2. Theoretical background
2.2 Reading comprehension
A abordagem utilizada pelo pesquisador para o estabelecimento dos itens de medição partiu do desdobramento dos requisitos de cada uma das dimensões para objetivos que a Organização deverá perseguir a fim de obter uma melhor sinergia.
Quanto à construção do terceiro nível do escopo do instrumento de medição proposto neste trabalho, o critério adotado é o desdobramento das dimensões considerando a estruturação das ferramentas de origem, conforme ilustrado na Figura 13. A totalidade dos critérios de avaliação da Perspectiva da Sinergia Estratégica (BITITCI et al., 2007) foi mapeada para os itens de medição da Dimensão Estratégica do instrumento proposto nesta pesquisa. Quanto aos critérios que compõem o Modelo de Gestão de Redes de Cooperação (BORTOLASO 2009), estes foram utilizados na sua totalidade e distribuídos da seguinte forma:
• Critério “Estratégia”: mapeado para o item de medição da Dimensão Estratégica, pois aborda a temática relacionada ao planejamento estratégico e suas ações; complementado, dessa forma, a totalidade dos itens de medição da Dimensão Estratégica. Os itens de medição dessa dimensão compreendem a medição da
autoconsciência da importância da estratégia da Organização, a consciência coletiva sobre a estratégia de cooperação em rede e a formalização de um plano estratégico para toda a Organização.
• Critério “Processos”: mapeado para o item de medição “Padronização de Processos” da Dimensão Operacional, pois aborda aspectos concernentes à uniformidade dos processos relacionados à operação do dia-a-dia das Unidades de Negócio pertencentes à rede (Organização).
• Critérios “Estrutura”, “Relacionamento”, “Coordenação e Liderança”,
“Resultado”: mapeados como itens de medição da Dimensão de Gestão da Organização (rede).
Figura 16: Mapeamento dos Itens de Medição Estratégicos, de Gestão e Operacional Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Bititci et al. (2007) e Bortolaso (2009)
Ainda, com o objetivo de complementar a ferramenta, contemplando aspectos relativos à via da Governança Corporativa como uma forma de obter melhores resultados através da Sinergia Organizacional, a Dimensão de Gestão foi complementada incluído-se um item de medição que tem como fonte o terceiro capítulo do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa que aborda a gestão da Organização e coordenação da diretoria. Para o contexto desta pesquisa, verificar-se-á mais especificamente a temática relacionada à publicação e acesso a informações, conforme ilustrado na Figura 17.
Figura 17: Mapeamento dos Itens de Medição – Dimensão de Gestão Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Bortolaso (2009) e IBGC (2009)
Com a inclusão deste item de medição, tem-se a totalidade dos itens da Dimensão de Gestão, compreendendo: Governança Corporativa, Estrutura, Relacionamento, Coordenação e Liderança e Resultado.
Quanto à composição dos itens de medição da Dimensão Operacional, foi adotada a totalidade dos critérios de avaliação de Bititci et al. (2007), sendo mapeados para o instrumento proposto nesta pesquisa como “Processos Internos” e “Processos entre Unidades de Negócio”. Estes dois itens somam-se ao item “Padronização de Processos”, conforme descrito anteriormente, tendo como origem Bortolaso (2009).
Além disso, para esta dimensão, cabe mencionar que foram incluídos os processos candidatos ao compartilhamento de recursos e serviços considerando estes como uma forma de melhorar o desempenho organizacional através da sinergia, de acordo com o que foi conforme citado na introdução deste trabalho, na justificativa acadêmica e empresarial e no referencial teórico.
A Figura 18 ilustra esse mapeamento, congregando os oito itens de medição que compõem a Dimensão Operacional, sendo: Padronização de processos, Processos Internos, Processos entre Unidades de Negócio, Compartilhamento de Serviços Financeiros e Contábeis, Compartilhamento de Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), Compartilhamento de Serviços de Recursos Humanos, Compartilhamento de Serviços de Logística/Suprimentos e de Serviços Comerciais.
Figura 18: Mapeamento dos Itens de Medição – Dimensão Operacional
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Bititci et al. (2007), Bortolaso (2009), Porter (1999), Quinn, Cooke e
Kris (2000), Schulman et al. (2001) e Bergeron (2003)
Cabe destacar que não é objeto desta pesquisa identificar quais são todos os processos candidatos ao compartilhamento de serviços, como também não é objeto da pesquisa medir a qualidade do compartilhamento de serviços, mas sim medir a percepção do grau (quanto) de compartilhamento existente dentro da Organização objeto deste estudo de caso.
Quanto aos itens de medição das Dimensões Cultural e Comercial, o critério adotado foi a totalidade dos critérios de avaliação de Bititci et al. (2007), segundo o qual o critério “Comercial” foi mapeado para o item de medição “Confiança e Compromissos Comerciais” e o critério “Cultural” para o item de medição “Cultura”, conforme ilustrado na Figura 19.
