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Research group: International Management of Natural Resources

6 Fridtjof Nansen Institute

6.3 Research group: International Management of Natural Resources

A segunda tradução ocidental do Nèijìng a ser apresentada, é a do livro Traité de Médecine Chinoise de autoria de Ung e Chamfrault (1973), que teve a sua primeira publicação em 1957. A edição selecionada foi a de 1973. A última publicação difundida nos países de idiomas franceses foi em 2002. No seu Tome II, do Traité de Médecine Chinoise encontra-se a tradução francesa do Nei Jing denominada Les Livres Sacrés de Médecine Chinoise (1957).

II.3.1 Aspectos Formais da Versão de Ung e Chamfrault

A versão francesa do Nèijìng realizada por Ung e Chamfrault (1973) denominada Les Livres Sacrés de Médecine Chinoise (1957). O Tome II, contém a primeira parte com oitenta e um capítulos traduzida com a transliteração de Neï Jing, segundo Ung e Chamfrault (1973: 305). Fazem referência ao título resumido da sua segunda parte da obra. A tradução não é o mesmo termo transliterado em chinês da segunda parte que deveria ser Ling Shu correspondente a segunda parte da obra de Wang Bing (762 d.C.). Possui outros diversos significados. (Guilloux 2011).

O texto traduzido ao idioma francês por Ung e Chamfrault do texto matriz foi vertido no estilo em prosa, não versivo, distinto do contexto da obra de Wáng Bing (762 d.C.). Os tradutores Ung e Chamfrault omitem os primeiros versos do

125 primeiro capítulo do Nèijìng (762 d. C.). Além disso, outros trechos foram excluídos noutros setores da tradução, como os primeiros seis versos do primeiro capítulo do Sùwèn de Ung e Chamfrault (1973:17). Noutras partes textuais da sua versão fazem traduções “esquemáticas”, conjuntamente a traduções parciais ao idioma francês, mas sob uma proposta de Ung no prefácio da obra tradutória de ser uma versão completa do Nèijīng de Wáng Bing (Ung e Chamfrault 1973: 11). Porém, a versão francesa de Ung e Chamfrault não atinge seu objetivo tradutório. Ela não é a versão completa do Nèijīng original. A tradução ocidental dos coautores tem sido muito difundida, ainda nos países francófonos.

II.3.2 Aspectos Fundamentais da Versão de Ung e Chamfrault

A versão francesa de Ung e Chamfrault considera o texto uma “obra sagrada” de medicina que aborda temáticas dos “diferentes pensamentos filosóficos da China Antiga do confucionismo, escola do yinyáng, escola dos cinco elementos, escola taoísta”. O texto “abrange a anatomia, fisiologia, patologia, para fundar a própria doutrina destas diversas correntes de pensamento sobre a noção de Energia” (Ung e Chamfrault 1973: 12). A noção doutrinária de energia segue conceitos da física corporal, de modo dexcontextual com um equivalente tradutivo ao qi para o idioma francês de “Energia”, ainda escrito na maiúscula, também funciona em decorrência da difusão e translocação cultural- religiosa do Nèijìng para a tradução francófona.

Os autores da versão francesa escrevem que os taoístas “médicos descreveram a forma dos órgãos internos, eles notaram um papel importante das artérias, veias e dos nervos e descreveram os seus trajetos de ramificação no corpo inteiro”. Estes conceitos pertencem à medicina ocidental, entendem desse modo descontextualiza o conteúdo temático do taoísmo da obra original. Também descrevem, segundo afirmam os autores “o trajeto de energia nos meridianos”. (Ung e Chamfrault 1973: 12). O termo meridiano é um neologismo de Morant (1939) descontextualizado do texto matricial chinês na “reinvenção” do termo “energia vital”. O tradutor chinês nacionalista Ung afirma no prefácio do “livro sagrado” de medicina, o Nei Jing.

126 São as energias de cada órgão que triunfam um ao outro, seguindo uma ordem determinada, o mesmo que os cinco elementos são regidos pelas intereações dterminadas. Na terminologia atual poderia se comparar estas interdependências aos reflexos condicionados determinadas pelas influências nervosas (Ung e Chamfrault 1973: 13).

