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Recommandations pour l’utilisation du catalogue d’indicateurs

7. Les indicateurs de suivi des performances : Introduction au catalogue d’indicateurs

7.3 Recommandations pour l’utilisation du catalogue d’indicateurs

Conforme descrito no plano de trabalho acima, a primeira oficina com os Kaiowá da T. I. Panambizinho teve como objetivo criar um ambiente crítico- colaborativo (Magalhães, 2004), a fim de possibilitar aos participantes da pesquisa uma oportunidade para refletir sobre a importância e uso do gênero enfocado por meio da leitura e escrita do mesmo na língua portuguesa padrão, bem como para levantar os sentidos iniciais do grupo sobre esse gênero. Reunimos-nos durante dois dias, totalizando 12 horas de estudos, sendo três horas por período (duas manhãs e duas tardes) em uma das salas de aula da escola3 da Aldeia. As informações que se seguem foram escritas com base no diário de campo4 produzido por mim, pesquisadora, após o encerramento das atividades do dia, com base na ação de descrever, orientada por Smyth (1992).

Para iniciar a oficina os participantes acomodaram-se nas carteiras e organizaram-se em semicírculo de forma que todos pudessem se ver. O professor Fábio auxiliou-me na instalação da câmera colocada em um dos cantos da sala, de modo que todos ficassem visíveis na filmagem, e, em seguida juntou-se ao grupo. O encontro foi iniciado com esclarecimentos do porquê de estarmos todos ali naquele momento. Eu relatei com detalhes, em português, a origem, objetivos e o desenvolvimento do projeto de pesquisa, as pessoas já contatadas, bem como o assunto a ser trabalhado naquela primeira oficina. Após a primeira parte da       

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Escola Municipal Indígena Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro.

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exposição perguntei ao grupo se eles queriam que a explicação fosse feita também na língua guarani kaiowá. O professor Anardo antecipou-se ao grupo e respondeu que não era necessário e disse para eu explicar em português, primeiro. Ainda assim perguntei ao grupo se eles haviam entendido a minha fala, ao que todos responderam sim, e permaneceram atentos à minha explicação sobre a justificativa e a realização do projeto. No final da explicação o Agente de Saúde, Samuel, tomou a palavra e perguntou quantas oficinas eu pretendia realizar e quais os gêneros de texto selecionados. Expliquei que isso nós iríamos decidir juntos, ali. O vigia da Escola, Abrão, opinou que gostaria que trabalhássemos primeiro as narrativas, visto que eles são solicitados a elaborarem esse tipo de texto em sala de aula e encontram dificuldades para isso. Esclareci que, para tal abordagem, pretendia coletar exemplares de narrativas escritas pelos próprios professores. Anardo sugeriu que fossem utilizados relatórios enviados a eles pelos órgãos da justiça (Ministério Público Federal, Fórum, etc). Expliquei que esses relatórios contêm textos mais longos e complexos, por isso programei iniciar os estudos com o gênero correspondência oficial - ofício, cujos textos são mais curtos e isso facilitaria a compreensão por parte deles. Como o grupo insistiu na proposta de trabalho com narrativas, conversamos um pouco sobre o assunto. Parti dos conhecimentos que eu dispunha sobre o uso de narrativas pelos Kaiowá na educação das crianças, na explicação de fenômenos da natureza, nas questões místicas e perguntei aos participantes se eles confirmavam esses conhecimentos ou não. Anardo confirmou minhas informações, mas esclareceu que isso acontecia antigamente, com os mais velhos. Nos dias atuais, no contexto da T. I. Panambizinho, os pais já não ensinam os filhos da mesma maneira. Abrão tomou a palavra para concordar e complementar as informações de Anardo. Fui fazendo intervenções para que eles detalhassem melhor as explicações sobre o papel da narrativa na vida deles. Fábio tomou a palavra e disse que a narrativa é um registro e comparou com o registro que a filmadora estava fazendo das nossas atividades, porque depois, com o auxílio da gravação, poderia ser feito um relatório da reunião. Como o conteúdo em questão era o gênero narrativa utilizado pelos não-indígenas, introduzi a distinção entre “narrativas de ficção e narrativas reais”, cujas explicações foram enriquecidas com exemplificações feitas pelos professores sobre o uso da narrativa pelos Kaiowá. Insisti que gostaria de ouvir deles quais os

gêneros discursivos que eles tinham interesse em estudar. Samuel disse que seria bom começar com narrativa, pois era o que a escola solicitava a eles. Eles disseram que têm facilidade com a narrativa oral, mas têm dificuldade na escrita, tanto em língua guarani kaiowá como em língua portuguesa. Eu disse que compreendia a necessidade deles e que esse gênero seria contemplado na segunda etapa do trabalho, pois as oficinas deveriam ser preparadas com antecedência. Expliquei que havia preparado o encontro para o estudo do ofício e perguntei se poderíamos assim proceder. Eles responderam que sim, e dei início ao estudo. Em seguida distribui a cada participante a cópia de um ofício, que em época anterior havia sido enviado à escola pela SEMED, cujo assunto era a convocação desses professores e funcionários para uma reunião.

Seguindo as orientações do plano de trabalho o estudo foi realizado com vistas a propiciar aos participantes a compreensão das capacidades de linguagem necessárias para uma leitura crítica do gênero. Em primeiro momento, foi contemplada a capacidade de ação com foco na competência sobre a esfera social de circulação do gênero, a contextualização. Para esse estudo foram feitos questionamentos previstos no plano de trabalho.

À medida que os questionamentos eram feitos os participantes iam observando o texto e localizando nele as informações solicitadas. Faziam questionamentos e expunham suas dúvidas. Eu os provocava com perguntas que os fazia pensar, colocava situações diferentes ao que eles reagiam buscando conhecimentos de outras situações para responder ao que foi perguntado. Eu perguntava constantemente se eles estavam entendendo o processo e o que eu estava falando, já que eu falava em língua portuguesa, L2 para os Kaiowá, sobre um assunto próprio de outra cultura que não a deles. Eles respondiam que sim e prosseguíamos com o estudo.

Em seguida passamos à segunda parte do trabalho, o estudo da capacidade discursiva, com foco na competência sobre os domínios sociais de comunicação e sobre os aspectos tipológicos da organização do texto, (BRONCKART, 1997/2009). Para tanto propus pensarmos sobre o texto, lê-lo e repensarmos sobre o que haviam observado no momento anterior. Observamos cada parágrafo para verem como estavam organizados e para quê.

Na terceira parte realizamos um aprofundamento da leitura e tratamos da capacidade linguístico-discursiva, em que foram observadas as questões gramaticais e a competência sobre as escolhas linguísticas feitas apontando a sua importância para a compreensão do texto. Os Kaiowá leram o primeiro parágrafo e sublinharam as palavras que mostravam o assunto do texto. Eu pedi para eles localizarem no texto ou dizerem como perceberam as respostas encontradas e quais palavras mostravam aquilo. Em seguida pedi que lessem o restante do texto e sublinhassem as palavras que mostravam o que o texto pedia ao destinatário. Com base na compreensão do gênero, após o estudo realizado, solicitei que redigissem um ofício-resposta ao ofício estudado.

Para finalizar entreguei-lhes cópia de outro ofício, este enviado pela UFGD5 à SEMED informando sobre a realização do Curso de Licenciatura Indígena, e solicitei que fizessem, em casa, as mesmas observações feitas no primeiro ofício. Solicitei ainda que pensassem no estudo realizado e anotassem possíveis dúvidas, as quais abordaríamos na segunda oficina prevista.

3.2.3. Segunda oficina: Plano de Trabalho