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2.2 Kommunenes uttalelser

A primeira fase da investigação iniciou-se com a recolha de dados, revendo-os e explorando-os de acordo com os objectivos do trabalho. Organizou-se e distribuiu-se o tempo, escolheram-se os sujeitos para entrevistar e os aspectos a aprofundar. E assim se foi edificando e reformulando planos e estratégias de acção.

3.5.1 Grupos de discussão focalizada4

Relativamente aos alunos recorreu-se à técnica e/ou método de grupos de discussão focalizada, onde crianças se juntaram para falarem sobre um tema proposto, neste caso, pela investigadora.

Segundo David L. Morgan (1997), o grupo de discussão focalizada é uma técnica qualitativa que tem como objectivo o controlo da discussão de um grupo de pessoas, inspirada em entrevistas não directivas. Permite a observação e o registo de experiências e reacções dos indivíduos participantes do grupo, que dificilmente seria possível captar por outros métodos, como, por exemplo, a observação participante, as entrevistas individuais ou os questionários.

O grupo de discussão focalizada, comparado a outras técnicas e/ou métodos, proporciona uma multiplicidade de situações e reacções no contexto do grupo. Esta técnica permite ao investigador uma maior flexibilidade na recolha de dados e pode ser utilizada isoladamente ou em conjunto com outras técnicas. Essa flexibilidade permite que o grupo de discussão focalizada seja utilizado como técnica de recolha primária de dados, ou em contexto que se torna necessária maior profundidade (Morgan, 1997).

Na investigação científica, esta técnica permite ampliar os seus objectivos, estando estes a cargo da criatividade metodológica do investigador.

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Apesar dos diferentes termos utilizados pelos autores para citar esta técnica de investigação, tais como «focus group» (Morgan, 1997) ou Grupo focal de (Gatti, 2005) optamos por uma questão de uniformidade utilizar o termo traduzido para português – grupo de discussão focalizada.

Assim, o papel do investigador/moderador do grupo de discussão

focalizada revela-se um aspecto essencial na aplicação e aproveitamento desta

técnica de investigação.

Os grupos de discussão focalizada são geralmente formados por sujeitos com características comuns, devendo-se assegurar o equilíbrio entre uniformidade e diversidade do grupo. A escolha das variáveis para a definição do perfil do grupo depende da natureza do objecto de estudo.

Neste estudo os grupos tinham características comuns: cada grupo era formado por crianças com a mesma idade, da mesma turma e que trabalhavam em salas de aula com o modelo pedagógico do «Movimento da Escola Moderna» portuguesa. Contudo, entre os três grupos existiam variáveis como a idade, a escola que frequentavam e o professor titular da turma. Outra variável importante a referir prende-se com o facto de dois dos grupos trabalharem com o modelo supracitado, pelo segundo ano consecutivo, enquanto o grupo do 4º ano apenas iniciou o contacto com este modelo no ano lectivo em que o estudo se realizou.

O grupo de discussão focalizada foi utilizado como técnica de pesquisa exploratória para o levantamento de dados sobre o objecto de pesquisa.

Na organização do grupo de discussão focalizada o investigador deve planear cuidadosamente todas as etapas do trabalho e, segundo indica a literatura, cada grupo de discussão focalizada deve abranger entre seis e doze participantes, não excedendo cinco grupos por projecto de investigação (Morgan, 1997; Suter, 2004).

Os grupos estudados foram três, formados por cinco a seis elementos cada e a investigadora, em qualquer dos casos, assumiu a função de moderador.

O moderador, como se referiu anteriormente, tem o papel importante na condução e realização do grupo de discussão focalizada, devendo exercer um papel de liderança, procurando, no entanto, não interferir na dinâmica do grupo ou monopolizar as intervenções dos participantes (Gatti, 2005). A sua função é promover a participação e interacção entre os sujeitos, assegurando que não haja dispersão, em relação aos objectivos estabelecidos. Cabe ainda ao moderador proporcionar um clima favorável à exposição de ideias por todos os participantes: O moderador da discussão “deverá fazer encaminhamentos

quanto ao tema e fazer intervenções que facilitem as trocas, como também procurar manter os objectivos de trabalho de grupo” (Gatti, 2005:9).

Neste campo, a experiência do moderador/investigador na condução de trabalhos com grupos foi importante, sobretudo na promoção do debate e no lançamento de questões abertas e desafios aos participantes.

Foi ainda relevante o conhecimento prévio das características dos participantes, das suas diferenças, das relações entre eles, dos contextos escolares dos mesmos, possibilitando uma interpretação e análise dos dados mais indicativa.

Por ser uma técnica de levantamento de dados que se produz pela dinâmica de interacção de um grupo, exige alguns cuidados éticos, no que concerne à intimidade e subjectividade dos sujeitos.

