4 CMI Chr. Michelsen Institute
4.2 Research group: Rights and Gender
Os quatro movimentos dos sopros transformam-se, desenvolvem-se nesse contínuo processo numa outra fase do yinyáng o wǔxíng (五行), fundamento da correlação chinesa traduzida por “cinco fases” ou “cinco agentes”, como estatuto de ciclos sucessivos. Os cinco agentes de atividades que permitem o caminhar do tempo, a partir do qì. O termo wǔ (五) traduz-se por cinco e corresponde à quinta fase de movimentação dos sopros. Enquanto que, xíng 行
90 traduz-se por “ir”,“andar”, caminhar, “funcionamento”. Nesse estágio do processo, cada uma das cinco fases num “ciclo de sucessão” recebe uma denominação chinesa. Dentre esses cinco sopros interrelacionados num ciclo de geração mútua (xiāngshēng 相 生) permite o surgimento do primeiro yáng nomeado “madeira” (mú 木) com a noção de surgimento (sheng 生) das coisas pelo movimento dos sopros ou primeiro yáng, do chinês antigo shao yang, o qual gera (sheng 生) no seu interior e assim manifesta o segundo yang, o “fogo” (huo 火), ou tai yang, a plenitude do yángqi. Este com a noção da expansão dos sopros (qi) que gera no seu interior e assim manifestam o primeiro yin, o shao yin, o “metal” (jin 金) que gera o segundo yin, que atinge o seu apogeu, tai yin, a água (shui). Da união dos “quatro sopros” surgem o “quinto sopro”, a “terra” (di), nem planeta, nem solo, que nada tem em comum com a rhizomata grega. Assunto que será retomado no capítulo III, da tese. A fase da terra é a quíntupla fase dinâmica dos sopros rítmicos (Rochat 2009).
A noção do wǔxíng traduzido por cinco fases, também conhecida pela sabedoria do taoísmo de cinco organizadores (wǔlǐ) ou cinco movimentos (wǔ yùn 五 運) dos sopros yinyáng permite o nascimento, crescimento, decréscimo das dez mil coisas nas inter-relações em correspondências correlativas. São relações de geração, de conquista ou destruição. Cada agente ou fase gera o seu sucessor, também conquista e é destruído pelo agente correspondente num ciclo de correlações de “dominância mútua” (xiāngkè 相克ou xiāngshèng 相 勝). Assim, a madeira gera o fogo que gera a terra que gera o metal que gera a água. A madeira, por sua vez, destrói a terra, a terra destrói a água, a água destrói o fogo, o fogo destrói o metal e o metal destrói a madeira. Dessa maneira cíclica as coisas se relacionam e também regulam as relações humanas. Como agente que gera passa a ser nomeado de “mãe” e o engendrado de “filho”, como na imagem da mãe como o dào, conforme visto anteriormente. Também, o que destrói ou conquista é o “dominante”, o conquistado é o “dominado”. Como exemplo, a madeira gera o fogo, então madeira é “mãe do fogo” e fogo “filho da madeira”. Também a madeira domina a terra e a terra é dominada pela água, a água domina o fogo que é dominado
91 pela água, como se pode observar na tabela de correspondências mútuas das cinco fases nos ciclos de geração e dominância (Kalinowiski 1991).
Tabela 6: Correlação-cosmológica chinesa de engendramento e de controle entre as cinco
fases
(Cf Rochat 2009: 114-177; Kalinowiski 1991: 143-447)
As cinco fases consolidadas na correlação das cinco fases do taoísmo durante os Reinos Combatentes. Depois, na dinastia Hàn permitem explicarem-se os movimentos e mudanças, segundo a correlação chinesa, nas relações das coisas, os eventos no mundo e dos humanos. Assim “guiar” (導 dào, homófono de dào 道) as condutas humanas para se ficar em conformidade com o dào assegurando-se a vida regulada pelo mesmo, por sua espontaneidade (Major 1976).
A partir disso desenvolve-se a correlação chinesa que foi iniciada pelos fang shi nas práticas ritualísticas, de inteligibilidade singular da China da antiguidade. Foram aprimoradas pelos taoístas da escola de sabedoria dos Reinos Combatentes até a dinastia dos Hàn. Depois, foram aplicadas no pensamento médico da medicina tradicional chinesa. (Major 1991).
