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5. Results and discussion

5.2 Pest management practices

5.2.4 Pesticide application practice (V & VI)

Bruner (1986) considera que as narrativas etnográficas são co-autoradas, por um lado porque o texto resultante contém elementos dos participantes do estudo, e por outro porque a mesma narrativa é partilhada pelo etnógrafo e pelo informante. O autor refere que “as histórias que eles contam a si mesmos, e a nossa teoria, a história que nós contamos, são transformações de cada um de nós” (Bruner 1986, 12). Nestas transformações existe uma descoberta contínua de significados, o autor chama a atenção de que “todos nós antropólogos e informantes, devemos aceitar a responsabilidade para entender a sociedade como dita e redita” (ibidem, 15). Bruner (1986) sublinha que os significados não são fixos, continuamente são descobertos novos significados e neste sentido refere que todas as histórias são parciais. O autor relembra que as histórias recontadas são modificadas também pela variância no contexto e na audiência. Para o autor todo o contar é interpretativo, no sentido em que é passível de sofrer influências baseadas nas conceções do próprio antropólogo no modo como interpreta os dados de campo. Bruner (1986) concebe que o processo interpretativo opera a dois níveis distintos: “as pessoas que nós estudamos interpretam as suas próprias experiências em formas expressivas, e nós, por sua vez, através do nosso trabalho de campo, interpretamos estas expressões para uma audiência de casa de outros antropólogos. As nossas produções antropológicas são as nossas histórias acerca das suas histórias; nós interpretamos as pessoas assim como elas se interpretam a si mesmas” (Bruner 1986, 10). O físico Heisenberg (1963, 75), a este propósito refere que, “o que observamos não é a própria natureza, mas a natureza exposta pelo nosso método de questionar” (como citado em Capra 2009, 139). Nesta perspetiva, “o observador decide qual vai ser o método empregue para quantificar e esta opção vai determinar, de alguma forma, as propriedades do objeto

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observado. Se a opção é modificada, as propriedades do objeto observado modificar-se- ão correspondentemente” (Capra 2009, 139).

Na nossa ótica, o terapeuta e investigador antropológico deve ter um roteiro mental no sentido de conduzir o processo das performances astrológicas e simultaneamente não perder de vista os objetivos da investigação, e nesse sentido parece- nos até crucial que ele possua algumas pré-conceções teóricas e resultantes das suas experiências pessoais. Mas o que gostaríamos de reforçar, é que o terapeuta que investiga deve estar aberto a mudar as suas pré-conceções, a revê-las sempre que necessário, tomando consciência que os próprios participantes também têm as suas crenças e visões acerca da realidade, e desta forma estar capaz de interiorizar que os significados são partilhados e co-autorados. Relativamente ao modo como se podem medir os significados, atribuídos à experiência, Victor Turner (1986) diz-nos o seguinte: “todo o ato humano é impregnado com significado, e significado é difícil de medir, embora ele possa frequentemente ser entendido, mesmo se apenas passageiramente e de modo ambíguo. Significado surge quando tentamos colocar o que a cultura e a linguagem cristalizaram do passado juntamente com aquilo que sentimos, desejamos, e pensamos acerca do nosso ponto presente na vida” (V. Turner 1986, 33). Mesmo no caso das experiências designadas como típicas, em que os feitos dos indivíduos e da comunidade são partilhados, deve-se levar em linha de conta que “não são apenas as experiências que são partilhadas, mas os sentimentos delas decorrentes: as ações e os sentimentos reforçam-se mutuamente” (Abrahams 1986, 60). De acordo com Dewey (1934) uma experiência para além de envolver sentimentos intensos que transportam os indivíduos para fora do seu fluxo quotidiano, também envolve a passagem da atividade em andamento para uma história reportável, em que “as histórias neste sentido devem ser suficientemente interessantes, bem como incomuns para os outros concordarem em classificá-las como uma experiência” (como citado em Abrahams 1986, 61). O reconhecimento da distinção entre aquilo que pode ser inserido no mais ou menos comum e aquilo que possa ser designado por eventos especiais está relacionado com a capacidade reflexiva, de se ser capaz de reconhecer tipicamente, tornando assim a experiência em uma experiência (Abrahams 1986). Segundo Abrahams (1986) a diferença entre a experiência e a Grande experiência, entre as experiências quotidianas e as mais significativas, está dependente “do quadro interpretativo que usamos para discutir a experiência. De alguma forma e em algum lugar entre a experiência e a Grande experiência, nós impomos um quadro sobre a atividade chamando a atenção para o seu

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carácter extraordinário” (ibidem, 62). Como exemplo dessa atenção consciente Abrahams refere a preparação para as atividades, em que distingue dois tipos de uma experiencia: a) aquela que resulta diretamente fora do fluxo da vida quotidiana, com pouca ou nenhuma preparação explícita; b) e aquelas que planejamos. Ambas partilham uma elevação da consciência e têm a possibilidade de serem repetidas ou relatadas em histórias e “quanto maior o grau de autoconsciência de preparação e estilização, mais a experiência pode ser partilhada, mas também maior o risco de que a qualidade do preparo do evento seja considerada mais como uma restrição do que como libertação” (ibidem, 63). Inserem-se dentro das atividades decorrentes do fluxo da vida, a preparação das famílias para épocas festivas como o Natal, a preparação dos membros da comunidade para um concurso, piquenique, desfile, em que há um tempo permitido pela comunidade para tais eventos. O autor refere que podemos entrar num jogo de faz-de-conta, em que não somos nós mesmos e nos libertamos das nossas responsabilidades e isso “porque estamos envolvidos não tanto em experimentar as coisas diretamente, mas em repeti-las”, e neste caso, “os elementos de preparação, de ensaio e de recapitulação introduzem uma espécie de distância das ações, já que podem ser promulgadas no mundo real” (Abrahams 1986, 63). Funcionar no “como se”. A experiência preparada com maior grau de autoconsciência pode levar à passagem do “como se” em que manifestamos selfs alternativos, para a centração no nosso eu, no nosso melhor comportamento. Este é o caso das experiências cerimoniais, e em tais ocasiões formais “não existe nenhum alívio do facto de se estar a ser julgado pelo que fazemos e de como agimos; pelo contrário, tais experiências são aquelas nos quais o realce aumento do status individual, é a razão de ser para a atividade” (Abrahams, 1986, 63).