5. Comment réaliser de meilleures évaluations ?
5.3 Le cadre, les principes généraux, la méthodologie et les questions de l’évaluation
Nesta seção discuto colaboração e contradição como conceitos fundantes para esta pesquisa. Tenho por base os preceitos marxistas, como discutidos por Magalhães (2004, 2009, 2010, 2011), Oliveira e Magalhães (2011), John-Steiner (2000) e Ninin (2006a). Por exemplo, Oliveira e Magalhães (2011) apontam que a relação teórico-prática dos participantes em seu contexto sócio-histórico-cultural é constituída pela colaboração na relação com os outros, na maneira como compreendem sua atuação, nos motivos que regem sua prática social e na construção da prática educativa.
Nas palavras de Oliveira (2009), colaboração configura-se como uma função de questionamento, compreensão e resolução de problemas que se constitui no movimento da atividade, em diversos níveis de ações, que visam a transformação por meio da crítica. Um processo de interação colaborativa pode despertar nos participantes o interesse por conteúdos colocados, intencionalmente, até então desconhecidos pelos mesmos. Nesse sentido Magalhães (2011, p.18) afirma que
“colaborar constitui a natureza relacional da agência humana, como intencionalmente orientada ao objeto da atividade, nas relações entre os diferentes grupos de participantes, quanto a questões de mutualidade e reciprocidade intencionais e ao processo de mediação explícita e implícita, em agir para romper as fronteiras tradicionais, ou em mantê-las”.
John-Steiner (2000), discute colaboração como um processo de intensa parceria no qual novas habilidades são aprendidas. Nesse processo o contexto colaborativo cria uma zona proximal de desenvolvimento, em que os participantes podem transformar sua organização cognitiva e emocional. Observando o trabalho de equipes em parceria a autora encontrou quatro padrões de colaboração: 1. Distribuída, 2. Complementar, 3. Familiar e 4. Integrativo. Segundo John-Steiner, estes padrões não possuem hierarquia entre si e em muitas ocasiões a colaboração inicia em um padrão e se completa em outro. Para ela:
1. O padrão de colaboração distribuída refere-se a uma colaboração ampla, que ocorre tanto em contextos casuais como em ambientes organizados. Neste padrão os participantes são distribuídos em grupos colaborativos e são ligados por interesses similares. Nesses grupos algumas pessoas podem assumir um papel mais ativo, enquanto outras podem permanecer como expectadoras.
2. A colaboração complementar é caracterizada por uma divisão de trabalho baseada na complementaridade de opinião, no conhecimento disciplinar, nos papeis e no temperamento dos participantes, que negociam seus objetivos e lutam por uma visão comum. Nesse tipo de relacionamento ocorre uma apropriação mútua, que implica em uma forma muito particular de interdependência humana que se realiza em longo prazo.
3. O padrão de colaboração familiar é caracterizado como um modo de interação no qual os papeis dos participantes são flexíveis ou podem mudar com o tempo. Os participantes ajudam uns aos outros para modificar regras incluindo
mudanças de um nível inicial a um nível mais avançado. Os membros deste grupo, de forma inovadora, compartilham importantes objetivos dramáticos e políticos. Periodicamente devem integrar novos membros. Isso requer reajustes e socialização da estrutura existente aos recém-chegados.
4. No padrão integrativo a colaboração se desenvolve com base no diálogo, na tomada de riscos e em uma visão compartilhada entre os participantes. As mudanças transformadoras exigem destes, esforços conjuntos. Uma das características centrais nessa forma de relacionamento é que a construção de um padrão comum de crenças e ideologias é melhor desenvolvida. Esta parceria requer um prolongado período de compromisso e de engajamento na atividade integrada.
