7 Institute for Social Research
7.3 Research group: VELFERD
As próximas amostras de excertos extraídos do Nei Jing (2007) e de suas versões ocidentais mostram o texto parcial contendo o tema central do taoísmo wu xing 五 行 cinco fases, também cinco agentes. Primeiramente, mostra-se o trecho selecionado em chinês tradicional do texto matriz Nei Jing (2007), a tradução ao português, a amostra a versão ocidental de Veith (1973), a de Ung e Chamfrault (1973) em procedimento de cotejos.
Inicia-se com a apresentação do capítulo 5, das Questões Simples na versificação a temática central do taoísmo assimilado no Nei Jing (2007) o wǔxíng 五行. A amostragem é do capítulo cinco, pois, é o capítulo que discursa o assunto wǔxíng. Traduz-se por “cinco fases”, de acordo com o contexto original textual.
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Veith (1973a: 17; 1973b: 27)
Nature has four season and Five elements. In order to grant a long life the four seasons and the five elements store up the power of creation within cold , heat, excessive dryness, moisture, and wind.
A natureza tem quatro estações e cinco elementos. A fim de proporcionar uma longa vida, as quatro estações e os cinco elementos acumulam o poder da criação existente no frio, no calor, umidade e vento.
(1) O céu tem quatro estações e cinco fases (wǔxíng).
(2)Para nascer, crescer, recolher e guardar.
(3)Para nascer o frio, o calor, o seco, a umidade e o vento. 天 有 四 時 五 行 以 生 長 收 藏 以 生 寒 暑 燥 濕 風 (3)(2)(1) (1) tiān yǒu sì shí wǔ xíng (2)yǐ shēng cháng shōu cáng (3)yǐ shēng hán shǔ zào shī fēng
Cotejos do wuxing nas Questões Simples,
138 (1) tiān yǒu sì shí wǔ xíng (2)yǐ shēng cháng shōu cáng (3)yǐ shēng hán shǔ zào shī fēng 天 有 四 時 五 行 以 生 長 收 藏 以 生 寒 暑 燥 濕 風
(1) O céu tem quatro estações
e cinco fases (wǔxíng).
(2)Para nascer, crescer, recolher e guardar.
(3)Para nascer o frio, o calor, o seco, a umidade e o vento. (3)(2)(1)
Le cosmos presente quatre saison et cinque élements durant lesquels Il nait (em printemps), Il croît (en ête), il absorbe (en automne), et conserve ( en hiver) et engendre de froid, la chaleur, la sechese, l’humité et Fong.
O cosmos apresenta quatro estações e cinco elementos durante os quais nasce (na primavera), cresce (no verão), absorve (no outono) conserva (no inverno) e engendre o frio,o calor, a secura, a umidade e o Vento.
Questões Simples, capítulo 5
Wáng Bing 2007: 21 Ung e Chamfrault (1973: 32)
(1) gù tiān yǒujīng (2)dì yǒu xíng (3)tiān yǒu bā jì (4)dì yǒu wǔ lǐ 故 天 有 精 地 有 形 天 有 八 紀 地 有 五 理
(1) Assim, o céu tem sutilezas, (2)a terra tem forma
(3)O céu tem oito reguladores (4)A terra tem cinco
organizadores
(4)(3)(2)(1)
In Heaven there are ethereal spirits; upon earth is form and shape . In Heaven there are eight regulators; upon earth there are five principles.
No céu há espíritos etéreos, na forma há forma e configuração. No céu há oito reguladores; na terra há cinco princípios.
Veith (1973a: 122; 1973b: 31) Questões Simples, capítulo 5
139 (1) wǔ yùn xiāng xí 五 運 相 襲 Os cinco movimentos progridem e se sucedem com regularidade.
The interaction of the Five elements brings harmony and everything is in order.
A interação dos cinco elementos origina harmonia e tudo fica em ordem.
Veith (1973a: 136; 1973b: 47) Questões Simples, capítulo 5
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II.5 Resumo
As amostras de trechos textuais no formato de cotejos foram mostradas com o texto matricial e as suas versões descontetxtualizadas ocidentais. Foram apresentadas para evidenciar as modificações culturais, de difusão cultural, além de semântico-linguísticas nas temáticas do taoismo assimiladas no Clássico Interno Wáng Bing (2007) com a presença dos sinogramas dào, a expressão completa ou parcial do yīnyángqì e do wǔxíng ocorridas por meio do deslocamento cultural e religioso na recepção versiva do texto. São modificações contextuais culturais e semânticas ocorridas na transplantação cultural-religiosa da obra materna do Nei Jing, do chinês antigo ao moderno e do chinês antigo para versões de recepção alfabético-ocidentais atuais. Foram caracterizadas as amostragens da textualidade original das amostras dos excertos das versões previamente selecionadas da obra base, na ordem seguinte. Primeiro, as versões inglesa e portuguesa de Veith respectivamente (1973a; 1973b). Segundo, a francesa Ung e Chamfrault (1973).
Há presença na transculturação da textualidade do mesmo com possível favorecimento para os eventos de dexcontextualização ressignificada, na inclusão de conceitos prvalecentes da cultura e pensamento do ocidente da física corporal, da medicina moderna estandartizada. Talvez, até mesmo pela dificuldade nas traduções do idioma sinogramático na retextualização ao idioma alfabético indo-europeu descaracterizando o outro pensamento de singularidade cultural chinesa antiga, que consiste na outra maneira de viver e saber-fazer, outro modo viver e de racionalidade, o pensamento do taoísmo antigo da correlatividade, circularidade do pensar, como aquele expressado na composição estética chinesa, discutido no capítulo primeiro da tese.
