kommune
2.4 Regional statsforvaltning .1 Fylkesmennene
Como foi referido anteriormente os cuidados éticos nesta investigação relacionaram-se sobretudo com o perfil dos participantes do focus group, visto que eram crianças com idades compreendidas entre os oito e os onze anos.
Considerando o tema do trabalho de investigação, apresentam-se alguns tópicos importantes relativamente à participação activa das crianças no processo de investigação. Assim, a este nível, a participação das crianças poderá ser promovida a diferentes formatos de “escuta” (Oliveira-Formozinho, 2008:19), nomeadamente, a entrevista, a observação e o registo, a documentação fotográfica ou análise das produções das crianças, o «focus group», etc. Neste âmbito remetemos sobretudo para o formato de escuta das vozes das crianças no «grupo de discussão focalizada», referenciando as considerações relativas aos procedimentos metodológicos, as considerações relativas à consistência e validade dos discursos das crianças e as considerações relativas à ética.
Clark e Moss (2001) valorizam a escuta das vozes das crianças, no sentido de considerar com seriedade as suas ideias e perspectivas, indicando a sua participação no diálogo e na tomada de decisões democráticas.
A recolha de dados junto de crianças poderá constituir um processo complexo, visto que é importante ter em conta alguns aspectos, designadamente, o contexto da investigação e o papel do moderador/investigador.
O contexto pode ser considerado muito relevante no contacto com as crianças para a recolha de dados, explicado pelo facto de a expressão da personalidade da criança, em termos comportamentais e atitudinais, ser, frequentemente, dependente do contexto (Scott, 2000 cit. in Formosinho, 2008). Assim, considera-se o contexto familiar e o contexto escolar como dois contextos que promovem a motivação e reduzem a ansiedade da criança. (Greig e Taylor, 2001).
Deste modo, para facilitar a recolha de dados junto das crianças e facilitar o envolvimento das mesmas na discussão em grupo, escolheu-se, no presente estudo, o contexto mais adequado – o contexto escolar.
No que concerne ao papel do moderador/entrevistador, este foi sem dúvida um aspecto relevante não só do ponto de vista técnico, no que diz respeito à execução do guião do «focus group», mas do ponto de vista da atitude, referente à flexibilidade do moderador na comunicação com as crianças. Este foi um papel difícil, visto que o moderador não tendo muita prática na execução da técnica de grupo de discussão focalizada com crianças, pode cometer vários erros e isso poderia comprometer o objectivo da investigação.
Segundo Graue e Walsh (1995 cit. in Formosinho, 2008), os investigadores tendem a cometer dois erros cruciais quando entrevistam crianças: o primeiro é o de assumirem que as crianças são demasiado imaturas para serem capazes de responder de forma adequada, utilizando a linguagem necessária para expressarem as suas ideias, e o segundo é de que os entrevistadores assumem que as crianças percebem a situação de entrevista tal como os adultos.
A consistência e validade do conteúdo dos discursos das crianças, dependem das decisões relativas aos procedimentos, mas também de outros aspectos, tais como, a adequação de temas e questões colocadas, a importância dos objectivos de investigação, a reflexividade, ou a capacidade de o investigador recorrer a procedimentos metodológicos como a triangulação ou a análise da consistência interna (Formosinho, 2008:22).
Assim, relativamente à adequação de questões colocadas às crianças, o investigador deve certificar-se que as mesmas vão “medir” o conceito que se pretende estudar e garantir que estas deverão ser claras para que as crianças as interpretem de acordo com aquilo que é por ele (o investigador) pretendido (Scott, 2000).
A qualidade dos dados decorrentes, no caso do grupo de discussão focalizada, será optimizada se o moderador for competente no decorrer da discussão.
Com base no estudo de Scott, (2000), referem-se algumas orientações a ter em conta pelo investigador:
b) Dar à criança instruções concretas e compreensíveis no início da entrevista;
c) Evitar o questionamento directivo, de forma a não causar desconforto nas crianças;
d) Entrevistar a criança num contexto que lhe seja familiar.
Outro ponto indispensável na consistência e validade dos discursos das crianças é o conceito da reflexividade que é muito utilizado actualmente na metodologia de investigação, no âmbito de um paradigma qualitativo (Oliveira- Formosinho, 2008).
No estudo com crianças a reflexividade aparece como um processo em dois campos: por um lado caracteriza-se pelo discurso e prática dos investigadores, e por outro, pela atitude adoptada pelas crianças que participam na investigação.
Este processo reflexivo dual necessita que os investigadores estejam atentos às percepções relativamente às culturas das crianças. A investigação deve também ser entendida como um encontro de culturas e de linguagens: a metalinguagem do investigador e a linguagem quotidiana das crianças (Davis, Watson e Cunningham – Burley, 2000).
Na investigação todos aqueles que se encontram envolvidos têm o direito de serem tratados de forma ética e moralmente aceite. Isto aplica-se também, e com uma especial atenção, à investigação com crianças, visto que a investigação pode constituir uma forma de intrusão na vida do indivíduo.
Assim, apontam-se algumas linhas de orientação relativamente à ética do processo de investigação com crianças (Flewitt, 2005 cit. in Oliveira- Formosinho, 2008:25):
a) Consentimento informado da criança.
b) Consentimento informado dos pais ou responsáveis pela criança.
c) Dar por terminada qualquer sessão em que seja visível algum tipo de desconforto na criança.
d) Dar por terminada qualquer sessão, reassegurando, agradecendo ou reforçando a criança, no sentido de promover a sua auto-estima.
e) Garantir privacidade da criança no que concerne à sua imagem física e psicológica.
f) Garantir o anonimato no momento da divulgação dos resultados da investigação.