2. PERSPECTIVES ON SOCIAL INTEGRATION
2.3 Relation to social capital theory
Sobre a satisfação em relação à situação profissional das entrevistadas, principalmente, quando se percebem valorizadas nas empresas em que atuam é evidente. Veja declaração de uma entrevistada:
Eu sinto que é uma situação profissional boa, a empresa que eu trabalho tem valorizado aquilo que eu faço. Por Divinópolis ter passado por uma crise financeira muito grande nestes últimos três anos, por causa dos produtos da China, as empresas também tiveram crise, mas mesmo assim, estão valorizando este profissional. O que eu sinto é que precisa ter este profissional que entenda para fazer um produto valorizado, com valor agregado. Assim este profissional agora, tanto técnico como designer, é mais valorizado, porque a empresa sente falta dele por ter um produto melhor, com mais qualidade e tudo mais.55
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57 No que se refere à situação salarial, as entrevistadas acreditam que há uma compatibilidade com o mercado de emprego na cidade de Divinópolis e na região. Comenta uma das egressas
Em relação ao mercado de Divinópolis acho que está no padrão, talvez um pouco superior ao que vejo e ao que tenho contato com os designers, se eu não me engano, são freelancer. Eu sou mais segura, tenho estabilidade, trabalho com mais tranquilidade e tenho salário fixo todo mês.56
As egressas elencaram vários fatores por estarem satisfeitas com a situação salarial, destacando a segurança do emprego com carteira assinada, pagamento do salário no final do mês, o horário favorável e o fato de trabalhar próximo à moradia como revela uma das entrevistadas
Eu acho que não ganho bem, mas também não ganho mal não. Mas eu olho pela praticidade que eu tenho. Eu vou trabalhar com qualquer roupa, eu vou de chinelo de dedo, eu venho almoçar na minha casa, eu não tenho o transtorno de pegar ônibus, é próximo da minha casa, são só 4 quarteirões da minha casa e em questão de 8 minutos eu estou lá e não tenho que andar meia hora de ônibus para trabalhar. Eu não tenho esse estresse de perder ônibus e em 5 minutos eu estou lá se eu apertar o passo. Eu gosto de trabalhar lá por isso, acho que é o costume de trabalhar próximo de casa, facilita.57
Quando questionadas sobre expectativas em relação ao futuro profissional e o interesse em dar continuidade aos estudos, as opiniões das entrevistadas se diversificam. A maioria delas percebe a necessidade da continuidade dos estudos para ampliar os conhecimentos, para isso pretendem fazer graduação e pós-graduação na mesma área, áreas afins ou até mesmo em áreas diferentes como Sistema de Informação, Serviço Social, Fisioterapia, Educação Física ou Matemática.
Quanto à obtenção de um emprego na área de formação profissional em vestuário, ou seja, arranjar um emprego que esteja de acordo com as qualificações adquiridas, é complicado. Talvez este possa ser um dos fatores
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Entrevista realizada com Cíntia. 57
58 determinantes para as egressas decidirem, muitas vezes, sair da sua área de formação para tentar encontrar emprego em outras áreas.
O relato de uma das entrevistadas aponta nesse sentido e confirma a busca por outras oportunidades. Comenta ela:
Pretendo estudar, fazer uma faculdade só que não pretendo fazer na área da moda. Estou pensando em fazer Sistema de Informação ou Serviço Social. Mas do mesmo jeito que eu penso em sair da área, eu tenho vontade de montar algo pra mim na área da confecção, estou estudando esta hipótese ainda.58
Uma das entrevistadas egressas é professora e designer de moda de uma empresa de malharia e expõe suas expectativas futuras. Diz ela:
Pretendo continuar nesta área, tanto nas empresas como dando aulas, que é uma área que eu gosto muito, sempre gostei e pretendo continuar estudando, se tiver outros cursos na área quero fazer e quero me aperfeiçoar. Eu não penso em largar o mercado e ficar só como docente, quero juntar as duas coisas, porque quando estamos no mercado de trabalho podemos levar experiências para a sala de aula, aquilo que realmente o mercado quer e precisa. Quando eu comecei eu não tinha conhecimento total do mercado de trabalho e agora tenho. Eu posso dizer com segurança, por exemplo, para os meus alunos: olha isso é importante vocês aprenderem porque é o que o mercado quer. Eu não quero abandonar o mercado, quero estar sempre por perto, mesmo que não seja um trabalho direto, quero estar dento do mercado para saber o que realmente a empresa quer, para levar isso para a sala de aula.59
Cada profissão requer aptidões particulares e conhecimentos específicos. As escolhas feitas pelas egressas para se manterem ou não na área de formação profissional é de caráter individual.
