3 Results
3.2 Is the repressive effect of SUMO on the transactivation activity of c-Myb
3.2.3 To which extent is the derepression of SUMOylated c-Myb, caused by acetylated
A ontologia fundamental Ser e tempo (Sein und Zeit), publicada em 1927, tornou-se de grande importância para o cenário cultural do ocidente. Nessa obra, como já pudemos enfatizar, Heidegger ressalta a proveniência de se meditar sobre o sentido do ser. No início do livro, Heidegger observa que a tradição filosófica ocidental sustentou como desnecessária a indagação sobre o ser. A justificativa para não se deter na questão sobre o ser, e muito menos na análise sobre o seu sentido, acha-se sustentada por alguns entendimentos: a) que o “ser” expressa um conceito de máxima universalidade, além de ser é um conceito evidente por si mesmo, pois todos nós compreendemos “ser”, quando
pronunciamos as mais elementares proposições sobre o cotidiano, como o céu é azul, eu sou feliz, entre tantas outras afirmações a respeito do real; b) Uma outra relevante justificativa que corrobora essas observações da tradição filosófica é a de que ser é um conceito indefinível, conforme ressalta em uma nota de rodapé na qual Heidegger cita que cita Pascal:
“(....)Não se pode tentar definir o ser sem cair no seguinte
absurdo: pois não se pode definir uma palavra sem começar por – é - , quer se a exprima, quer se a subentenda. Portanto, para definir o ser seria preciso dizer é, e assim empregar a palavra definida na definição”(PASCAL, apud HEIDEGGER,1988, p.29).
Todas essas pertinentes argumentações ressaltadas pela tradição filosófica não deixaram de instigar Heidegger a salientar a pertinência de se pensar a questão sobre o ser e seu sentido. Heidegger nos observa que esta aparente obviedade das justificativas da tradição não explicitam a questão sobre o ser, muito menos sobre o seu sentido23. Quando indagamos sobre aquilo que se apresenta a nós com a pergunta que pergunta pelo que é, já de algum modo pressupomos um determinado horizonte que comporta esta ou aquela resposta. Por exemplo, quando Rollo May foi acometido de uma doença com grandes possibilidades de ser fatal, uma tuberculose, e estava internado já havia longo tempo, ao ler algo sobre a angústia em Freud e em Kierkegaard, observou que a definição da angústia em Freud era constituída por uma linguagem técnica, metafísica, entendida como uma expressão da libido reprimida. Tal formulação mostrava-se longe de suas inquietações existenciais, em sua preocupação com a vida e a morte. Em Kierkegaard ele encontrou a angústia situada neste impasse entre ser e não ser.
É, pois, nesse contexto que queremos salientar a experiência do ser, no contexto do vivido, daquilo que se apresenta a nós. A resposta metafísica para a pergunta sobre a angústia circunscreve um espaço comum, universal e teorético
23 Heidegger pergunta-se em Ser e tempo: “Em qual dos entes deve-se ler o sentido do ser? De que ente deve partir a saída para o ser? (...)Qual é este ente exemplar e em que sentido possui uma primazia?“ (HEIDEGGER, 1988, p.32). O ente cuja relação com o ser é privilegiada é o homem, o Dasein (ser-ai), expressão alemã que caracteriza muito bem essa implicação do homem com o ser, ou seja, o “da” do dasein como lugar, clareira, o aberto caracterizado por uma disposição e por uma compreensão em que o ser se apresenta, se dá. O sentido (sinn), entendido como rumo, direção do existir, assinala o âmbito da temporalidade em que o ser-aí se destina, volta-se, projeta-se.
de se abordar esse fenômeno, não auscultando outros possíveis envios, em consonância com a experiência de Rollo May.
Auscultar o ser de um ente é abrir-se para a escuta daquilo que está vivendo, e não por meio de um olhar imbuído do distanciamento teorético que caracteriza o pensar metafísico (Vorhandenheit) e de toda linguagem técnica construída a partir deste olhar.
O que queremos enfatizar é que a pergunta pelo sentido nos encaminha em direção ao conhecimento de nós mesmos. Esta é uma das perspectivas a ser assinalada pelo que estamos denominando “Pedagogia da Desconstrução”.
Um outro caminho em que a desconstrução da interpretação do ser objetivada se mostra relevante é com relação à concepção de homem e a sua repercussão nas questões que envolvem a educação. O homem já foi visto como animale rationale, como ens creatum - filho de Deus, como sujeito na modernidade; e com Heidegger essas referências são desconstruídas em favor do Dasein (ser-no-mundo), ou seja, na correspondência entre homem e ser.
