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1.2 The transcription factor c-Myb

1.2.3 Regulation of c-Myb

O projeto de Euralille já completa 20 anos e, com estes, acumula-se uma considerável literatura de reflexão acerca de seus erros e acertos, bem como uma série de projetos que desenvolvem a proposta inicial do OMA. Segundo Jean Louis Subileau, diretor geral do Euralille a partir de 1998, com a crise econômica que assolou a Europa em 1995 os escritórios do complexo tiveram altas taxas de ociosidade. Havia ainda uma larga rejeição de Euralille nas esferas econômicas e administrativas; as praças dos Buisses e o Parc Matisse eram pouco utilizados. 324 Subileau entende o projeto do OMA na chave dos grands projets como o quartier La Defense, com a diferença de ter sido implantado numa cidade cuja economia é menos pujante do que a de Paris. O papel dos novos projetos, defende Subileau, foi “ fazer a cidade em torno do monumento”325. Com este intuito, o programa para Euralille 2, desenvolvido no entorno do agora chamado de Setor Central, após o desligamento do OMA, voltam a uma escala mais modesta e próxima do pedestre, com gabarito médio, entre cinco a sete pavimentos. A proposta experimentada no bairro Saint Maurice e desenvolvida nos setores do Romarin e Chaude Riviere concentra projetos de habitações e escritórios, muitos deles com

       

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cf. SUBILEAU, J.L. “Les Renaissances d’Euralile”. Em: Euralille Chroniques d’une metropole en

mutation, p. 60.

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 125  comércio no térreo, tentando criar uma combinação de usos. Ao lado do Congrexpo, propõe-se a instalação de equipamentos de administração pública regional, além de um grande parque com generosas áreas verdes envolvidas por habitações de pequeno e médio gabarito.326 Xaveer de Geyer, um dos arquitetos participantes nos projetos de moradias, afirma que era preciso “religar Euralille à cidade.”327

Há alguns pontos consensuais na crítica ao projeto do Euralille 1. O primeiro diz respeito à área de interseçcão entre o Centro Comercial e a gare Lille Flandres. Pelo fato de a via ser pensada sobretudo para automóveis e ser ladeada por edifícios altos, há pouca vida nas ruas, as passarelas elevadas do Centro Comercial tem pouco uso. Não por acaso intervenções posteriores tentaram estabelecer mais ligações com a ponte Flandres por meio de rampas e escadarias, adicionaram um elevador para tornar mais confortável o acesso da rua às passarelas, além de novos dispositivos gráficos para orientar os percursos. De acordo com o dossiê publicado pela administração local em 2013, a avenida se tornará mais simpática aos pedestres e trará novos usos. Aposta-se em edificar mais escritórios na face em frente ao centro comercial, mesmo que atualmente haja uma visível taxa de ociosidade de imóveis do setor terciário. Segundo, a praça François Mitterrand é menos um espaço de convivialidade como se pretendia do que um lugar de passagem entre as duas estações. Por enquanto, são tomadas iniciativas pontuais – como a do foodtruck com design de gosto duvidoso --, mas até o momento ainda não se pensou em abrir o Centro Comercial para a praça, com cafés e restaurantes, usos de período noturno. Tais medidas certamente impulsionariam uma das premissas da Bigness, que é intensificar a vida urbana. Ainda no que diz respeito a essa ligação entre as duas gares, atualmente um trabalho gráfico tenta sinalizar o percurso nem sempre claro e de grande necessidade para passageiros dos trens nacionais e internacionais.328 Ainda que o Euralille de Koolhaas-OMA receba criticas por vezes duras de seus sucessores, o discurso destes reforça que é preciso manter a ambição inicial impressa por Koolhas e Jean Paul Baietto no sentido de fazer de Lille uma metrópole vibrante e propositiva. 329

No livro Cidade para Pessoas, o urbanista Jan Gehl atribui a escassa vida urbana do Euralille ao que chama de “síndrome de Brasília”330. Na perspectiva de Gehl, cidades cuja escala é imponente – no que diz respeito às vias e aos edifícios – tendem a criar ambientes

       

326

Para uma analise bem detalhada dos desdobramentos dos projetos recentes do Euralille, vale verificar o texto de SUBILEAU, pp.60-83

327

ibidem, p.106

328

Cf. [Re]Découvrir Euralille – dossier mis à disposition du public a partir du 4 novembre 2013. SPL Euralille; Lille Métropole, Maison de l’architecture et de la ville; Agende Saison Menu.

329

SUBILEAU, p. 64.

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 126  urbanos formais, frios e impessoais, ao contrário dos espaços menores e de distâncias curtas, onde os indivíduos experimentam contatos mais intensos e sensação de acolhimento. As vias e edifícios monumentais se tornam, na perspectiva de Gehl, condições adversas à escala humana, isto é, ao caminhar do pedestre, à vivência e à sociabilidade dos usuários. 331 Com esta crítica Gehl não propõe um retorno aos espaços das pequenas cidades, mas um planejamento urbano que preveja a concatenação das escalas e tenha como ponto de partida a dimensão humana.

Parece que, na ideia de lugar conexionista de Lille, de fato a Bigness estabelece suas redes de ligações com Paris, Bruxelas e Londres, entretanto falta-lhe vínculos imediatos, aqueles que se dão nos balés das calçadas de Jane Jacobs, no “esposar a multidão”332 do flâneur de Baudelaire; falta a intensificação gerada pela multiplicidade, pelos choques e encontros das ruas, enfim, a modernidade própria da vida cotidiana urbana. Não atentar para os dipositivos projetuais que estimulam estes vínculos e choques é o risco que corre o planejamento pela conhecida vista aérea dos modernos, isto é, imposto à cidade pela via top-down. No quadro da Bigness, a escassez de vida urbana pode advir, talvez, de dois pontos: um fuck the context demasiado generalizador e, ainda, a ausência de alteridade – os “outros” aos quais a Bigness se rende – para além dos centros de decisão, o que diminui a sensibilidade do projeto com os próprios usuários e cidadãos.

       

331

Sobre o tema, cf. ibidem, sobretudo entre as páginas 52 a 59, 162 a 167 e 194.

332

Já é uma figura da tradição moderna o flaneur que vai às ruas e mergulha na “multidão como num reservatório de eletricidade”. Cf. Baudelaire, O Pintor da Vida Moderna. Belo Horizonte: ed. Autêntica, 2010, p. 30

 127  41) Geyter, Xaveer; Lalou+Lebec. Estudos para Euralille 2 – setor Saint Maurice

 128  43) Avenida entre o Centro Comercial( à dir.) e Gare Lille Flandres(à esq.). Lille

 129  45) Entorno do Euralille 1; 46) Entorno do Euralille 1

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