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REGRESJONSANALYSE

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Este último eixo se propõe a apresentar a opinião dos adolescentes sobre sexualidade, cujas perguntas que o compuseram foram: a) o que é sexo para você? b) O que é sexualidade para você? e c) De quem é a responsabilidade de orientar sobre sexualidade.

Para estes adolescentes sexo é amor, é desejo, é genitalidade, é uma relação heterossexual, é algo que oferta prazer e, surpreendentemente, embora em média muito jovens, é algo que envolve prevenção. Percebe-se pelas respostas obtidas que entendem sexo como algo geral, normal e extremamente físico, características estas que estão de acordo com a fase dos pesquisados: adolescência precoce, onde a curiosidade pelo corpo e pelo corpo do outro prevalece e devaneia os seus pensamentos e sentimentos, estes últimos, por vezes platônicos (Souza et al., 1996; Costa e Souza, 1998; Costa et al., 2001):

“É onde o homem e a mulher se relacionam.”

“É um homem e uma mulher que sentem desejos um pelo outro.” “Sexo é uma forma da pessoa sentir prazer pela outra.”

“Sexo para mim é quando o casal faz com amor.”

"Eu não sei por que eu nunca tive relação sexual. Mas eu acho que pe uma coisa que tem que tomar cuidado".

“Sexo para mim é quando um homem e uma mulher se deitam juntos e unem os dois sexos o masculino e o feminino.”

“É prazer todas as horas é um jeito de um homem se comunicar com a mulher, dando prazer a ela.”

“É a união de dois aparelhos reprodutivos humanos. O masculino e o feminino, ou seja o óvulo e o espermatozóide.”

"Entre um casal só pode ter sexo depois do casamento e sempre que for fazer tem que usar camisinha para não pegar doênças transmisiveis".

“Sexo pra mim não é só transa, é muito mais que isso é um ato de amor entre duas pessoas. Pra mim também é algo muito íntimo.”

“É uma relação de pênis para vagina que pode causar gravidez.” “Sexo para mim é uma forma de amor, e de prazer para as pessoas.”

“Quando o homem transa com uma mulher e ele introduz o penis na vagina dela.” “É muito bom. É uma forma de amor. É gostoso. É uma forma de gerar uma vida.”

Em relação ao o que é sexualidade, as respostas em alguns pontos não diferem dos conceitos para sexo. Sendo presentes ainda o corpo biológico, pois sexualidade é a relação sexual em si, efetivamente, é o ato sexual. Outros conceitos que surgiram foram: orientação sexual (“São nosso desejos, preferencias e experiencias.”), transformação corporal ("É a transformação do meu corpo, ormônios, etc."), assédio/violência (“Fazer amor, estuprar, transar, se amor, se gostar.”) e preocupação com as consequências do exercício da sexualidade, principalmente a gravidez (“São dicas para a prevenção contra gravidez e precauções ao engravidar.”). Tais resultados demonstram de fato que os adolescentes não conseguem diferenciar sexo de sexualidade. Entendem, então, que sexo é o ato sexual que envolve contato físico, mas não compreendem que sexualidade é elemento fundamental para a identidade geral, sendo delineada desde os primeiros instantes da vida e definida na tão complexa fase da adolescência.

“É quando um homem tem a relação sexual com uma mulher.” “É ser sexy.”

“É ser gostoso.”

“É tudo relacionado a sexo.”

“É fazer sexo somente por amor e não só por prazer.”

Quanto a responsabilidade de orientar sobre sexualidade, na perspectiva destes adolescentes, os pais são os responsáveis por este norteamento e esclarecimento, seguidos dos médicos/enfermeiros e num número de vezes menor, os professores. Característica que, mais uma vez, está de acordo com o perfil dos adolescentes classificados na fase precoce, quando estão mais vinculados às figuras de autoridade e família (Souza et al., 1996; Costa e Souza, 1998; Costa et al., 2001):

“Professores, médicos e pais. Porque eles sabem bastante sobre isso.” “Médicos, tem mais experiência nesta área.”

