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Dimensions of social integration

2. PERSPECTIVES ON SOCIAL INTEGRATION

2.1 Dimensions of social integration

A inserção no mercado de emprego, embora vista com grande expectativa por parte dos ingressantes, apresenta obstáculos. Os relatos das egressas entrevistadas destacam como principais dificuldades, a saber: a falta de entendimento da função do técnico em vestuário por parte das empresas, a falta de experiência profissional dos ingressantes, a exigência de experiência antes de ingressar no setor, a resistência ao novo, a insegurança e o medo de errar.

No que se refere às facilidades encontradas quando ingressaram no setor produtivo, afirmaram que a indicação por parte de conhecidos ainda é um fator presente também neste segmento. Os conhecimentos adquiridos no curso também foram destaque na fala das entrevistadas, além da experiência com o desenho, o uso e aplicação da informática como ferramenta de auxílio.

As dificuldades encontradas pelas egressas são iguais às enfrentadas pelo próprio curso desde o início, quando foi criado. Os cursos, até então, destinavam-se apenas à formação de costureiras. A proposta de um curso em que o aluno tivesse conhecimento do processo produtivo da empresa, passando por todos os setores da produção de vestuário, sofreu resistência por parte dos empresários, que desacreditavam no setor e preferiam trabalhar isoladamente.

No início do curso, as empresas de confecção de Divinópolis não contratavam este técnico. Os próprios alunos tinham dificuldade de saber qual era a função de um técnico em vestuário. Este fato foi relatado por uma das

50 entrevistadas, com experiência na área como professora de desenho e modelista.

No começo, o obstáculo maior foi a questão de inserir na empresa o técnico em vestuário. As próprias empresas não sabiam o que era o técnico e às vezes a gente também não sabia para que servia o técnico dentro da empresa, às vezes a gente ficava só em um setor, por exemplo, só desenhando ou só modelando, então a empresa não valorizava financeiramente como profissional. Foi só a partir do momento que eles começaram a ver o meu potencial dentro da empresa foi que eles começaram a valorizar e realmente me pagar o salário compatível.43

No que se relaciona à experiência na área da confecção, anterior ao ingresso no curso de vestuário, apenas uma das entrevistadas, citada anteriormente, afirmou ter trabalhado como autônoma, desenhando, fazendo modelos para algumas empresas.

Sempre gostei muito de desenhar e em 1989 fiz um curso de figurinista pelo Senac e assim comecei minha carreira relacionada à moda. Depois que eu fiz este curso, fui convidada a dar um curso de Desenho de Moda pelo Sesi, então comecei a minha trajetória na área da moda e com isto eu fui fazendo outros cursos de costura industrial, modelagem e me aperfeiçoando nesta área. [...] No momento estou trabalhando no Cefet como professora de Modelagem Industrial, mas já trabalhei com Tecnologia Têxtil, História da Moda e com a Prática Profissional que seria trabalhar com as máquinas de costura, trabalhar os processos produtivos, células de produção. É interessante porque a gente conhece também o processo dentro das empresas. Eu consigo me inserir no processo produtivo da empresa nos setores de criação, modelagem, produção e no gerenciamento.44

As demais entrevistadas afirmaram não possuir experiência na área antes de ingressar no curso de vestuário, ou seja, provavelmente foi o

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Entrevista realizada com Cristiane. 44

51 primeiro contato e ainda estão inseridas no ramo. Como diz uma das entrevistadas:

Foi através do estágio da escola, até então não tinha trabalhado não, este foi o meu primeiro emprego. Eu entrei no estágio e foi onde eu consegui (o emprego).

Em relação à falta de experiência profissional, ocorre uma contradição. Se para o curso o estágio curricular é obrigatório, para o mercado de emprego, a obrigatoriedade de estágio não é condição para obtenção de emprego. Para as empresas, a certificação não é necessariamente um pré-requisito para a ocupação de vaga. Muitas empresas exigem a comprovação de experiência, até mesmo para a função de estagiário. Este fator é desestimulante, principalmente para alunos que frequentaram/frequentam o curso diurno, pois além de estarem em uma faixa etária menor, não dispõem de horários para fazer o estágio.

