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OPINIÃO, CONHECIMENTO E ATITUDES DE ADOLESCENTES SOBRE A SEXUALIDADE – UMA CONTRIBUIÇÃO PARA PROFESSORES, MÉDICOS

E ENFERMEIROS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciências.

Orientadora: Dra. Maria Sylvia de Souza Vitalle

Guarulhos 2011

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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E SAÚDE NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

Diretor Acadêmico: Prof. Dr. Marcos Cezar de Freitas

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OPINIÃO, CONHECIMENTO E ATITUDES DE ADOLESCENTES SOBRE A SEXUALIDADE – UMA CONTRIBUIÇÃO PARA PROFESSORES, MÉDICOS

E ENFERMEIROS

Guarulhos, ____ de _____________ de 2011.

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Profa. Dra. Maria Sylvia de Souza Vitalle UNIFESP Presidente da Banca _______________________________________ Prof. Dr. ______________________________ Instituição_____________________________ _______________________________________ Prof. Dr. ______________________________ Instituição_____________________________ _______________________________________ Prof. Dr. ______________________________ Instituição_____________________________

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Aos meus pais que sempre confiaram e acreditaram em mim; que estiveram e estão ao meu lado, apoiando-me em qualquer decisão tomada; que compreenderam as minhas crises e a pressão no desenvolvimento desta pesquisa; que com afinco me demonstraram os verdadeiros valores da vida. Seria injusto neste momento dizer-lhes apenas “muito obrigada”, pois não há palavras sinônimas para expressar a imensidão da minha gratidão, afinal eles fizeram de mim o que sou.

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À Deus que em sua infinita sabedoria, sabe sempre o que é melhor para nós.

À minha orientadora, Profa. Dra. Maria Sylvia de Souza Vitalle que sempre esteve à disposição para auxiliar-me em qualquer momento. Agradeço a amizade, as nossas conversas, nossas risadas, nossos cafés e almoços, aos puxões de orelha, a inigualável paciência, ao apoio e a confiança em momentos nos quais nem eu mesma tinha certeza de ser capaz.

Ao Diretor Acadêmico do campus UNIFESP de Guarulhos e querido professor, Dr.

Marcos Cezar de Freitas, que permeado de paciência sempre se colocou a disposição em

qualquer momento para sanar dúvidas, orientar, ensinar e repreender. Sem seus conhecimentos sobre a criança do ponto de vista educacional, nada poderia ser visto com a perspectiva apresentada nesta pesquisa.

Ao meu então chefe e amigo, Dr. José Carlos Hass que sempre apoio o meu desenvolvimento acadêmico e profissional, fomentando e implementando as minhas referências e revisando os meus textos.

Aos meus amigos, que são poucos, mas valem por muitos. Que compreenderam as minhas crises e devaneios. Que sempre estiveram comigo neste caminho.

Ao corpo docente, discente e administrativo da Escola Municipal de Ensino

Fundamental General Newton Reis, que de forma acolhedora e dedicada me permitiram

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“As coisas têm muitos jeitos de ser, depende do jeito que a gente vê. O comprido pode ser curto e pouco pode ser muito. O manso pode ser bravo e o escuro pode ser claro. O fino pode ser redondo e o doce pode ser amargo. O quente pode ser frio e o que parece um mar também pode ser um rio. (...) Quem já se queimou num pedaço de gelo e sentiu muito frio depois de um banho quente não pode se espantar do frio poder queimar e o quente também esfriar. Uma árvore é tão grande se a gente olha lá para cima, mas do alto de uma montanha ela parece tão pequenina. Grande ou pequena depende do quê? Depende de onde a gente vê. ... O pouco pode ser muito, o quente pode ser frio, Será que tudo está no meio e não existe só o bonito ou só o feio?

O comprido pode ser curto, o fino pode ser redondo, Parece mesmo que no fim o bom pode ser ruim, E, neste caso então, por que não o ruim pode ser bom? Curto e comprido, bom e ruim, vazio e cheio, bonito e feio - são jeitos das coisas serem, depende do jeito da gente ver. Ver de um jeito agora e de outro jeito depois, ou melhor ainda, ver na mesma hora os dois.” - Jandira Mansur –

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Objetivo: verificar os conhecimentos e atitudes de adolescentes estudantes frente à

contracepção, principalmente a de emergência, como e com quem foram adquiridos e sua opinião sobre como médicos, enfermeiros e professores podem melhor contribuir para sua orientação sexual. Método: de agosto a novembro de 2010, foram aplicados questionários em sala de aula, da EMPG Gen. Newton Reis. Utilizou-se questionário semi-estruturado, autopreenchível, anônimo, contendo perguntas gerais sobre sexualidade, métodos contraceptivos, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, dúvidas quanto às transformações corporais e de como professores, enfermeiros e médicos podem auxiliar os adolescentes escolares a sanar suas dúvidas. Consistiu em pesquisa de caráter observacional, descritiva, quanti-qualitativa, corte transversal, prospectivo cuja técnica de investigação foi perguntas fechadas (quantitativas) e abertas – sob a forma de testemunho (qualitativas).

