5. Results and discussion
5.3 Drivers and barriers for practicing IPM
5.3.3 Examining the variation in the use of IPM
O cenário corresponde ao espaço onde decorre a dramatização de uma sessão de psicodrama. Ele é o ponto de partida para todos os processos criativos. O cenário equivale ao palco do teatro, mas com dimensões mais reduzidas, geralmente é retangular, podendo ser feito de vários materiais ou ser representado por um tapete. O cenário deve ser adequado ao número de participantes, permitindo que estes expressem os seus movimentos de forma livre. De acordo com Bermúdez, “um espaço para manifestar-se, põe rapidamente em evidência diferentes tipos de relação corpo / espaço que apresentam os seus integrantes” (1997, 121). O espaço é: “o limite do corpo envolvente, ou a envoltura do meio envolvente (Aristóteles), ou seja, como uma espécie de pele que o
5 No sexto capítulo, iremos desenvolver estes contextos de forma aprofundada, através da apresentação de
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cobre… só é possível falar de espaço na medida em que algo está rodeado por algo distinto dele mesmo” (O.F. Bollnow 1969 como citado em Bermúdez 1997, 21). É no cenário que os participantes expressam todo o seu mundo interno, através de uma participação corporal ativa. Na forma psicodramática, um grupo de participantes dispõe-se em círculo à volta do cenário, sentados em banquinhos, de preferência com a ponta dos pés sobre o mesmo. Num dos limites do cenário e sobre ele, encontram-se duas cadeiras, que separam a equipa terapêutica (diretor e egos-auxiliares) do resto dos elementos do grupo. Estas cadeiras são posteriormente retiradas.
ii. Auditório
O auditório é constituído por todos os membros do grupo, que estão sentados enquanto decorre a dramatização. Do auditório sai o protagonista para a dramatização. Alguns elementos do auditório podem ser convidados a participar na dramatização para representar papéis e são ajudados pelos egos-auxiliares da equipa terapêutica. Na fase de comentários, todo o auditório é solicitado a expressar a sua ressonância acerca do que ocorreu na sessão, de como se sentiram nos seus papéis e como vivenciaram a dramatização do protagonista. Os elementos do auditório para além de terem um papel crucial no feedback que dão ao protagonista, também se identificam com muitas temáticas dramatizadas nas várias sessões, mesmo que não participem ativamente. O auditório corresponde à plateia do teatro.
iii. O Protagonista
Embora no teatro se possa considerar que há um protagonista, geralmente associado ao ator principal, a diferença relativamente ao teatro, é que o protagonista no psicodrama “é autor e ator da sua própria obra” (Bermúdez 1997, 38). É o diretor que escolhe o protagonista para a dramatização. Esta escolha pode surgir a partir das observações que o diretor faz acerca da linguagem verbal e não-verbal dos elementos do grupo no início da sessão, ou pode selecionar o protagonista a partir de jogos realizados durante o aquecimento inespecífico. É sobre o protagonista que se foca toda a dramatização, em que o protagonista, “na sua história pessoal, inscrita no seu corpo, nos seus gestos, nos seus movimentos, é agora um elemento mais, integrado na ação” (Bermúdez 1997, 120). Uma sessão de psicodrama pode envolver um ou vários protagonistas. Neste último caso, “a dramatização é substituída por jogos com o objetivo
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de tratar de temas comuns, fortalecer a coesão de grupo ou obter elementos diagnósticos (Pio Abreu 2002, 19).
iv. Os Egos-Auxiliares
O ego-auxiliar deverá possuir um bom conhecimento sobre expressão corporal, uma vez que quando ele se dirige ao cenário, coloca-se numa postura de absorver a informação verbal e não-verbal do grupo. O ego-auxiliar recebe instruções do diretor, e ambos devem estabelecer uma sintonia entre si. Na fase de aquecimento, ele participa de forma ativa, através de exercícios onde pode enfatizar vários ritmos através do correr, saltar, movimentar certas partes do corpo ou colocar todo o corpo em movimento. Na fase da dramatização, o ego-auxiliar pode ter de representar um papel complementar ao do protagonista. Bermúdez realça que “o ego-auxiliar trabalha principalmente com a vivência, isto é, com o sentir (área corporal) e o fazer (área ambiente); a área da mente guia o seu fazer” (Bermúdez 1997, 45-46). Na fase de comentários, o ego-auxiliar tece comentários acerca de como se sentiu em determinado papel e como sentiu os protagonistas e os restantes elementos do grupo.
v. O Diretor
É o terapeuta principal que tem a função de dirigir a sessão psicodramática. A linguagem corporal não-verbal pode indicar quando o grupo ou o protagonista estão prontos para representar um determinado aspeto da vida. Karp refere que o diretor “precisa de usar os seus olhos e ouvidos para corajosamente observar e agir sobre o escondido, o não faladoe as suas pistas não-verbais dadas pelos membros do grupo e pelo protagonista” (Karp 1998b, 164). O diretor deve possuir um bom conhecimento das possibilidades expressivas do corpo e dos materiais auxiliares, como a música, que podem facilitar a comunicação através do corpo. Ao diretor “corresponde-lhe colocar os meios, implementar as técnicas psicodramáticas e uma estratégia terapêutica adequada para que o tema a dramatizar que propõe o protagonista se represente no cenário” (Bermúdez 1997, 49). Karp (1998b, 8) aponta algumas tarefas do diretor: construir uma coesão suficiente e um clima de trabalho grupal construtivo; estimular os membros individuais do grupo e aquecê-los para a ação; as suas regras de ouro são a autenticidade e a espontaneidade; tem em atenção as dinâmicas do grupo e mede as suas interações; faz a seleção do protagonista e cuida dos outros membros do grupo, que apesar de não terem sido escolhidos para fazer
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parte da dramatização, fazem parte da sessão; deve ter uma postura interventiva mas deve dar espaço suficiente para que o protagonista tenha liberdade para escolher o foco da exploração; identificar mensagens não-verbais e verbais do protagonista; dominar várias técnicas terapêuticas sobretudo a orientação da troca de papéis, etc. (Karp 1998, 8).
2.2.1.2. As Etapas de uma sessão de Psicodrama