Figura 19: Mapeamento dos Itens de Medição – Dimensão Comercial e Cultural Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Bititci et al. (2007)
Com o mapeamento dos itens de medição comerciais e culturais, conclui-se o mapeamento dos itens de todas as dimensões; tendo, portanto, estruturado o escopo do instrumento de medição contemplando as cinco dimensões e os seus respectivos 18 itens de medição. Cabe destacar que o objetivo não é identificar todos os itens que possam contribuir para a medição da sinergia organizacional para cada uma das dimensões, como também não é intenção classificar os itens de medição segundo a sua contribuição para uma maior ou menor sinergia.
Dando continuidade ao detalhamento dos itens de medição, o Quadro 15 sintetiza a estruturação do que compõe cada uma das dimensões, relacionando-as com os itens de medição e seus respectivos referenciais, sendo que, na sequência, segue a caracterização de cada um desses itens.
Dimensões Itens de medição
Sinergia Estratégica
Autoconsciência da importância da estratégia organizacional (BITITCI et al., 2007) Consciência coletiva da estratégica de cooperação em rede (BITITCI et al., 2007) Plano estratégico da Organização (BORTOLASO, 2009)
Sinergia de Gestão
Governança corporativa (IBGC, 2009)
Coordenação e liderança (BORTOLASO, 2009) Resultado (BORTOLASO, 2009)
Estrutura (BORTOLASO, 2009) Relacionamento (BORTOLASO, 2009)
Sinergia Operacional
Processos internos (BITITCI et al., 2007)
Processos entre unidades de negócio (BITITCI et al., 2007) Padronização de processos (BORTOLASO, 2009)
Compartilhamento de serviços Financeiros e Contábeis Compartilhamento de serviços de TIC
Compartilhamento de serviços de Recursos Humanos Compartilhamento de serviços de Logística e Suprimentos Compartilhamento de serviços Comerciais
Sinergia Cultural Cultura (BITITCI et al., 2007)
Sinergia Comercial Confiança e Compromissos Comerciais (BITITCI et al., 2007)
Quadro 15: Relacionamento das Dimensões e Itens de Medição de Sinergias Fonte: Elaborado pelo autor
Segue, abaixo, o detalhamento de cada um dos itens de medição apresentados no Quadro 15.
a) Autoconsciência da importância da estratégia organizacional: este item de medição tem como objetivo medir a percepção da autoconsciência da Organização sobre seu ambiente estratégico e operacional abordando o conhecimento das políticas globais (legislação e mercado) que afetam toda a rede, conhecimento dos pontos fracos, fortes, ameaças e oportunidades relacionadas à rede, as competências essenciais da rede e a nova proposta de valor agregada a todas as Unidades de Negócio por atuar em cooperação (BITITCI et al., 2007).
b) Consciência coletiva da estratégia de cooperação em rede: este item de medição tem como objetivo avaliar a percepção da consciência sobre a importância da cooperação entre as Unidades de Negócio abordando aspectos, tais como as competências instaladas na rede, a cooperação como estratégia organizacional, o compartilhamento de ganhos e riscos e o conhecimento das Unidades de Negócio parceiras da rede (BITITCI et al., 2007).
c) Plano estratégico da Organização: este item visa medir a percepção das ações estratégicas por meio da formulação e do direcionamento estratégico da Organização formalizando os desdobramentos em planos e metas com vistas à manutenção e à geração de resultados. Aborda aspectos relacionados ao desenvolvimento de um planejamento estratégico e alinhamento com as estratégias de cada Unidade de Negócio (BORTOLASO, 2009).
d) Governança corporativa: visa medir a percepção ao acesso e o conteúdo das informações da Organização através da disponibilização de relatórios anuais do desempenho (IBGC, 2009).
e) Coordenação e liderança: este item visa medir a percepção da existência de uma estrutura de coordenação da Organização com vistas à manutenção dos instrumentos contratuais, de uma liderança para alavancar o crescimento e fortalecimento da Organização bem como o desenvolvimento de um ambiente propício para a interação e troca de ideias (BORTOLASO, 2009).
f) Resultado: este item visa medir a percepção dos resultados e benefícios obtidos pela Organização nas suas Unidades de Negócio sendo que um bom desempenho neste item contribui para a competitividade e consolidação da Organização. Verifica aspectos relacionados ao compartilhamento de conhecimento, credibilidade, acesso aos recursos e desempenho financeiro (BORTOLASO, 2009).
g) Estrutura: este item visa medir a percepção perante a disponibilização dos recursos da Organização e das Unidades de Negócio para administrar a rede, tais como escritório com infraestrutura para funcionamento administrativo, profissionais com capacidade para gerenciar a rede, utilização de um sistema de gestão (ERP), etc. Aborda também aspectos relacionados à financiabilidade da Organização tendo como foco a capacidade que a rede tem de gerar recursos para a sua manutenção (BORTOLASO, 2009).
h) Relacionamento: este item visa medir a percepção perante a interação com os interessados (stakeholders), definição de políticas de relacionamento com parceiros externos (universidades, governos, organizações não governamentais) e entre as Unidades de Negócio (BORTOLASO, 2009).