Resultados: Dos 196 alunos matriculados de 5ª a 8ª séries 176 alunos presentes na ocasião da

aplicação do questionário, 107 apresentaram a autorização (TCLE e TA). O percentual dos adolescentes do sexo feminino prevalece (62%). A idade média é de 13 anos entre os estudantes de 5ª. a 8ª. série do ensino fundamental. A maior parte dos adolescentes estudantes ainda não teve a primeira relação sexual (63% - masculino/ 86% - feminino). A menarca apareceu na idade média de 11 anos (27%). Os adolescentes estudantes não passam por consulta médica periódica (61% - masculino /58% - feminino). Conclusões: O método contraceptivo mais conhecido pelos adolescentes do sexo masculino e do sexo feminino é a camisinha masculina, conhecida, também, como condom. Sendo que a principal fonte de informação para o seu conhecimento dos métodos contraceptivos difere entre os grupos. Para o grupo masculino a principal fonte são os amigos e a escola; e para o grupo feminino são o professor e a família. Referente à opinião do adolescente escolar de como médicos, enfermeiros e professores podem contribuir para a sua orientação sexual. Segundo o seu ponto de vista, o professor não está preparado para abordar a temática de sexualidade em sala de aula simplesmente pelo fato de não serem técnicos da área.

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Objective: verify the knowledge and attitudes of teenage students about contraception,

specially the emergency one, how and with whom they acquired them and their opinion about how doctors, nurses and teachers can best contribute to their sexual orientation. Method: from August to November 2010, questionnaires were distributed in classrooms of EMPG Gen. Newton Kings. Using semi-structured, anonymous and self-filling questionnaires containing general questions about sexuality, contraception, pregnancy, STDs, doubts regarding body transformations and how teachers, nurses and doctors can help teenage students to clarify their doubts. It was consisted of observational, descriptive, quanti- qualitative, forward-looking cross cutting research, in which technique of research was closed questions (quantitative) and open questions – in the form of testimony (qualitative). Results: From 196 students enrolled from 5th to 8th grades, 176 students present at the time of application of the questionnaire, 107 presented the authorization (TCLE and TA). The percentage of female adolescents prevails (62%). The average age is 13 years among students from 5th to 8th grades of elementary school. The majority of teenage students haven't had the first sexual intercourse (63%-86%-male/female). The menace appeared in the average age of 11 years (27%). The teenage students don´t undergo periodic medical consultation (61%- 58%-male/female). Conclusions: the contraceptive method known by male and female adolescents is the male condom. The main source of information for their knowledge of contraceptive methods differ among groups. For boys, the main source are friends and schools; and for girls are teachers and the family. Concerning the adolescent's opinion about how schools, doctors, nurses and teachers can contribute to their sexual orientation. According to their point of view, the teachers are not prepared to address the theme of sexuality in classrooms, simply because they are not from this technical area.

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Tabela 1 – Caracterização da população segundo sexo, idade, série,

relação sexual, idade da menarca e consultas médicas... Pág. 22 Tabela 2 – Conhecimento dos adolescentes estudantes sobre os métodos

contraceptivos... Pág. 23 Tabela 3 – Atitude dos adolescentes estudantes sobre o uso dos métodos

contraceptivos... Pág. 24 Tabela 4 – Conhecimento dos adolescentes sobre o período

menstrual... Pág. 25 Tabela 5 – conhecimento dos adolescentes sobre a contracepção de

emergência (“pílula do dia seguinte”)... Pág. 26 Tabela 6 – Opinião dos adolescentes sobre a contracepção de emergência

(“pílula do dia seguinte”)... Pág. 28 Tabela 7 – Opinião dos adolescentes sobre o conhecimento sexual na

escola... Pág. 29 Tabela 8 – Opinião dos adolescentes sobre segurança na troca de

xi AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida CE – Contraceptivo de Emergência

DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente MEC – Ministério da Educação e Cultura OMS – Organização Mundial de Saúde PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais TA – Termo de Assentimento

TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TTs – Temas Transversais

UBSs – Unidades Básicas de Saúde

xii Fundamentação teórica... Pág. 01 Justificativa... Pág. 08 Objetivos... Pág. 10 Métodos... Pág. 12 Resultados... Pág. 20 Resultados quantitativos... Pág. 21 Resultados qualitativos... Pág. 31 Discussão dos resultados quantitativos... Pág. 32 Discussão dos resultados qualitativos... Pág. 40 Contribuições... Pág. 56 Limitações do estudo... Pág. 57 Conclusão... Pág. 58 Considerações Finais... Pág. 60 Referências Bibliográficas... Pág. 62 Fontes Consultadas... Pág. 71 Apêndices... Pág. 73 Anexos

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A paixão pela leitura foi percebida já na infância. Desde pequena brincar de ser professora demonstrava o meu futuro. Escolhi uma graduação que estivesse voltada para o meu prazer: a leitura. Assim, estudei Letras com habilitação em Espanhol. Comecei a trabalhar na área da docência já no último ano da universidade. Ministrei aulas por quatro anos consecutivos nas escolas estaduais de São Paulo, iniciei a minha pós-graduação lato- sensu na Pontifica Universidade Católica de São Paulo em Ensino de Espanhol para Brasileiros, quando recebi uma proposta de trabalho: atuar como secretaria de um Diretor Técnico em um grande hospital de São Paulo. Como gosto de desafios e estava desestimulada na área educacional, aceitei o convite.

Descobri que não bastava apenas interpretar corretamente os textos, mas precisava conhecer os termos técnicos utilizados. Fui em busca de conhecimentos. Terminei a pós- graduação da PUC e já iniciei outra em Administração dos Serviços de Saúde, concomitante ao outro curso de Administração Hospitalar e Administração em Controles de Infecções em Saúde. Comecei, assim, a familializar-me com os termos.

Mas, não estava contente. Algo me faltava. Precisava lecionar para me sentir profissional. Comecei a atuar em escolas privadas e logo estava ministrando aulas no ensino superior em faculdades privadas. Minha produção melhorou muito e fui convidada a assumir a Coordenação de Qualidade Hospitalar de um hospital de médio porte. Novo desafio aceito.

A partir deste momento, comecei a buscar mestrados que contemplassem a minha formação e acrescentassem na minha carreira acadêmica. Foi quando um amigo me informou que havia um campus da Unifesp em Guarulhos e que tinha um programa de mestrado contemplando as áreas de saúde e educação. Como ele mora próximo a Unifesp, ficou de buscar as informações. Logo pela manhã seguinte ele me ligou desesperado, informando que aquele era o último dia para inscrição e encaminhamento de um projeto. Como eu já tinha uma proposta desenhada, na mesma hora acessei o site e enviei o meu projeto.

Fiz a prova e a entrevista com a minha orientadora. Naquele momento sabia que tinha recebido um presente. Meu chefe me deu todo apoio e me liberou para freqüentar as aulas, claro que em troca de plantões de finais de semana para repor a carga horária. Um ano depois, recebi nova proposta na minha carreira: assumir a Gerência de Qualidade de onze hospitais do município de São Paulo.

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forma diferente de ver a sexualidade; Prof. Dr. Brêtas que com sua metodologia em aula, nos deu autonomia para caminharmos sós, mas sem estar fora do alcance de sua supervisão.

Desde o primeiro encontro, agradeço sempre pela minha orientadora. Consegui vencer mais um desafio, fazer o mestrado com três empregos não é algo impossível, como me falaram no começo. É uma questão de administração e perseverança.

O trabalho abordado na dissertação veio, inclusive, dar subsídios a dificuldades no meu percurso de docente, pois a abordagem de Temas Transversais sempre é difícil, demandando maior energia para os docentes, pois, tem que perpassar todas as disciplinas e algumas delas não se têm nenhuma intersecção.

Esta etapa que se finda contribuiu para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Mostrou-me que o meu caminho da vida acadêmica sempre esteve correto. Fica a contribuição dos vários olhares sobre a criança e os adolescentes. As várias formas de abordagem que confluíram para a mesma perspectiva.

Toda esta pesquisa foi trabalhosa e enriquecedora, desde a formulação e desenho da proposta até o momento final. A entrega deste material representa muito mais que simples resultados obtidos de dados tabulados e analisados. A apresentação desta dissertação é o produto final de inúmeras etapas desenvolvidas minuciosamente. É a realização de um sonho.