Assim, a educação profissional, mesmo sendo regida por princípios igualitários e com função homogeneizadora, verificamos que esses princípios não ocorrem, na realidade, pois existem desigualdades no processo.
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Entrevista realizada com Liliane. 59
59 A proposta do curso técnico em vestuário pode ser vista como homogeneizadora, no entanto, a forma como ela será usada pelos alunos ou mesmo as opções que virão a partir dela são individuais e heterogêneas. Alguns alunos irão se manter na área, outros farão do estágio apenas uma passagem, como podemos comprovar, por exemplo, nos depoimentos das entrevistadas em relação aos planos sobre a continuidade dos estudos.
Portanto, a formação profissional não tem uma relação direta com o emprego e muito menos o diploma pode garantir a obtenção de um emprego. Existem mediações que se operam entre as propostas dos cursos profissionalizantes e as regras definidas para obtenção de emprego.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A questão de pesquisa que orientou a sistematização dos dados e as informações apresentadas nesta dissertação de mestrado refere-se à relação entre a formação profissional oferecida pelo curso técnico em vestuário do Cefet/MG e a inserção no setor industrial, em Divinópolis, na visão do aluno egresso.
Não cabe somente à educação profissional a responsabilidade pelas dificuldades de inserção no mercado de emprego, que podem se referir à diminuição da oferta de emprego. Assim, a eficácia da formação profissional não pode ser aferida pelo número de egressos que estão inseridos nas empresas, no caso, de confecção em sentido restrito.
A educação profissional não tem ligação direta com o mercado de emprego, pois o diploma não garante, necessariamente, a obtenção de um emprego no setor produtivo. Existem mediações que se operam entre as propostas dos cursos profissionalizantes e as regras que norteiam o recrutamento pelas empresas, além dos motivos que levam o aluno a escolher o curso.
Os egressos dos cursos técnicos buscam, em geral, uma oportunidade para o exercício profissional, mas, ao mesmo tempo, deparam-se com obstáculos e dificuldades e sentem, inclusive, certa insegurança quanto ao conteúdo pedagógico dos cursos realizados e a sua preparação para a atuação profissional, sejam em cursos de técnicos, superiores ou de qualificação60.
Um dos atrativos dos cursos técnicos se refere a sua duração, que parece favorecer o ingresso mais rápido no mercado de emprego, além de possibilitar a continuidade de sua formação na universidade. O curso técnico permitiria ainda, conforme o caso, oferecer um período para requalificação do trabalhador, contribuindo para a sua reinserção no setor produtivo.
As entrevistas apontaram alguns aspectos relevantes. Ao nos depararmos com o fato da presença significativa de mulheres como egressas,
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Entende-se por cursos de qualificação os cursos livres, sem exigência de nível escolar e que visam capacitar e atualizar alunos para atuação no mercado de emprego. Cursos técnicos são entendidos como cursos de nível médio, regulamentados pelo MEC com direito a diploma e que visam proporcionar aos alunos conhecimentos teóricos e práticos nas diversas atividades do setor produtivo. Cursos superiores são cursos de graduação direcionados a alunos concluintes do ensino médio ou equivalente.
61 particularmente, no curso técnico em vestuário, atentamos para o fato que ocorre desde o momento da inscrição no processo seletivo para ingresso no curso. Mas em que medida a predominância das mulheres no curso revelaria a significativa presença feminina na indústria do vestuário, em geral?
