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1.2 Utviklingstrender og krav

1.2.4 Regelkrav

interesses de ordem particular que não são confessáveis, parecendo e tornando-se legítimas.

Somente pela compreensão dos processos simbólicos e de como se configuram os códigos simbólicos nas dimensões sintática, semântica e pragmática para a construção e transmissão de significados é que se pode entender a relação entre a cultura e a cultura experiencial do sujeito. E, ainda, pelo entendimento de que este tende a se converter num especialista simbólico na medida em que domina espontaneamente a sintaxe, a semântica e a pragmática dos sistemas simbólicos valorizados pela cultura ou subcultura, na qual está mais proximamente incluído.

Neste sentido, sabe-se que, quando as crianças entram, em média, com seis anos na escola elas, de forma prática e intuitiva, dominam os sistemas simbólicos porque são competentes nestas questões de construções de mecanismos sintáticos, esquemas semânticos, intenções e expectativas pragmáticas, o que determina a diversidade da cultura experiencial de cada uma delas.

Portanto, parece tornar-se imprescindível aos educadores, professores, psicólogos, psicopedagogos e outros profissionais considerarem e se apropriarem destas questões da lingüística e da comunicação visando maior compreensão dos sujeitos com os quais trabalham. Assim, fica estabelecida a relação direta entre: simbolização, símbolos e o sentido de humanidade, que tem na base o conceito de que o homem é um ser simbólico porque constrói a si mesmo e a sua cultura. No discurso de cada um está presente a diversidade por meio de uma relação entre sujeito e cultura, que é constante e mutável, não estática, pois que é, eminentemente, dinâmica e inesgotável. Dessa forma, entende-se a importância da consideração do discurso para a avaliação do sujeito quando este “fala” (se expressa) e quando outras pessoas colaboram, através de pensamentos, sentimentos e atitudes com relação a ele, o que também é discurso.

4.3.1 A construção da subjetividade e da inteligência

Com base na Psicologia e, especificamente, na Psicometria, o conceito de inteligência foi sendo aprimorado e no auge da ciência cognitiva ligou-se à metáfora do computador quanto às características formais que constituem os processos e as atividades da mente humana. Referindo-se sobre estas questões, Gomes pontua:

A relação entre cultura, conhecimento e inteligência é chave para entender o processo de construção da subjetividade, ou seja, da construção de significados, atitudes e comportamentos subjetivos que identificam cada indivíduo. Na maneira de conceber esta derivação da cultura para a inteligência passando pelo conhecimento, com seus movimentos de continuidade reprodutiva e descontinuidade criadora (isto é, na interiorização singular da inteligência e no conhecimento acumulado nas instituições, nos artefatos, nos valores e nas relações do grupo social) se encontra definido o modo de conceber o projeto de se construir como pessoa. (2001, p. 240)

Numa análise mais fina é preciso focar-se a memória com suas estruturas mais específicas como: imediata ou registro sensitivo, a de curto prazo e a de longo prazo. Também contribuem os processos de controle ou de categorias de processamento de informação: atenção, codificação, retenção, organização, recuperação, transferência, avaliação, aplicação, planejamento e a análise dos seus diferentes níveis de profundidade do processamento, que são os dados importantes para a compreensão da mente humana em seus aspectos formais. Sem dúvida, esta é uma proposta que não se dispõe a considerar e analisar os conteúdos, os valores e as intenções subjacentes a todo o processo inteligente, mas imprescindível aos estudos sobre este processo.

A concepção de inteligência computacional restringe o valor da mesma porque dicotomiza algo que é integrado no sujeito, pois que este não possui nenhuma instância superior que desloque o processamento dos valores e fins para as demandas do contexto. Isso seria como renunciar ao caráter autônomo, de autodeterminação e de livre arbítrio do ser humano como decorrência da interação entre homem x cultura. (MORIN, 2002; SILVA, 2000; HALL e WOODWARD, 2000)

Com o avanço da inteligência artificial começa-se a compreender, pela evolução dos estudos microanalíticos, que a função da inteligência é relacionar e gestionar dois sistemas independentes – o dos conhecimentos e o das finalidades e metas. E, ainda, a inclusão da dimensão criadora e valorativa na atividade inteligente pontua a subjetividade de cada ser humano que constrói, sobre redes de significados da cultura em que se desenvolve, o grupo social e ele mesmo. É assim que ele desenvolve sua maneira singular de entender a realidade, de gestioná-la e de poder transformá-la. Avaliar (valorar) a realidade e intervir para que ocorra sua transformação implica em conceber como as coisas são e descobrir o que podem ser.

Bruner (2001) afirma que “há uma co-implicação entre o conhecimento, a cultura e a inteligência”. Para ele, tanto o conhecimento quanto a inteligência distribuem-se na

realidade simbólica que constitui a cultura social e não unicamente na mente humana. Constroem-se os significados, as metas, as operações, as estratégias em colaboração com os significados, metas, estratégias e operações que são utilizados no cenário vital e no qual o sujeito se desenvolve.

Considera-se como uma das importantes contribuições de Bruner aquela que afirma que existe, sem dúvida, uma grande parcela da nossa inteligência que se completa e se constitui através das redes intelectuais. Estas se distribuem e se espalham no contexto cultural ao qual acrescentamos e enriquecemos pela inevitável interação que mantemos com ele. Há, então, muito da nossa subjetividade inteligente na cultura.

Daí receber-se, com muita atenção, a proposta de Gardner sobre as inteligências múltiplas que vincula as possibilidades sintáticas a âmbitos próximos e homogêneos do saber e do fazer. Seu pensamento se encaminha sobre este assunto com a identificação de sete formas de inteligência:

Somos uma espécie que evoluiu até pensar na linguagem, conceitualizar em termos espaciais, analisar de modo musical, computar mediante instrumentos matemáticos e lógicos, resolver problemas utilizando todo ou alguma parte do nosso corpo, compreender os outros indivíduos e a nós mesmos. Uma faceta interessante e especialmente relevante destas inteligências é que cada uma delas é suscetível de ser captada num sistema simbólico e notacional. (GARDNER, 1993, p.91)

Esta é uma concepção multidimensional da inteligência que, para ele, é o caminho direto ao reconhecimento para uma significação da diversidade porque, quanto ao ser humano, as capacidades e orientações se diversificam. Assim, a análise das inteligências múltiplas auxilia para uma adequada avaliação da auto-estima do sujeito e de sua respectiva consideração social.

Portanto, a inteligência humana não se volta apenas ao que é lógico dos elementos conscientes e acadêmicos do conhecimento. Ela está reservada, também, para aspectos evidentes ou indistintos que pertencem ao sujeito, tais como: desejos, pretensões, fantasias. Marina (1993, p. 118) refere-se a isso da seguinte forma: “Dirigir a motivação, construir a própria liberdade, levar habilmente a negociação de nossas próprias limitações, tudo isso é inteligência humana.”