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O Observatório das Universidades Europeias (OEU) representa uma das iniciativas mais ambiciosas e talvez uma das mais importantes, juntamente com a experiência austríaca, no processo de desenvolvimento de um demonstrativo de capital intelectual aplicado às instituições de ensino superior. Conforme relato de Sánchez, Castrillo e Elena (2006b), quinze universidades (com participação relevante da Universidade Autônoma de Madrid) e institutos de pesquisa de oito diferentes países – Alemanha, Espanha, França, Holanda, Hungria, Itália, Portugal e Suíça – participaram desse projeto em conjunto, para analisar e elaborar uma bateria de indicadores capazes de avaliar e comparar os elementos intangíveis relativos às IES.

Iniciado em junho de 2004 e finalizado em novembro de 2006, com a publicação de um guia metodológico (OBSERVATORY OF THE EUROPEAN UNIVERSITY, 2006), essa iniciativa, com bastante influência do projeto MERITUM, das Orientações Dinamarquesas (Danish Guidelines) e do projeto RICARDIS, alcançou seu objetivo, que era criar uma ferramenta capaz de entender melhor a importância da gestão dos intangíveis nas universidades de modo a melhorar o nível de qualidade e competi- tividade nessas e entre essas instituições (SÁNCHEZ e ELENA, 2006; SÁNCHEZ, ELENA e CASTRILLO, 2009).

Ciente da complexidade de uma universidade, o Observatório decidiu iniciar o estudo pelas atividades de pesquisa, devido ao limite de tempo e orçamento, embora o objetivo geral das universidades fosse estender o projeto para suas outras missões, como as atividades de ensino (SÁNCHEZ e ELENA, 2006; SÁNCHEZ, ELENA e CAS- TRILLO, 2009).

Sánchez e Elena (2006) indicam que, para criar uma estrutura que fosse comum a todas as instituições, foi elaborado um quadro analítico organizado a partir de cinco dimensões temáticas e cinco questões transversais. Tendo como base perfis qualitativos, as dimensões temáticas são:

• recursos financeiros: todos os elementos ligados ao orçamento, incluindo-se

nesse grupo as receitas e despesas totais;

• recursos humanos: pessoal administrativo, pesquisadores, professores;

• produção acadêmica: resultados de atividades de pesquisa em todos os campos; • terceira missão: todas as atividades e relações entre as universidades e parceiros

não acadêmicos;

governança: processo no qual as universidade convertem os inputs (recursos

financeiros e humanos) em outputs (resultados acadêmicos e terceira missão).

Já as questões transversais são segregadas em:

• autonomia: grau de liberdade das universidades em alocar recursos;

• capacidades estratégicas: real habilidade das universidades para implementar

suas escolhas estratégicas;

• atratividade: capacidade da universidade em atrair recursos dentro de um

contexto de escassez;

• perfil de diferenciação: principais características de uma universidade que a

distingue das demais;

• incorporação territorial: distribuição geográfica da universidade, dos contatos,

dos colaboradores etc.

A partir dos resultados das interações entre as dimensões temáticas e as questões transversais, foi criada uma “matriz estratégica”, na qual cada uma das células continha diversas questões-chave e indicadores, totalizando 141 deles, divididos em capitais humano, organizacional e relacional. De acordo com Sánchez, Castrillo e Elena (2006b), é com base na elaboração dessa matriz que foi construído o modelo de avaliação ICU measurement framework, isto é, o modelo de avaliação de capital intelectual aplicado às universidades. No entanto, as autoras lembram que é importante

ter em mente que as universidades tiveram que adaptar os modelos às características individuais de cada uma, já que não existe homogeneização na análise em nível individual.

De acordo com Sánchez, Elena e Castrillo (2009), os indicadores foram selecionados segundo os seguintes critérios:

• viabilidade da coleta de dados, baseada na experiência de todas as universidades

que participaram do projeto;

• utilidade percebida a partir da informação fornecida por cada indicador, além

das questões relacionadas à confidencialidade dos dados utilizados, com base nos estudos realizados na Universidade Autônoma de Madrid;

• pré-julgamento para testar as características que os indicadores deveriam ter.