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A adolescência é a etapa da vida fixada entre a infância e a fase adulta, marcada por inúmeras transformações de crescimento e desenvolvimento biopsicossocial (Ministério da Saúde, 2005; Heilborn et al., 2006; Schoen-Ferreira et al., 2010). Para efeitos legais o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA - fixou a faixa etária de 12 a 18 anos o período compreendido como adolescência e a Organização Mundial de Saúde - OMS, 1975 - relaciona este período à segunda década da vida, ou seja, período compreendido de 10 a 19 anos.

As novas instituições, criadas ou remodeladas pelo discurso médico e psicopedagógico, surgiram em virtude da necessidade de instituir dispositivos apropriados para a educação de crianças e jovens com o objetivo da produção de novos sujeitos (César, 2008).

Historicamente, o adolescente começou a ser estudado em 1904, por Stanley Hall, apresentando o “adolescente americano”, em sua obra Adolescence. Estudo realizado com base em suas observações e influenciado pela teoria de evolução das espécies de Darwin, apresenta-se assim, as primeiras explicações sobre as transformações entre os estágios de criança e adulto (Melvin e Wolkmar, 1993; Mussen et al., 1997; Santrock, 2003; Cole e Cole, 2004).

De forma geral, Hall apresenta a adolescência como uma fase importante para todo o desenvolvimento humano, iniciando a maturação do organismo para a reprodução. É nesta fase que todas as influências permearão a vida adulta do indivíduo, principalmente pelas instituições em que ele convive: religião, economia, política, moral, entre outras (Formigli et al., 2000; Schoen-Ferreira et al., 2010).

O conceito de adolescência envolve um campo mais amplo de desenvolvimento biopsicossocial. A puberdade constitui apenas uma parte da adolescência cujas características são predominantemente influenciadas pela aceleração e desaceleração do crescimento físico, da mudança nítida do corpo, da eclosão hormonal e da maturação sexual (Ministério da Saúde, 2005; Santos, 2005; Ciampo e Ciampo, 2010; Silva et al., 2010; Schoen-Ferreira et al., 2010).

Assim como Freitas e Biccas (2009) entendem que infância e criança não são termos sinônimos, pois infância é um período social e criança é um período biológico, Schoen- Ferreira et al. (2010) entende que puberdade está relacionada às transformações, ao fisiológico, enquanto que adolescência está relacionada com os elementos psicossociais. Desta forma, a puberdade simboliza em meninas e meninos o estirão do crescimento e o desenvolvimento das características secundárias, ou seja, referencia-se aos fenômenos

fisiológicos e anatômicos, tendo como principal propulsor às alterações hormonais que preparam o adolescente para a reprodução.

A adolescência relaciona-se às mudanças psicossociais ocorridas nesta faixa-etária. É neste momento que se estabelece a identidade sexual, a individualização e a definição de sua identidade. Todavia, este período – adolescência – não tem sempre as mesmas características, expressões e formas, ela sobre alteração em todas as culturas, pois é o resultado das influências vivenciadas no meio em que se convive. Assim sendo, a adolescência é vista como um período da vida. Apesar de toda a evolução mundial, este período ainda é muito bem vigiado, isto pelos inúmeros motivos de desconfianças dos adultos que tenta controlá-lo de várias formas (Caramaschi, 2006; Ciampo e Ciampo, 2010).

Conforme o corpo se transforma e adquire a formação adulta, o adolescente se molda na imagem definitiva do seu sexo (Caramaschi, 2006).

Claro está que a adolescência é um período de transformações, questionamentos e curiosidades, principalmente relacionadas a sexualidade e ao sexo. É nesta fase que os adolescentes tomam conhecimento das transformações hormonais, das doenças sexualmente transmissíveis – DSTs – e dos métodos contraceptivos. Por vez, se não na maioria delas, é nesta fase que se inicia a atividade sexual e como fruto de atividade não planejada, ainda como forma de experimentação, pode acontecer a gravidez inoportuna, causando “transtornos” para o evoluir do desenvolvimento saudável da adolescente.

“O exercício da sexualidade na adolescência poderá constituir risco de grau variável para comprometimento do projeto de vida e até da própria vida, bastando para isto lembrar conseqüências como a gravidez precoce, o aborto, AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis” (Saito e Leal, 2000).