O coautor Ung reafirma que se baseia em conceitos biomédicos, estandartizados e modernos da ciência, o que consiste uma descontextualização de sua tradução. Ainda, afirma Ung, no prefácio que ele traduz o caractere chinês qi no conceito ocidental da energia, acrescenta que na visão dos taoístas no texto original “eles mantém a energia humana que eles chamam de energia vital” (Ung e Chamfrault 1973: 14). O qì recebe uma nova versão. Confirma Castiglioni o que foi afirmado anteriormente, da seguinte maneira citado no prefácio da versão francesa de Ung e Chamfrault (1973).

É com as mais estranhas interferências e com os mais extraordinários retornos que o pensamento médico foi do demonismo dos antigos à terapêutica sugestiva dos modernos, da organoterapia bíblica à opoterapia, da patologia humoral de Hipócrates à endocrinologia. Seguem a idéia de profetas audaciosos, de precursores geniais, de precursores que pareciam esquecidos hoje revém à luz (Castiglione apud Ung e Chamfrault 1973: 15)

Afirma, ainda, Ung no prefácio da versão francesa de Ung e Chamfrault (1973) que “a medicina de nossos dias é universal, e tem um só início: o conhecimento do homem físico no seu todo, inteiro”. (Ung e Chamfrault 1973: 15). Expõem, novamente, conceitos europeus da física corporal.

II.3.3 Os Tradutores Ung e Chamfrault da Versão Francesa

O coautor da versão francesa do Nèijìng na sua primeira edição (1957) é o médico chinês nacionalista Ung Kang Sam, o qual infelizmente não recebe os mesmos louros pelos críticos literários de sua obra ocidental de tradução do Nei Jing (762 d.C.) em sua época. Ele possui um estatuto secundário em

127 relação ao médico francês Albert Marie Pol Camfrault. Pois, Chamfrault exigia que as obras em chinês de medicina tradicional chinesa, por ele consideradas como “textos sagrados médicos chineses”. Para Chamfrault as obras chinesas sagradas deveriam ser traduzidas sob a supervisão de uma autoridade médica francesa. (Candelise 2008)

A mãe de Chamfrault casou-se com médico homeopata que o influenciou em estudar a medicina e a homeopatia. Então, formou-se em 1888 em medicina, além disso, era filósofo e poliglota sabia o latim e o grego. Logo se interessa pela acupuntura sob a influência do sobrinho neto de Julius Verne, o médico homeopata e acupunturista Roger de La Füye (1890-1961), este que aprendeu acupuntura com o sinólogo Morant (1878-1955). Chamfrault ingressa no serviço militar no Vietnam e conhece o médico formado em medicina ocidental moderna, o letrado chinês nacionalista Ung Kang Sam, o qual viria a ser o co- autor da versão de livros chineses, segundo eles próprios os consideravam “sagrados”, como o Nei Jing. Escrevem cinco tomos sendo que nessa perspectiva surge o termo, já mencionado anteriormente, “texto sagrado de medicina chinesa”. Também, houve a publicação de outros livros, mas didáticos ocidentais, além da versão do Nei Jing feita por Ung e Chamfrault (1957), entre os cinco tomos publicados por Chamfrault sem a participação de Ung teve a colaboração do vietnamita nacionalista naturalizado francês Van Nghi (1909-1999), médico formado na Faculdade de Hanoi no Vietnã e na Faculdade de Montpellier, na França em 1940. (Chamfrault e Nghi 1969). Ambos escreveram “L’Énergetique Humaine en Mèdecine Chinoise ” publicada em 1969.

O tradutor francês Chamfrault teve preocupações de difusão da sua maneira de entender a acupuntura chinesa na França e Alemanha como “acupuntura tradicionalista” juntamente com as idéias neo-figuristas, vitalistas materialistas e biomédicas herdadas da homeopatia francesa de seu padrasto homeopata, bem como, da física e biomedicina do seu tempo. Ele procurou fazer a hegemonia e a política da acupuntura na Europa de sua época, além de se empenhar na tentativa de oficialização da acupuntura como exclusividade da

128 medicina na França, Alemanha e em outros países europeus. Chamfrault, também funda revistas, sociedades, boletins de acupuntura. (Guilloux 2011)

II.4 Os Excertos em Cotejos da Tradução dos Temas do Taoísmo no