5. Results and discussion
5.4 Pest management decision processes
5.4.1 Reasons for the interviewed farmers’ IPM practices
Relativamente aos papéis7, Moreno (1978) considera que eles surgem antes do eu,
que o papel é a unidade da cultura e que os desequilíbrios no agrupamento desses papéis geram atrasos no surgimento de um eu real. O autor classifica-os em papéis sociais, papéis psicossomáticos ou fisiológicos e papéis psicodramáticos ou psicológicos. De acordo com Moreno devemos considerar: que “os papéis psicossomáticos, no decurso das transações, ajudem a criança pequena a experimentar aquilo a que chamamos “corpo”; que os papéis psicodramáticos ajudem a experimentar o que designamos por “psique”; e que os papéis sociais contribuem para produzir o que denominamos “sociedade”. Corpo, psique e sociedade são, portanto, as partes intermediárias do eu total” (Moreno 1978, 26). Como já referimos anteriormente, durante a fase de dramatização o protagonista pode assumir vários papéis, bem como os egos-auxiliares que podem adotar papéis complementares e outros elementos do auditório que tenham sido selecionados para participar na dramatização. Podem ser encarnados diversos papéis de personagens que fazem parte das vivências quotidianas do protagonista, ou outros novos papéis criados, que o diretor introduza durante a ação dramática. Neste trabalho apresentamos a taxonomia que Landy (1993) elaborou acerca dos papéis na vida quotidiana, e que mereceu a nossa atenção, não só por apresentar elementos inspiradores para a vivência de papéis nas performances que envolvem a astrologia, mas porque a consideramos uma elaboração bastante criativa por parte do autor. Landy (1993) apresenta uma taxonomia dos papéis na vida quotidiana organizados em seis categorias principais: somática, cognitiva, afetiva, social / cultural, espiritual, e estética. Algumas destas categorias, por sua vez, enquadram outros tipos de papéis. A escolha destas categorias tem como intuito, de acordo com o autor, de responder a preocupações em torno do corpo, da mente, dos sentimentos, da alma e dos hábitos da
7 A teoria dos papéis foi bastante desenvolvida por Jacob Levy Moreno e por outros psicodramatistas como Jaime Rojas-Bermúdez (1997), e como tal mereceria um capítulo destacado, mas num trabalho científico dedicado ao psicodrama. No entanto, não deixamos de destacar a sua importância aqui e no capítulo VI através de uma performance imaginária da Magia Kula.
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humanidade, que são centrais para físicos, filósofos, psicólogos, sociólogos, antropólogos, teólogos e artistas.
i. Os Papéis Somáticos
Landy (1993) destaca que os papéis somáticos são sobretudo herdados e de base genética e que o seu foco é o corpo, nas suas múltiplas funções, desenvolvimentos e aparência. São papéis que estão relacionados com a sobrevivência do próprio indivíduo, como por exemplo, o papel de respirar, comer, expelir, dormir, mover e inter-atuar, incluindo também o papel de procriar. De acordo com Landy embora a natureza seja a mesma, os papéis mudam ao longo do tempo. O autor clarifica esta ideia através do papel do comedor, que varia quando se é criança, adolescente, adulto e idoso. A criança pode recusar comer ou deitar a comida para o chão para ir brincar, um adolescente pode relacionar-se com a comida em termos da sua aparência corporal, um adulto tirar prazer e aplicar a criatividade na comida, um idoso ter necessidade de comer de forma reduzida. Este papel de comedor pode ser influenciado por aspetos socio-económicos e por mudanças no equilíbrio do bem-estar psicológico dos indivíduos. Relativamente à idade e estádio desenvolvimental, Landy (1993) explora as mudanças de papéis em termos temporais, ou seja, uma criança pode comportar-se como tendo um nível cognitivo mais evoluído, um adolescente pode ter atitudes de criança e um idoso pode regredir a um estádio de dependência devido a uma doença. Na generalidade ocorre, “a escolha do papel inverso, utilizada por determinadas circunstâncias fisiológicas, psicológicas