As egressas procuraram o Cefet-MG não somente pela formação profissional, mas também pelo ensino médio. A pesquisa feita por Oliveira (2004) revela que na concepção dos egressos entrevistados, “busca-se o Cefet-MG, enquanto uma instituição da RFET61, para uma formação profissional de nível técnico pelo fato de ele ser uma instituição de tradição, com o nome reconhecido pela qualidade do ensino que oferece, envolvendo qualificação profissional bem aceita pelo mercado e condições para bom desempenho no vestibular” (idem, p.136).
Assim, o Cefet-MG é considerado uma referência educacional em todo o estado de Minas Gerais e a grande procura pelos cursos técnicos pode ser confirmada pelo elevado índice de inscrições feitas para os exames de seleção. No 1° semestre de 2010 foram ofertados, em todas as unidades do Cefet-MG, 18 cursos técnicos, totalizando 2.228 vagas, para as quais se inscreveram 18.400 candidatos, ou seja, uma média geral de 8,26 candidatos/vaga. Para o Campus Divinópolis a média geral foi de 7,43 candidatos/vaga para os cursos diurnos e 5,11 para os cursos noturnos.62
As alunas entrevistadas fizeram a escolha pelo curso técnico em vestuário também pelo interesse, pelo gosto e afinidade com a área, pela necessidade de trabalhar e pela busca de melhoria da profissão. O que elas parecem buscar é um aprimoramento profissional para que possam assegurar sua permanência no mercado de emprego.
A contribuição do curso técnico em vestuário para o setor vem primeiramente através do estágio curricular por ser considerada uma disciplina do curso e obrigatória para a certificação do aluno. Algumas empresas já reconhecem a importância deste profissional e procuram a escola em busca da melhoria da qualidade do seu produto, primeiramente, através da contratação
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Rede Federal de Educação Tecnológica 62
Informações do CEFET-MG obtidas no site da COPEVE. Disponível em: <http://copeve.cefetmg.br/noticias/2009/12/noticia0006.html>. Acesso em: 24 mar. 2010.
62 de estagiários, que possivelmente são contratados posteriormente como funcionários, como afirma a entrevistada Kelcy
“Se eu não tivesse feito o curso eu não estaria nessa empresa, porque eu entrei pelo estágio. E é uma empresa que valoriza muito o estagiário, todos lá praticamente estudaram no Cefet e foram estagiários.”63
No final das entrevistas foi colocada a palavra livre para comentários e sugestões das entrevistadas. Em seus comentários, pode-se perceber o quanto elas valorizam o curso em relação à credibilidade no setor, à aplicação dos conhecimentos adquiridos no decorrer do curso, ao crescimento profissional e pessoal e à importância da troca de experiências, como mostra uma das entrevistadas
Eu acho que todo aprendizado é válido. O curso em si me ajudou muito e ele ajuda qualquer pessoa que queira trabalhar. Eu acho que ajudou muito como pessoa também. A gente acaba convivendo com outras pessoas, vê as dificuldades de cada um, acho que melhora a gente também, ocupa a mente e troca experiências. Hoje eu falo que não quero ficar trabalhando só para os outros não, futuramente, eu tenho um espaço na minha casa e quem sabe eu posso me tornar uma empresária. Eu tenho esse objetivo, na minha casa tem um espaço para isso e eu já tenho o maquinário, conhecimento eu tenho porque já sei muita coisa. O Cefet me ajudou muito a ter uma noção boa, com certeza.64
Dentre as que permaneceram no setor produtivo da confecção, elas mencionam a importância do curso técnico em vestuário e a sua inserção no mercado de emprego. Como pode ser percebido na fala de uma das entrevistadas, ao ser questionada se o curso contribuiu para seu ingresso no mercado de emprego
“Com certeza, porque se eu não tivesse feito o curso eu não estaria nessa empresa, porque eu entrei pelo estágio. Então se eu não tivesse o
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Entrevista realizada com Kelcy, em 25 fev. 2010, no Cefet-MG Campus Divinópolis. 64
63 estágio... e lá é uma empresa que valoriza muito o estagiário, todos lá
praticamente estudaram no Cefet e foram estagiários.”65
Os dados e informações apresentados nesta dissertação podem, em certa medida, apontar a importância de se acompanhar os egressos e a sua situação no mercado de emprego, no setor de confecções em Divinópolis. Contudo, é importante frisar que se torna difícil avaliar a formação técnica oferecida pelo Cefet-MG para a inserção do aluno egresso no mercado de emprego.
