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A coleta de dados pode ser dividida em duas fases distintas:

• fase teórica: fundamentalmente voltada para a revisão de literatura e a acumula-

ção conceitual necessária para propor um modelo de análise, com a identificação dos ativos intangíveis críticos para a formação do capital intelectual dos cursos

de mestrado profissional em administração e também a identificação prévia de um rol de indicadores de capital intelectual para ser utilizado pelo modelo;

• fase prática: realizada em campo, com o objetivo de colher a opinião de

professores e coordenadores dos cursos de MPA no Brasil a respeito das variáveis utilizadas pelo modelo proposto.

No decorrer da primeira fase da coleta de dados, buscou-se, por meio da pesquisa bibliográfica, entender como diversos autores enxergavam as diferentes dimensões do capital intelectual dentro das organizações e, em um segundo momento, dentro das IES.

Ainda nessa fase, optou-se também por trabalhar com a análise documental, que, de acordo com J. Chaumier, citado em Bardin (2011), é um “conjunto de operações visando representar o conteúdo de um documento sob uma forma diferente da original, a fim de facilitar, num estado ulterior, a sua consulta e referenciação”.

Tendo como base metodológica a análise de conteúdo, a pesquisa documental foi aplicada para viabilizar a identificação dos ativos intangíveis críticos que deveriam ser definidos para avaliar o capital intelectual dos cursos de mestrado profissional de administração. Desse modo, foram pesquisados diversos documentos, dentre eles:

• os critérios de avaliação utilizados pela CAPES e aplicados aos cursos de MPA

no Brasil;

• a legislação austríaca que implementou a obrigação da divulgação do capital

intelectual para suas universidades;

• os critérios de avaliação utilizados pelas principais agências acreditadoras de

cursos de pós-graduação em administração no mundo.

Compartilhando o entendimento de Sánchez, Chaminade e Olea (2000), segundo o qual não é possível conhecer o capital intelectual de uma organização sem a identificação prévia de seus objetivos estratégicos, a fase teórica da coleta de dados contou, ainda, com o auxílio de um importante documento que é elaborado pelas IES periodicamente, chamado de Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).

Ademais, pode-se dizer que o processo para a escolha dos indicadores foi bastante semelhante ao dos ativos intangíveis críticos, sendo dividido em duas etapas:

• primeira etapa: os indicadores foram selecionados e definidos com base na pes-

quisa documental e também a partir da contribuição dos entrevistados no processo de validação do instrumento de pesquisa;

• segunda etapa: foram escolhidos os indicadores que irão constar no modelo final

de capital intelectual, por meio de pesquisa de opinião realizada com professores e coordenadores de cursos de MPA no Brasil.

Na segunda fase da pesquisa, optou-se por trabalhar com a aplicação de um questionário, seguindo a linha de pesquisa adotada por Huang, Luther e Tayles (2007), Sánchez, Castrillo e Elena (2006) e Córcoles, Peñalver e Ponce (2011), para a definição das variáveis do modelo. No entanto, o universo deste estudo foi compreendido pelos professores e coordenadores de cursos de MPA no Brasil, para saber a opinião deles acerca de três quesitos:

1. Qual a relevância de cada um dos ativos intangíveis utilizados para a avaliação de um curso de mestrado profissional em administração no Brasil.

2. Qual a relevância de cada um dos indicadores de capital intelectual selecionados para avaliar os ativos intangíveis mencionados no item 1.

3. Qual o nível de dificuldade atribuído à coleta dos dados e informações necessários à elaboração dos indicadores de capital intelectual mencionados no item 2.

A lista de indicadores de capital intelectual elaborada levou sempre em consideração as dimensões do CI definidas por Sveiby (1997) – capitais estrutural, humano e relacional −, enfatizando sua distinção entre recursos e atividades intangíveis, conforme entendi- mento apresentado pelo projeto MERITUM (COMISSÃO EUROPEIA, 2006).

Segundo Pinsonneault e Kraemer (1993), a utilização do questionário pode servir para a obtenção de opiniões de um determinado grupo de pessoas, indicado como represen- tante de uma população-alvo.

O questionário estruturado foi construído a partir da elaboração de perguntas preponderantemente fechadas, embora tenha incluído uma pergunta aberta para que os respondentes pudessem colocar sua opinião, caso entendessem que faltavam variáveis de análise para a avaliação do capital intelectual que não foram incluídas no instrumento de pesquisa.

O questionário, que se encontra no apêndice desta tese da mesma maneira como fora apresentado aos respondentes, contou com 128 questões, assim distribuídas:

a) duas questões, sendo uma aberta e outra fechada, para saber o curso que o respondente leciona ou coordena e seu tempo de experiência neste curso de MPA, respectivamente;

b) duas questões fechadas para saber o nível de conhecimento do respondente acerca do tema pesquisado e também saber sua opinião sobre a importância da avaliação do capital intelectual nas instituições de ensino;

c) cento e vinte e duas questões fechadas para avaliar a relevância de cada um dos ativos intangíveis utilizados para a avaliação de um curso de mestrado profissional em administração no Brasil (10 perguntas), a relevância de cada um dos indicadores de capital intelectual selecionados para avaliar esses ativos intangíveis críticos (56 perguntas) e o nível de dificuldade atribuído à coleta dos dados e informações necessários à elaboração desses indicadores (56 perguntas); d) uma questão fechada para saber se o respondente considera existir hierarquia

entre as dimensões do capital intelectual;

e) uma questão aberta que permite ao respondente adicionar algum ativo intangível ou indicador que ele considere relevante e que não tenha sido incluído no questionário.

Embora as pesquisa realizadas por Huang, Luther e Tayles (2007), Sánchez, Castrillo e Elena (2006) e Córcoles, Peñalver e Ponce (2011) tenham utilizado a escala de opinião tipo Likert para estruturar suas perguntas, neste trabalho, optou-se por utilizar essa ferramenta apenas nas questões indicadas na letra b, quando os entrevistados puderam expressar suas opiniões em escalas que variaram entre cinco níveis, sendo o termo

“nenhum” relacionado à mínima significância e o termo “total/excelente” relacionado à máxima significância no que tange ao objeto avaliado.

A maior parte das questões, compreendida por aquelas indicadas na letra c, foram elaboradas por escalas contínuas de valores. O respondente avaliou a importância dos indicadores e dos ativos intangíveis listados, concedendo um grau, que variou entre 0 (zero) e 100 (cem), sendo o grau 0 (zero) atribuído ao indicador ou ativo que não possui qualquer importância para avaliar o capital intelectual de um curso de mestrado profissional em administração no Brasil e 100 (cem) ao indicador ou ativo que tem total importância para sua avaliação.

Para avaliar a dificuldade relacionada ao processo de coleta dos dados para a elaboração dos indicadores, o respondente também atribuiu um grau que variou entre 0 (zero) e 100 (cem), sendo o grau 0 (zero) concedido ao indicador cujos dados necessários para sua elaboração não apresentem qualquer dificuldade para sua coleta dentro da instituição de ensino e 100 (cem) ao indicador cujos dados necessários para sua elaboração sejam impossíveis de serem coletados.

A aplicação desse questionário foi realizada com o auxílio do software Qualtrics™, que possibilitou o envio on-line do questionário para diversos respondentes, armazenando as respostas em uma base de dados virtual e segura. Além disso, esse software foi um dos poucos a oferecer o tipo de pergunta slide bar, capaz de facilitar o preenchimento das 122 questões mencionadas anteriormente no item c.