Enquanto que, na obra original estão presentes conteúdos ligados à forma com a escrita de correlação do pensamento chinês oriunda da cultura singular e pensamento antigo chinês caracterizado pelas correlações não lineares, diagramáticas e de combinações de caracteres chineses, de valores de
141 polissemia que são diferentes à cultura ocidental, europeias que produz a uniformidade do encadeamento alfabético linear indo-europeu. Decorre disso, as traduções inadequadas de equivalência, como nas traduções do tema do taoísmo do 氣 qi no Clássico Interno. Observa-se como exemplo, que nas versões sobre o tema do qì ocorre a tradução feita com equivalentes invariantes como em Veith (1973a; 1973b), “força”, “vigor”, “força vital”, “mau odor”, “vaporização”. Em Ung e Chamfrault (1973), o equivalente tradutivo para o qi de “energia”, “energia vital”. Na obra matricial procurou se preservar a originalidade da polissemia do qì e foi contextualizada mantendo-se a legitimidade e autencidade na tradução pelo autor da tese, com o pensamento ancestral do taoísmo e do cultural chinês antigo por “sopro”, “sopros”, “vento- sopros” ou “sopros do vento”, segundo estudos culturais, lingüístico-filológicos e de (Rochat 2009), (Larre e Rochat 1993) Despeux e Obringer (2000).
Além disso, nota-se claramente a ocorrência de recontextualização cristianizada na textualidade ocidentalizante das versões modernas do Clássico Interno, de caractere anacrônico, isto é, com a adaptação do pensamento e linguajar moderno no contexto antigo e de outra cultura. O fenômeno ocorre na transcrição da recepção textual das versões supracitadas. Os eventos transculturais de difusão cultural de uma cultura antiga chinesa para outra cultura diferente, com éo caso da europeia atual. Por meio de procedimentos de cotejos seguidos de análises crítico-comparativas realizados entre os excertos nos mesmos, previamente selecionados do Clássico Interno, que contém assimilações de temáticas da cultura de origem com o pensamento taoístas, contendo sinogramas, numa estética chinesa comparada às suas versões modernas, como na tradução inglesa e em português de Veith (1973a, 1973b), a tradução francesa de Ung e Chamfrault (1973) com a ocorrência da difusão religiosa e cultural do texto original a recepção da cultura ocidental, do seu idioma alfabético indo-europeu que não correspondem aos sinogramas antigos chineses do texto original. Passa-se, então, ao terceiro capítulo com o coneitual de base da cultura e diferença cultural e exemplificação.
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III O Problema da Diferença Cultural: Reflexões Teóricas e Exemplificação III.1 Introdução
O Clássico Interno, texto de medicina chinesa, fruto do taoismo de originalidade da fecundidade cultural chinesa da antiguidade preserva a sua autenticidade na recompilação de Wáng Bing dos Táng. Porém, as suas versões ocidentais nos idiomas em francês inglês e em português que serão submetidas à análise comparativa entre as traduções do idioma chinês antigo materno portam circunstâncias processuais problemáticas no que concerne que essas traduções de recepção indo-européias do Nei jing são acolhidas em cultura diferente da cultura materna do texto, no tempo e no espaço cultural.
O fenômeno de modificação ocorrido com o texto original na mobilização de uma cultura para outra instrumentalizada pela tradução aos idiomas de chegada à Europa atual, de uma cultura diversa da China Antiga, por sua vez advinda de uma cultural ancestral apresenta suas dificuldades entre as diferenças culturais e de tradução. Por essa razão inicia-se pelo construto da base conceitual de cultura caracterizando-a, assim, também será feito com as diferenças culturais para explicitar o fenômeno cultural e de tradução. Pois, há problemática em jogo entre as duas culturas, a da China antiga e a da Europa atual, em relação ao texto materno e os textos de recepção.
A elaboração da formulação da base conceitual realiza-se com a apropriação em teorias sobre conceitos cultura e diferença entre as culturas. Com a apropriação de modelos teóricos embasados nas teorias de Bastide (1998), Montgomery (2007), Jullien (2010, 2012), Holton (2000), Bayly (2003), Kristeva (1969), Lackner (1991), Hsu (1992) as reflexões teóricas permitem ser explicativas para a problemática do fenômeno de translação do Nei jing escrito em chinês antigo para as versões europeias recentes. Assim, as dimensões culturais da filosofia, medicina, estética e linguística fornecem subsídios explicativos e ilustrativos na diferenciação das duas culturas envolvidas no evento complexo e intrincado da transladação do Clássico Interno original de contexto sinogramático para as versões de recepção da cultura européia nos seus respectivos idiomas alfabéticos europeus.
143 A exemplificação é a etapa da aplicação da teorização que contribui na elucidação com as amostragem das características culturais com as suas dimensões filosóficas, medicinais, estéticas e linguísticas da China Antiga contemporizada ao ser comparada com a Grécia Antiga, pois o texto Nei Jing é dessa época, como também com a Europa atual, pois as suas versões são dessa cultura e deste período contemporâneo. Começa-se, então com a base conceitual.