É centralmente importante, nesta pesquisa, criar um ambiente colaborativo, conforme revela Magalhães (2010), no qual se pretende que os sentidos dos participantes sejam compreendidos pelo outro e por ele mesmo para que possa haver a produção compartilhada de significados, em um movimento de expansão dos conhecimentos. Para que isso ocorra, no caso desta pesquisa, há necessidade de que as contradições entre as culturas envolvidas sejam consideradas para serem compreendidas na produção do novo. Colaborar para Magalhães (2010), envolve uma intencionalidade em agir e falar, para ouvir a si mesmo e o outro e ser ouvido, revelar interesse e respeito às colocações feitas por todos, pedir e/ou responder a um participante para clarificar ou retomar algo do que foi dito, pedir esclarecimento, aprofundar a discussão, relacionar práticas a questões teóricas, relacionar necessidades, ações-discursos e objetivos.
Na mesma direção, John-Steiner (2000), revela a necessidade do envolvimento de todos os participantes em situação de compartilhamento por meio de questionamentos de ações com base em considerações sócio-histórico- culturais. Para ela o trabalho colaborativo e as construções coletivas podem superar limitações, individualismo e alienação. Isso porque, nas discussões, os participantes assumem riscos e responsabilidades ao contribuir para a produção de significados, ao criticar e receber críticas dos demais como um instrumento para argumentação e crescimento.
Em ambiente colaborativo, como colocado por Magalhães e Fidalgo (2008) com base em John-Steiner (2000) e em Moran e John-Steiner (2003), todos estão expostos a “situações de intensidade emocional” e uma “bastante desconfortável zona de ação”, que precisa da atenção dos pesquisadores, pois dadas as contradições presentes na interação pode provocar conflitos e a resistência dos participantes em contribuir, o que exige habilidade em negociar significações e situações. Essas negociações são fundamentais para que aconteçam as transformações.
Ninin (2006a) cita alguns princípios como constituintes de um processo colaborativo:
• responsividade- cada participante deve assumir as diferentes visões explicitadas pelo grupo;
• deliberação- todos os participantes devem se pronunciar, apresentando argumentos e contra-argumentos para defender e embasar seus pontos de vista, e devem mudar de opinião no caso de encontrarem razões plausíveis para isso; • alteridade- todos os participantes devem ser capazes de se colocar no lugar do
outro, respeitando e convivendo com as diferenças e buscando complementaridade e interdependência;
• relevância- cada participante deve ter como foco em suas ações a atividade desenvolvida;
• mutualidade- todos os participantes devem reconhecer a importância da participação de todos os envolvidos;
• humildade e cuidado- os interesses do grupo e não os de cada um em particular são foco de todos os envolvidos.
• confiabilidade- todos devem sentir que têm espaço para expressar-se e assumir a responsabilidade de suas ações sem serem julgados ou avaliados.
Como apontado, os conceitos de colaboração e contradição são entendidos nesta pesquisa de dois modos diferentes, como conceitos filosóficos, apoiados nas discussões do monismo spinozano e nas discussões do materialismo histórico-dialético marxista que apoiam a compreensão do movimento de compreensão e transformação como uma unidade. Colaboração e contradição também necessitam ser entendidas como um movimento na organização da linguagem nas relações e na criação da zpd para o processo de
negociação/compreensão e de questionamento por meio da argumentação. É importante salientar que, em ambos os casos são entendidas como um movimento único essencial para compreensão e transformação dos modos como os participantes se organizam, das regras e da divisão de trabalho nas negociações. Nesta investigação, entender as contradições evidenciadas pelas divergências culturais, existentes entre o grupo, que podem causar situação de conflito é importante para que este seja esclarecido e compreendido para o estabelecimento de negociações verdadeiras, o que pode levar à transformação dos participantes (OLIVEIRA, 2009, p.93).
Liberali (2005, 2006, 2008, 2009) afirma que, a compreensão das contradições e conflitos pelos participantes é central para a produção criativa de sentidos e significados, e, como já apontei, pressupõe uma organização argumentativa da linguagem, pressupõe a análise de turnos e da tessitura das participações de todos em relação às próprias e as de outros. Isso, porque como já salientado, a argumentação ocupa um papel fundamental em contextos colaborativos. Para Liberali (2007, 2008, 2009) a argumentação atua como um instrumento na produção compartilhada de significados. Um tipo de linguagem que organiza as discussões e que possibilita a compreensão do processo de negociação de sentidos cristalizados no compartilhamento de significados, como também discutido por Magalhães e Fidalgo (2010).