Os indicadores utilizados no demonstrativo de capital intelectual foram validados a partir de entrevistas realizadas com diferentes coordenadores e diretores da Universidade Autônoma de Madrid, que buscavam compreender:

• a avaliação da utilidade de cada indicador, por meio de escala Likert;

• possíveis barreiras de acesso aos dados necessários à elaboração dos indicadores,

devido a questões relacionadas à confidencialidade.

Uma vez elaborado o modelo de avaliação do capital intelectual, o próximo passo seria a construção dos demonstrativos para divulgação das informações que foram analisadas e mensuradas. O demonstrativo de capital intelectual elaborado pelo Observatório possui três partes diferentes, conforme relatam Sánchez, Elena e Castrillo (2006a). As primeiras duas partes focam nos aspectos relacionados à estratégia da instituição, apenas em informação qualitativas, relatando os dados quantitativos captados por meio de indicadores apenas na terceira e última etapa, conforme é apresentado a seguir.

I. Visão da instituição

Nessa primeira etapa, são apresentados os objetivos estratégicos, as capacidades estratégicas e os intangíveis críticos para o alcance desses objetivos. Os autores que se propõem a dissertar sobre avaliação de capital intelectual sempre atentam para o fato de que, antes de definirem os indicadores, é essencial que sejam definidos os objetivos e as estratégias da instituição, pois são eles que indicarão o rumo que a organização pretende tomar. Como afirmaram Leitner e Warden (2004): “o processo de aquisição, aplicação e exploração de conhecimento começa com a definição das estratégias específicas.”

II. Sumários dos recursos e das atividades intangíveis

A segunda etapa foca nos recursos intangíveis que a instituição consegue mobilizar e nas diferentes atividades trabalhadas com o objetivo de elevar o valor desses recursos. O objetivo é destacar os recursos do conhecimento que necessitam ser fortalecidos e listar as iniciativas que precisam ser tomadas nesse sentido.

III. Sistema de indicadores para os recursos e as atividades intangíveis

Os indicadores são separados entre os capitais humano, organizacional e relacional, mas sempre organizados de acordo com os objetivos estratégicos da instituição, sendo úteis tanto para o gestor quanto para partes interessadas externas à organização. Os indicadores permitem a comparação em duas maneiras: entre instituições, se aplicados os mesmos indicadores a diferentes universidades em um dado período; e ao longo do tempo, atuando como uma ferramenta de análise horizontal, permitindo ao analista avaliar a evolução ou involução dos dados durante o período analisado.

Figura 13 − Modelo ICU: funções e objetivos

Fonte: Sánchez, Elena e Castrillo (2006b).

O modelo de avaliação ICU measurement framework foi especialmente elaborado para questões gerenciais internas da universidade por meio de um sistema de avaliação de capital intelectual, enquanto o demonstrativo ICU report é uma ferramenta para divul- gação de informação relacionada ao capital intelectual da instituição para a comunidade em geral, elevando sua transparência e reduzindo o isolamento da instituição com o ambiente externo.

Esses modelos trazem relevantes contribuições ao estudo do capital intelectual, sendo ferramentas essenciais para sua avaliação e divulgação. Entretanto, vale ressaltar o entendimento de Cañibano e Sánchez (2009), ao avaliarem que os modelos trazem uma sugestão de lista de indicadores formada a partir da experiência das instituições que foram incluídas no projeto elaborado pela OEU. Qualquer instituição avaliada poderia ser analisada por diferentes indicadores ou, ainda, eles poderiam ser interpretados de diferentes maneiras. Portanto, é de suma importância a análise prévia dos objetivos e das estratégias das instituições, o conhecimento de seus recursos e suas atividades intangíveis e, só a partir de então, adentrar a análise dos indicadores, evitando, assim, análises de dados inúteis ou sem significado, gerando uma imagem mais bem delineada do capital intelectual presente nas universidades.

Ferramenta Modelo de avaliação ICU Demonstrativo ICU Função

Ferramenta de avaliação para ajudar a desenvolver e alocar recursos

Dispositivo de comunicação

Objetivo

Melhoria da gestão

3.2.3. Outras importantes iniciativas que suportam a adoção do ICR