A gravidez na adolescência ocorre sem planejamento ou pretensão e, normalmente, é fruto de relacionamentos instáveis. Os riscos a saúde da adolescente são inúmeros como, por exemplo: o aborto, anemia, eclâmpsia, desproporção cefálico-pélvica, hemorragia, parto prolongado e até a morte materna (Saito e Leal, 2007). Sua conseqüência também tem reflexos na estrutura familiar e muitas vezes, por vergonha ou medo, o abandono escolar (Yazlle, 2006).

“A escola é a experiência organizadora central na vida da maioria dos adolescentes. Ela oferece oportunidades para adquirir informações, dominar novas habilidades, aperfeiçoar as já adquiridas, participar nos esportes, nas artes e outras atividades, explorar as opções vocacionais e estar com os amigos, com ampliação de horizontes intelectuais e sociais” (Caramaschi, 2006).

A prevenção da gravidez não planejada pode ser reduzida em, aproximadamente, 50% quanto utilizado um programa de planejamento familiar articulado com a adolescência (Fernández et al., 2008).

Dentre as várias formas de contracepção existentes, o contraceptivo de emergência – CE – embora conhecido de longa data, é método moderno, porém com divulgação ainda inadequada e insuficiente. Existe hoje, no universo dos serviços de saúde pública e dos órgãos responsáveis pelas políticas na área de saúde reprodutiva do país, um esforço para divulgar e disponibilizar esta alternativa emergencial para ser usada. Cabe salientar que este não é um método contraceptivo típico; seu uso deve ser exceção e seu acompanhamento, preferencialmente, deve ser feito por profissional da saúde (Silva e Surita, 2008). Daí a importância de diagnosticar o conhecimento dos adolescentes escolares sobre este método.

Estudos realizados no início do século passado demonstraram que os extratos de estrógenos produzidos pelo ovário influenciavam na gravidez dos mamíferos. Os usos dos estrógenos após relações sexuais em seres humanos só começaram a ser utilizados na década de 40, no entanto demonstrações científicas só começam a aparecer depois dos anos sessenta (Botell e Bermúdez, 2006). Nesta época, as mulheres norte-americanas já utilizavam as concentrações de etinilestradiol ou de dietilestilbestrol em emergências nas relações sexuais desprotegidas e sem intenção de gravidez (González, 1998; Machado, 2001).

Conhecido como a “pílula do dia seguinte”, embora se prefira evitar esta nomenclatura porque pode causar confusão, dando a falsa idéia de que se deve usá-lo somente no dia seguinte à relação sexual (Peláez, 2001) e, na verdade, seu uso está previsto para os cinco primeiros dias pós-coito desprotegido, em que pese a medida que o tempo passa sua eficácia diminua (Vitalle e Reato, 2006). Este método é seguro, atua impedindo a ovulação ou fertilização e possivelmente a implantação do blastocisto depois da fertilização. Não é método abortivo, e tem como único objetivo a ação de evitar a ovulação ou impedir a migração dos espermatozóides (Trussel et al., 1997; OMS, 1998; Rivera et al., 1999; IPPF, 2004; Vitalle e Reato, 2006). No entanto, cabe salientar que o perfeito resultado do método está intimamente ligado ao conhecimento que a usuária tem sobre sua a utilização e em quais circunstâncias poderá fazer o seu uso (Galvão et al., 2000; Rocca et al., 2007). O uso correto é eficaz e serve para criar consciência preventiva, reduzindo a gravidez não planejada e, conseqüentemente, o aborto. Para tanto se faz necessário que a informação e a cultura de uso correto seja disseminada, pois a transmissão de informação entre os adolescentes predispõe ao uso não orientado, repetitivo ou até contínuo do método (Figueiredo e Conceição, 2008). É importante salientar que a utilização errada do CE é prejudicial em dois aspectos fundamentais: primeiro

a sobrecarga hormonal e, conseqüentemente, diversos efeitos colaterais no metabolismo que vão desencadear sintomas, principalmente gástricos, circulatórios e de cefaléia (Ministério da Saúde, 2005), segundo é eficaz do ponto de vista contraceptivo, porém, o uso regular desregula o ciclo menstrual e termina facilitando a ineficácia do método, favorecendo a gravidez (Figueiredo e Peña, 2000).

Desta forma, não se recomenda o uso indiscriminado havendo as seguintes indicações: a) relação sexual sem uso rotineiro de método anticonceptivo;

b) falha reconhecida ou presumida do método utilizado de rotina – rompimento do preservativo ou deslocamento do diafragma;

c) uso inadequado de anticonceptivo – esquecimento (seja oral ou injetável), cálculo incorreto do período fértil, interpretação errada da temperatura basal;

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