2. MARCO TEÓRICO
2.3 E L LENGUAJE JUVENIL
2.3.3 Rasgos típicos de la conversación coloquial juvenil
A newsmagazine britânica mais vendida (cerca de um milhão e meio de
exemplares em 201387), é a The Economist. Esta publicação, ainda pouco estudada,
mereceria, por si só, uma investigação autónoma e aprofundada que não cabe neste trabalho.
Tal como as congéneres francesas, a The Economist tem a sua origem num jornal, fundado em setembro de 1843 pelo escocês James Wilson, político liberal, com o objetivo de defender o comércio livre (free trade). Antes desse primeiro número foi lançado um exemplar a 1 de agosto, que, não sendo contabilizado, deve corresponder àquilo que habitualmente se designa como “número zero” em que se testa o modelo.
Esta origem centenária, leva a que Christopher H. Sterling, na entrada “Newsweekly
magazines” da Encyclopedia of Journalism afirme que “o exemplo de newsmagazine
87 Números do relatório anual de 2013 do Grupo The Economist, disponíveis em: http://www.economistgroup.com/pdfs/annual_report_2013_final_for_web.pdf .
99
mais amplamente imitado foi a Time (…), mas dependendo da forma como se define
este género, a Time não foi a primeira revista deste tipo – a honra parece ir para a
britânica [The] Economist, que data da década de 184088”(Sterling, 2009).
Inicialmente, a publicação tinha um longo título, tal com era usual à época –
The Economist: or The Political, Commercial, Agricultural, & Free-Trade Journal – e a
circulação semanal não atingia os dois mil exemplares. Dois anos mais tarde, em 1845, a designação cresce, passando a The Economist, Weekly Commercial Times, Bankers'
Gazette, & Railway Monitor. A Political, Literary, and General Newspaper, ao mesmo
tempo que inicia a sua internacionalização, com uma pequena parte das vendas provenientes de outros países europeus e dos Estados Unidos. As tiragens foram aumentando tímida mas sustentadamente (abaixo dos quatro mil exemplares até 1881), ultrapassando os seis mil apenas em 1920, já com 75 anos de existência.
Em 1934, o jornal sofre a sua primeira grande alteração de projeto gráfico. Os subtítulos caem, a publicação passa a ter como título
apenas The Economist, e o lettering do logótipo moderniza-se e assemelha-se ao que ainda hoje perdura. Quatro anos mais tarde, em 1938, a tiragem atinge os dez mil exemplares, metade dos quais oriundos das vendas internacionais. O The
Economist ultrapassa os 55 mil exemplares em 1956,
e é a 15 de agosto de 1959 que o logótipo de fundo vermelho e letras brancas, ainda hoje utilizado, surge pela primeira vez, acompanhado por uma
barra vermelha em rodapé – introduzindo-se, assim,
a cor na capa. A 31 de outubro do mesmo ano e
88 No original e na versão completa: “The most widely emulated example of the news-weekly genre is
Time, which has published for 85 years. But depending how one defines the genre, Time was not the
first such weekly—that honor would seem to go to Britain's Economist, which dates to the 1840s.”
Figura 8: A primeira capa totalmente a
100 após a presença de algumas ilustrações na capa, surgem as primeiras fotografias na primeira página. As cores invadem pela primeira vez a totalidade da capa a 22 de março de 1969.
Coincidência ou não, um ano mais tarde, em 1970, a fasquia dos 100 mil
exemplares de tiragem é ultrapassada – 127 anos após o primeiro número. Oito anos
depois, a publicação resolve apostar no mercado norte-americano e em 1984 as tiragens já ultrapassavam os 250 mil exemplares. São precisos apenas mais oito anos para o The Economist duplicar a tiragem, que ultrapassa o meio milhão em 1992. Em 1996, o jornal ultrapassa os 600 mil exemplares e cobre mais de 180 países.
No último semestre de 2005, o The Economist ultrapassou a barreira do milhão de exemplares, um ano antes de John Micklethwait, o atual editor, assumir a direção
da publicação89. Em torno do título foi-se desenvolvendo um grupo económico, o The
Economist Group, que inclui outras publicações e participações em negócios fora da esfera dos média. Em plena crise económica mundial e contrariando o panorama da imprensa internacional no mundo ocidental, a circulação da revista continua a subir, ultrapassando o milhão e meio (números da versão impressa e digital), e o Grupo atingiu os 49 milhões de libras de lucro líquido, uma subida de três por cento em relação a 2012. Como explicar este êxito extemporâneo de uma revista com um preço
de capa em Portugal de €5,8 (que desce no caso das assinaturas), e com os conteúdos
impressos totalmente disponíveis online?
