades e com as reais necessidades da empresa. Sem dúvida, a lei acabou sendo um importante instrumento de reivindicação dos direitos da pessoa com deficiência, mas ela por si só não irá resolver os problemas que essa população terá que enfrentar para chegar ao mercado de trabalho.

4 PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DAS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA NA SOCIEDADE

4.1 INTRODUÇÃO

Na composição do mundo complexo das organizações estão as relações estabelecidas entre os indivíduos e suas particularidades. O ser humano é constituído de virtudes e defeitos. A intensidade com que aplica as suas características é que vai torná-lo eficiente ou deficiente.

O investimento social no corpo põe em evidência valores estéticos e de produtividade, determinantes dos padrões de normalidade vigentes. Historicamente, a deficiência está associada a uma situação de desvantagem. Ou seja, refere-se condição de uma situação de desequilíbrio entre as pessoas: aquela pessoa, que possui algum tipo de deficiência, em relação aos demais membros do seu grupo.

Cabe analisar se a idéia de desvantagem compromete a vida laboral das pessoas com deficiência em relação aos seus pares e os benefícios e dificuldades enfrentados ao tentarem ingressar no mercado de trabalho.

Para tal, é abordada a ergonomia como forma de promoção de um local de trabalho seguro, acessível e saudável para todos os trabalhadores. Com relação às pessoas com deficiência, a Tecnologia Assistiva proporciona um funcionamento harmônico dos sistemas homem-máquina, tais como as apresentadas neste capítulo.