65
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REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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65 OLIVEIRA, Nilza Helena de. O ensino técnico na rede federal de educação
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SITES http://copeve.cefetmg.br http://www.cefetmg.br http://www.ibge.gov.br http://www.ipea.gov.br http://www.mte.gov.br
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ANEXOS Anexo A
Algumas informações sobre as entrevistadas
CÍNTIA – 23 anos, solteira, designer de moda de uma confecção. Tem formação técnica e superior na área da moda. Estudou no turno diurno, na concomitância interna e sua escolha foi feita por causa da idade e pelo interesse em fazer o ensino médio. Ingressou no setor industrial como estagiária de produção logo após se formar e continua trabalhando na mesma empresa, mudando apenas de cargo em função das qualificações adquiridas. Pretende dar continuidade aos estudos fazendo pós-graduação na área.
CRISTIANE – 37 anos, casada, mãe de um filho e conta com apoio da mãe e do marido no cuidado com a criança. É designer de moda de uma malharia retilínea. Possui formação técnica e superior na área. Estudou no turno noturno, porque já trabalhava como professora de costura durante o dia. Seu ingresso na área da moda ocorreu antes do curso técnico em vestuário, como freelancer de desenho e modelagem e dando aulas, inclusive no referido curso. Seu ingresso no setor industrial foi após o curso técnico e em sua trajetória profissional trabalhou em 3 empresas, estando nesta última há 3 anos. Pretende continuar trabalhando na área dentro das empresas e dando aulas. FERNANDA – 21 anos, solteira, vendedora em uma loja que trabalha com private label. Estudou no turno noturno porque já trabalhava durante o dia criando bijuterias. Ingressou na loja durante o curso como estagiária do setor de estoque e sua função atualmente é de vendedora. Pretende continuar os estudos em área totalmente diferente, como fisioterapia ou educação física. JANAÍNA – 26 anos, solteira, trabalha a 10 anos em uma loja com vendas e criação de bijuterias, acessórios e acabamentos de roupas para as confecções. A partir de seu trabalho na loja, percebeu a necessidade de fazer um curso na área para ganhar a credibilidade dos clientes e aprimorar seus conhecimentos. Pretende fazer curso superior na área da Administração para complementar suas atividades, pois nas demais áreas criação e produção, o Cefet já proporcionou boa formação.
JENIFFER – 23 anos, solteira, está fazendo o Curso Superior de Marketing e Administração e pretende fazer o mestrado na mesma área. Atualmente trabalha na área de marketing de uma confecção. Estudou no turno diurno, na modalidade de concomitância interna e escolheu este turno porque queria fazer o curso técnico e o ensino médio juntos. Seu ingresso no setor industrial ocorreu após o curso, primeiro como estagiária de produção, após conclusão do estágio foi contratada para o setor de expedição. Teve a experiência de trabalhar na administração da recepção da empresa e ao aliar os conhecimentos acadêmicos obtidos no curso técnico com os do curso superior, teve a oportunidade de trabalhar com marketing de moda, sua atuação função. Pretende concluir o curso superior e ingressar no mestrado na mesma área.
68 KARINE – 21 anos, solteira, está em processo de transição na confecção em que trabalha para o setor de corte. Estudou no turno noturno, porque já havia concluído o ensino médio. Ingressou no setor industrial durante o curso como auxiliar de corte, foi assistente de produto, trabalhou na área da criação com desenho e modelagem informatizados e está retornando ao setor de corte agora informatizado, para complementar seus conhecimentos sobre todo o processo produtivo. Pretende fazer curso superior em Matemática para trabalhar na área administrativa, com contabilidade.
KELCY – 24 anos, solteira, supervisora de produção. Estudou no turno diurno, pois não tinha o ensino médio. Ingressou no setor industrial há 5 anos após ter concluído seu curso, por intermédio do estágio, com a função de auxiliar de produção. Pretende fazer curso superior em Engenharia de Produção.
LILIANE – 25 anos, solteira, operadora de CAD. Estudou no turno noturno