ou culturais” (Landy 1993, 141). Quanto aos papéis de género, para além de serem determinados pela natureza, são influenciados de acordo com Landy, por um reportório de modelos de papéis femininos e masculinos provenientes da família, das imagens de feminilidade e masculinidade oferecidas pela cultura e por fatores psicológicos relacionados com a identidade. O autor salienta que estes papéis de género não se conformam aos estereótipos promulgados pela sociedade, afirmando que “à medida que as culturas se tornam mais heterógenas e permissivas, mais escolhas de como e quando iremos desempenhar papéis masculinos ou femininos estão disponíveis” (ibidem, 143). No sentido de obter uma satisfação plena dos seus papéis, o autor constata que alguns indivíduos optam pelo celibato em certas ordens religiosas, outros adotam a heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade, assexual ou uma combinação destes. Outro tipo de papéis que Landy encaixa nesta categoria estão relacionados com a aparência, estes papéis estão
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primariamente associados às qualidades físicas, tornando-se mais complexos à medida que a beleza é usada de forma inocente versus como modo de sedução. Landy escreve que “as aparências são herdadas, já o espelho que oferece o julgamento final para a aparência reflete formas mutáveis e mudanças de auto-imagem. Essas mudanças ocorrem à medida que as pessoas interagem com outras e tomam assim as suas perspetivas” (ibidem, 144). Os papéis relacionados com a saúde também se ligam aos papéis psicossomáticos e incluem a pessoa fisicamente apta assim como a doente mentalmente e a fisicamente incapacitada. Os papéis de saúde e de doença têm uma base genética, mas Landy assinala também a sua forma psicossomática, como no caso do hipocondríaco, que adota um papel disfuncional particular com um propósito, muitas vezes inconsciente, de querer por exemplo chamar a atenção. Outro caso é o de uma criança que finge estar doente.
ii. Os Papéis Cognitivos
No que diz respeito aos papéis cognitivos Landy (1993) identifica-os com o estilo de pensar do indivíduo e do modo como resolve problemas. Este tipo de papéis, profere o autor, envolvem competências cognitivas que tendem a ser hierarquizadas, desde um nível mais baixo até um mais elevado. Além disso, enuncia o autor, são desenvolvidos de acordo com as tarefas que estão a ser realizadas, desde os desempenhos de memorização de informação factual até níveis mais complexos como o são a síntese e a avaliação. Landy (1993) aborda os papéis cognitivos, no seu sentido mais dramático e poético e refere que este sentido também aparece na nossa vida quotidiana, quando desempenhamos o papel de bobos. O autor considera que este termo é impróprio, se levarmos em linha de conta que os clássicos bobos eram dotados de uma inteligência superior e astúcia, mas ocultavam-na por detrás de um fato multicolorido e de status diminuído. Landy (1993) identifica o papel do simplório, como pertencente a uma ordem cognitiva mais baixa, e a este propósito diz que “estes são tipos de carácter que permanecem alheios da sua ignorância. Nós rimos deles porque eles reestimulam a nossa ignorância e levam-nos a descarregar a nossa vergonha” (Landy 1993, 145). Numa ordem mais elevada do papel cognitivo surge a pessoa sábia. Landy faz a observação que muitos intelectuais aspiram a este papel, no entanto facilmente entram numa ambivalência, criticismo e pedantismo à mais pequena queda. O autor também sublinha que existem vários papéis cognitivos entre o papel do simplório e o papel do sábio. Um outro papel é
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o do dorminhoco que Landy faz equivaler ao do humilde ou intelectualmente auto- depreciativo. Este “trabalha duramente mas de forma insegura, com pouca preocupação ou consciência do valor das suas descobertas” (ibidem, 146). O ambivalente é outro exemplo de papéis cognitivos, “o que sabe isto e sabe aquilo, mas não sabe o que disto ou daquilo é uma escolha mais significante” (ibidem, 146).