No site oficial, a publicação justifica-o pela filosofia editorial do Grupo. Todas as semanas, por baixo dos dados referentes ao volume e número (que nunca foram
interrompidos desde o lançamento do jornal) o The Economist escreve: “Publicado
pela primeira vez em setembro de 184390 para fazer parte de uma luta rigorosa entre a inteligência, que faz avançar, e uma ignorância indigna e tímida que obstrói o nosso progresso’”. Também no site do Grupo, John Micklethwait afirma – “a nossa visão do mundo, o nosso estilo, a nossa filosofia no seu todo são diferentes das outras publicações”. E o editor continua: “nós somos internacionais, nós damos ênfase às
89
Mais dados históricos disponíveis em:
http://www.economistgroup.com/what_we_do/our_history.html. 90 A negrito no original.
101 ligações entre política e economia, nós somos irreverentes e nós somos independentes”.
Na linguagem oficial da revista91, lê-se que a “The Economist é e sempre foi uma publicação, às vezes de opinião radical, com uma reverência pelos factos”. E considera que se encontra “firmemente implantada como uma das publicações com mais autoridade e influência do mundo”. São três os fatores apontados como justificativos da qualidade da revista: independência, objetividade e atualidade.
No que toca à independência, metade das ações da empresa pertencem desde 1928 ao Financial Times, que faz parte do grupo Pearson. Apesar disso, a forma como a outra metade se divide permite que nenhum indivíduo ou organização possa obter a maioria das ações, que se encontram em grande parte distribuídas pelos empregados
atuais e reformados, assim como pelos herdeiros dos fundadores da revista92. Existem
depois ações atribuídas a um Fundo, gerido por quatro curadores, que avalizam algumas decisões, como a nomeação do presidente do Grupo e a escolha do editor da
The Economist. A empresa afirma que os curadores são “pessoas independentes de
influências comerciais, políticas e económicas”, mas consultando o breve resumo do
currículo de cada uma delas93, percebe-se que todas têm experiência e ligações a uma
ou a mais do que uma dessas áreas.
Em relação à objetividade, a revista sublinha a sua individualidade em relação a publicações congéneres, pela ausência de assinaturas nas peças jornalísticas, filosofia que a Time e a Newsweek também adotaram inicialmente, mas depois abandonaram.
E explica que The Economist “é escrito anonimamente porque é um jornal cuja voz
coletiva e personalidade importam mais do que as identidades dos jornalistas individuais”94
. Contudo, também há um sublinhar claro de que as peças jornalísticas são discutidas entre todos e, muitas vezes, sujeitas a edições profundas. Geoffrey
91
Informação consultada em:
http://www.economistgroup.com/what_we_do/editorial_philosophy.html . 92 Informação disponível em:
http://www.economistgroup.com/results_and_governance/ownership.html .
93 Disponíveis em http://www.economistgroup.com/results_and_governance/trustees.html . 94 Citações retiradas de http://www.economistgroup.com/what_we_do/editorial_philosophy.html .
102 Crowther, que esteve à frente da redação de 1938 a 1956, afirmava que o anonimato
torna o editor “não o senhor, mas o servo de alguma coisa maior do que ele”95
.
A atualidade é outro dos argumentos usados para diferenciar a publicação das restantes newsmagazines. Reconhecendo que se trata de uma publicação semanal com o formato de revista, o Grupo explica que a The Economist se autodenomina como jornal porque “cobre notícias assim como opinião e trabalha para se aproximar
do deadline de um jornal”96. Dá como exemplo disso o facto de o editorial ser muitas
vezes reescrito até ao momento em que segue para publicação, à quinta-feira à noite (no caso das edições para a Europa, Ásia e Estados Unidos), assegurando que na maioria dos países, se encontra disponível nas bancas no dia seguinte.
Esta obstinação em se manter próximo da sua origem como jornal, faz com que muitos considerem de facto esta revista diferente das newsmagazines, pela aposta em
peças curtas97, seriedade e clareza do tom e diversidade de temas abordados. O título
(The Economist) também faz como que muitas vezes seja associada e referida como uma revista especializada em economia, apesar de isso não corresponder à realidade. A The Economist só em 2001 passou a publicar todas as páginas a cores, terminando a tradição secular de um interior a preto e branco, próximo da visualidade de um jornal, mesmo quando as cores já preenchiam a capa. Por todas estas características, é possível afirmar que a publicação britânica é o híbrido perfeito, a verdadeira “jorvista”, a ponte entre o jornal e a newsmagazine tradicional fundada com a Time.