A cobrança interna do estudante na época da conclusão do curso também colabora para o aumento da insegurança. O que antes era próximo da conclusão do curso, torna-se presente, trazendo com isso, medos, dúvidas e angústias. Surgem sentimentos comuns diante do “novo”, do que está por vir, como relata uma das egressas

Hoje eu vejo como um obstáculo porque tudo que é novo é um pouquinho difícil. A gente fica com um pouco de receio de errar, fica com medo, mas eu tive bastante apoio aqui na empresa, dos diretores, do setor de Recursos Humanos, das pessoas que já trabalhavam aqui e eu sempre fui muito aberta a coisas novas, sempre fui muito comunicativa.45

Outra questão importante vista como um obstáculo, principalmente para os jovens que nunca trabalharam, é a exigência de experiência profissional para estágio. Esta preocupação se mantém após a conclusão do curso, como exigência para a contratação, repetindo o que ocorre nos demais setores da produção.

Uma das exigências que as empresas colocam para a contratação de um estagiário é a experiência profissional. No entanto, este fato é incompatível

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52 com a realidade de grande parte dos alunos do curso, que na maioria, tem o estágio como primeira experiência profissional.

Este questionamento quanto à exigência de experiência profissional foi relatado por grande parte dos alunos que buscam emprego ou estágio.

Os obstáculos encontrados foram mais na questão da prática, porque, às vezes, eles exigiam muito experiência e como era o meu primeiro emprego, eu não tinha, é porque no estágio eles não acreditavam muito na capacidade que a gente tinha. Muitas meninas falavam que iam pedir para fazer estágio e eles as colocavam para arrematar ou outras coisas assim. O próprio setor não acredita muito no potencial que a gente tem.46

Tal como a experiência relatada, outra egressa afirma que começou suas atividades profissionais como arrematadeira e “por uma brecha que eu fui para as máquinas, porque até então eles queriam sempre com prática, só prática e eles não davam oportunidade.”47

Para outra entrevistada, as oportunidades se fecham diante da tentativa de buscar uma ocupação, “você chega na porta e eles te pedem experiência e como você é estagiário, não tem.”48

Como quebrar esse ciclo vicioso que exige experiência para o primeiro emprego? Cada vez mais a falta de oportunidades de emprego, faz com que jovens trabalhadores, a maioria dos egressos dos cursos técnicos de nível médio, sintam-se em desvantagem na disputa por um posto de trabalho no mercado de trabalho assalariado.

Outro obstáculo encontrado no ingresso, relatado pelas entrevistadas no setor industrial, refere-se à insegurança em função da idade e da pouca experiência. Por outro lado, estes fatores podem também colaborar para a autonomia, como pode ser comprovado no relato de uma das entrevistadas ao afirmar que desde quando era estagiária da produção, quando ainda não possuía experiência e até chegar a sua função atual, ela continua enfrentando obstáculos. Para ela “a gente vai aprendendo mesmo com o tempo”. E cita como um

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Entrevista realizada com Raquel. 47

Entrevista realizada com Sivani. 48

53 de seus obstáculos “[...] mostrar para mim mesma que sou capaz e depois mostrar para os outros, para o diretor, para as pessoas que sou capaz. Porque eu comecei muito nova e até atingir um cargo de confiança exige um certo tempo, responsabilidade para mostrar que é capaz.”49

Os depoimentos das entrevistadas mostram que o ingresso no setor industrial do vestuário ocorreu durante ou após o curso técnico. No caso de uma das entrevistadas, seu ingresso no mercado de emprego ocorreu não como estagiária, mas como profissional contratada, “[...] eu comecei o curso e em questão de 2 meses eu consegui um emprego numa fábrica como arrematadeira. Não era estágio, comecei contratada como arrematadeira”.50