iii. Os Papéis Afetivos
Os papéis afetivos estão vinculados aos valores e aos sentimentos. Na sua vertente moral o autor aponta semelhanças com o que ocorre nas fábulas, histórias tradicionais e ensinamentos religiosos. Na sua vertente sentimental, o autor considera que os papéis se inserem num espectro que vai desde o indivíduo extrovertido impulsivo que impressiona, até ao introvertido compulsivo que demonstra receio. Landy (1993) observa que os papéis morais emergem como conflituando uns com os outros, como no caso da virgem e da prostituta, ou como no caso do que ajuda e do que engana. Tendo em consideração os papéis afetivos, o autor dá o exemplo de uma criança abusada que em adolescente, pode procurar fora modelos de papéis nos outros que tenham sido abusados, pode identificar- se com o agressor e pode procurar outros para vitimizar. Também pode querer adotar o papel de mártir, de salvador dos outros. Este papel, segundo Landy, pode ser encarnado por um indivíduo a partir das atribuições, inconscientes da sua própria família disfuncional, e ao assumir esse papel ele protege a família de reconhecer o seu ciclo de abuso e negação. Também podem ser procurados papéis mais positivos, em que o indivíduo pode tornar-se curador ou professor, que são na ótica do autor uma abordagem alternativa a repetir um ciclo de dor. Landy nota que “estes papéis existem internamente e são levados para o mundo exterior representado pelos pares, pais e outras figuras de autoridade” (Landy 1993, 147). Dentro dos papéis morais, o adulto é aquele que tem mais dificuldades em modificar as suas estruturas morais, e se surge a oportunidade de mudança, quando tal aparece “requer convicção pessoal e uma disposição para confrontar as ambivalências inerentes” (ibidem, 147-148). Outro aspeto interessante apontado pelo autor é que apesar dos indivíduos quererem negar determinados papéis, eles tornam-se cada vez mais internalizados, o que faz com que o indivíduo construa uma imagem de si como bom ou mau, inocente ou responsável, e haja variações nestes graus. Mas, o autor também diz que quando há abertura da moralidade, o indivíduo também é confrontado
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com a questão de desistir ou de não continuar a lutar por assumir a sua posição moral no mundo.
iv. Os Papéis Sociais e Culturais
Os papéis sociais e culturais dizem respeito ao modo como os indivíduos se organizam a si mesmos em grupos de famílias, comunidades, sociedades e estado. Os papéis culturais são referenciados por Landy (1993) como estando ligados a questões de etnicidade, moralidade, religião, idade, género, sexualidade, invalidez. Estes papéis também remetem para uma abordagem das culturas em termos de cultura gay, cultura judaica, cultura jovem, entre outras. Landy defende que “a sociedade e cultura, tomadas em conjunto, são determinantes poderosos de como, quando, e porque nós tomamos e desempenhamos os nossos papéis” (Landy 1993, 149). O autor observa que os papéis culturais produzem um claro sentido de identidade para os indivíduos, e no que diz respeito à etnicidade, “quanto menos tradicional é uma cultura, mais escolha vão ter. Adicionalmente, algumas pessoas irão identificar-se com os papéis subculturais daqueles que pertencem a diferentes grupos étnicos…” (ibidem, 150). O autor chama a atenção acerca do facto de que “de muitos modos, aqueles que rejeitam um papel protótipo correm riscos de sobrevivência dentro de uma instituição que oferece um conjunto de papéis culturais e demanda um modo prescrito de implementação” (ibidem, 150). O autor aponta aqui, o papel de soldado dentro da cultura militar. Esta quarta categoria também abrange os papéis familiares. Landy reitera que os papéis familiares são adquiridos ou dados, dentro de uma variedade de parentescos consanguíneos ou resultantes do casamento e procriação, mas declara que “os modos como eles são internalizados e desempenhados varia consideravelmente” (ibidem, 151). O autor identifica a existência de uma hierarquia variável dentro de uma família no que toca ao poder, controlo e tomada de decisão. Contudo, diz-nos, esta estrutura muda “ao longo das circunstâncias externas (como a perca de emprego ou morte de um familiar) ou circunstâncias internas (como a mudança de consciência resultante a partir de uma experiência política, espiritual ou terapêutica), mas as qualidades de cada papel familiar mantêm um forte domínio em cada membro da família” (Landy 1993, 151). A um outro nível, as definições de papéis familiares podem estar muito bem definidas em determinadas culturas específicas que “estabelecem certos princípios tabu para ajudar a manter os papéis” (ibidem, 152).