“Médicos e pais porque eles tem afinidades.”

"Pais. Porque eles são as unicas pessoas em quem confio".

“Dos pais e também de qualquer outro órgão público orientando e esclarecendo os jovens hoje, evitaremos e controlaremos uma seria de problemas que ocorrem atualmente em nossa sociedade, como gravides precosse, doenças sexualmente transmissíveis, e consequentemente, todos os outros problemas que se desencadiam através destes, como problemas intelectuais, culturais, financeiros, piscicologicos, etc.”

“Mãe, médicos, enfermeiros, ginecologistas e professoras. Porque em casa, na consulta médica e na escola são locais ideiais para explicar, eu acho.”

“Responsáveis e escola porque são os locais que convivemos.” "Pais. Nos crianças temos mais confiança e menos vergonha". "Meus pais. Por é meus responsáveis."

Foi realizado trabalho em nosso meio que mostra que na concepção de professores a responsabilidade de orientar sobre sexualidade é dos pais (Jardim e Brêtas, 2006). Portanto, parece que tanto o adolescente quanto o professor, de modo geral, concordam que os pais são os principais responsáveis na abordagem desse assunto. Embora boa parte dos adolescentes conversem sobre o tema com seus pares para tirar dúvidas (Tabela 8). Deixam claro, agora, que a responsabilidade de ensinar, portanto, falar sobre o tema é de seus pais, além da sociedade, envolvendo órgãos públicos, professores e médicos que são figuras de poder.

A sexualidade é um aspecto central da experiência humana ao longo da vida e abrange o sexo, identidades e papéis de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução (...) A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, étnicos, legais, históricos, religiosos e espirituais (OMS, 2002).

De certa forma, numa linguagem menos elaborada, mais simples, os adolescentes apontaram muitas das características apresentadas pela OMS no entendimento do que é a sexualidade.

Médicos, enfermeiros e professores são, principalmente, comunicadores e podem desempenhar importante papel na discussão e ampliação da concepção do que é sexualidade e de orientação da forma do exercício seguro e prazeroso.

Seu papel de educador pode ser desenvolvido no âmbito de consultas, em sala de aula e fora dela, funcionando como um facilitador frente às questões do adolescente. O que o adolescente espera desta figuras de poder: médicos, enfermeiros e professores? Possivelmente orientações, conselhos e identificações fazendo parte de um olhar diferenciado e atento se apropriando de metodologias e saberes específicos para dar suporte adequado e resolutivo para cada situação que vivenciam.

Contribuições

Embora os resultados da parte quantitativa sejam superponíveis a resultados já relatados na literatura foi importante para a caracterização do universo estudado, tendo-se observado que se trabalhou com adolescentes de 13+0,63 de idade, portanto na fase da adolescência precoce. Assim sendo, se pode colher informações e se entender melhor sobre o que parece oportuno principalmente saber sobre sexualidade, para esta idade, e a partir de seu pensar organizar ações preventivas que os atinjam efetivamente, pois é fase de curiosidade, experimentação e, portanto, exposição a riscos.

Maior contribuição oferece o estudo qualitativo que enfoca a visão do próprio adolescente sobre o tema e sobre a atuação de profissionais (médicos, enfermeiros e professores) na abordagem do tema apontando para a necessidade de atualização e instrumentalização do professor, atuação conjunta com o setor de saúde, desenvolvimento ações de promoção de saúde sexual e reprodutiva regionalizadas com atuação no próprio bairro do estudante, envolvendo a participação da escola e promovendo o desenvolvimento de material específico, estimulante, lúdico, que preveja a disseminação "extra-muros" da informação, portanto, promovendo ações conjuntas de ordem interdisciplinar, utilizando recursos pedagógicos.

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