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4. PERSPECTIVES ON CONSEQUENCES OF SOCIAL INTEGRATION FOR MENTAL

4.8 Loneliness

A importância de se discutir o conceito de representação social se justifica

pelo fato de que ele está na interface entre o psicológico e o social. As representações sociais, como esclarece Jodelet (2001:21), lidam com o mundo físico e prático, com o mundo abstrato e teórico, bem como com as experiências privadas e afetivas das pessoas. Em suas palavras,

[As representações] estão ligadas tanto a sistemas de pensamento mais amplos, ideológicos ou culturais, a um estado dos conhecimentos científicos, quanto à condição social e à esfera da experiência privada e afetiva dos indivíduos (2001:21).

Segundo Jodelet (2001:27), as representações sociais estabelecem uma ligação entre sujeito e objeto, sob a forma de saber prático. Podem simbolizar um objeto ou alguém (substituindo-o), ou podem interpretá-lo (conferindo-lhe significações). Elas são dependentes de objetos, pessoas, conceitos, idéias reais ou imaginárias. Têm, portanto, um caráter social, pois os objetos são apreendidos, conhecidos, classificados e apropriados em um contexto histórico-social-temporal determinado. Não ocorrem representações no vácuo e nem podem ser consideradas isoladamente, descontextualizadas e estanques, socialmente falando.

Moscovici (2003:41), preconizador de estudos sobre representações sociais, define o estudo das representações, suas propriedades, suas origens e seu impacto, como objetivo principal da psicologia social.

Discuto as propriedades e o impacto que causa o trabalho com

representações sociais. Moscovici (2003) postula que as representações são sociais, porque são humanas. São frutos do compartilhar entre pessoas ou grupos e, portanto, são comunicadas. Nessa perspectiva, as representações são socialmente construídas e historicamente localizadas. Para o autor:

Todas as interações humanas, surjam elas entre duas pessoas ou entre dois grupos, pressupõem representações. Na realidade, é isso que as caracteriza (2003:40).

Uma outra característica das representações sociais é que são constituídas na e pela comunicação. Para Moscovici (2003:208-209):

Elas [as representações sociais] são formadas através de influências recíprocas, através de negociações implícitas no curso das conversações, onde as pessoas se orientam para modelos simbólicos, imagens e valores compartilhados específicos. Nesse processo, as pessoas adquirem um repertório comum de interpretações e explicações, regras e procedimentos que podem ser aplicadas à vida cotidiana, do mesmo modo que as expressões lingüísticas são acessíveis a todos.

(...)

Para simplificar, podemos dizer que todo indivíduo isolado não pode representar para si mesmo o resultado da comunicação do pensamento, das mensagens verbais e icônicas. É isso que dá a essas estruturas cognitivas e lingüísticas a forma que elas têm, pois elas devem ser compartilhadas com outros a fim de serem comunicadas.

Para Moscovici (2003:20), o papel das representações sociais é dar significados ao processo pelo qual o sentido de objetos e/ ou pessoas são construídos pelo e para o homem. Em outras palavras, é fazer com o que é estranho, não-familiar se torne familiar. Ao familiarizar o não-familiar, o homem consegue dar mais significado ao mundo, pois esse se torna compreensível. Nesse sentido, Jodelet (2001:17) esclarece que,

Elas [as representações sociais] nos guiam no modo de nomear e definir conjuntamente os diferentes aspectos da realidade diária, no modo de interpretar esses aspectos, tomar decisões e, eventualmente, posicionar-se frente a eles de forma defensiva.

Segundo Moscovici (2003:61), dois processos básicos caracterizam a formação de uma representação social: a ancoragem e a objetivação. O primeiro, a ancoragem, é exatamente o objetivo maior da representação, é classificar o que ainda não foi classificado. Dessa forma, o que era novo passa a ser integrante do sistema que relaciona o indivíduo ao mundo. Por objetivação, Moscovici (2003:71) entende a concretização do ato de pensamento. I sto é, a materialização de uma abstração ou um conceito. Esses dois processos reforçam o papel da representação social: o de agir sobre o mundo e sobre os outros.

Spink (1995:120) assegura a capacidade que as representações sociais têm

para criar a realidade. As representações podem ser subdividas em “estruturas estruturantes” e “estruturas estruturadas”. As primeiras, em sua natureza, expressam a realidade intra-individual e a exteriorização do afeto revelando, assim, o poder de criação e de transformação da realidade na qual a pessoa está inserida. As estruturas estruturadas, por sua vez, funcionam como respostas individuais que manifestam as tendências do grupo ao qual a pessoa pertence.