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Outros papéis que se encaixam na categoria dos papéis sociais são os políticos e os legais. Vários papéis podem ser expressos de acordo com uma determinada filosofia política particular e ser identificados num vasto espectro que vai desde a nacionalidade, até ao papel conservativo, liberal, pacifista e revolucionário. Relacionados com estes estão os papéis legais, que geralmente estão mais ao serviço do estado. O autor também associa a estes papéis, os papéis económicos que se categorizam dentro de uma classificação de status de classe económica, revistos na classe baixa, média e alta, e nas quais os indivíduos assumem diferentes papéis. Landy também identifica o papel do Pária, um papel em que os indivíduos podem pertencer a qualquer classe económica, e dá como exemplo, quando “dentro de uma sociedade repressiva, o Pária pode servir uma função política, abertamente criticando uma intensão governamental de silenciar qualquer oposição” (ibidem, 156). Outros exemplos de Pária são os artistas que através das suas obras de arte fazem críticas transversais. No lado mais baixo da comunidade inserem-se os adictos, os criminosos, as minorias étnicas, etc.. Outros papéis são representados por aqueles que conectam pessoas com as suas comunidades, como é o caso dos papéis de trabalho. Dentro destes há uma atribuição de status para cada papel, ou seja, de um reconhecimento de uma função, por exemplo, uma sociedade agrária valida os agricultores. Estes papéis de trabalho também apresentam uma variabilidade em termos de benefícios socio-económicos, status e grau de satisfação. Landy, a propósito deste tipo de papéis mostra o que pode levar a uma mudança na relação que os indivíduos estabelecem com os seus papéis de trabalho: “para alguns, um papel ocupacional é insuficiente ou limitado em si. (…) outros mudam de carreira na sequência de terem experienciado um grau de stress ou tédio. Enquanto outros irão continuar a desempenhar um papel ocupacional insatisfatório, justificando-se a si próprios com o argumento de segurança enquanto, secretamente sonham… ou assumem papéis mais excitantes” (ibidem, 157). Por fim, o autor aponta os papéis de autoridade e poder como englobando todos os outros anteriores e enquadra-os dentro de um espectro que vai do papel de passivo ao do agressivo. O autor refere que um papel passivo, no sentido negativo, pode tornar o indivíduo frágil, ao ponto de ser negligenciado ou ser vítima de domínio dos outros. O indivíduo que assume um papel passivo retira-se da sociedade, não tem interesses ou rejeita compromissos. Num sentido forte, o papel passivo em determinados contextos pode ter uma influência profunda sobre a sociedade, como no caso em que se pratica uma resistência passiva perante um determinado ato político. Ao nível da agressividade, quando esta é voltada para fora, o agressor pode adotar um papel que faz
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uso da força para afirmar um poder sobre os outros. Quando a agressividade é voltada para dentro, pode surgir o papel do masoquista. Mas como enfatiza Landy, a agressividade também pode ter uma faceta positiva visível, por exemplo, no papel do guerreiro.
v. Os Papéis Espirituais
Um exemplo do papel espiritual é o do visionário, e quer este seja assumido por personalidades como Joana D’Arc ou pelo cidadão comum, este tipo de papéis coloca dilemas entre a consciência espiritual individual e a coletiva, entre a dúvida e a fé. O papel do visionário na nossa sociedade é geralmente associado com a doença mental. No entanto, Landy (1993) argumenta que o papel do visionário pode ter uma função significativa na vida quotidiana como se constata através das obras do artista ou das descobertas do cientista para quem, ocorre um discernimento, uma perceção por breves momentos de algo para além do véu do quotidiano. O autor afirma que o papel do visionário não pertence só a pessoas como Copérnico, Newton, Freud, Shakespeare, Einstein, “é parte de nós todos quando estamos prontos para imaginar uma nova ordem, num sentido de como as coisas podem ser” (Landy 1993, 159). O visionário ao contrário do que se possa pensar, não é apenas aquele que controla os eventos exteriores, ele pode ser chamado e sentir-se compelido a desenvolver uma visão interior, “em algum ponto das nossas vidas, podemos querer mais do que visões; podemos desejar transcendência” (ibidem, 159). O autor escreve que a procura da transcendência pode, para muitos indivíduos, dar um significado às suas vidas sobretudo para aqueles que rejeitaram uma visão tradicional da religião. Até mesmo, “o brincar de Deus pode prover uma necessidade de expressão de criatividade e pleno desempenho que permite dar uma folga à ordinariedade da vida quotidiana” (ibidem, 160). Outro exemplo fornecido pelo autor de um papel espiritual é o do herói que empreende uma jornada e que mesmo enfrentando vários perigos, procura um sentido para a sua existência através de um sistema interrelacionado de papéis.