i) Processos internos: visa medir se os processos operacionais e controles internos de cada Unidade de Negócio estão definidos e disseminados na própria Unidade de Negócio (garantir que a sua própria casa esteja em ordem). Aborda os processos de suporte às negociações (desempenho dos gestores), os processos de suporte interno (BackOffice) e os processos de negócio (BITITCI et al., 2007).
j) Processos entre unidades de negócio: visa medir se os processos entre as Unidades de Negócio estão claramente definidos e disseminados entre as mesmas (processos operacionais para além das fronteiras individuais). Aborda os controles entre as unidades contemplando a sistematização da conversação estratégica, visibilidade do desempenho da Unidade de Negócio, definição dos processos entre unidades e o relacionamento entre elas (BITITCI et al., 2007).
k) Padronização de processos: visa medir se a Organização gerencia, analisa e melhora os fluxos de trabalho evidenciando as premissas básicas para a operacionalização das ações em busca do desenvolvimento da gestão e do alinhamento dos atores envolvidos. Verifica aspectos relacionados à padronização da comunicação interna, processos administrativo-financeiros, processos de negociação, processos de expansão da Organização e processos de marketing (BORTOLASO, 2009).
l) Compartilhamento de serviços financeiros e contábeis: visa medir a otimização dos recursos (infraestrutura e pessoal), a gestão dos serviços compartilhados e a definição das políticas da Organização contemplando as políticas para o atendimento as obrigações externas, bem como políticas internas à Organização. Abrange os processos financeiros e contábeis abordando contas a pagar e a receber, faturamento, contabilidade, cobrança e crédito, viagens e despesas, apuração de impostos, contabilidade gerencial, análise financeira, tesouraria, planejamento tributário, relação com os acionistas, estrutura de capital e captação. m) Compartilhamento de serviços de tecnologia da informação e comunicação:
visa medir a otimização dos recursos (infraestrutura e pessoal), a gestão dos serviços compartilhados e a definição das políticas da Organização contemplando aquelas para o atendimento das obrigações externas, bem como políticas internas à
Organização. Abrange os processos relacionados à tecnologia da informação e comunicação, abordando help desk, serviços de rede, manutenção da infraestrutura, comunicação, desenvolvimento de aplicativos, compras, desenvolvimento de estratégias de TIC e desenvolvimento de fornecedores globais. n) Compartilhamento de serviços de recursos humanos: visa medir a otimização dos recursos (infraestrutura e pessoal), a gestão dos serviços compartilhados e a definição das políticas da Organização contemplando as políticas para o atendimento às obrigações externas, assim como políticas internas à Organização. Abrange os processos relacionados ao desenvolvimento de recursos humanos e pagadoria, abordando folha de salários, benefícios, atendimento a funcionários, avaliação de desempenho, relatório de horas (ponto), recrutamento e treinamento, remuneração, políticas de Recursos Humanos (RH), relações trabalhistas e sindicais.
o) Compartilhamento de serviços de logística e suprimentos: visa medir a otimização dos recursos (infraestrutura e pessoal), a gestão dos serviços compartilhados e a definição das políticas da Organização contemplando as políticas para o atendimento às obrigações externas, bem como políticas internas à Organização. Abrange os processos relacionados à distribuição e fornecimento, abordando a contratação de pedidos, contratação de fretes e serviços de logística avulsa, administração da frota, negociação de contratos e suprimentos de longo prazo, planejamento logístico e negociação de fornecedores estratégicos.
p) Compartilhamento de serviços comerciais: visa medir a otimização dos recursos (infraestrutura e pessoal), a gestão dos serviços compartilhados e a definição das políticas da Organização contemplando as políticas para o atendimento às obrigações externas, bem como políticas internas a Organização. Abrange os processos de relacionamentos comerciais, abordando atendimento telefônico, colocação de pedidos, vendas em campo, política de vendas, preços e canais e o desenvolvimento de contas “chave”.
q) Cultura: este item de avaliação tem como objetivo medir a percepção da compatibilidade cultural e organizacional entre as Unidades de Negócio, abordando estilo de gestão, confiança e compromisso, cultura operacional, agilidade de resposta de gestão, compartilhamento de riscos, compartilhamento de sistemas e o compartilhamento de informações (BITITCI et al., 2007);
r) Confiança e compromissos comerciais: este item de avaliação tem como objetivo medir a percepção da confiança e dos compromissos comerciais através da clareza e robustez dos acordos comerciais para todos os parceiros da Organização, e também os riscos envolvidos. Aborda aspectos relacionados à transparência financeira da instituição parceira (externa à rede), prevenção de riscos, acordos de direitos de propriedade, mecanismos de financiamento e compartilhamento de ganhos (BITITCI et al., 2007).
Neste ponto, tem-se definido e delimitado o escopo no que concerne à via para a obtenção de sinergia, as dimensões e os respectivos itens de medição. Seguindo o refinamento, a próxima seção detalha não só os critérios de avaliação de cada um dos itens de medição, como também a construção do questionário que será utilizado para realizar a autoavaliação da percepção da Organização perante a sua sinergia organizacional.