Moscovici (2003) realça a importância da comunicação entre pessoas na

construção de representações sociais compartilhadas por um grupo. Afirma ainda que as representações sociais fornecem significados para os objetos, idéias e conceitos promovendo, assim, inteligibilidade às ações, permitindo que as pessoas possam circular e construir (outras) representações. I sso tem uma conseqüência para a reconstrução da realidade, pois cada realidade é única e contextualizada. Para Moscovici (2003:90), atribuir significados é, portanto, um processo dinâmico e criativo, por meio do qual estamos, re-fazendo, re-criando representações sociais. Em suas palavras,

Deve-se dizer que se trata de algo re-feito, re-construído e não de algo recém-criado, pois, por um lado, a única realidade disponível é a que foi estruturada pelas gerações passadas ou por outro grupo e, por outro lado, nós a re-produzimos no mundo exterior e por isso não podemos evitar a distorção de nossas imagens e modelos internos. O que nós criamos, na verdade, é um referencial, uma entidade à qual nós nos referimos, que é distinta de qualquer outra e corresponde a nossa representação dela.

Repensando o conceito de representações sociais proposto por Moscovici, considero pertinente associá-lo ao conceito de reper ório interpretativo proposto por Potter e Wetherell (1987) que o definem como sendo:

t

… constituted through a limited range of terms used in particular stylistic and grammatical constructions. Often a repertoire will be organized around specific metaphors and figures of speech.

Potter e Wetherell (1987), Medrado (1988) e Freire e Lessa (2003) fazem uma crítica ao conceito de representações sociais porque, para Moscovici, o significado do termo social pode indicar uma reciprocidade entre representações sociais e grupo social, ou seja, determinadas representações sociais definem e são definidas por um grupo específico.

I sto é, esses pesquisadores sublinham a limitação do conceito de representações sociais no âmbito operacional, porque não se pode afirmar que uma determinada representação pertença exclusivamente a um determinado grupo social, uma vez que seus membros podem freqüentar outros grupos sociais (simultaneamente ou ao longo do tempo) e podem ter diferentes representações sobre o mesmo objeto, idéia ou conceito (Potter e Wetherell, 1987:143; Freire e Lessa, 2003:172-173).

É importante salientar que a associação que faço entre o conceito de representação social e o conceito de repertório interpretativo se justifica porque entendo que o “social” como proposto por Moscovici indica que as representações são socialmente constituídas e não indicam necessariamente pertencimento a um grupo social.

Entendo, portanto, que as representações são construídas nas e pelas interações sociais com pessoas integrantes ou não de um mesmo grupo social. Por vivermos em diferentes contextos sociais e estarmos em contato com diversas pessoas de várias classes e grupos sociais diferentes, as representações de um dado grupo podem ser as mesmas de um indivíduo pertencente a esse grupo.

Tal conceito de repertório interpretativo permite a operacionalização das representações sociais uma vez que, em um mesmo grupo, diferentes pessoas têm acesso a diversos repertórios que estão disponibilizados. Detalhando o conceito de repertórios interpretativos, Spink e Medrado (1998:47) afirmam que

:

Os repertórios interpretativos são, em linhas gerais, as unidades de construção das práticas discursivas – o conjunto de termos, descrições lugares-comuns e figuras de linguagem – que demarcam o rol de possibilidades de construções discursivas, tendo por parâmetros o contexto em que essas práticas são produzidas e os estilos gramaticais específicos.

Percebe-se que os repertórios interpretativos compreendem os componentes lingüísticos que utilizamos para expressar significados que atribuímos às ações, às experiências vividas, aos eventos e aos outros fenômenos que estão a nossa volta.

É interessante investigar que tipo de conhecimento pode ser construído em

determinado contexto histórica e temporalmente definido e que práticas sociais os repertórios e as representações ajudam a criar, manter ou transformar. Vale ressaltar que os repertórios e as representações não representam a realidade, mas sim, como ela é visualizada por pessoas que a vivenciam, de uma determinada perspectiva. Segundo Minayo (1995:110),

Por serem ao mesmo tempo ilusórias, contraditórias e “verdadeiras”, as representações podem ser consideradas matéria-prima para a análise do social e também para a ação pedagógico-política de transformação, pois retratam e refratam a realidade segundo determinado segmento da sociedade. Porém, é importante observar que as Representações Sociais não conformam a realidade e seria outra ilusão tomá-las como verdades científicas, reduzindo a realidade à concepção que os homens fazem dela.

Retomando os conceitos acima explicitados, apesar de os repertórios e as representações sociais serem concebidos e revelados em um determinado contexto sócio-histórico-temporal e estarem, portanto, vinculados às experiências vividas pelos participantes em determinados momentos e ao longo da vida, percebe-se que a identificação das representações é possível por meio da identificação de repertórios interpretativos. Assim, para este trabalho, é fundamental caracterizar os repertórios e, por meio deles, identificar as representações dos professores em formação para poder compreender como eles, sujeitos sociais, descreveram e interpretaram a vivência do fenômeno investigado: a formação pré-serviço de professores de língua inglesa em uma sociedade em processo de digitalização.

CAPÍ TULO 2

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