vi. Os Papéis Estéticos
Landy (1993) refere que os papéis estéticos estão intimamente vinculados ao processo criativo dos artistas, que empregam imagens, som, movimento para comunicar com a sua audiência, através dos sentidos. No caso dos artistas dramáticos e literários, o
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autor destaca que eles lidam diretamente com os papéis através da linguagem verbal, num processo criativo baseado em projeção de visões e imagens. Quanto à existência de um processo de labuta criativo e extenso, o autor comenta, que todos os artistas têm essa consciência e mesmo no caso do que adota o papel do sonhador, “sabe também que tem em breve de abandonar as suas visões românticas e retornar ao solo do quotidiano” (Landy 1993, 162). Para o autor “o papel do artista como criador é similar ao do Deus, o criador. Ambos trazem a vida da não vida, imaginação do vazio, ordem do caos” (ibidem, 162). Numa outra expressão, o autor diz que “uma das razões porque os seres humanos precisam dos deuses nas suas vidas como modelos de papéis, é para continuar a estar capazes de desempenhar o papel de Deus criador” (ibidem, 162). Até pode acontecer que os papéis de grandes artistas sejam inatos, mas de qualquer modo, o papel criativo pode ser simplesmente inspirado a partir de outros indivíduos que façam uma abordagem jovial e espontânea das tarefas rotineiras, acrescenta o autor. Landy transmite que o papel do criador transporta o ser para uma parte da sua personalidade inominável, intuitiva, e que para criar “temos de estar preparados para transcender a expectativa do quotidiano, ou para enfrentar o expectar e ordinário como se o víssemos pela primeira vez” (ibidem, 162). O autor comenta que a criatividade estende-se aos atos da vida diária, e lembra-nos que “dentro do papel criador, podemos descobrir significado no ato simplista e, por uma fração de segundo, sentirmo-nos cheios de vida” (ibidem, 162).
2.3. A Experiência e a Performance: O Corpo em Ação
Tendo em consideração o exposto anteriormente podemos constatar que a antropologia da experiência revela-se uma área flexível, que nos permite fazer o levantamento de um conjunto de pressupostos teóricos que vão servir de bússola orientadora para o nosso entendimento de uma dimensão mais prática. E tendo o nosso trabalho um forte cariz prático, enraizado na performance astrológica, exige igualmente que possamos tecer reflexões em torno de aspetos mais vivenciais, como é o caso das performances. A descrição e exploração de performances levadas a cabo em outros contextos culturais, bem como a explanação das reflexões de outros investigadores contribuem para o levantamento de parâmetros de análise do ponto de vista investigativo que são centrais para o investigador participante, no nosso caso, dentro de um contexto psicoterapêutico orientado por um quadro de conhecimento antropológico. A exposição
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de várias performances que fazemos no nosso trabalho tem como objetivo não só inspirar- nos na identificação de alguns elementos performativos, mas sobretudo dotar-nos de pontos de reflexão acerca da introdução da vivência corporal num contexto psicoterapêutico.
2.3.1. O papel da performance na estruturação do significado e da experiência
Kapferer (1986, 188-203) analisou o ritual do exorcismo vivenciado pelos Singaleses no sul do Sri Lanka com o objetivo de procurar compreender, “como os indivíduos transcendem a sua solidão no mundo, como compartilham a sua experiência vivida com os outros e estabelecem significados” (Kapferer 1986, 191). O autor destaca