Tal como a experiência descrita acima, outra egressa afirmou ter se inserido no mercado de emprego logo que ingressou no curso, ainda no primeiro ano. Ela destacou também sua experiência em setores distintos da produção, “[...] na época eu entrei como auxiliar de corte, mas eu não dei muito certo e fui para assistente de produto.”51

A experiência da indústria é completamente diferente do que ocorre na sala de aula. Por mais que as instituições tenham laboratórios e espaços similares aos da indústria, as atividades realizadas na indústria são bem diferentes. Na escola é visto a teoria e um pouco da prática, mas é na fábrica que se tem o processo produtivo completo.

Na escola, o erro, geralmente, é visto como possibilidade de aprendizagem, sem consequências negativas, ao contrário, ele representa aquisição de conhecimento. Entretanto, para a indústria o erro não deve existir. Principalmente em função da exigência de maior produção em menor tempo possível.

No entanto, mesmo diante dos obstáculos enumerados, em contrapartida, foram percebidas algumas facilidades como, por exemplo, a indicação ao posto por pessoas conhecidas; a experiência com o desenho; o uso e aplicação da informática como ferramenta de auxílio e os conhecimentos adquiridos no curso antes do ingresso no setor industrial. Como pode ser

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Entrevista realizada com Cíntia, em 4 mai 2010, na empresa em que atua. 50

Entrevista realizada com Sivani. 51

54 comprovado no relato de uma das entrevistadas, que deixa claro que além dos obstáculos que surgem, existem também algumas facilidades para contrapor.

Quando eu comecei não encontrei nenhuma facilidade. Enquanto eu não quebrei esta barreira de ter que pegar e fazer, não tive facilidade nenhuma não, porque ninguém vai te dar nada mastigado, você tem que procurar, se esforçar, porque as coisas não vêm de bandeja. Acho que para todo mundo é um pouco difícil, mas é só insistir. Porque toda pessoa que forma tem aquele negócio: „nossa, acabou de formar‟, mas a gente tem que ter confiança ali na hora e tentar ingressar de todo jeito. Hoje em dia está muito fácil, porque para pesquisar você tem o computador, as revistas de moda, você tem as pessoas mais antigas da área que são aquelas costureiras antigas que trabalham com o verdadeiro molde e que se você for atrás delas, elas te ajudam também.52

Outra facilidade encontrada foi o fato de ter algum conhecido que possa fazer o primeiro contato na empresa, através de indicação. Apesar desse fator não significar a permanência no emprego, facilita o ingresso, como mostra a experiência de uma das egressas entrevistada

O meu primeiro contato nesta empresa foi feito pela minha mãe que já conhecia a dona da fábrica há algum tempo. Entregou o meu currículo e depois quando ela descobriu que eu estava fazendo vestuário e que eu iria entrar na área, ela me chamou para trabalhar na empresa e me disse que eu correspondi todas as expectativas dela e que ela não imaginava o que eu iria fazer, achava que eu ficaria ali como qualquer outro funcionário para desempenhar uma função. Mas na realidade não foi bem assim, acho que ela não imaginava que eu sabia tanta coisa e aprendia com tanta facilidade. 53

Quando questionadas sobre a permanência no emprego, todas as entrevistadas responderam que não mudaram muito de emprego, no entanto afirmaram que mudaram de setor e função dentro de uma mesma empresa

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Entrevista realizada com Janaína. 53

55 como, por exemplo, de estagiária de produção para supervisão de produção e para designer de moda. Uma das entrevistadas que continua empregada na mesma empresa desde seu ingresso como estagiária de produção, afirma que após o estágio curricular foi contratada.54

Mudanças de setor são positivas, pois proporcionam ao estagiário o conhecimento do processo produtivo, o que colabora para a aquisição de mais experiência.

2. As dissonâncias entre a formação profissional e as exigências