A correlação do pensamento taoísta do yīnyàng e cinco fases relacionam o céu-terra ao homem numa condição de interdependência e de ressonância. Derivada da escola yinyángjia a noção de gǎnyìng segue a continuidade do conhecimento do processo, como sendo uma correlação contínua de pensamento circular, não-linar. O termo em chinês (gǎnyìng 感應) traduz-se por “ressonância”, “consonância” ou ainda “incitação-resposta” que consiste na “relação homem-céu”. O termo ji 際 na expressão “relação homem-céu” tem
Fase Fase geradora (mãe) Fase geradora (filho) Fase dominante Fase dominado madeira água fogo terra metal Fogo tmadeira terra metal água Terra Fogo metal água madeira metal Terra água madeira fogo água metal madeira fogo terra
92 sentido de “entre-dois”, “união”, “ocasião”, “junção” e faz referência a cosmologia taoísta da ressonância, a qual é noção central no pensamento chinês cosmológico que implica na correspondência (xiāngyìng 相應) entre todas as coisas e na “ação-resposta” mútua entre as mesmas. Por isso, o termo ressonância (gǎnyìng 感應) ou incitação-resposta na explicação cosmológica no contexto do taoísmo antigo recebe a figura como sendo um “som ecoado” espontaneamente, como num tubo sonoro, de modo que o emissor funciona espontaneamente e todas as outras coisas em resposta seguem seu curso adiante em consonância com este “som, ou sopros”. Pois, todas as diferentes coisas possuem a mesma origem, nos sopros originais. Estas se inter-relacionam e se influenciam umas às outras coisas, de maneira a permanecer em concordância ou consonância com o tao, a totalidade da ressonância. O homem sábio em posse do dào ou da espontaneidade encontra-se num estado de “mútua ressonância” com todas as coisas e com o próprio tao. As relações ocorrem por intermédio dos sopros com as suas duas qualidades, os sopros yīn e sopros yang (yàngqi) manifestados espontaneamente pelo dào (Graham 1992).
As correspondências (xiāngyìng 相 應) entre as coisas segundo Graham na interpretação do capítulo 6, de Huáinánzǐ ativam-se mutuamente (xiangying 相應) pelo fato de compartilharem o mesmo sopro. A noção da ressonância relaciona o homem em contínua união com o dào, corresponde ao céu-terra por meio de “correspondências”, assim faz “eco” e “responde” entre ele e o mundo (Graham 1989: 155). Pode-se notar no cotejo seguinte a maneira do discurso taoísta de Huáinánzǐ 1, na tradução de Rochat (2006) sobre as cinco fases provenientes da cosmologia correlativa e a ressonância que há entre a eficiência do dàodé e a formação das cinco fases.
93 As cinco fases associam-se segundo Huáinánzǐ à noção de correspondências e de ressonância na relação céu, terra advindos espontaneamente da eficácia do dào e o homem oriundo do equilíbrio das duas fases do único e o mesmo qì, o yīnyáng com a distribuição regular das diferentes qualidades do qì na formação das quatro estações sintonizadas na correlação da cosmologia do taoismo das cinco fases. Segue a tabela 7, de correspondências das cinco fases, entre o céu, a terra e o homem.
Tabela 7: Correspondências cosmológicas das cinco fases no céu, na terra e no homem
Fase estação direção cor planeta Víscera
yīn Víscera yáng Parte do corpo madeira primavera Leste verde júpiter fígado Vesícula
biliar músculo Fogo verão Sul vermelho marte coração Intestino
delgado Vias do sopro Terra quinta
estação
Centro amarelo saturno baço estômago carne metal outuno Oeste branco vênus pulmão Intestino
grosso pele, pelos
Água inverno Norte Preto mercúrio rim bexiga ossos,
medula (Cf Rochat 2009: 114-177; Kalinowiski 1991: 143-447)
As correlações são muito abrangentes com todas as coisase entre as mesmas numa condição de relação mútua do processo espontâneo de ressonância existente no céu, na terra e no homem (Major 1991). Por essa razão, a tabela
Huáinánzǐ apud Rochat 2006: 49 其 德 優 天 地 而 和 陰 陽 節 四 時 而 調 五 行
(1) A sua eficiência (dé) dá generosamente ao céu terra a harmonia
do yīnyáng,
(2) articula as quatro estações e sintoniza as cinco fases.
(1) qí dé yōu tiān dì ér hé yīn yáng
(2) jié sì shí ér diào wǔ xíng
(2) (1)
94 acima serve apenas de finalidade didática para esclarecimento do pensamento chinês das correspondências das cinco fases, entre o homem em relação mútua com o céu, terra.
As noções do dáo, yīnyángqì, do wǔxíng foram anteriormente explanadas são pertencentes à sabedoria chinesa, do pensamento do taoísmo que se assimilaram ao Clássico Interno, pouco a pouco foram se desenvolvendo. As correspondências de correlação pertencentem a singularidade, a fecundidade cultural chinesa, da inteligibilidade dos sábios da Antiga China. (Jullien 2012).