“Essa correspondência entre homem e ser que se origina no
mesmo deve, entretanto, receber um nome diferente de todos aqueles já apontados pela antiga ontologia para evitar qualquer forma de objetivação da essência do homem. Heidegger, então, nomeia-a de Dasein, um termo do alemão corrente que significa ‘existência’. O filósofo poderia ter usado Existenz – o vocábulo de proveniência latina, mais adequado ao texto filosófico -, mas prefere o primeiro porque vê em sua composição a possibilidade de veicular com maior clareza o traço determinante da essência do homem. Esta é designada pelo Da (aí) do Dasein, não para enfatizar o advérbio que localiza ou fixa algo em algum lugar, mas para mostrar o estado de aberto que coloca ‘homem e ser’ na correspondência de uma unidade, assim como para circunscrever o lugar do aparecimento e da manifestação das coisas. Dasein continua a significar existência, mas agora com um sentido revigorado, longe do velho significado metafísico de simples dado do mundo sensível, para tornar-se ek-sistência, ou seja, fazendo recair toda ênfase no prefixo da palavra para carregar o seu sentido de ultrapassagem e transcendência” (MICHELAZZO,
1999, p.127).
O homem como dasein demarca um novo espaço antropológico, uma vez que ele será compreendido à luz da diferença ontológica entre ser e ente, na qual a pergunta pelo sentido ganha relevo em relação à pergunta que pergunta pela
substância ou pelos porquês firmados numa compreensão determinista/causalista da condição humana. A pergunta fundamental sobre o homem pensado como Dasein, como ser-no-mundo, será firmada na explicitação do sentido de seu existir, portanto, aberta à singularidade de cada ser-aí, ao mesmo tempo que Heidegger identifica algumas estruturas ontológicas, ou seja, alguns existenciais que caracterizarão o ser-aí na sua analítica do Dasein presente em Ser e tempo. Tal peregrinação ontológica abre espaço para nos aproximarmos das diferentes possibilidades de como o Dasein existe, ou seja, está aberto ao ser dos entes e a si mesmo como âmbito de compreensão pessoal (selbst).
Pensar o homem como Dasein abre a perspectiva de se desconstruirem as referências metafísicas modernas do homem como homem-sujeito e todas as conseqüências de um “pensamento forte” que se originou na modernidade com o entendimento do homem à luz do cogito, do “penso, logo existo”24. Essa descoberta funda o modo de ser do moderno. O homem passa a ser sujeito, subjectum, ou seja, aquele que está na base de tudo. Saímos, de certo modo, do teocentrismo da Idade Média para o antropocentrismo da Modernidade.
“O homem-sujeito, subjectum, é aquele no qual se funda todo o
existente à maneira de seu ser e de sua verdade. A esta nova situação do homem corresponde uma nova maneira de perceber a totalidade do existente. Chamamos comumente de mundo à totalidade do existente; e aqui se inclui não apenas a natureza, mas também a história e também a relação com o mundo – a mundaneidade. Se o homem é o sujeito – sub-jectum à modo do cogito – o si próprio, a realidade e os outros homens são objetos representados: o mundo, então, se configura como imagem do mundo” (OLIVEIRA DIAS, 1978, pp. 18-19).
O homem é o sujeito que contracena com o objeto, pois “...o homem passa a ser o representante do existente no sentido do que está em frente”. Esse novo posicionamento do homem diante do mundo, de um mundo que se configura como imagem do mundo, faz-nos assistir à soberania do sujeito e à conseqüente escalada de intervenções cada vez mais abusivas do homem junto a tudo que ele encontra. Uma das tarefas da desconstrução, tal como temos observado neste capítulo, compreende a passagem do homem-sujeito. Este posicionamento forte
do homem moderno deverá ser desconstruído em favor de um sujeto-deboli, de um sujeito fraco, no dizer de Gianni Vattimo25.
O pensamento forte26, que se instalou na modernidade, trouxe alcances significativos e em consonância com o projeto metafísico da modernidade que visava à emancipação dos homens, quer em relação à natureza, expandindo os seus horizontes, quer dominando e controlando o real.
Podemos dizer que as pedagogias exercidas na modernidade seguiram esse roteiro orientativo em direção à confirmação do homem como sujeito. Podemos dizer que o itinerário orientativo da “pedagogia da desconstrução”, caminha em direção a um sujeito-fraco, portanto aberto à condição em que, sem um fundamento estável para se ancorar, é preciso encontrar saída num outro modo de relação, que envolve o compartilhar e a aceitação de sua indigência como lugar de conciliação com tudo o que ele encontra (Deus).