No caso específico, o cuidado ético básico relacionou-se com o perfil dos participantes, visto que eram crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico e, por isso, era necessária uma autorização por parte dos encarregados de educação e dos professores, para seguir em frente com a investigação. Outra preocupação foi a de expor a situação às crianças e a de revelar a importância da sua participação no grupo de discussão focalizada, estabelecendo um pacto de confiança entre o investigado/moderador e as crianças participantes, respeitando o anonimato e a confidencialidade.

Por conseguinte, outro dos cuidados éticos revela-se na forma como se vai lidar com os dados recolhidos, informações dadas em confiança ao moderador/investigador.

Como todo o procedimento metodológico, o grupo de discussão

focalizada tem suas vantagens e desvantagens.

Uma das principais vantagens diz respeito à quantidade de informação que se pode obter, a rapidez na recolha de dados, a flexibilidade do formato, a possibilidade de conciliação com outras técnicas de investigação e a possibilidade de observar a dinâmica do grupo, nomeadamente os processos e conteúdos cognitivos, emocionais, ideológicos, representacionais e colectivos e propicia a exposição ampla de ideias e perspectivas, a explanação de respostas mais complexas e o entendimento da lógica ou representações que conduzem às respostas (Gatti, 2005).

Por outro lado, uma das suas principais limitações desta técnica é o de estar sempre sujeita à interferência do moderador/investigador e das dispersões próprias de grupos.

Morgan (1997) realça o aspecto do papel do moderador/investigador, quando refere que as grandes virtudes do grupo de discussão focalizada são a confiança na habilidade do pesquisador, a sua eficiência e rapidez na recolha de dados em relação à observação participante.

Assim, o facto de o moderador/ investigador dirigir os grupos de discussão focalizada pode torna as intervenções dos participantes mais artificiais, o que pode influenciar os resultados obtidos. Também o próprio grupo pode influenciar a natureza dos dados produzidos, tornando-se dirigista num certo sentido (Gatti, 2005).

No entanto, o grupo de discussão focalizada pode trazer alguns benefícios aos participantes, como a oportunidade de ampliar o seu conhecimento e as suas perspectivas relativamente ao tema em questão e aprender a interagir em grupo cooperativamente, mesmo com contrapontos e conflitos (Gatti, 2005).

O recurso a esta técnica para a concretização do estudo foi um verdadeiro desafio, visto que os participantes têm a particularidade de serem crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico. Para além de que, estamos a estudar um grupo numa organização escolar muito peculiar como foco de estudo.

3.5.2 As entrevistas

As entrevistas foram realizadas aos professores pertencentes ao Movimento da Escola Moderna. A escolha do tipo de entrevistas teve em conta a natureza e os objectivos da investigação. Assim, optou-se por um tipo de entrevistas - as entrevistas semi-estruturadas ou semidirectivas, visto que se pretendia obter dados comparáveis entre os vários sujeitos (Biklen e Bogdan, 1994:137).

Utilizou-se um guião como instrumento de gestão das entrevistas (Anexo 1), constituído por questões de pesquisa e eixos de análise do projecto de investigação. Este guião serviu para orientar as entrevistas permitindo, no entanto, a liberdade ao entrevistador de estabelecer uma conversação de

forma livre e exploratória, com o objectivo de obter o máximo de informação dos entrevistados. Foi um processo que pretendeu a clarificação e flexibilidade dos discursos e pontos de vista.

Este tipo de entrevista de formato intermédio entre as entrevistas estruturadas e as não-estruturadas tem vantagens relativamente ao seu grau de “directividade”, ou melhor, “não-directividade” (Bardin, 1977), uma vez que permite, por um lado, alguma autonomia na gestão da entrevista por parte do investigador e, por outro, não limita excessivamente o campo de investigação, como acontece com as entrevistas estruturadas (Afonso, 2005).

3.5.3 Análise documental

Por último escolheu-se também para análise de dados alguns registos dos sujeitos, nomeadamente dos alunos, que fazem parte da organização e regulação do trabalho escolar: os Planos Individuais de Trabalho (PITs). Estes documentos produzidos pelos alunos são utilizados como parte do estudo, são dados complementares, que permitem uma melhor compreensão da problemática em causa.

Biklen e Bogdan (1994) retratam os registos dos alunos e outros (memorandos, minutas de encontros, boletins informativos, etc) como “documentos oficiais”, sendo o interesse do investigador o de compreender como a escola é definida por várias pessoas, numa “perspectiva oficial”.

Dentro deste leque de “documentos oficiais” encontram-se os registos sobre estudantes e ficheiros pessoais, que seguem a criança ao longo da sua carreira escolar (Biklen & Bogdan, 1994:182).

Apesar de nem todas as escolas partilharem dos registos que se pretende estudar (os Planos Individuais de Trabalho), e estes poderem não ser considerados como “oficiais”, são no entanto uma fonte estimável de dados que possibilitam conhecer melhor as perspectivas dos professores e o trabalho das crianças na escola. Justapor estes registos com as entrevistas dos professores e os discursos dos alunos foi revelador de algumas considerações importantes para o estudo.