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Paper IV: Gender and development in Swat: Critical analysis of NGO approaches used in

5. Summary of papers

5.4. Paper IV: Gender and development in Swat: Critical analysis of NGO approaches used in

A inclusão de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho é o requisito básico para o objetivo maior, que é a sua integração na sociedade. Neste processo, a pessoa portadora de deficiência, por seus próprios meios e esforços, busca integrar-se ao ambiente laboral, que simplesmente a recebe, sem ter se preparado para tanto. Percebe-se que as organizações de trabalho têm pouco conhecimento sobre as diversas deficiências, sejam elas físicas, auditivas, visuais ou mentais, desenvolvendo e perpetuando mitos sobre as diferenças. Evidencia-se falta

de conhecimento tanto dos aspectos fisiológicos e psicossociais, quanto no tocante ao potencial criativo e profissional de cada pessoa.

Analisando a história, as apreensões das diferenças e dos mitos começam a surgir no período escravista quando, na sociedade grega, os escravos garantiam a infra-estrutura necessária para que os homens livres praticassem o ócio. É neste

período que aparecem os corpus teóricos, paradigmas, modelos que sobressaíram

pelos séculos, influenciando fortemente a cosmovisão da sociedade cristã ocidental. Como afirma Vasques (1986, p.17), para os gregos, “viver é contemplar”. Com isso a

valorização e a supremacia do trabalho intelectual e a divisão do homo sapiens e

homo faber são postas e ideologicamente justificadas.

Na medida em que a Idade Média avança, a relação da diferença física com pecado ou perversidade é algo que vai recrudescendo, embora a origem da concepção remonte de um período bem anterior, como revela o exemplo extraído da mitologia grega:

A Rainha Pasífe era perversa e tenebrosa e bem mereceu o castigo que recebeu ao ter um filho com cabeça de touro. O Rei Minos sentiu-se profundamente afetado. Chamou seu filho de Minotauro, e criou-o secretamente, longe da vista de todos, exceto os servidores de absoluta confiança que cuidaram da sua pessoa (...) Talvez se houvesse a Rainha Pasífe arrependida de sua má conduta, pois se deu ao Rei Minos, duas filhas e dois filhos absolutamente normais (...)” (BAKER, 1973, p.3).

Observemos que sempre foi concebida como castigo por um erro cometido, entre os pais ou algum familiar, a justificativa de ter um filho diferente. Se a pessoa fosse má mereceria um filho com deficiência ou as mais diferentes aberrações. A Bíblia, conforme traz Botelho (1991), reforça os ensinamentos do judaísmo-cristão quando apresenta que dos 22 milagres com curas e exorcismos creditados a Jesus Cristo, oito referiam-se a cura dos cegos, surdos, mudos e gagos, sendo que outros se referiam as paralisias e possessões.

Conforme Resende (1996), a sociedade desenvolve vários sentimentos em relação às pessoas portadoras de deficiência. Vítimas ou heróis, dignos de pena ou inspiradores de sentimentos de culpa e rejeição, infantilizados, subestimados,

considerados incapazes. São pessoas sempre encaradas como um caso à parte, nunca como apenas pessoas, iguais às outras. Essa dualidade é expressa também nas oposições entre bem x mal, rejeição x piedade, superproteção x abandono, marcando concepções historicamente constituídas desde a Antigüidade. Séculos e séculos de ignorância e conceitos errados ainda fomentam uma série de conceitos equivocados.

Não obstante, os grandes avanços em relação aos estudos científicos para a compreensão das deficiências ainda são insuficientes para a desmistificação. Como no caso da Síndrome de Down (SD), idéias antiquadas e obsoletas sobre a condição das pessoas com esta deficiência ainda circulam entre a população. Segundo Mustacchi (2000, p.880), “a síndrome de Down é uma das anomalias cromossômicas mais freqüentes encontradas e, apesar disso, continua envolvida em idéias errôneas”.

Como já ressaltado, no Brasil, segundo os resultados do Censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 14,5% da população brasileira têm alguma deficiência física ou mental, ou seja, trata-se de uma população de 24,5 milhões de pessoas. Dentro deste grupo, estima-se que haja, entre os 170 milhões de brasileiros, cerca de 300 mil pessoas com a síndrome de Down (www.bbcbrasil.com).

Pimentel (2003) aponta alguns mitos que cercam as pessoas que nascem com esta síndrome: as crianças com Down são mais boazinhas que as outras; a maioria das crianças com síndrome de Down nasce de mulheres mais velhas; a síndrome de Down é uma doença; as pessoas que nascem com a síndrome de Down morrem cedo; uma pessoa que nasce com a síndrome de Down é incapaz de andar, comer e se vestir sozinha.

Quando pensamos em “saúde”, logo surge a questão oposta, ou seja, “doença”. No caso das pessoas com síndrome de Down, Martins (2002, p. 51) salienta: “É importante deixar claro que a síndrome de Down não é uma doença”, nem as pessoas são vítimas ou sofrem de algum mal. Essa condição errônea de que SD é uma doença é muito difundida, inclusive na mídia e nos meios de comunicação. A abordagem, a terminologia e os conceitos utilizados por esses meios refletem e influenciam a sociedade.

Se ultrapassarmos estereótipos e coincidências aparentes, encontramos uma rica variedade de temperamentos, como em qualquer indivíduo. Voivodic (2004), afirma que não há como traçar um perfil de comportamento e personalidade identificador de pessoas com a síndrome de Down, nem tampouco generalizar características comportamentais a todos que têm essa síndrome, deixando de considerar a singularidade de cada ser humano.

Esta breve retrospectiva sobre o mito imbuído às pessoas com deficiência, especialmente abordado com o portador de SD, tentou desfazer o conceito errôneo de limitação e incapacidade. É sabido que as empresas estão cada vez mais exigentes com relação aos seus trabalhadores, visto a vasta oferta de profissionais disponíveis no mercado.

As empresas estão procurando pessoas dinâmicas, quase completas. São muitas as características de um bom profissional, dentre elas a pontualidade é um dos pressupostos básicos das boas maneiras e estabelece cada vez mais o diferencial de comportamento para aqueles que se destacam no mundo corporativo. Pontualidade também significa cumprir prazos para a entrega de relatórios, projetos, produtos e serviços.

As formas como as pessoas estabelecem e mantêm as relações interpessoais também são características desejadas. Cada vez mais o trabalho em equipe está sendo valorizado por, quase sempre, produzir melhores resultados do que o trabalho individual. Interagir adequadamente com a equipe de trabalho consiste em um meio de interação social, compartilhamento de responsabilidades, troca de conhecimentos e desenvolvimento de capacitação para a solução de problemas.

O quadro abaixo demonstra que as pessoas com deficiência estão aptas a desenvolver suas atividades laborais, desfazendo o mito de improdutivas. Neste sentido, é possível observar que 100% das respostas da pesquisa apontam que os profissionais com alguma deficiência sempre atendem os prazos estipulados. Outra característica importante é que, em 100% dos casos, as pessoas com deficiência interagem adequadamente com a equipe de trabalho ao qual está inserida.

Profissionais Portadores de Deficiência Características identificadas no perfil profissional da PPD

Pontualidade Assiduidade Dedicação

Cumprindo com rigor estes atributos profissionais, o trabalhador demonstra dedicação e comprometimento, revelando elegância e seriedade. No que diz respeito aos indivíduos que portam algum tipo de deficiência, as competências, cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho, aparecem como características predominantes em seu perfil profissional.